A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Já fizemos esse caminho antes – disse a irmã. – Você quer seguir na direção da Muralha e de seu corvo de três olhos. Isso está muito certo, mas a Muralha fica muito longe e Bran não tem outras pernas que não sejam as de Hodor. Se estivéssemos a cavalo...
– Se fôssemos águias, poderíamos voar – disse Jojen em tom cortante –, mas não temos asas, assim como não temos cavalos.
– Há cavalos que podemos obter – disse Meera. – Até mesmo nas profundezas da mata de lobos há lenhadores, caseiros, caçadores. Alguns devem ter cavalos.
– E se tiverem, vamos roubá-los? Somos ladrões? A última coisa de que precisamos é de homens nos perseguindo.
– Poderíamos comprá-los – disse ela. – Negociar por eles.
– Olhe para nós, Meera. Um rapaz aleijado com um lobo gigante, um gigante simplório e dois cranogmanos a mil léguas do Gargalo. Seremos reconhecidos. E a notícia vai se espalhar. Enquanto Bran permanecer morto, estará a salvo. Vivo, transforma-se numa presa para todos os que o querem morto de verdade e para sempre. – Jojen dirigiu-se à fogueira para avivar as brasas com um graveto. – Em algum ponto, ao norte, o corvo de três olhos nos espera. Bran precisa de um professor mais sábio do que eu.
– Como, Jojen? – perguntou a irmã. – Como?
– A pé – respondeu ele. – Um passo de cada vez.
– A estrada de Água Cinzenta até Winterfell nunca mais acabava, e nós estávamos montados. Você quer que percorramos um caminho mais longo a pé, sem sequer sabermos onde termina. Para lá da Muralha, você diz. Não estive lá, assim como você, mas sei que Para-lá-da-Muralha é um lugar grande, Jojen. Há muitos corvos com três olhos ou só há um? Como é que o encontramos?
– Ele talvez nos encontre.
Antes que Meera pudesse pensar em uma resposta, ouviram o som; o uivo distante de um lobo, ecoando na noite.
– Verão? – perguntou Jojen, escutando.
– Não. – Bran conhecia a voz de seu lobo gigante.
– Tem certeza? – perguntou o pequeno avô.
– Absoluta. – Naquele dia, Verão tinha se afastado muito, e não voltaria antes da alvorada. Jojen talvez sonhe verde, mas não distingue um lobo de um lobo gigante. Perguntou a si mesmo por que motivo todos escutavam tanto Jojen. Não era um príncipe como Bran, nem era grande e forte como Hodor, nem tão bom caçador quanto Meera, e, no entanto, de algum modo, era sempre Jojen quem lhes dizia o que fazer.
– Deveríamos roubar cavalos, como Meera quer – disse Bran –, e ir até os Umber, lá em cima na Última Lareira. – Refletiu por um momento. – Ou podíamos roubar um barco e descer o Faca Branca até a cidade de Porto Branco. É aquele gordo do Lorde Manderly que governa lá, ele foi amigável na festa das colheitas. Queria construir navios. Talvez tenha construído alguns, e poderíamos navegar até Correrrio e trazer Robb para casa com todo o seu exército. Então não importaria quem soubesse que eu estou vivo. Robb não deixaria que alguém nos fizesse mal.
– Hodor! – exclamou Hodor. – Hodor, hodor.
Mas ele foi o único que gostou do plano de Bran. Meera limitou-se a sorrir para ele e Jojen franziu a testa. Nunca escutavam o que ele queria, apesar de Bran ser um Stark e, além disso, um príncipe, e os Reed do Gargalo serem vassalos dos Stark.
– Hoooodor – disse Hodor, se balançando. – Hooooooodor, hoooooooodor, hoDOR, hoDOR, hoDOR. – Às vezes gostava de fazer aquilo, dizer o seu nome de diversas maneiras, uma vez, e outra, e outra. Outras vezes, ficava tão calado que dava para esquecer que ele estava ali. Com Hodor nunca se sabia. – HODOR, HODOR, HODOR! – gritou.
Ele não vai parar, compreendeu Bran.
– Hodor – disse –, por que não vai até lá fora treinar com a espada?
O cavalariço tinha se esquecido de sua espada, mas agora se lembrara.
– Hodor! – exclamou. Foi buscar a arma.
Tinham três espadas mortuárias que trouxeram das criptas de Winterfell quando Bran e o irmão Rickon se esconderam dos homens de ferro de Theon Greyjoy. Bran ficou com a espada do tio Brandon; Meera, com aquela que encontrara sobre os joelhos do avô, Lorde Rickard. A lâmina de Hodor era muito mais velha, um enorme e pesado pedaço de ferro, embotado por séculos de negligência e cheio de pontos de ferrugem. Podia passar horas e horas a brandi-la. Perto das pedras tombadas, havia uma árvore apodrecida que ele tinha quase desfeito em pedaços.
Mesmo depois de o gigante sair conseguiam ouvi-lo através das paredes, berrando “HODOR!” enquanto lançava estocadas e dava pancadas em sua árvore. Felizmente, a mata de lobos era enorme, e não era provável que houvesse alguém por perto para ouvir.
– Jojen, o que você quis dizer com aquilo do professor? – perguntou Bran. – Meu professor é você. Sei que não cheguei a marcar a árvore, mas marco da próxima vez. Meu terceiro olho está aberto, como você queria...
– Está tão escancarado que temo que possa cair através dele, e viver o resto de seus dias como um lobo na floresta.
– Não cairei, prometo.
– O garoto promete. O lobo vai se lembrar? Corre com o Verão, caça com ele, mata com ele... mas se curva mais à vontade dele do que ele se curva à sua.
– Eu só me esqueço – protestou Bran. – Só tenho nove anos. Serei melhor quando for mais velho. Nem mesmo Florian, o Bobo, e o Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão, eram grandes guerreiros quando tinham nove anos.
– Isso é verdade – disse Jojen – e seria uma coisa sensata a dizer, se os dias ainda fossem mais longos... mas não são. É uma criança de verão, eu sei. Diga-me o lema da Casa Stark.
– O Inverno está chegando. – Bastava dizê-lo para que Bran sentisse frio.
Jojen acenou solenemente com a cabeça.
– Sonhei com um lobo alado, preso à terra por correntes de pedra, e fui a Winterfell para libertá-lo. Já não tem as correntes, mas ainda não voa.
– Então me ensina você. – Bran ainda temia o corvo de três olhos que às vezes assombrava seus sonhos, bicando sem parar a pele entre os seus olhos e dizendo-lhe para voar. – É um vidente verde.
– Não – disse Jojen –, sou só um garoto com sonhos. Os videntes verdes eram mais do que isso. Eram também wargs, assim como você, e os maiores de todos podiam usar a pele de qualquer animal que voasse, nadasse ou caminhasse, e eram também capazes de olhar através dos olhos dos represeiros, e de ver a verdade que está por trás do mundo.
“Os deuses concedem muitos dons, Bran. Minha irmã é uma caçadora. Foi-lhe dada a capacidade de correr com rapidez e de ficar tão imóvel que parece ter desaparecido. Tem ouvidos e olhos aguçados, uma mão firme com a rede e a lança. Sabe respirar lama e voar entre as árvores. Eu não seria mais capaz de fazer essas coisas do que você. A mim, os deuses deram os sonhos verdes, e a você... você poderia ser mais do que eu, Bran. É o lobo alado, e não há como dizer quão longe ou alto poderia voar... se tivesse alguém que lhe ensinasse. Como eu poderia ajudá-lo a dominar um dom que não compreendo? No Gargalo, recordamos os Primeiros Homens, e os filhos da floresta, que eram seus amigos... mas tanto foi esquecido, e houve tanto que nunca soubemos.”
Meera pegou na mão de Bran.
– Se ficarmos aqui, sem incomodar ninguém, ficará a salvo até que a guerra termine. Mas não aprenderá, exceto o que meu irmão pode lhe ensinar, e você ouviu o que ele disse. Se deixarmos este lugar para procurar refúgio na Última Lareira ou Para-lá-da-Muralha, arriscamo-nos a ser capturados. Você é apenas um garoto, eu sei, mas também é o nosso príncipe, o filho de nosso senhor e o verdadeiro herdeiro de nosso rei. Juramos lealdade a você em nome da terra e da água, do bronze e do ferro, do gelo e do fogo. O risco é seu, Bran, tal como o dom. A escolha também deve ser sua, creio eu. Somos seus servos e estamos às suas ordens. – Ela sorriu. – Pelo menos nisso.