A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– NÃO! – gritou, zangado. – Hodor, largue-me, estou aqui, estou aqui.
Hodor parou, parecendo desconcertado.
– Hodor?
A floresta e os lobos tinham desaparecido. Bran estava outra vez de volta à úmida adega de uma antiga torre de vigia qualquer que devia ter sido abandonada havia milhares de anos. Agora não era bem uma torre. As pedras caídas estavam mesmo tão cobertas de musgo e hera que quase não se viam até se estar bem em cima delas. Bran tinha chamado o lugar de Torre Arruinada; mas fora Meera quem encontrara a descida para a adega.
– Esteve longe tempo demais. – Jojen Reed tinha treze anos, era só quatro mais velho do que Bran. Jojen também não era muito maior do que ele, não mais do que cinco centímetros, ou talvez seis, mas tinha uma maneira solene de falar que fazia com que parecesse mais velho e mais sábio do que realmente era. Em Winterfell, a Velha Ama o chamara de “pequeno avô”.
Bran franziu a testa para ele.
– Queria comer.
– Meera voltará em breve com o jantar.
– Estou farto de rãs. – Meera era uma papa-rãs do Gargalo, por isso Bran supunha que não podia realmente culpá-la por apanhar tantas rãs, mesmo assim... – Queria comer a corça. – Por um momento, recordou o seu gosto, o sangue e a carne rica e crua, e sua boca encheu-se de água. Ganhei a luta pela presa. Ganhei.
– Marcou as árvores?
Bran corou. Jojen andava sempre lhe dizendo para fazer coisas quando abria o terceiro olho e colocava a pele de Verão. Arranhar a casca de uma árvore, ou pegar um coelho e trazê-lo na boca, ainda inteiro, empurrar algumas pedras para formar uma fila. Coisas estúpidas.
– Esqueci – disse.
– Você esquece sempre.
Era verdade. Ele pretendia fazer as coisas que Jojen pedia, mas assim que era lobo elas nunca pareciam importantes. Havia sempre coisas para ver e cheirar, um mundo verde inteiro onde caçar. E podia correr! Não havia nada melhor do que correr, exceto correr atrás de uma presa.
– Eu era um príncipe, Jojen – disse ele ao garoto mais velho. – Era o príncipe da floresta.
– Você é um príncipe – lembrou-lhe Jojen com suavidade. – Lembra-se disso, não é verdade? Diga-me quem é.
– Você sabe. – Jojen era seu amigo e professor, mas às vezes só tinha vontade de bater nele.
– Quero que diga as palavras. Diga-me quem é.
– Bran – ele falou, sem vontade. Bran, o Quebrado. – Brandon Stark. – O menino aleijado. – O Príncipe de Winterfell. – Do Winterfell incendiado e em ruínas, de seu povo disperso e assassinado. Os jardins de vidro estavam destruídos, e jorrava água quente das paredes rachadas, fumegando ao sol. Como se pode ser príncipe de um lugar que possivelmente nunca mais se verá?
– E quem é o Verão? – perguntou Jojen.
– Meu lobo gigante. – Sorriu. – Príncipe do verde.
– Bran, o garoto, e Verão, o lobo. São, então, dois?
– Dois – suspirou – e um só. – Detestava Jojen quando ficava assim estúpido. Em Winterfell queria que eu sonhasse os sonhos de lobo, e agora que sei como sonhá-los está sempre me chamando de volta.
– Lembre-se disso, Bran. Lembre-se de si, senão o lobo vai consumi-lo. Quando se juntam, não basta correr, caçar e uivar na pele de Verão.
Para mim, basta, pensou Bran. Gostava mais da pele de Verão do que da sua. De que serve ser um troca-peles, se não se pode usar a pele que quiser?
– Vai se lembrar? E da próxima vez, marque a árvore. Qualquer árvore, não importa qual, desde que o faça.
– Eu marcarei. Vou me lembrar. Podia voltar e fazer isso agora, se quiser. Dessa vez não me esquecerei. – Mas primeiro como a minha corça, e luto mais um pouco com aqueles pequenos lobos.
Jojen balançou a cabeça.
– Não. É melhor que fique e coma. Com a sua boca. Um warg não pode viver daquilo que seu animal consome.
Como é que você sabe?, pensou Bran, com ressentimento. Nunca foi um warg, não sabe como é.
De repente, Hodor ficou em pé, quase batendo com a cabeça no teto abobadado.
– HODOR! – gritou, correndo para a porta. Meera abriu-a antes de ele alcançá-la e entrou no refúgio do grupo. – Hodor, hodor – disse o enorme cavalariço, sorrindo.
Meera Reed tinha dezesseis anos, era uma mulher-feita, mas não era mais alta do que o irmão. “Todos os cranogmanos são pequenos”, ela havia dito um dia a Bran, quando lhe perguntara por que não era mais alta. De cabelos castanhos, olhos verdes, e reta como um rapaz, caminhava com uma graça flexível que Bran só podia observar e invejar. Meera usava uma adaga longa e afiada, mas a sua maneira preferida de lutar era com uma esguia lança de três dentes para caçar rãs numa mão e uma rede na outra.
– Quem tem fome? – perguntou ela, erguendo a caça que trazia: duas pequenas trutas prateadas e seis gordas rãs verdes.
– Eu tenho – disse Bran. Mas não de rãs. Em Winterfell, antes de terem acontecido todas as coisas más, os Walder costumavam dizer que comer rãs deixava os dentes verdes e fazia crescer musgo debaixo dos braços. Perguntou a si mesmo se os Walder estariam mortos. Não tinha visto seus cadáveres em Winterfell... mas foram muitos cadáveres, e não tinham procurado dentro das construções.
– Nesse caso, teremos de lhe dar comida. Me ajuda a limpar a caça, Bran?
Ele assentiu. Era difícil se aborrecer com Meera. Ela era muito mais alegre do que o irmão e parecia sempre saber como fazê-lo sorrir. Nada nunca a assustava ou a fazia se zangar. Bem, exceto Jojen, às vezes... Jojen Reed conseguia assustar quase qualquer um. Vestia-se todo de verde, tinha olhos escuros como musgo e sonhos verdes. Aquilo que Jojen sonhava tornava-se realidade. Exceto que sonhou que eu morria, e não morri. Mas tinha morrido, de certo modo.
Jojen mandou Hodor buscar lenha e fez uma pequena fogueira, enquanto Bran e Meera limpavam os peixes e as rãs. Usaram o elmo de Meera como panela, cortando a caça em pequenos cubos e juntando um pouco de água a ela e algumas cebolas silvestres, que Hodor achara, para fazer um guisado de rãs. Enquanto comia, Bran decidiu que não era tão bom quanto corça, mas também não era ruim.
– Obrigado, Meera – disse. – Minha Senhora.
– Não tem de quê, Vossa Graça.
– De manhã – anunciou Jojen –, é melhor que prossigamos.
Bran viu Meera ficar tensa.
– Teve um sonho verde?
– Não – admitiu o irmão.
– Então por que temos de ir embora? – quis saber a irmã. – A Torre Arruinada é um bom lugar para nós. Não há aldeias por perto, a floresta está cheia de caça, há peixe e rãs nos riachos e lagos... quem é que vai nos encontrar aqui?
– Este não é o lugar em que devemos estar.
– Mas é seguro.
– Parece seguro, eu sei – disse Jojen –, mas por quanto tempo? Houve uma batalha em Winterfell, vimos os mortos. Batalhas significam guerras. Se algum exército nos pegar desprevenidos...
– Podia ser o exército de Robb – disse Bran. – Robb voltará em breve do sul, eu sei que sim. Ele voltará com todos os seus vassalos e botará os homens de ferro para correr.
– Seu meistre não disse nada de Robb quando o encontramos à beira da morte – recordou-lhe Jojen. – Homens de ferro na Costa Pedregosa, ele disse, e: a leste, o Bastardo de Bolton. Fosso Cailin e Bosque Profundo caíram, o herdeiro de Cerwyn morreu, tal como o castelão de Praça de Torrhen. Guerra por todo o lado, disse ele, cada homem contra o vizinho.