Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Foi ótimo, Kate. Muito bom, eu acho — digo baixinho, tentando disfarçar o sorriso envergonhado e revelador.
— Você acha?
— Não tenho nenhum termo de comparação, não é? — encolho os ombros me desculpando.
— Ele fez você gozar?
Puta merda. Ela é muito direta. Fico vermelha.
— Fez — murmuro, exasperada.
Kate me puxa para o sofá e nos sentamos. Segura minhas mãos.
— Isso é ótimo. — Ela me olha incrédula. — Foi sua primeira vez. Nossa, Christian deve realmente saber o que faz.
Ah, Kate, se você soubesse...
— Minha primeira vez foi horrível — continua ela, com uma expressão triste.
— É mesmo? — Isso me interessa, algo que ela nunca contou antes.
— Sim, Steve Patrone. Ensino médio, o maior babaca. — Dá de ombros. — Ele foi bruto. Eu não estava pronta. Estávamos os dois bêbados. Você sabe, aquele típico desastre adolescente pós-baile de formatura. Argh! Levei meses para decidir tentar de novo. E não com ele, aquele covarde. Eu era muito nova. Você estava certa em esperar.
— Kate, que horror.
Kate parece nostálgica.
— É, levei quase um ano para atingir meu primeiro orgasmo com penetração, e você aí... de primeira?
Balanço a cabeça timidamente. Minha deusa interior está sentada em posição de lótus com uma expressão serena, apesar do sorriso maroto de autofelicitação.
— Que bom que você perdeu a virgindade com alguém que não confunde cu com cotovelo. — Ela me dá uma piscadela. — Então, quando vai sair com ele de novo?
— Quarta-feira. Vamos jantar.
— Quer dizer que você ainda gosta dele?
— Gosto. Mas não sei quanto... ao futuro.
— Por quê?
— Ele é complicado, Kate. Sabe, vive num mundo muito diferente do meu.
Ótima desculpa. Convincente, também. Muito melhor que: Ele tem um Quarto Vermelho da Dor e quer fazer de mim sua submissa.
— Ah, por favor, não deixe que o dinheiro atrapalhe, Ana. Elliot disse que é muito raro Christian sair com alguém.
— Disse? — pergunto quase gritando.
Óbvio demais, Steele! Meu inconsciente me olha, balançando aquele dedo magro e comprido, depois se transforma na balança da justiça para me lembrar de que ele pode me processar se eu falar demais. Rá... o que ele vai fazer? Tirar todo o meu dinheiro? Tenho que me lembrar de procurar no Google “pena por quebrar um termo de confidencialidade” quando estiver fazendo minha “pesquisa”. É como se tivessem me dado um trabalho escolar. Talvez eu ganhe uma nota. Enrubesço, lembrando-me da minha nota máxima durante o banho hoje de manhã.
— Ana, o que foi?
— Só estou me lembrando de uma coisa que o Christian disse.
— Você está diferente — diz Kate, carinhosa.
— Eu me sinto diferente. Dolorida — confesso.
— Dolorida?
— Um pouquinho.
Fico vermelha.
— Eu também. Homens! — diz ela, fingindo repugnância. — São uns animais.
Ambas rimos.
— Você está dolorida! — exclamo.
— Estou... excesso de uso.
Dou uma risada.
— Conte-me sobre Elliot, o usuário — digo, quando paramos de rir.
Ah, estou relaxando pela primeira vez desde que estava na fila no bar... antes do telefonema que começou tudo isso — quando eu estava admirando o Sr. Grey de longe. Dias felizes e descomplicados.
Kate cora. Nossa... Katherine Agnes Kavanagh fica toda Anastasia Rose Steele. Ela me lança aquele olhar inocente. Nunca a vi reagir dessa maneira a um homem. Meu queixo cai.
Cadê a Kate? O que fizeram com ela?
— Ah, Ana — diz com entusiasmo. — Ele é muito... tudo. E quando estamos... ai... muito bom.
Ela mal consegue formar uma frase, não diz coisa com coisa.
— Acho que você está tentando me dizer que gosta dele.
Ela assente com a cabeça, sorrindo como uma maluca.
— E vou sair com ele sábado. Ele vai ajudar na nossa mudança.
Kate aperta as mãos, se levanta do sofá de um salto, e vai dando piruetas até a janela. Mudança. Que droga. Eu tinha me esquecido, mesmo com as caixas de papelão nos cercando.
— Muito prestativo — digo, agradecida. Posso conhecê-lo melhor, também. Talvez ele possa me ajudar a entender seu irmão estranho e perturbador. — Então, o que vocês fizeram ontem à noite? — pergunto.
Ela levanta a cabeça e as sobrancelhas para mim como quem diz: o que você acha, sua idiota?
— Mais ou menos a mesma coisa que você fez, só que jantamos antes. — Ela sorri. — Você está bem mesmo? Parece meio perturbada.
— Eu me sinto perturbada. Christian é muito intenso.
— É, deu para perceber. Mas ele foi legal com você?
— Foi — tranquilizo-a. — Estou com muita fome, quer que eu prepare alguma coisa?
Ela concorda e pega mais dois livros para embalar.
— O que quer fazer com os livros de quatorze mil dólares? — pergunta.
— Vou devolver para ele.
— É mesmo?
— É um presente totalmente estapafúrdio. Não posso aceitar, sobretudo agora — sorrio para Kate, e ela assente.
— Entendi. Chegaram duas cartas para você, e José está ligando de hora em hora. Parece desesperado.
— Vou ligar para ele — murmuro, evasiva.
Se eu contar a Kate sobre José, ela vai comê-lo vivo no café da manhã. Pego as cartas na mesa de jantar e as abro.
— Ei, tenho entrevistas! Daqui a duas semanas, em Seattle, para um estágio!
— Em que editora?
— Nas duas!
— Eu disse que suas notas abririam portas, Ana.
Kate, claro, já tem um estágio certo no Seattle Times. Seu pai tem conhecidos por lá.
— Como Elliot está se sentindo em relação a sua viagem? — pergunto.
Kate vai para a cozinha, e, pela primeira vez hoje, parece desconsolada.
— Ele é compreensivo. Uma parte de mim não quer ir, mas é tentador pegar um pouco de sol por umas semanas. Além do mais, mamãe está lá, achando que será nosso último fim de semana em família antes que Ethan e eu entremos no mundo do emprego assalariado.
Eu nunca saí dos Estados Unidos. Kate vai passar duas semanas inteiras em Barbados com os pais e o irmão, Ethan. Estarei sem ela no nosso apartamento novo. Vai ser estranho. Ethan está viajando pelo mundo desde que se formou, no ano passado. Será que vou vê-lo antes que saiam de férias? Ele é um amor de pessoa. O telefone toca, arrancando-me do meu devaneio.
— Deve ser o José.
Suspiro. Sei que tenho que falar com ele. Pego o telefone.
— Oi.
— Ana, você voltou! — José extravasa o alívio gritando para mim.
— É óbvio.
Meu tom é sarcástico, e reviro os olhos para o telefone. Ele fica calado um instante.
— Posso ver você? Quero pedir desculpas por sexta-feira à noite. Eu estava bêbado... e você... bem, Ana, me desculpe, por favor.
— Claro que desculpo, José. Só não faça isso de novo. Você sabe que eu não sinto o mesmo que você.
Ele suspira fundo, triste.
— Eu sei, Ana. Só achei que, se eu pudesse beijá-la, você talvez começasse a gostar de mim.
— José, gosto muito de você, você é muito importante para mim. É como o irmão que eu nunca tive. Isso não vai mudar. Você sabe disso.
É chato decepcioná-lo, mas é a verdade.
— Então você agora está com ele? — Seu tom é cheio de desdém.
— José, não estou com ninguém.
— Mas passou a noite com ele.
— Isso não é da sua conta!
— É o dinheiro?
— José! Como você se atreve! — grito, espantada com sua audácia.
— Ana — choraminga ele, se desculpando ao mesmo tempo.
Não consigo lidar com uma crise de ciúme neste momento. Sei que ele está magoado, mas pensar em Christian Grey já é o suficiente.