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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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- Olhe para cá, Sr. Singer...

- É verdade que o senhor foi demitido por aceitar este caso...?

- Poderia nos dizer algumas palavras sobre Helen Woodman? O senhor foi o advogado no processo por assassinato...?

- Ashley Paterson disse por que ela fez isso...?

- O senhor vai levar sua cliente ao banco dos réus...?

- Nada a declarar - disse David, rispidamente.

Quando Mickey Brennan chegou ao estacionamento do fórum, seu carro foi instantaneamente cercado pelos jornalistas.

- Sr. Brennan, como acha que vai ser o julgamento...?

- O senhor já processou algum alter ego antes...?

Brennan abriu um sorriso simpático.

- Não. Mal posso esperar para falar com todas as rés. - Ele obteve a gargalhada que queria. - Se elas forem em número suficiente, podem até formar um clube. - Mais uma gargalhada.

- Eu preciso entrar. Não quero que nenhuma das rés tenha de esperar por mim.

O exame do júri teve início com a juíza Williams fazendo perguntas genéricas aos jurados em potencial. Quando ela terminou, foi a vez da defesa; e depois, da promotoria.

Para os leigos, a escolha de um júri parece simples: Escolha o pretenso jurado que pareça simpático e dispense os demais. A bem da verdade, o exame do júri era um ritual cuidadosamente planejado.

Os advogados mais habilidosos não faziam perguntas diretas, que pudessem gerar um simples sim ou não como resposta. Faziam perguntas genéricas, que encorajassem os jurados a falar e revelar algo sobre si mesmos e seus verdadeiros sentimentos.

Mickey Brennan e David Singer tinham pautas diferentes. Neste caso, Brennan queria que a maioria dos jurados fosse constituída de homens, para que estes sentissem repugnância e ficassem chocados diante da idéia de uma mulher esfaqueando e castrando suas vitimas.

As perguntas de Brennan visavam determinar aqueles que fossem tradicionais em seu modo de pensar, menos propensos a acreditar em espíritos, duendes e pessoas que alegassem ter alteres habitando o âmago de seu ser. David usou a abordagem oposta.

- Sr. Harris, correto? Eu sou David Singer. Estou representando a ré. Já tomou parte num júri antes, Sr. Harris?

- Não.

- Fico-lhe grato por dedicar seu tempo e sua atenção a este serviço.

- Deve ser interessante, um grande julgamento de assassinato como este!

- Perfeitamente. Acho que vai ser, mesmo.

- Eu estou ansioso para ver

- Está ansioso, então?

- Ora, sem dúvida!

- Onde trabalha, Sr. Harris?

- Na Siderúrgica da União.

- Eu suponho que o senhor e seus colegas tenham conversado sobre o caso Paterson.

- Conversamos, sim. De fato, conversamos.

- Isso é compreensível - falou David. - Todos parecem estar comentando sobre o caso. Qual é a opinião geral? Seus colegas de trabalho acham que Ashley Paterson é culpada?

- Oh, sim. Devo dizer que acham que ela é realmente culpada.

- E o senhor pensa da mesma forma?

- Bem, é o que parece.

- Mas o senhor está disposto a prestar atenção às provas antes de decidir?

- Sim. Estou, sim.

- O que gosta de ler, Sr. Harris?

- Não sou muito de ler. Eu gosto de acampar, caçar e pescar.

- Gosta da vida ao ar livre. Quando está acampando durante a noite e olha para as estrelas, o senhor pergunta a si mesmo se não existem outras civilizações lá no espaço?

- Está se referindo a essa maluquice de discos voadores? Eu não acredito nessa besteirada, não.

David se virou para a juíza Williams.

- Recusado, meritíssima.

Mais um interrogatório de jurado:

- O que gosta de fazer durante o seu tempo livre, Sr. Allen?

- Gosto de ler e assistir à televisão.

- Eu gosto de fazer as mesmas coisas. Ao que o senhor assiste na televisão?

- Há programas muito bons nas noites de quinta-feira. É difícil escolher. As emissoras colocam todos os programas de qualidade no mesmo horário!

- Tem razão. Isso é um absurdo! O senhor já assistiu ao Arquivo X?

- Já. Os meus filhos adoram.

- E Sabriruz, a bruxa adolescente?

- Ah, já. Nós gostamos desse também. É um bom programa.

- O que gosta de ler?

- Anne Rice, Stephen King...

Sim.

Mais um interrogatório de jurado:

- Ao que gosta de assistir na televisão, Sr. Mayer?

- Sessenta Minutos, o noticiário com Jim Lehrer, documentários...

- O que gosta de ler?

- Em geral, livros de história e política.

- Obrigado!

Não.

A juíza Tessa Williams permanecia sentada, escutando os interrogatórios, sem se deixar trair pela expressão do rosto. Mas David pôde sentir sua desaprovação todas as vezes em que a juíza olhou para ele.

Quando o último jurado foi finalmente escolhido, o painel consistia em sete homens e cinco mulheres. Brennan lançou um olhar de triunfo para David. Isso vai ser um massacre total.

Capítulo Dezesseis

Bem cedo, na manhã em que o julgamento de Ashley Paterson estava previsto para começar, David foi ver Ashley no centro de detenção. Ela estava à beira de um ataque histérico.

- Eu não posso continuar com isso. Não posso! Quero que me deixem em paz.

- Ashley, vai ficar tudo bem. Nós vamos enfrentá-los e vamos vencer.

- Você não sabe... não sabe o que é isso. Eu me sinto como se estivesse num inferno!

- Nós vamos tirá-la disso. Estamos dando o primeiro passo.

Ela tremia.

- Estou com medo... com medo de que façam alguma coisa terrível comigo.

- Eu não vou deixar - falou David com firmeza. - Quero que você acredite em mim. E não se esqueça... você não é responsável pelo que aconteceu. Não fez nada de errado. Eles estão à nossa espera.

Ela respirou fundo.

- Tudo bem. Eu vou ficar bem. Vou ficar bem. Vou ficar bem.

Sentado na ala reservada aos espectadores, estava o Dr. Steven Paterson. Ele respondera à barreira de repórteres do lado de fora do tribunal com uma única declaração:

- Minha filha é inocente.

A várias fileiras de distância estavam Jesse e Emily Quiller, presentes para dar apoio moral.

Á mesa da promotoria, sentavam-se Mickey Brennan e duas assistentes, Susan Freeman e Eleanor Tucker.

Sandra e Ashley estavam sentadas à mesa dos réus, com David entre elas. As duas haviam se encontrado pela primeira vez na semana anterior.

- David, dá para olhar para Ashley e ver que ela é inocente.

- Sandra, dá para olhar para as provas que Ashley deixou em suas vítimas e ver que ela as matou. Mas matá-las e ser culpada são duas coisas diferentes. Agora, eu só tenho de convencer o júri.

A juíza Williams entrou no tribunal e se dirigiu à sua mesa. O oficial de justiça anunciou:

- Todos de pé. Está iniciada a sessão. Preside a meritíssima juíza Tessa Williams.

A juíza Williams falou:

- Podem se sentar. Este é o caso do Estado da Califórnia contra Ashley Paterson. Vamos começar - A juíza Williams olhou para Brennan. - O promotor gostaria de fazer uma declaração de abertura?

Mickey Brennan se levantou.

- Sim, meritíssima. - Ele se virou para o júri e se aproximou. - Bom dia! Como todos sabem, senhoras e senhores, a ré está sob julgamento, acusada de cometer três assassinatos hediondos. Os assassinos surgem sob vários disfarces. - Ele fez um gesto com a cabeça na direção de Ashley. - O dela é o de uma jovem moça inocente e vulnerável. Mas o estado há de provar-lhes, sem sombra de dúvida, que a ré, por vontade própria e em plena consciência, assassinou e mutilou três homens inocentes. Ela usou um nome fictício para cometer um desses assassinatos, na esperança de não ser descoberta. Sabia exatamente o que estava fazendo. Estamos falando de assassinato calculado a sangue-frio. à medida que for se desenrolando o julgamento, eu vou lhes mostrar todas as evidências, uma a uma que amarram este caso à ré que ali se encontra. Obrigado!

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