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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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- Certo. Desde que o senhor está na prática da medicina, doutor, quantos pacientes com perturbações mentais diria que já tratou?

- Oh, talvez duzentos.

- E destes casos, quantos diria que tinham o distúrbio de personalidade múltipla?

- Uma dúzia...

Brennan olhou para ele, fingindo espanto.

- De um total de duzentos pacientes?

- Isso mesmo. Sabe, é que...

- O que eu não sei, Dr. Ashanti, é como o senhor pode se considerar um especialista, tendo tratado um número tão pequeno de casos. Eu agradeceria se o senhor pudesse nos dar evidências que possam provar ou refutar a existência do distúrbio de personalidade múltipla.

- Quando o senhor fala em provar...

- Estamos num tribunal de justiça, doutor. O júri não vai tomar decisões baseado em teoria ou em tese. E se, por exemplo, a ré detestasse os homens que assassinou e, depois de matá-los, decidiu usar a desculpa de um alter dentro de si para poder...

David estava de pé.

- Objeção! A argumentação é tendenciosa e está conduzindo a testemunha.

- Indeferida.

- Meritíssima...

- Sente-se, Sr. Singer.

David lançou um olhar furioso para a juíza Williams e retomou o seu assento.

- Então, o que está nos dizendo, doutor, é que não existe evidência capaz de provar ou refutar a existência do DPM?

- Existir, não existe. Mas...

Brennan assentiu.

- É só.

O Dr. Royce Salem estava no banco das testemunhas.

- Dr. Salem, o senhor examinou Ashley Paterson? - perguntou David.

- Examinei.

- E qual foi a sua conclusão?

- A Senhorita Paterson está sofrendo de DPM. Ela tem dois alteres, que se chamam Toni Prescott e Alette Peters.

- Ela tem algum controle sobre eles?

- Nenhum. Quando esses alteres assumem o controle, ela fica num estado de amnésia dissociativa.

- O senhor poderia explicar o que é isso, Dr. Salem?

- Amnésia dissociativa é um estado em que a vítima perde a consciência de onde está, ou do que está fazendo. Pode durar minutos, dias ou semanas.

- E durante esse período, o senhor diria que a pessoa é responsável por suas ações?

- Não.

- Obrigado, doutor! - Ele se dirigiu a Brennan. - A testemunha é sua.

- Dr. Salem, o senhor presta consultoria para vários hospitais e dá palestras pelo mundo inteiro? - perguntou Brennan.

- Correcto.

- Presumo que os seus colegas sejam médicos talentosos e habilidosos?

- Eu diria que sim.

- Então, todos concordam quanto ao distúrbio de personalidade múltipla?

- Não.

- O que o senhor quer dizer com "não"?

- Há os que discordam.

- O senhor quer dizer que eles não acreditam que exista?

- Exacto.

- Mas eles estão errados e o senhor está certo?

- Eu já tratei pacientes, portanto sei que esta perturbação existe. Quando...

- Deixe-me fazer-lhe a seguinte pergunta. Caso existissem esses distúrbios de personalidade múltipla, um dos alteres sempre estaria na posição de dizer ao indivíduo o que fazer? O alter diz "Mate", e o indivíduo mata?

- Depende. Os alteres têm vários níveis de influência.

- Então, o indivíduo poderia estar no comando.

- às vezes, é claro.

- Na maioria das vezes?

- Não.

- Doutor, onde está a prova de que o DPM existe?

- Eu já presenciei mudanças físicas completas em pacientes sob hipnose e sei que...

- E isso é uma base para a verdade?

- Dr. Salem, se eu o hipnotizasse dentro de um ambiente quente e lhe dissesse que o senhor estava no pólo norte, despido e no meio de uma tempestade de neve, a temperatura do seu corpo iria cair?

- Ora, iria, mas...

- É só.

David se aproximou do banco das testemunhas.

- Dr. Salem, o senhor tem alguma dúvida de que esses alteres existam no interior de Ashley Paterson?

- Nenhuma. E são absolutamente capazes de assumir o comando e dominá-la.

- E ela não estaria consciente disso?

- Ela não estaria consciente.

- Obrigado!

- Eu gostaria de chamar Shane Miller ao banco. - David esperou que ele prestasse o juramento. - O que faz, profissionalmente, Sr. Miller?

- Eu sou supervisor na Corporação Global de Computação Gráfica.

- E há quanto tempo trabalha nessa empresa?

- Cerca de sete anos.

- E Ashley Paterson estava empregada lá?

- Estava.

- E trabalhava sob a sua supervisão?

- Trabalhava.

- Então o senhor chegou a conhecê-la bem?

- Correcto.

- Sr. Miller, ouviu falar do depoimento de médicos dizendo que alguns dos sintomas do distúrbio de personalidade múltipla são paranóia, nervosismo, tensão. O senhor chegou a observar alguns desses sintomas na Senhorita Paterson?

- Bem, eu...

- A Senhorita Paterson não disse que achava estar sendo seguida por alguém?

- Disse, sim.

- E que ela não fazia idéia de quem poderia ser ou por que alguém estaria fazendo isso?

- Correcto.

- Não disse uma vez que alguém usara o computador dela para ameaçá-la com uma faca?

- Disse.

- E as coisas acabaram ficando tão ruins, que o senhor sugeriu que ela fosse se consultar com o psicólogo que trabalha na empresa, o Dr. Speakman?

- Exactamente.

- Então, Ashley Paterson apresentava os sintomas de que estamos falando?

- Correcto.

- Obrigado, Sr. Miller! - David se dirigiu a Mickey Brennan. - A testemunha é sua.

- Quantos empregados tem directamente sob a sua supervisão, Sr. Miller?

- Trinta.

- E de trinta funcionários, Ashley Paterson é a única que o senhor viu passar mal?

- Ora, não...

- Ah, não mesmo?

- Todo mundo passa mal às vezes.

- O senhor quer dizer que outros funcionários já precisaram ir se consultar com o psicólogo da empresa?

- Oh, claro. Eles o mantêm bastante ocupado.

Brennan mostrou-se impressionado.

- É mesmo?

- É. Tem muita gente com problemas. Ora, são seres humanos!

- Não tenho mais perguntas.

A juíza Williams falou:

- Deseja reinquirir?

David se aproximou do banco das testemunhas.

- Sr. Miller, disse que alguns dos funcionários sob a sua supervisão tinham problemas. Que tipo de problemas?

- Ora, podia ser uma briga com o namorado ou o marido...

- Muito bem.

- Ou podia ser um problema financeiro...

- Muito bem.

- Ou os filhos enchendo a paciência...

- Em outras palavras, os problemas típicos de âmbito doméstico que qualquer um de nós pode enfrentar?

- Exacto.

- Mas ninguém foi se consultar com o Dr. Speakman porque estava se achando perseguido ou porque achava que alguém estivesse lhe fazendo ameaças de morte?

- Não.

- Obrigado!

A sessão entrou em recesso para o almoço.

David entrou no carro e passeou pelo parque, deprimido. O julgamento ia mal. Os médicos não se decidiam quanto à existência do DPM. Se eles não conseguem chegar a um acordo, pensou, como é que eu vou conseguir que o júri concorde? Não posso deixar que nada aconteça a Ashley. Não posso. Ele estava chegando perto do Fiarold's Café, um restaurante perto do fórum. Estacionou o carro e entrou. A recepcionista sorriu para ele.

- Boa tarde, Sr. Singer!

Ele estava afamado. Difamado?

- Por aqui, por favor - Ele a acompanhou até reservado e se sentou. A moça lhe entregou o cardápio, deu outro demorado sorriso e se foi, com as cadeiras balançando de maneira provocante. As mordomias da fama, pensou David com secura. Não estava com fome, mas pôde ouvir a voz de Sandra dizendo: "Você precisa comer para se manter forte. "

Havia dois homens e duas mulheres sentados no compartimento ao lado do dele. um dos homens dizia:

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