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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Ele sorri com ironia.

— Quer saber mesmo?

— Quero.

— Eu não quis. Ela era tudo o que eu queria, tudo de que eu precisava. E, além do mais, ela teria me dado uma surra.

Ele sorri com carinho ao se lembrar.

Ah, isso é muita informação — mas quero mais.

— Então, se ela era amiga da sua mãe, que idade tinha?

Ele ri.

— Idade suficiente para saber das coisas.

— Você ainda a vê?

— Sim.

— Ainda... hã...? — enrubesço.

— Não. — Ele balança a cabeça e me oferece um sorriso indulgente. — Ela é uma grande amiga.

— Sua mãe sabe?

Ele me lança um olhar do tipo “não seja boba”.

— Claro que não.

A garçonete volta com um prato de carne de cervo, mas perdi o apetite. Que revelação. Christian era submisso... Puta merda. Dou um bom gole no Pinot Grigio — ele tem razão, claro, está delicioso. Nossa... essas revelações todas, é muita coisa para pensar. Preciso de tempo para processá-las, quando estiver sozinha, sem sua presença para me distrair. Ele é tão avassalador, tão prepotente, e agora vem com essa bomba. Ele sabe como é.

— Mas não deve ter sido sempre assim. — Estou confusa.

— Bem, foi, embora eu não a visse o tempo todo, era... difícil. Afinal, eu ainda estava no colégio e, depois, na faculdade. Coma, Anastasia.

— Não estou com muita fome, Christian. — Estou muito atordoada com sua revelação.

Sua expressão endurece.

— Coma. — O tom de voz é muito, muito baixo.

Olho para ele. Este homem — que sofreu abuso sexual na adolescência — tem um tom muito ameaçador.

— Só preciso de um minutinho — sussurro com calma.

Ele pisca algumas vezes.

— Tudo bem — murmura, e continua a refeição.

É assim que vai ser se eu assinar, ele me dando ordens. Será que eu quero isso? Pego a faca e o garfo, e timidamente corto a carne de cervo. É muito saborosa.

— É assim que nossa, hum... relação vai ser? — pergunto. — Você me dando ordens?

Não consigo me obrigar a olhar para ele.

— É — ele responde.

— Entendo.

— E você vai querer que eu faça isso — acrescenta ele, num tom grave.

Sinceramente, eu duvido. Corto outro pedaço de carne, levando-o até a boca.

— É um grande passo — digo baixinho, e então como.

— É. — Ele fecha os olhos rapidamente, e, ao abri-los, arregala-os numa expressão séria. — Anastasia, você tem que seguir sua intuição. Faça a pesquisa, leia o contrato. Terei muito prazer em discuti-lo com você. Estarei em Portland até sexta-feira, se quiser falar comigo sobre isso antes. — As palavras saem apressadas. — Ligue para mim. Quem sabe a gente pode jantar na quarta-feira? Eu quero muito fazer isso dar certo. Na verdade, nunca quis tanto uma coisa quanto quero isso.

Sua sinceridade ardente e seu desejo se refletem em seus olhos. Basicamente é isso que eu não entendo. Por que eu? Por que não uma das quinze? Ah, não... Será que vou ser isso — um número? A número dezesseis entre muitas outras?

— O que aconteceu com as quinze? — disparo.

Ele faz cara de surpresa, depois se resigna, balançando a cabeça.

— Várias coisas, mas tudo se resume a... — Ele para, esforçando-se para encontrar as palavras, acho. — Incompatibilidade. — Dá de ombros.

— E acha que eu poderia ser compatível com você?

— Acho.

— Então não está saindo com mais nenhuma delas?

— Não, Anastasia, não estou. Sou monogâmico nas minhas relações.

Ah... isso é novidade.

— Entendi.

— Faça a pesquisa, Anastasia.

Pouso o garfo e a faca. Não consigo mais comer.

— Acabou? Só vai comer isso?

Balanço a cabeça, assentindo. Ele me olha de cara feia, mas não diz nada. Dou um pequeno suspiro de alívio. Meu estômago está revirado com todas essas informações, e estou meio tonta por causa do vinho. Observo-o devorar o prato todo. Ele come feito um cavalo. Deve malhar para ficar tão em forma. A lembrança dele com aquela calça de pijama caída nos quadris me vem à mente espontaneamente. É uma imagem que desconcentra. Remexo-me desconfortável na cadeira. Ele me olha, e eu enrubesço.

— Eu daria tudo para saber no que você está pensando agora — murmura.

Enrubesço mais ainda.

Ele me dá aquele sorrisinho perverso.

— Posso adivinhar — provoca ele baixinho.

— Ainda bem que você não pode ler minha mente.

— Sua mente, não, Anastasia, mas seu corpo... este eu passei a conhecer muito bem desde ontem. — Sua voz é sugestiva. Como ele sai de um estado de espírito a outro tão depressa? É muito inconstante... Difícil de acompanhar.

Ele chama a garçonete com um gesto e pede a conta. Quando paga, se levanta e estende a mão.

— Venha...

Christian me dá a mão e me conduz ao carro. Esse contato, pele com pele, é o que é tão inesperado da parte dele, normal, íntimo. Não dá para conciliar esse gesto casual, terno, com o que ele quer fazer naquele quarto... O Quarto Vermelho da Dor.

Seguimos calados de Olympia a Vancouver, ambos absortos em nossos pensamentos. Quando ele estaciona em frente ao meu apartamento, são cinco da tarde. As luzes estão acesas — Kate está em casa. Empacotando as coisas, sem dúvida, a menos que Elliot ainda esteja lá. Christian desliga o motor, e me dou conta de que vou ter que deixá-lo.

— Quer entrar? — pergunto.

Não quero que ele vá embora. Quero prolongar nosso tempo juntos.

— Não. Tenho que trabalhar — diz ele simplesmente, olhando para mim, a expressão insondável.

Olho para as mãos, entrelaço os dedos. De repente, fico emotiva. Christian está indo embora. Ele estica o braço, pega uma das minhas mãos e, lentamente, a leva aos lábios, beijando-a com ternura, um gesto muito antiquado e meigo. Meu coração sai pela boca.

— Obrigado por este fim de semana, Anastasia. Foi... ótimo. Quarta-feira? Pego você no trabalho ou onde preferir — diz baixinho.

— Quarta-feira — confirmo.

Ele torna a beijar minha mão e a põe em meu colo. Sai do carro, dá a volta até meu lado e abre a porta. Por que me sinto tão desconsolada de repente? Estou com um nó na garganta. Não posso deixar que ele me veja assim. Com um sorriso forçado, saio do carro e sigo para casa, sabendo que vou ter que enfrentar Kate. Fico apavorada com a ideia. Viro-me no meio do caminho e olho para ele. Cabeça erguida, Steele, repreendo-me.

— Ah... a propósito, estou usando sua cueca.

Dirijo-lhe um sorrisinho e puxo o cós da Calvin Klein que estou usando para lhe mostrar. Ele fica boquiaberto, chocado. Que reação ótima. Meu estado de espírito muda imediatamente, e entro em casa toda faceira, uma parte de mim querendo saltar e dar um soco no ar. ISSO! Minha deusa interior está agitada.

Kate está na sala encaixotando os livros.

— Você voltou. Cadê o Christian? Como você está?

Sua voz está exaltada, aflita, e ela vem correndo me segurar pelos ombros para me examinar minuciosamente antes mesmo de eu dizer oi.

Que droga... preciso enfrentar a persistência e a tenacidade de Kate, e ainda tenho um documento legal assinado dizendo que não posso falar. Não é uma boa combinação.

— E aí? Como foi? Eu não conseguia parar de pensar em você, isto é, depois que Elliot foi embora. — Ela dá um sorriso malicioso.

Não posso deixar de sorrir diante de seu interesse e de sua curiosidade ardente, mas de repente fico tímida. Enrubesço. Aquilo foi muito íntimo. Aquilo tudo. Ver e descobrir o que Christian esconde. Mas tenho que lhe contar alguns detalhes, porque ela não vai me deixar em paz até eu falar.

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