A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Quer dizer – disse Bran – que vão fazer o que eu disser? Mesmo?
– Sim, meu príncipe – respondeu a garota –, portanto, reflita bem.
Bran tentou pensar em todos os detalhes, como o pai poderia ter feito. Os tios do Grande-Jon, Hother Terror-das-Rameiras e Mors Papa-Corvos, eram homens violentos, mas achava que se mostrariam leais. E os Karstark, eles também. O pai dizia sempre que Karhold era um castelo forte. Estaríamos a salvo com os Umber ou os Karstark.
Ou podiam ir para sul, até o gordo Lorde Manderly. Em Winterfell, ele riu muito, e nunca pareceu olhar para Bran com piedade demais, como faziam os outros senhores. O Castelo Cerwyn ficava mais perto do que Porto Branco, mas Meistre Luwin havia dito que Cley Cerwyn estava morto. Os Umber, os Karstark e os Manderly também podem estar mortos, compreendeu. Tal como ele ficaria, se fosse pego pelos homens de ferro ou pelo Bastardo de Bolton.
Se ficassem ali, escondidos por baixo da Torre Arruinada, ninguém os encontraria. Permaneceria vivo. E aleijado.
Bran percebeu que estava chorando. Bebê imbecil, pensou consigo mesmo. Fosse para onde fosse, para Karhold, para Porto Branco ou para a Atalaia da Água Cinzenta, seria um aleijado quando lá chegasse. Fechou as mãos em punho.
– Quero voar – disse-lhes. – Por favor. Levem-me ao corvo.
DAVOS
Quando subiu ao convés, a longa ponta de Derivamarca diminuía atrás deles, enquanto, adiante, Pedra do Dragão se erguia do mar. Um pálido fiapo cinzento de fumaça era soprado do topo da montanha, marcando o local onde ficava a ilha. O Monte Dragão está agitado hoje, pensou Davos, ou então é Melisandre que está queimando mais alguém.
Melisandre ocupara muito os seus pensamentos enquanto o Dança de Shayala abria caminho pela Baía da Água Negra e atravessava a Goela, manobrando contra perversos ventos contrários. O grande incêndio que ardia no topo da torre de vigia de Ponta Aguda, na extremidade do Gancho de Massey, tinha feito Davos se lembrar do rubi que ela usava no pescoço, e de quando o mundo ficava vermelho de madrugada e ao pôr do sol, as nuvens que pairavam no céu ganhavam a mesma cor que as sedas e os cetins de seus vestidos sussurrantes.
Ela também estaria à espera em Pedra do Dragão, à espera com toda a sua beleza e todo o seu poder, com o seu deus, as suas sombras e o rei dele. A sacerdotisa vermelha parecera sempre ser leal a Stannis, até agora. Ela domou-o, do mesmo modo que um homem doma um cavalo. Subiria ao poder montada nele se pudesse, e por isso entregou meus filhos ao fogo. Vou arrancar o coração de seu peito e ver como queima. Tocou o cabo da boa e longa adaga lisena que o capitão tinha lhe oferecido.
O capitão fora muito gentil com ele. Chamava-se Khorane Sathmantes, era liseno como Salladhor Saan, a quem o navio pertencia. Tinha os olhos azul-claros como os que se via com frequência em Lys, incrustados num rosto ossudo e desgastado pelas intempéries, mas passara muitos anos negociando nos Sete Reinos. Quando soube que o homem que resgatara do mar era o afamado cavaleiro das cebolas, cedeu-lhe o uso da própria cabine e de suas roupas e um par de botas novas que quase lhe serviam. Também insistiu que Davos consumisse de suas provisões, embora isso não tenha dado muito certo. O estômago do antigo contrabandista não conseguiu tolerar os caracóis, as lampreias e outros ricos alimentos que o capitão Khorane tanto apreciava, e depois de sua primeira refeição à mesa do capitão passou o resto do dia com uma extremidade ou a outra projetada sobre a amurada.
Pedra do Dragão crescia a cada remada. Agora, Davos já conseguia ver a forma da montanha e, em seu flanco, a notável cidadela negra com suas gárgulas e torres em forma de dragão. A figura de proa, feita de bronze, à frente do Dança de Shayala atirava ao ar asas de espuma salgada ao cortar as ondas. Ele encostou seu peso à amurada, grato pelo apoio. A provação pela qual havia passado enfraquecera-o. Quando ficava muito tempo em pé, as pernas fraquejavam, e às vezes era dominado por incontroláveis ataques de tosse e escarrava muco ensanguentado. Não é nada, dizia a si mesmo. Certamente os deuses não me fizeram atravessar, a salvo, o fogo e o mar para depois me matarem de doença.
Enquanto escutava o bater do tambor do mestre dos remadores, o ruído das velas e o respingar e ranger rítmicos dos remos, recordou seus dias de juventude, quando os mesmos sons despertavam terror em seu coração em muitas manhãs de nevoeiro. Anunciavam a aproximação da patrulha marítima do velho Sor Tristimun, e a patrulha marítima significava a morte para os contrabandistas na época em que Aerys Targaryen ocupava o Trono de Ferro.
Mas isso foi em outra vida, pensou. Isso foi antes do navio das cebolas, antes de Ponta Tempestade, antes de Stannis encurtar meus dedos. Isso foi antes da guerra e do cometa vermelho, antes de eu ser um Seaworth ou um cavaleiro. Nesses dias, era um homem diferente, antes de Lorde Stannis ter me erguido bem alto.
O capitão Khorane lhe contara sobre o fim das esperanças de Stannis na noite em que o rio ardeu. Os Lannister tinham-no atacado pelo flanco, e seus instáveis vassalos o abandonaram às centenas no momento de maior necessidade.
– Também foi vista a sombra do Rei Renly – dissera o capitão – matando à esquerda e à direita enquanto liderava a vanguarda do lorde leão. Dizem que sua armadura verde tomou um brilho fantasmagórico por causa do fogovivo e que seus chifres soltavam labaredas douradas.
A sombra de Renly. Davos perguntou a si mesmo se seus filhos também regressariam como sombras. Tinha visto coisas estranhas em excesso no mar para afirmar que não existiam fantasmas.
– Ninguém se manteve fiel? – perguntara.
– Uns poucos – disse o capitão. – A família da rainha, principalmente. Levamos muitos que usavam a raposa e as flores, embora muitos mais tivessem sido deixados em terra, exibindo todos os tipos de símbolos. Lorde Florent agora é Mão do Rei em Pedra do Dragão.
A montanha crescia, coroada por fumaça pálida. A vela cantava, o tambor batia, os remos puxavam suavemente, e, não muito mais tarde, a entrada para o porto abria-se à frente deles. Tão vazio, pensou Davos, lembrando-se de como fora antes, com os navios enchendo todos os cais e balançando, ancorados, fora do quebra-mar. Via o navio almirante de Salladhor Saan, Valiriana, atracado ao cais onde antes o Fúria e seus irmãos estiveram amarrados. Os navios que o ladeavam também possuíam cascos lisenos rajados. Procurou, em vão, por qualquer sinal do Senhora Marya ou do Espectro.
Arriaram a vela ao entrarem no porto, para atracarem apenas com a força dos remos. O capitão veio encontrar Davos no momento em que amarravam o navio.
– Meu príncipe deseja vê-lo imediatamente.
Um ataque de tosse dominou Davos quando tentou responder. Apoiou-se na amurada e escarrou para o mar.
– O rei – arquejou. – Tenho de encontrar o rei. – Pois onde o rei estiver, encontrarei Melisandre.
– Ninguém se encontra com o rei – respondeu com firmeza Khorane Sathmantes. – Salladhor Saan vai lhe contar. Primeiro ele.
Davos estava fraco demais para desafiá-lo. Só conseguiu assentir.