O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Nicole já não via mais o metrô que estivera observando pela janela. Na verdade, estivera tão profundamente imersa em suas lembranças da chegada ao Nodo que se esquecera temporariamente dos recém-chegados. Agora, voltando ao presente, com os olhos da mente imaginou um grupo de criaturas estranhas desembarcando em uma plataforma e ficando espantadas quando uma voz se dirigisse a elas em sua própria língua. A experiência do deslumbramento deve ser universal, pensou ela, e pertencer a todos os elementos químicos conscientes.
Seus olhos levantaram-se do seu campo imediato de visão e focalizaram o Módulo de Administração, lá longe. O que acontecerá ali? Nós, pobres criaturas sem rumo, temos de ficar indo e vindo entre a Habitação e a Engenharia. Todas as nossas atividades parecem ser orquestradas com lógica. Mas por quem? E para quê? Por que será que alguém trouxe todos esses seres para este mundo artificial?
Nicole não tinha respostas para tais indagações infinitas. Como sempre, elas lhe deram uma poderosa consciência de sua própria insignificância. Seu impulso imediato foi o de voltar para dentro e abraçar um de seus filhos. Riu-se de si mesma. Ambas as imagens são indicadores verdadeiros de nossa posição no cosmos, pensou. Somos ao mesmo tempo desesperadamente importantes para nossos filhos e absolutamente nada no esquema maior das coisas. É necessário uma grande sabedoria para perceber que não há qualquer incoerência entre esses dois pontos de vista.
3
O desjejum foi uma festa. Eles pediram quase um banquete aos cozinheiros excepcionais que preparavam sua comida. Os criadores de seu apartamento tiveram a consideração de equipá-lo com fornos variados e um refrigerador completo, no caso de quererem preparar suas próprias refeições a partir de matérias-primas. No entanto, os cozinheiros alienígenas (ou robôs) eram tão bons e treinados tão rapidamente que Nicole e sua família quase nunca preparavam suas refeições — só apertavam o botão branco e faziam seu pedido.
“Quero panquecas hoje”, anunciou Katie na cozinha.
“Eu também”, disse Patrick, seu eterno companheiro.
“Que espécie?”, entoou a voz. “Temos quatro tipos diferentes em nossa memória. Temos trigo sarraceno, leite desnatado…”
“Leite desnatado”, interrompeu Katie. “Três ao todo.” Mas olhando o irmãozinho, acrescentou: “É melhor trazer quatro.”
“Com manteiga e xarope de bordo”, gritou Patrick.
“Quatro panquecas com manteiga e xarope de bordo”, disse a voz. “É só isso?
“Um suco de maçã e um de laranja também”, disse Katie, depois de negociações com Patrick.
“Seis minutos e dezoito segundos”, disse a voz.
Quando a refeição ficou pronta, a família se reuniu em torno da mesa redonda da cozinha. As crianças menores contaram a Nicole o que tinham feito durante sua ausência. Patrick sentia particular orgulho de seu novo recorde para a corrida de cinqüenta metros na sala de exercícios. Benjy contou até dez com grande esforço, e todos aplaudiram. Tinham acabado o desjejum e estavam tirando os pratos da mesa quando a campainha da porta tocou.
Os adultos entreolharam-se e Richard, dirigindo-se ao console do controle, ligou o monitor do vídeo. A Águia estava de pé do lado de fora.
“Espero que não seja outro teste”, disse Patrick com espontaneidade.
“Não… não, duvido”, retrucou Nicole, dirigindo-se à entrada. “É mais provável que esteja aqui para nos dar os resultados dos últimos que fizemos.”
Nicole respirou fundo antes de abrir a porta. Não importava quantas vezes encontrasse a Águia, seu nível de adrenalina sempre aumentava em presença dela. Por que seria? Seria seu avassalador conhecimento que a assustava? Ou o poder que tinha sobre eles? Ou a simples perplexidade de sua existência?
A Águia cumprimentou-a com o que ela começava a identificar como um sorriso. “Posso entrar?” disse ela em tom agradável. “Gostaria de falar com a senhora, com seu marido, e com o sr. O’Toole.”
Nicole ficou olhando para ela (ou para aquilo, sua mente telegrafou imediatamente), como sempre. Era alta, talvez 2,25m, e tinha forma humana do pescoço para baixo. Seus braços e torso, no entanto, eram cobertos por pequenas penas cor de grafite, muito bem entrelaçadas — a não ser pelos quatro dedos de cada mão, que eram de um branco cremoso e sem penas. Abaixo da cintura, a superfície do corpo da Águia era cor de carne, porém ficava óbvio pelo brilho de sua camada externa que nenhuma tentativa de duplicar a pele humana fora feita.
Não tinha nenhum pêlo da cintura para baixo, nem articulações ou genitália visíveis. Seus pés não tinham artelhos. Quando a Águia andava, formavam-se rugas em torno da área dos joelhos, que desapareciam quando ela ficava parada.
A face da Águia era fascinante. Ela possuía dois grandes olhos azuis de cada lado de um bico acinzentado e saliente. Quando falava o bico se abria e seu inglês perfeito saía de alguma espécie de aparelho vocal eletrônico no fundo da garganta. As penas do alto de sua cabeça eram brancas e contrastavam fortemente com o cinzento escuro de sua face, seu pescoço e suas costas. A plumagem da face era rala e desigual.
“Posso entrar?”, repetiu a Águia com cortesia depois de Nicole ficar imóvel por vários segundos.
“É claro… é claro”, respondeu ela, afastando-se da porta. “Desculpe; foi só porque não a vemos há tanto tempo.”
“Bom dia, sr. O’Toole, sr. Wakefield. Olá, crianças”, disse a Águia ao entrar na sala.
Patrick e Benjy recuaram para afastar-se dela, pois das crianças apenas Katie e a pequena Ellie pareciam não ter medo dela.
“Bom dia”, respondeu Richard. “E o que podemos fazer por você hoje?”, indagou. A Águia jamais os visitava por razões apenas sociais. Sempre havia algum objetivo em suas visitas.
“Como disse à sua esposa, na porta”, respondeu a Águia, “estou precisando conversar com vocês adultos. Será que Simone poderia tomar conta das outras crianças enquanto conversamos por mais ou menos uma hora?”
Nicole já começara a conduzir os filhos de volta à sala das crianças, quando a Águia a interrompeu. “Isso não será necessário. Eles podem ficar com o apartamento todo, já que nós vamos para a sala de reuniões do outro lado do hall.”
“Hum-hum! pensou Nicole imediatamente. É coisa muito importante…
Nós jamais deixamos as crianças sozinhas no apartamento até hoje.
De repente, ela ficou muito preocupada com a segurança dos filhos.
“Desculpe, sra. Águia, mas as crianças ficarão bem aqui? Quero dizer, elas não terão nenhuma espécie de visitantes especiais ou coisa no gênero…?”
“Não, sra. Wakefield”, respondeu a Águia muito objetivamente. “Dou-lhe a minha palavra de que ninguém interferirá com as crianças.”
Do lado de fora, no átrio, quando os três humanos iam começar a vestir seus trajes espaciais, a Águia interrompeu-os. “Isso não será necessário. Ontem à noite nós reorganizamos este trecho do setor. Selamos o hall logo antes da junção com o corredor, transformando toda esta área em um habitat do tipo terreno.
Poderão fazer uso da sala de conferências sem ter de recorrer a qualquer vestimenta especial.”
A Águia começou a falar tão logo eles se sentaram na grande sala de conferências do outro lado do hall. “Desde nosso primeiro encontro que vocês vêm me fazendo repetidas perguntas sobre o que estariam fazendo aqui, e não lhes tenho dado respostas diretas. Agora que terminou seu último teste de sono — com grande sucesso, posso acrescentar — fui autorizada a informá-los a respeito da próxima fase da sua missão.”
“Tive igualmente permissão para dizer-lhes alguma coisa a meu respeito.
Como todos vocês já suspeitavam, eu não sou uma criatura viva — ao menos não do modo pelo qual vocês o definem.” A Águia riu-se. “Fui criada pela inteligência que governa o Nodo como interface com vocês em questões delicadas. Nossas primeiras observações sobre seu comportamento indicavam relutância da parte de vocês para interagir com vozes sem corpo. Já fora decidido criar-me, ou alguma coisa semelhante, como emissário junto à sua família quando você, sr.