A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Ao chegar aos portões do castelo, encontrou-os também fechados. Davos bateu com o punho na madeira reforçada com ferro. Quando não obteve resposta, chutou-a, uma e mais outra vez. Por fim, um besteiro surgiu no topo da barbacã, espreitando para baixo, entre duas grandes gárgulas.
– Quem vem lá?
Davos ergueu a cabeça e pôs as mãos em volta da boca.
– Sor Davos Seaworth, para falar com Sua Graça.
– Está bêbado? Vá embora e pare de bater.
Salladhor Saan prevenira-o. Davos tentou outra linha de ação.
– Então mande chamar meu filho. Devan, o escudeiro do rei.
O guarda franziu a testa.
– Quem você disse que era?
– Davos – gritou –, o cavaleiro das cebolas.
A cabeça desapareceu, voltando um momento mais tarde.
– Desapareça. O cavaleiro das cebolas morreu no rio. O navio dele queimou.
– O navio dele queimou – concordou Davos –, mas ele sobreviveu, e está aqui. Jate ainda é capitão do portão?
– Quem?
– Jate Blackberry. Ele me conhece bastante bem.
– Nunca ouvi falar. O mais certo é que esteja morto.
– Então Lorde Chyttering.
– Esse conheço. Ardeu na Água Negra.
– Will Cara-de-Anzol? Hal, o Porco?
– Morto e morto – disse o besteiro, mas seu rosto traiu uma súbita dúvida. – Espere aqui. – Voltou a desaparecer.
Davos esperou. Morreram, morreram todos, pensou, entorpecido, lembrando-se de como a barriga branca do gordo Hal se mostrava sempre por baixo de seu gibão manchado de gordura, da longa cicatriz que o anzol deixara no rosto de Will, do modo como Jate costumava tirar o chapéu para as mulheres, tivessem elas cinco ou cinquenta anos, fossem bem ou mal-nascidas. Afogados ou queimados, com meus filhos e outros mil, desaparecidos para fazer um rei no inferno.
De repente, o besteiro regressou.
– Dê a volta até a porta de surtida, e vão deixá-lo entrar.
Davos fez o que lhe foi pedido. Os guardas que o admitiram eram estranhos para ele. Transportavam lanças e, no peito, usavam o símbolo da raposa e das flores da Casa Florent. Escoltaram-no não para o Tambor de Pedra, como esperava, mas fizeram-no passar sob o arco da Cauda do Dragão e através do Jardim de Aegon.
– Espere aqui – disse-lhe o sargento.
– Sua Graça sabe que eu voltei? – perguntou Davos.
– Sei lá, que se dane. Espere, já falei. – O homem foi embora, levando consigo os lanceiros.
O Jardim de Aegon tinha um agradável aroma de pinheiro e altas e escuras árvores erguiam-se por todos os lados. Também havia rosas silvestres, e grandes cercas vivas espinhosas, e um local pantanoso onde cresciam mirtilos.
Por que será que me trouxeram para cá?, questionou-se Davos.
Então ouviu um tênue tinir de sinos, e um risinho de criança, e de repente o bobo Cara-Malhada saltou dos arbustos arrastando os pés o mais depressa que conseguia, com a Princesa Shireen logo atrás.
– Volte aqui – ela vinha gritando. – Malhas, volte aqui.
Quando o bobo viu Davos, parou subitamente, com as campainhas em seu capacete de latão guarnecido de chifres fazendo ting-a-ling, ting-a-ling. Saltitando de um pé para o outro, cantou:
– Sangue de bobo, sangue de rei, sangue na coxa da donzela, mas pros convidados e noivo, correntes, lá, lá, lá. – Shireen quase o pegou nessa hora, mas no último instante o bobo saltou por cima de um grupo de samambaias e desapareceu por entre as árvores. A princesa seguiu logo atrás. Vê-los fez Davos sorrir.
Virara-se para tossir na mão enluvada quando outra pequena silhueta saltou da cerca viva e esbarrou nele, atirando-o ao chão.
O rapaz também caiu, mas se levantou quase de imediato.
– Que está fazendo aqui? – quis saber enquanto se sacudia. Cabelos negros de azeviche caíam sobre seu colarinho, e os olhos eram de um azul surpreendente. – Não devia ficar na minha frente quando estou correndo.
– Não – concordou Davos. – Não devia. – Outro ataque de tosse dominou-o na hora em que lutava para ficar de joelhos.
– Está mal? – o garoto pegou-o pelo braço e ajudou-o a se levantar. – Devo chamar o meistre?
Davos balançou a cabeça.
– É uma tosse. Vai passar.
O garoto não pensou mais no assunto.
– Estávamos brincando de monstros e donzelas – explicou. – Eu era o monstro. É um jogo infantil, mas a minha prima gosta dele. Tem um nome?
– Sor Davos Seaworth.
O rapaz olhou-o de cima a baixo com ar de dúvida.
– Tem certeza? Não parece muito cavalheiresco.
– Sou o cavaleiro das cebolas, senhor.
Os olhos azuis pestanejaram.
– O do navio negro?
– Conhece essa história?
– Trouxe ao meu tio Stannis peixe para comer antes de eu nascer, quando Lorde Tyrell o tinha cercado. – O rapaz ficou ereto. – Sou Edric Storm – anunciou. – Filho do Rei Robert.
– Claro que é. – Davos compreendera quase de imediato. O rapaz possuía as orelhas proeminentes de um Florent, mas os cabelos, os olhos, o maxilar, os malares eram todos Baratheon.
– Conheceu meu pai? – quis saber Edric Storm.
– Vi-o muitas vezes quando visitava seu tio na corte, mas nunca conversamos.
– Meu pai me ensinou a lutar – disse orgulhosamente o rapaz. – Vinha me visitar quase todos os anos, e às vezes treinávamos juntos. No último dia de meu nome mandou-me um martelo de guerra igualzinho ao dele, só que menor. Mas me obrigaram a deixá-lo em Ponta Tempestade. É verdade que meu tio Stannis cortou seus dedos?
– Só a ponta. Ainda tenho dedos, só que mais curtos.
– Mostre.
Davos tirou a luva. O rapaz estudou sua mão com atenção.
– Ele não encurtou seu polegar?
– Não. – Davos tossiu. – Não, o polegar deixou inteiro.
– Não devia ter cortado nenhum de seus dedos – decidiu o rapaz. – Isso foi errado.
– Eu era um contrabandista.
– Sim, mas contrabandeou peixe e cebolas para ele.
– Lorde Stannis fez-me cavaleiro pelas cebolas e cortou meus dedos pelo contrabando. – Vestiu as luvas.
– Meu pai não teria cortado seus dedos.
– Como quiser, senhor. – Robert era um homem diferente de Stannis, é bem verdade. O garoto é como ele. Sim, e também como Renly. Esse pensamento deixou-o ansioso.
O garoto preparava-se para dizer mais alguma coisa quando ouviram passos. Davos virou-se. Sor Axell Florent descia o caminho do jardim com uma dúzia de guardas com gibões acolchoados. Ao peito traziam o coração flamejante do Senhor da Luz. Homens da rainha, pensou Davos. Foi subitamente atacado pela tosse.
Sor Axell era baixo e musculoso, com abdome em forma de barril, braços fortes, pernas arqueadas, e pelos que cresciam em suas orelhas. Tio da rainha, tinha servido durante uma década como castelão de Pedra do Dragão, e sempre havia tratado Davos com cortesia, sabendo que ele desfrutava da predileção de Lorde Stannis. Mas não havia nem cortesia nem calor no tom de sua voz quando disse:
– Sor Davos, e não afogado. Como isso é possível?
– As cebolas flutuam, sor. Veio para me levar ao rei?
– Vim para levá-lo até a masmorra. – Com um gesto, Sor Axell mandou os homens avançarem. – Capturem-no e retirem a adaga dele. Ele pretende usá-la contra a nossa senhora.
JAIME
Jaime foi o primeiro a ver a estalagem. O edifício principal cingia a margem sul no local onde o rio virava, com as longas e baixas janelas estendendo-se ao longo da água como que para abraçar os viajantes que velejavam seguindo a corrente. O andar inferior era de pedra cinza, o superior, de madeira caiada, o telhado, de ardósia. Também via estábulos, e um caramanchão repleto de trepadeiras.