Conte - Me Seus Sonhos [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:
- Certo. Desde que o senhor está na prática da medicina, doutor, quantos pacientes com perturbações mentais diria que já tratou?
- Oh, talvez duzentos.
- E destes casos, quantos diria que tinham o distúrbio de personalidade múltipla?
- Uma dúzia...
Brennan olhou para ele, fingindo espanto.
- De um total de duzentos pacientes?
- Isso mesmo. Sabe, é que...
- O que eu não sei, Dr. Ashanti, é como o senhor pode se considerar um especialista, tendo tratado um número tão pequeno de casos. Eu agradeceria se o senhor pudesse nos dar evidências que possam provar ou refutar a existência do distúrbio de personalidade múltipla.
- Quando o senhor fala em provar...
- Estamos num tribunal de justiça, doutor. O júri não vai tomar decisões baseado em teoria ou em tese. E se, por exemplo, a ré detestasse os homens que assassinou e, depois de matá-los, decidiu usar a desculpa de um alter dentro de si para poder...
David estava de pé.
- Objeção! A argumentação é tendenciosa e está conduzindo a testemunha.
- Indeferida.
- Meritíssima...
- Sente-se, Sr. Singer.
David lançou um olhar furioso para a juíza Williams e retomou o seu assento.
- Então, o que está nos dizendo, doutor, é que não existe evidência capaz de provar ou refutar a existência do DPM?
- Existir, não existe. Mas...
Brennan assentiu.
- É só.
O Dr. Royce Salem estava no banco das testemunhas.
- Dr. Salem, o senhor examinou Ashley Paterson? - perguntou David.
- Examinei.
- E qual foi a sua conclusão?
- A Senhorita Paterson está sofrendo de DPM. Ela tem dois alteres, que se chamam Toni Prescott e Alette Peters.
- Ela tem algum controle sobre eles?
- Nenhum. Quando esses alteres assumem o controle, ela fica num estado de amnésia dissociativa.
- O senhor poderia explicar o que é isso, Dr. Salem?
- Amnésia dissociativa é um estado em que a vítima perde a consciência de onde está, ou do que está fazendo. Pode durar minutos, dias ou semanas.
- E durante esse período, o senhor diria que a pessoa é responsável por suas ações?
- Não.
- Obrigado, doutor! - Ele se dirigiu a Brennan. - A testemunha é sua.
- Dr. Salem, o senhor presta consultoria para vários hospitais e dá palestras pelo mundo inteiro? - perguntou Brennan.
- Correcto.
- Presumo que os seus colegas sejam médicos talentosos e habilidosos?
- Eu diria que sim.
- Então, todos concordam quanto ao distúrbio de personalidade múltipla?
- Não.
- O que o senhor quer dizer com "não"?
- Há os que discordam.
- O senhor quer dizer que eles não acreditam que exista?
- Exacto.
- Mas eles estão errados e o senhor está certo?
- Eu já tratei pacientes, portanto sei que esta perturbação existe. Quando...
- Deixe-me fazer-lhe a seguinte pergunta. Caso existissem esses distúrbios de personalidade múltipla, um dos alteres sempre estaria na posição de dizer ao indivíduo o que fazer? O alter diz "Mate", e o indivíduo mata?
- Depende. Os alteres têm vários níveis de influência.
- Então, o indivíduo poderia estar no comando.
- às vezes, é claro.
- Na maioria das vezes?
- Não.
- Doutor, onde está a prova de que o DPM existe?
- Eu já presenciei mudanças físicas completas em pacientes sob hipnose e sei que...
- E isso é uma base para a verdade?
- Dr. Salem, se eu o hipnotizasse dentro de um ambiente quente e lhe dissesse que o senhor estava no pólo norte, despido e no meio de uma tempestade de neve, a temperatura do seu corpo iria cair?
- Ora, iria, mas...
- É só.
David se aproximou do banco das testemunhas.
- Dr. Salem, o senhor tem alguma dúvida de que esses alteres existam no interior de Ashley Paterson?
- Nenhuma. E são absolutamente capazes de assumir o comando e dominá-la.
- E ela não estaria consciente disso?
- Ela não estaria consciente.
- Obrigado!
- Eu gostaria de chamar Shane Miller ao banco. - David esperou que ele prestasse o juramento. - O que faz, profissionalmente, Sr. Miller?
- Eu sou supervisor na Corporação Global de Computação Gráfica.
- E há quanto tempo trabalha nessa empresa?
- Cerca de sete anos.
- E Ashley Paterson estava empregada lá?
- Estava.
- E trabalhava sob a sua supervisão?
- Trabalhava.
- Então o senhor chegou a conhecê-la bem?
- Correcto.
- Sr. Miller, ouviu falar do depoimento de médicos dizendo que alguns dos sintomas do distúrbio de personalidade múltipla são paranóia, nervosismo, tensão. O senhor chegou a observar alguns desses sintomas na Senhorita Paterson?
- Bem, eu...
- A Senhorita Paterson não disse que achava estar sendo seguida por alguém?
- Disse, sim.
- E que ela não fazia idéia de quem poderia ser ou por que alguém estaria fazendo isso?
- Correcto.
- Não disse uma vez que alguém usara o computador dela para ameaçá-la com uma faca?
- Disse.
- E as coisas acabaram ficando tão ruins, que o senhor sugeriu que ela fosse se consultar com o psicólogo que trabalha na empresa, o Dr. Speakman?
- Exactamente.
- Então, Ashley Paterson apresentava os sintomas de que estamos falando?
- Correcto.
- Obrigado, Sr. Miller! - David se dirigiu a Mickey Brennan. - A testemunha é sua.
- Quantos empregados tem directamente sob a sua supervisão, Sr. Miller?
- Trinta.
- E de trinta funcionários, Ashley Paterson é a única que o senhor viu passar mal?
- Ora, não...
- Ah, não mesmo?
- Todo mundo passa mal às vezes.
- O senhor quer dizer que outros funcionários já precisaram ir se consultar com o psicólogo da empresa?
- Oh, claro. Eles o mantêm bastante ocupado.
Brennan mostrou-se impressionado.
- É mesmo?
- É. Tem muita gente com problemas. Ora, são seres humanos!
- Não tenho mais perguntas.
A juíza Williams falou:
- Deseja reinquirir?
David se aproximou do banco das testemunhas.
- Sr. Miller, disse que alguns dos funcionários sob a sua supervisão tinham problemas. Que tipo de problemas?
- Ora, podia ser uma briga com o namorado ou o marido...
- Muito bem.
- Ou podia ser um problema financeiro...
- Muito bem.
- Ou os filhos enchendo a paciência...
- Em outras palavras, os problemas típicos de âmbito doméstico que qualquer um de nós pode enfrentar?
- Exacto.
- Mas ninguém foi se consultar com o Dr. Speakman porque estava se achando perseguido ou porque achava que alguém estivesse lhe fazendo ameaças de morte?
- Não.
- Obrigado!
A sessão entrou em recesso para o almoço.
David entrou no carro e passeou pelo parque, deprimido. O julgamento ia mal. Os médicos não se decidiam quanto à existência do DPM. Se eles não conseguem chegar a um acordo, pensou, como é que eu vou conseguir que o júri concorde? Não posso deixar que nada aconteça a Ashley. Não posso. Ele estava chegando perto do Fiarold's Café, um restaurante perto do fórum. Estacionou o carro e entrou. A recepcionista sorriu para ele.
- Boa tarde, Sr. Singer!
Ele estava afamado. Difamado?
- Por aqui, por favor - Ele a acompanhou até reservado e se sentou. A moça lhe entregou o cardápio, deu outro demorado sorriso e se foi, com as cadeiras balançando de maneira provocante. As mordomias da fama, pensou David com secura. Não estava com fome, mas pôde ouvir a voz de Sandra dizendo: "Você precisa comer para se manter forte. "
Havia dois homens e duas mulheres sentados no compartimento ao lado do dele. um dos homens dizia: