O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
A Águia, Nicole e Richard pararam para observar um veículo do tipo estrela-do-mar que, segundo a Águia, já fora recondicionado e estava agora pronto para sua próxima viagem. A estrela-do-mar saíra da corcova esquerda e o veículo, pequeno em comparação com o Hangar ou Rama mas mesmo assim com dez quilômetros do centro até a ponta de cada raio, começara a girar tão logo ficara livre do Hangar. Enquanto o metrô ficava “estacionado” a uns quinze quilômetros de distância, a estrela-do-mar aumentou sua média de rotações para dez revoluções por minuto. Tão logo o nível de giros se estabilizou, a estrela-domar partiu célere para a esquerda dos observadores.
“O que deixa apenas Rama, desse conjunto”, disse a Águia. “A roda gigantesca que era a primeira de sua fila na Estação Intermediária partiu há quatro meses. Só necessitava reparos mínimos.”
Richard queria fazer uma pergunta mas controlou-se. Já notara durante o vôo desde o Nodo que a Águia apresentava voluntariamente quase todas as informações que tinha permissão para compartilhar. “Rama tem sido um desafio e tanto”, continuou a Águia. “E ainda não temos certeza sobre quando a terminaremos.”
O metrô aproximou-se da cúpula direita do Hangar e apareceram luzes no ponto das cinco horas, tomando a cúpula como um mostrador. Examinando mais detalhadamente, Richard e Nicole perceberam que algumas pequenas portas haviam sido abertas. “Vão precisar de seus trajes”, disse a Águia. “Seria um feito monumental de engenharia conseguir desenhar esse local imenso com meio ambiente variável.”
Nicole e Richard vestiram-se enquanto o metrô atracava em ancoradouro muito semelhante ao do centro de transportes. “Estão me ouvindo?”, disse a Águia, testando o sistema de comunicação.
“Muito bem, câmbio”, respondeu Richard de dentro de seu capacete. Ele e Nicole olharam-se e riram, lembrando-se de seus dias como cosmonautas da missão Newton.
A Águia conduziu-os ao longo de um corredor comprido e largo. No final dobraram à direita e entraram em um grande balcão uns dez quilômetros acima de um piso de fábrica maior do que qualquer um pudesse imaginar. Nicole sentiu seus joelhos tremerem quando olhou aquele abismo gigantesco. Apesar da imponderabilidade, ondas de vertigem correram tanto por Richard quanto por Nicole. Ambos viraram-se para longe da visão ao mesmo tempo, focalizando seus olhares um no outro, enquanto tentavam apreender o que acabavam de ver.
“Uma vista e tanto”, comentou a Águia.
Como descrição insatisfatória é um colosso, pensou Nicole. Muito lentamente ela tornou a baixar os olhos para aquele espetáculo assombroso.
Desta vez, agarrou o balaústre com ambas as mãos, a fim de conseguir manter seu equilíbrio.
A fábrica abaixo deles continha todo o Hemicilindro Norte de Rama, do porto onde haviam atracado a Newton e entrado até o final da Planície Central e as margens do Mar Cilíndrico. Não havia mar, nem cidade de Nova York, mas havia naquela fábrica encapsulada quase a mesma área de todo o estado americano de Rhode Island.
A cratera e a abóbada da extremidade norte de Rama continuavam intactas, inclusive sua proteção exterior. Esses segmentos de Rama estavam depositados à direita de Richard, Nicole e a Águia, quase que atrás deles em relação à plataforma de onde olhavam. Montados no balaústre havia uma dúzia de telescópios, cada um com uma resolução diferente, através dos quais os três podiam ver as conhecidas escadas e escadarias, lembrando três varas de um guarda-chuva, com os 30 mil degraus necessários para se descer até a Planície Central de Rama (ou para subir de volta dela).
O resto do Hemicilindro Norte estava desmontado e espalhado em pedaços, não diretamente ligados à abóboda ou uns aos outros, porém mesmo assim colocados com os setores adjacentes em seu alinhamento correto. Cada pedaço tinha mais ou menos oito quilômetros quadrados e suas bordas ficavam consideravelmente acima do nível do chão, em função da curvatura.
“Fica mais fácil fazer o trabalho inicial com essa disposição”, explicou a Águia. “Uma vez fechado o cilindro, fica mais difícil entrar e sair com todo o equipamento.”
Pelos telescópios, Richard e Nicole podiam ver que duas áreas diferentes da Planície Central pululavam de atividade. Não dava nem para começar a contar o número de robôs indo de um lado para o outro do chão da fábrica ali abaixo deles. Nem lhes era possível determinar exatamente o que estava sendo feito, em muitos casos. Era engenharia em escala jamais sequer sonhada por seres humanos.
“Trouxe-os aqui primeiro para que tivessem uma visão geral”, disse a Águia. “Mais tarde, desceremos para a fábrica e vocês poderão ver mais detalhes.”
Richard e Nicole olharam para ele, atônitos. Rindo-se, o homem-águia continuou. “Se observarem com cuidado, verão que duas vastas regiões da Planície Central, uma perto do Mar Cilíndrico e outra cobrindo uma área que quase atinge a ponta das escadas, foram completamente esvaziadas. É onde se trabalha na reconstrução. Entre essas duas áreas, Rama tem exatamente o mesmo aspecto que tinha quando vocês a deixaram. Temos uma diretiva geral de engenharia aqui — só alteramos as regiões que serão usadas na missão seguinte.”
Richard animou-se. “Está dizendo que essa espaçonave é usada repetidamente? E que para cada missão só são feitas as alterações necessárias?”
A Águia concordou.
“Então aquele conglomerado de arranha-céus que chamamos de Nova York poderia ter sido construído para uma missão muito anterior e simplesmente deixado ali porque nenhuma alteração foi exigida?”
A Águia não disse nada em resposta à indagação retórica de Richard, e apontou para a área ao norte da Planície Central. “Aquele é que será seu hábitat, ali. Acabamos de terminar a infra-estrutura, o que vocês chamariam de ‘instalações básicas’, inclusive água, energia, esgoto e controle ambiental da camada superior. Há bastante margem para flexibilidade de desenho no resto do processo. É por isso que os trouxemos aqui.”
“O que é aquele edifício coberto com uma abóbada ao sul da área que foi esvaziada?”, perguntou Richard, ainda aparvalhado com a idéia de que Nova York poderia ter sido uma espécie de sobra, de resto de alguma missão mais antiga de Rama.
“Aquele é o centro de controle”, respondeu a Águia. “O equipamento que administra seu hábitat será colocado ali. Normalmente o centro de controle é oculto abaixo da área em que se vive, na carapaça de Rama, mas em seu caso os desenhistas resolveram colocá-lo na Planície.”
“O que é aquela grande região do lado de lá?”, disse Nicole, apontando para a área vazia logo ao norte de onde o Mar Cilíndrico estaria localizado se Rama houvesse sido completamente remontada.
“Não tenho permissão para dizer-lhe para o que serve”, respondeu a Águia. “Na verdade, estou surpreso de sequer ter tido permissão para mostrarlhes que existe. Na verdade, nossos viajantes de retorno ignoram totalmente o que seu veículo contém fora de seu próprio habitat. O plano oficial, é claro, determina que cada espécie fique dentro de seu próprio módulo.”
“Olhe só aquela elevação ou morro no centro”, disse Nicole a Richard, levando sua atenção para a outra região. “Deve ter quase dois quilômetros de altura.”
“E tem o feitio de uma rosca com buraco no meio. Quero dizer, o centro foi cavado.”
Podiam ver que as paredes externas do que bem poderia ser um segundo hábitat já estavam bem adiantadas. Nenhuma parte de seu interior seria visível do chão da fábrica.