A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Certamente. – O eunuco atravessou a sala e pegou o jarro de água. – Posso servi-lo, senhor? – perguntou enquanto enchia uma taça.
– Sim. Mas não com água. – Juntou as mãos. – Quero que me traga Shae.
Varys bebericou.
– Isso será sensato, senhor? A querida e doce criança. Seria uma pena tão grande se o seu pai a enforcasse.
Não o surpreendeu que Varys soubesse.
– Não, não é sensato, é uma maldita loucura. Quero vê-la uma última vez, antes de mandá-la embora. Não consigo tolerar tê-la tão perto.
– Compreendo.
Como você pode compreender? Ainda no dia anterior Tyrion a vira, subindo a escada em espiral com um balde de água. Ficara vendo um jovem cavaleiro oferecendo-se para levar o pesado balde. O modo como ela tocou o braço dele e sorriu havia dado nós nas entranhas de Tyrion. Tinham passado a centímetros um do outro, ele descendo e ela subindo, tão perto que conseguira sentir o cheiro fresco e limpo de seus cabelos. Ela disse “Senhor” para ele, com uma pequena reverência, e ele quis estender a mão, agarrá-la e beijá-la logo ali, mas tudo que pôde fazer foi dar um rígido aceno de cabeça e seguir, bamboleando, o seu caminho.
– Vi-a várias vezes – disse a Varys –, mas não me atrevo a falar com ela. Suspeito que todos os meus movimentos estão sendo vigiados.
– Essa suspeita mostra a sua sensatez, meu bom senhor.
– Quem? – Tyrion inclinou a cabeça.
– Os Kettleblack entregam frequentes relatórios à sua querida irmã.
– Quando penso em todo o dinheiro que paguei a esses miseráveis... acha que há alguma hipótese de mais ouro reconquistá-los?
– Há sempre uma hipótese, mas eu não apostaria nisso. Eles agora são cavaleiros, todos os três, e sua irmã prometeu-lhes mais promoções. – Um risinho abafado e perverso irrompeu de entre os lábios do eunuco. – E o mais velho, Sor Osmund da Guarda Real, sonha também com outros certos... favores. Você pode igualar a rainha moeda a moeda, não duvido, mas ela tem uma segunda bolsa que é bastante inesgotável.
Sete infernos, pensou Tyrion.
– Está sugerindo que Cersei anda fodendo o Osmund Kettleblack?
– Oh, deuses, não, isso seria terrivelmente perigoso, não acha? Não, a rainha só sugere... talvez amanhã, ou depois do casamento... e depois um sorriso, um sussurro, um gracejo irreverente... um seio roçando levemente na manga dele quando se cruzam... e no entanto parece funcionar. Mas o que um eunuco poderia saber dessas coisas? – a ponta de sua língua correu pelo lábio inferior como um animal tímido e cor-de-rosa.
Se conseguisse de algum modo levá-los a fazer mais do que carícias dissimuladas, arranjar uma maneira de o pai pegá-los juntos na cama... Tyrion levou os dedos à escara do nariz. Não via como isso seria realizável, mas talvez lhe ocorresse algum plano mais tarde.
– Os Kettleblack são os únicos?
– Bom seria se assim fosse, senhor. Temo que haja muitos olhos postos em você. É... como direi? Impossível de ignorar? E não muito amado, lamento dizê-lo. Os filhos de Janos Slynt iriam denunciá-lo de bom grado para vingar o pai, e o nosso querido Lorde Petyr tem amigos em metade dos bordéis de Porto Real. Se fosse suficientemente insensato para visitar um qualquer, ele saberia de imediato, e o senhor seu pai, pouco depois.
É ainda pior do que eu temia.
– E o meu pai? Quem ele tem para me espiar?
Dessa vez o eunuco riu alto.
– Ora, eu, senhor.
Tyrion também riu. Não era suficientemente tolo para confiar mais em Varys do que era obrigado... mas o eunuco já sabia o suficiente sobre Shae para que ela fosse facilmente enforcada.
– Você vai me trazer Shae através das paredes, escondida de todos esses olhos. Como fez antes.
Varys torceu as mãos.
– Oh, senhor, nada me agradaria mais, mas... o Rei Maegor não queria ratazanas em suas paredes, se entende o que quero dizer. Ele exigiu uma maneira de sair secretamente, para o caso de ficar alguma vez encurralado por seus inimigos, mas essa porta não tem ligação com nenhuma outra passagem. Posso roubar a sua Shae da Senhora Lollys durante algum tempo, com certeza, mas não tenho como levá-la até o seu quarto sem que sejamos vistos.
– Então leve-a a outro lugar qualquer.
– Mas onde? Não há lugar seguro.
– Há. – Tyrion deu um sorriso. – Aqui. É hora de dar um uso melhor àquela sua cama dura como pedra, creio eu.
A boca do eunuco abriu-se. Depois soltou um risinho.
– Lollys cansa-se facilmente nos dias atuais. Está muito grávida. Imagino que estará dormindo em segurança por volta do nascer da lua.
Tyrion saltou da cadeira.
– Então será ao nascer da lua. Trate de arranjar algum vinho. E duas taças limpas.
Varys fez uma reverência.
– Será feito como o senhor ordena.
O resto do dia pareceu rastejar, lento como um verme em melaço. Tyrion subiu até a biblioteca do castelo e tentou se distrair com a História das guerras de Roine, de Beldecar, mas quase nem conseguia ver os elefantes, com a imaginação ocupada como estava pelo sorriso de Shae. Quando a tarde chegou, pôs o livro de lado e pediu um banho. Esfregou-se até a água esfriar, e depois ordenou que Pod aparasse sua barba. Esta era uma provação para si mesmo; um emaranhado de pelos amarelos, brancos e pretos, irregular e grosseira, raramente menos do que desagradável à vista, mas servia para esconder parte de seu rosto, e isso era sempre bom.
Quando ficou tão limpo, cor-de-rosa e aparado como lhe era possível, Tyrion vasculhou o guarda-roupa e escolheu um par de calções apertados de cetim, do carmesim Lannister, e seu melhor gibão, o de pesado veludo negro com os rebites em forma de cabeça de leão. Teria colocado também a sua corrente de mãos douradas, se o pai não a tivesse roubado dele enquanto estava à beira da morte. Só depois de se vestir é que compreendeu a que ponto aquela loucura tinha chegado. Sete infernos, anão, perdeu todo o juízo quando perdeu o nariz? Qualquer pessoa que o veja vai querer saber por que vestiu a roupa para audiências para visitar o eunuco. Praguejando, Tyrion despiu-se e voltou a vestir-se, com um traje mais simples; calções pretos de lã, uma velha túnica branca e um gibão de couro marrom desbotado. Não importa, disse a si mesmo enquanto esperava que a lua nascesse. Vista o que vestir, continua sendo um anão. Nunca será tão alto como aquele cavaleiro na escada, com as suas longas pernas retas, barriga dura e largos ombros viris.
A luz se projetava sobre a muralha do castelo quando disse a Podrick Payne que ia visitar Varys.
– Vai demorar, senhor? – perguntou o garoto.
– Ah, espero que sim.
Com a Fortaleza Vermelha tão cheia de gente, Tyrion não podia acalentar a esperança de passar despercebido. Sor Balon Swann estava de guarda junto à porta, e Sor Loras Tyrell, à ponte levadiça. Parou para trocar amabilidades com ambos. Era estranho ver o Cavaleiro das Flores todo de branco quando anteriormente andara sempre tão colorido como um arco-íris.
– Quantos anos você tem, Sor Loras? – perguntou-lhe.
– Dezessete, senhor.
Dezessete, belo, e já uma lenda. Metade das garotas dos Sete Reinos querem dormir com ele, e todos os rapazes querem ser ele.
– Se me perdoa a pergunta, sor... por que é que alguém escolhe se juntar à Guarda Real aos dezessete anos?
– O Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão, proferiu os votos aos dezessete – disse Sor Loras –, e o seu irmão Jaime era ainda mais novo.
– Eu conheço os motivos deles. Quais são os seus? A honra de servir junto a modelos de cavalaria como Meryn Trant e Boros Blount? – deu ao rapaz um sorriso zombeteiro. – Para defender a vida do rei, desistiu da sua. Abriu mão de suas terras e títulos, perdeu a esperança num casamento, em filhos...