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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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- As pessoas só falam coisas negativas, David. Andam dizendo que Ashley é culpada e que deveria ser executada. E estão dizendo isso claramente. Não dá para acreditar na maldade dessa gente!

David, dando-se conta de repente, falou:

- Meu Deus! Se algum dos jurados estiver na Internet...

- As probabilidades são muito grandes de que algum deles esteja, e isso vai exercer uma grande influência sobre ele. Eu pediria uma anulação do julgamento ou, pelo menos, que os jurados fossem mantidos em reclusão.

- Obrigado, Jesse! É o que vou fazer - David desligou.

Quando ele voltou para o restaurante, onde Sandra o esperava, ela perguntou:

- Má notícia?

- Péssima.

Antes da abertura da sessão do tribunal na manhã seguinte, David pediu para ver a juíza Williams. Foi conduzido ao gabinete dela, juntamente com Mickey Brennan.

- O senhor pediu para falar comigo?

- Pedi, sim, meritíssima. Eu fiquei sabendo ontem à noite que este julgamento é o assunto preferido na Internet. É só o que se discute nas salas de chat, e todo mundo já condenou a ré. Isso é bastante prejudicial. E como estou certo de que alguns dos jurados têm computadores com acesso à rede, ou conversam com amigos internautas, a defesa pode ficar seriamente comprometida. Portanto, vou entrar com uma moção de anulação do julgamento.

Ela ficou pensativa por um momento.

- Moção indeferida.

David ficou imóvel, tentando se controlar.

- Então, entro agora com uma moção para manter o júri em reclusão a partir deste momento, de forma que...

- Sr. Singer, todos os dias a imprensa está presente com todo seu aparato neste tribunal. Este julgamento é o assunto preferido na televisão, no rádio e nos jornais do mundo inteiro. Eu avisei que isto viraria um circo, mas o senhor não quis me escutar - Ela se inclinou para a frente. - Pois bem, o circo é seu. Se quisesse o júri em reclusão, o senhor deveria ter entrado com a moção antes do início do julgamento. E eu provavelmente não teria concedido. Há mais algum assunto a tratar?

David ficou sentado, com o estômago revirando.

- Não, meritíssima.

- Então, vamos entrar na sala de audiências.

Mickey Brennan estava interrogando o comissário Dowling.

- O delegado Sam Blake telefonou para dizer ao senhor que ia passar a noite no apartamento da ré, a fim de protegê-la? Ela tinha dito a ele que alguém a estava ameaçando?

- Correcto.

- Quando foi que o senhor tornou a falar com o delegado Blake?

- Eu... eu não tornei a falar com ele. Recebi um telefonema na manhã seguinte dizendo que... que o corpo dele fora encontrado no beco atrás do prédio onde reside a Senhorita Paterson.

- E o senhor foi para lá imediatamente?

- Claro.

- E o que encontrou?

Ele engoliu em seco.

- O corpo de Sam estava enrolado num lençol todo ensanguentado. Ele fora esfaqueado e castrado, assim como as outras duas vitimas.

- Assim como as outras duas vitimas. Então, todos esses assassinatos foram executados de maneira semelhante?

- Foram, sim.

- Como se as vítimas tivessem sido assassinadas pela mesma pessoa?

David se levantou de imediato.

- Objeção.

- Mantida.

- Eu retiro o que disse. O que fez em seguida, comissário?

- Bem, até aquele instante, Ashley Paterson não era suspeita. Mas depois que isso aconteceu, nós a prendemos e tiramos suas impressões digitais.

- E então?

- Nós as enviamos para o FBI e obtivemos um quadro positivo para ela.

- O senhor poderia explicar para o júri o que quer dizer com um quadro positivo?

O comissário Dowling se virou para o júri.

- As impressões digitais dela eram iguais às outras do arquivo que eles estavam tentando identificar desde os assassinatos anteriores.

- Obrigado, comissário! - Brennan se virou para David.

- A testemunha é sua.

David se levantou e se aproximou do banco das testemunhas.

- Comissário, ouvimos depoimentos dentro deste tribunal afirmando que uma faca ensanguentada foi encontrada na cozinha da Senhorita Paterson.

- Correcto.

- Como essa faca estava escondida? Embrulhada em alguma coisa? Enfiada num canto onde ninguém a pudesse encontrar?

- Não. Estava bem à vista.

- Bem à vista. Deixada lá por alguém que não tinha nada a esconder. Alguém que era inocente porque...

- Objeção.

- Mantida.

- Não tenho mais perguntas a fazer.

- A testemunha está dispensada.

Brennan falou:

- Se o tribunal não se opuser... - Ele fez um sinal para alguém no fundo do salão, e um homem vestido de macacão entrou, carregando o espelho do banheiro da Senhorita Paterson. Nele, escrito com batom vermelho, estavam os dizeres VOCÊ VAI MORRER.

David se levantou.

- O que é isso?

A juíza Williams se virou para Mickey Brennan.

- Sr. Brennan?

- É a isca que a ré usou para atrair o delegado Blake até o seu apartamento, a fim de que pudesse assassiná-lo. Eu gostaria que isto ficasse marcado como prova circunstancial D. Foi tirado do armário do banheiro da ré.

- Objeção, meritíssima. Não tem relevância.

- Vou provar que tem relevância.

- Vamos ver. Entretanto, pode prosseguir.

Brennan colocou o espelho bem à vista do júri.

- Este espelho foi tirado do banheiro da ré. - Ele olhou para os jurados. - Conforme todos podem ver, está escrito em sua face "VOCÊ VAI MORRER". Este foi o pretexto da ré para pedir que o delegado Blake fosse ao seu apartamento naquela noite para protegê-la. - Ele se virou para a juíza Williams. - Eu gostaria de chamar a minha próxima testemunha, a Senhorita Laura Niven.

Uma mulher de meia-idade, caminhando com uma bengala, se aproximou do banco das testemunhas e prestou juramento.

- Em que trabalha, Senhorita Niven?

- Sou consultora para o município de San José.

- E presta consultoria em que área?

- Sou perita em caligrafia.

- Há quanto tempo trabalha para o município, Senhorita Niven?

- Vinte e dois anos.

Brennan apontou para o espelho com um gesto de cabeça.

- Já viu esse espelho antes?

- Já.

- E o examinou?

- Examinei.

- E a senhorita já viu uma amostra da caligrafia da ré?

- Vi, sim.

- E teve a oportunidade de examiná-la?

- Tive.

- E comparou as duas?

- Comparei.

- E a que conclusão chegou?

- Foram escritas pela mesma pessoa.

Todos na sala ficaram perplexos.

- Então, a senhorita está dizendo que Ashley Paterson escreveu esta ameaça para si mesma?

- Correcto.

Mickey Brennan olhou para David.

- A testemunha é sua.

David hesitou. Olhou de relance para Ashley. Ela estava de olhos pregados na mesa, balançando a cabeça.

- Não tenho perguntas a fazer.

A juíza Williams estava estudando David.

- Não tem perguntas a fazer, Sr. Singer?

David se levantou.

- Não. Todos esses depoimentos não têm importância. - Ele se virou para o júri. - A promotoria terá de provar que Ashley Paterson conhecia as vítimas e tinha um motivo para...

- Eu já o adverti antes - falou a juíza Williams, irritada. - Não lhe cabe instruir o júri sobre a lei. Se...

- Alguém tem de fazer isso - explodiu David. - Sua Excelência o está deixando...

- Já chega, Sr. Singer. Aproxime-se.

David caminhou até a mesa.

- Vou citá-lo por desacato ao juízo e sentenciá-lo a uma noite aqui em nossa agradável cadeia no dia em que este julgamento terminar.

- Espere, meritíssima. Sua Excelência não pode...

Ela falou, taciturna:

- Já o sentenciei a uma noite. O senhor gostaria de tentar conseguir duas?

David ficou parado, fitando-a com firmeza, respirando fundo.

- Pelo bem de minha cliente, eu... eu vou guardar os meus sentimentos para mim.

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