Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Ele sorri com ironia.
— Quer saber mesmo?
— Quero.
— Eu não quis. Ela era tudo o que eu queria, tudo de que eu precisava. E, além do mais, ela teria me dado uma surra.
Ele sorri com carinho ao se lembrar.
Ah, isso é muita informação — mas quero mais.
— Então, se ela era amiga da sua mãe, que idade tinha?
Ele ri.
— Idade suficiente para saber das coisas.
— Você ainda a vê?
— Sim.
— Ainda... hã...? — enrubesço.
— Não. — Ele balança a cabeça e me oferece um sorriso indulgente. — Ela é uma grande amiga.
— Sua mãe sabe?
Ele me lança um olhar do tipo “não seja boba”.
— Claro que não.
A garçonete volta com um prato de carne de cervo, mas perdi o apetite. Que revelação. Christian era submisso... Puta merda. Dou um bom gole no Pinot Grigio — ele tem razão, claro, está delicioso. Nossa... essas revelações todas, é muita coisa para pensar. Preciso de tempo para processá-las, quando estiver sozinha, sem sua presença para me distrair. Ele é tão avassalador, tão prepotente, e agora vem com essa bomba. Ele sabe como é.
— Mas não deve ter sido sempre assim. — Estou confusa.
— Bem, foi, embora eu não a visse o tempo todo, era... difícil. Afinal, eu ainda estava no colégio e, depois, na faculdade. Coma, Anastasia.
— Não estou com muita fome, Christian. — Estou muito atordoada com sua revelação.
Sua expressão endurece.
— Coma. — O tom de voz é muito, muito baixo.
Olho para ele. Este homem — que sofreu abuso sexual na adolescência — tem um tom muito ameaçador.
— Só preciso de um minutinho — sussurro com calma.
Ele pisca algumas vezes.
— Tudo bem — murmura, e continua a refeição.
É assim que vai ser se eu assinar, ele me dando ordens. Será que eu quero isso? Pego a faca e o garfo, e timidamente corto a carne de cervo. É muito saborosa.
— É assim que nossa, hum... relação vai ser? — pergunto. — Você me dando ordens?
Não consigo me obrigar a olhar para ele.
— É — ele responde.
— Entendo.
— E você vai querer que eu faça isso — acrescenta ele, num tom grave.
Sinceramente, eu duvido. Corto outro pedaço de carne, levando-o até a boca.
— É um grande passo — digo baixinho, e então como.
— É. — Ele fecha os olhos rapidamente, e, ao abri-los, arregala-os numa expressão séria. — Anastasia, você tem que seguir sua intuição. Faça a pesquisa, leia o contrato. Terei muito prazer em discuti-lo com você. Estarei em Portland até sexta-feira, se quiser falar comigo sobre isso antes. — As palavras saem apressadas. — Ligue para mim. Quem sabe a gente pode jantar na quarta-feira? Eu quero muito fazer isso dar certo. Na verdade, nunca quis tanto uma coisa quanto quero isso.
Sua sinceridade ardente e seu desejo se refletem em seus olhos. Basicamente é isso que eu não entendo. Por que eu? Por que não uma das quinze? Ah, não... Será que vou ser isso — um número? A número dezesseis entre muitas outras?
— O que aconteceu com as quinze? — disparo.
Ele faz cara de surpresa, depois se resigna, balançando a cabeça.
— Várias coisas, mas tudo se resume a... — Ele para, esforçando-se para encontrar as palavras, acho. — Incompatibilidade. — Dá de ombros.
— E acha que eu poderia ser compatível com você?
— Acho.
— Então não está saindo com mais nenhuma delas?
— Não, Anastasia, não estou. Sou monogâmico nas minhas relações.
Ah... isso é novidade.
— Entendi.
— Faça a pesquisa, Anastasia.
Pouso o garfo e a faca. Não consigo mais comer.
— Acabou? Só vai comer isso?
Balanço a cabeça, assentindo. Ele me olha de cara feia, mas não diz nada. Dou um pequeno suspiro de alívio. Meu estômago está revirado com todas essas informações, e estou meio tonta por causa do vinho. Observo-o devorar o prato todo. Ele come feito um cavalo. Deve malhar para ficar tão em forma. A lembrança dele com aquela calça de pijama caída nos quadris me vem à mente espontaneamente. É uma imagem que desconcentra. Remexo-me desconfortável na cadeira. Ele me olha, e eu enrubesço.
— Eu daria tudo para saber no que você está pensando agora — murmura.
Enrubesço mais ainda.
Ele me dá aquele sorrisinho perverso.
— Posso adivinhar — provoca ele baixinho.
— Ainda bem que você não pode ler minha mente.
— Sua mente, não, Anastasia, mas seu corpo... este eu passei a conhecer muito bem desde ontem. — Sua voz é sugestiva. Como ele sai de um estado de espírito a outro tão depressa? É muito inconstante... Difícil de acompanhar.
Ele chama a garçonete com um gesto e pede a conta. Quando paga, se levanta e estende a mão.
— Venha...
Christian me dá a mão e me conduz ao carro. Esse contato, pele com pele, é o que é tão inesperado da parte dele, normal, íntimo. Não dá para conciliar esse gesto casual, terno, com o que ele quer fazer naquele quarto... O Quarto Vermelho da Dor.
Seguimos calados de Olympia a Vancouver, ambos absortos em nossos pensamentos. Quando ele estaciona em frente ao meu apartamento, são cinco da tarde. As luzes estão acesas — Kate está em casa. Empacotando as coisas, sem dúvida, a menos que Elliot ainda esteja lá. Christian desliga o motor, e me dou conta de que vou ter que deixá-lo.
— Quer entrar? — pergunto.
Não quero que ele vá embora. Quero prolongar nosso tempo juntos.
— Não. Tenho que trabalhar — diz ele simplesmente, olhando para mim, a expressão insondável.
Olho para as mãos, entrelaço os dedos. De repente, fico emotiva. Christian está indo embora. Ele estica o braço, pega uma das minhas mãos e, lentamente, a leva aos lábios, beijando-a com ternura, um gesto muito antiquado e meigo. Meu coração sai pela boca.
— Obrigado por este fim de semana, Anastasia. Foi... ótimo. Quarta-feira? Pego você no trabalho ou onde preferir — diz baixinho.
— Quarta-feira — confirmo.
Ele torna a beijar minha mão e a põe em meu colo. Sai do carro, dá a volta até meu lado e abre a porta. Por que me sinto tão desconsolada de repente? Estou com um nó na garganta. Não posso deixar que ele me veja assim. Com um sorriso forçado, saio do carro e sigo para casa, sabendo que vou ter que enfrentar Kate. Fico apavorada com a ideia. Viro-me no meio do caminho e olho para ele. Cabeça erguida, Steele, repreendo-me.
— Ah... a propósito, estou usando sua cueca.
Dirijo-lhe um sorrisinho e puxo o cós da Calvin Klein que estou usando para lhe mostrar. Ele fica boquiaberto, chocado. Que reação ótima. Meu estado de espírito muda imediatamente, e entro em casa toda faceira, uma parte de mim querendo saltar e dar um soco no ar. ISSO! Minha deusa interior está agitada.
Kate está na sala encaixotando os livros.
— Você voltou. Cadê o Christian? Como você está?
Sua voz está exaltada, aflita, e ela vem correndo me segurar pelos ombros para me examinar minuciosamente antes mesmo de eu dizer oi.
Que droga... preciso enfrentar a persistência e a tenacidade de Kate, e ainda tenho um documento legal assinado dizendo que não posso falar. Não é uma boa combinação.
— E aí? Como foi? Eu não conseguia parar de pensar em você, isto é, depois que Elliot foi embora. — Ela dá um sorriso malicioso.
Não posso deixar de sorrir diante de seu interesse e de sua curiosidade ardente, mas de repente fico tímida. Enrubesço. Aquilo foi muito íntimo. Aquilo tudo. Ver e descobrir o que Christian esconde. Mas tenho que lhe contar alguns detalhes, porque ela não vai me deixar em paz até eu falar.