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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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- Eu gostaria de chamar, como minha próxima testemunha, Staneley Clarke - disse Brennan. Um rapaz de cabelos compridos foi conduzido ao tribunal. Ele se aproximou do banco das testemunhas. O salão ficou em silêncio, enquanto o jovem prestava juramento e tomava o seu assento.

- Sr. Clarke, qual é a sua atividade profissional? - perguntou Brennan.

- Eu trabalho no Laboratório Nacional de Biotecnologia, com o ácido desoxirnbonucléico.

- Mais conhecido por nós, leigos, como DNA?

- Correto.

- Há quanto tempo trabalha no Laboratório Nacional de Biotecnologia?

- Sete anos.

- E que cargo ocupa?

- Sou supervisor.

- Então, nestes sete anos, eu presumo que o senhor tenha bastante experiência nos testes de DNA?

- Sem dúvida. É o que faço todos os dias.

Brennan olhou de relance para o júri.

- Acho que todos estamos familiarizados com a importância do DNA. - Ele apontou para os espectadores. - O senhor diria que pelo menos meia dúzia das pessoas aqui presentes têm DNA idêntico?

- De forma alguma! Se pegássemos um perfil das espirais do DNA e o designássemos a uma frequência baseada em bancos de dados coletados, somente um em cada quinhentos bilhões de caucasianos sem qualquer grau de parentesco teria o mesmo perfil de DNA.

Brennan mostrou-se impressionado.

- É um em quinhentos bilhões! Sr. Clarke, de que forma obtém DNA de uma cena de crime?

- Várias. Encontramos DNA na saliva, no sémen, nas secreções vaginais, no sangue, nos fios de cabelo, nos dentes, na medula óssea...

- E de qualquer um desses itens o senhor pode relacionar o DNA a uma pessoa específica?

- Correto.

- O senhor comparou pessoalmente as amostras de DNA nos assassinatos de Dennis Tibble, Richard Melton e Samuel David Blake?

- Comparei.

- E foi ao senhor que mais tarde deram os fios de cabelo da ré, Ashley Paterson?

- Sim.

- Ao comparar as amostras de DNA das várias cenas dos crimes com aquelas obtidas a partir dos fios de cabelo da ré, a que conclusão o senhor chegou?

- Eram idênticas.

Desta vez, a reação dos espectadores foi ainda mais barulhenta.

A juíza Williams bateu com o martelo sobre a mesa.

- Ordem! Silêncio, senão mandarei esvaziar o recinto!

Brennan aguardou até que o ambiente ficasse em silêncio.

- Sr. Clarke, de acordo com sua declaração o DNA obtido em cada uma das três cenas dos crimes e o DNA da acusada eram idênticos, certo?

- Sim, senhor.

Brennan olhou de relance para a mesa onde Ashley estava sentada e voltou-se para a testemunha.

- E quanto à contaminação? Todos conhecemos o famoso julgamento de um crime em que as amostras de DNA estavam supostamente contaminadas. As amostras neste caso poderiam ter sido inadequadamente manuseadas, de forma que não fossem mais válidas ou...?

- Não, senhor. As amostras de DNA nestes casos de assassinato foram cuidadosamente manuseadas e lacradas.

- Então, não resta dúvida quanto a isto. A ré assassinou os três...?

David se levantou.

- Objeção, meritíssima. O promotor está conduzindo a testemunha e...

- Mantida.

David voltou a sentar-se.

- Obrigado, Sr. Clarke! - Brennan se virou para David. - Nada mais.

- A testemunha é sua, Sr. Singer - disse a juíza Williams.

- Não tenho perguntas.

Os jurados estavam de olhos pregados em David.

Brennan mostrou-se surpreso.

- Não tem perguntas? - Ele se dirigiu à testemunha. - O senhor pode ir.

Brennan olhou para os jurados e falou:

- Fico impressionado de ver que a defesa não esteja questionando as evidências, pois elas provam, acima de qualquer suspeita, que a ré assassinou e castrou três homens inocentes e...

David se levantou.

- Meritíssima...

- Objeção acatada. O senhor está ultrapassando os limites Sr. Brennan!

- Queira me desculpar, meritíssima! Não tenho mais perguntas a fazer.

Ashley estava olhando para David, assustada.

- Não se preocupe - sussurrou ele. - Logo vai chegar a nossa vez.

A tarde consistiu em mais testemunhas para a promotoria, e os depoimentos foram devastadores.

- O sindico do prédio o chamou ao apartamento de Dennis Tibble, policia Lightman?

- Chamou.

- O senhor poderia nos relatar o que encontrou lá?

- uma coisa horrível! Havia sangue por todo lado.

- Em que condições estava a vítima?

- O homem tinha sido morto a facadas e castrado.

Brennan olhou para o júri de relance, uma expressão de horror estampada em seu rosto.

- Morto a facadas e castrado. O senhor encontrou alguma evidência na cena do crime?

- Ah, encontrei, sim. A vítima tinha praticado sexo antes de morrer. Encontramos secreções vaginais e impressões digitais.

- Por que o senhor não prendeu ninguém de imediato?

- As impressões digitais que encontramos não coincidiam com qualquer uma das outras que tínhamos em nossos arquivos. Ficamos aguardando amostras que combinassem com as que tínhamos.

- Mas quando finalmente obtiveram as impressões digitais e o DNA de Ashley Paterson, tudo se encaixou?

- Exato. Tudo se encaixou.

O Dr. Steven Paterson foi ao julgamento todos os dias. Ficou sentado na secção reservada ao público espectador, logo atrás da mesa da ré. Sempre que entrava ou saía do recinto, era cercado por repórteres.

- Dr. Paterson, o que está achando do andamento do processo?

- Está indo muito bem.

- O que acha que vai acontecer?

- Minha filha será considerada inocente.

Num certo fim de tarde, quando voltaram para o hotel, David e Sandra encontraram um recado deixado para eles.

- Favor telefonar para o Sr. Kwong no seu banco.

David e Sandra se entreolharam.

- Será que já chegou a hora de pagarmos a próxima prestação? - perguntou Sandra.

- É isso mesmo. O tempo voa quando a gente está se divertindo - disse ele, secamente. E ficou pensativo por um momento. - O julgamento vai acabar em breve, querida. Ainda temos o suficiente em nossa conta corrente para o pagamento deste mês.

Sandra olhou para ele, preocupada.

- David, se não pudermos quitar todas as prestações... perderemos tudo que já pagamos?

- Perderemos, sim. Mas não se preocupe. Sempre acontecem coisas boas para as pessoas boas.

E ele pensou em Helen Woodman.

Brian Hill estava sentado no banco das testemunhas, logo depois de ter prestado o seu juramento. Mickey Brennan deu-lhe um sorriso simpático.

- Poderia nos dizer o que faz, Sr. Hill?

- Certamente. Sou o guarda do museu De Young, em São Francisco.

- Deve ser um emprego interessante!

- É, sim, quando se gosta de arte. Eu sou um pintor frustrado.

- Há quanto tempo trabalha lá?

- Quatro anos.

- Muitos dos visitantes do museu costumam ser as mesmas pessoas? Ou seja, tem gente que volta diversas vezes?

- Ah, sim. Tem gente que volta sempre.

- Então, eu suponho que, decorrido um certo período de tempo, essas pessoas passem a ser conhecidas suas, ou pelo menos tornem-se rostos conhecidos?

- É verdade.

- E eu fui informado de que muitos artistas têm permissão para ficar copiando alguns dos quadros do museu.

- Exacto. Nós recebemos a visita de muitos artistas.

- Chegou a conhecer algum deles, Sr. Hill?

- Cheguei. A gente se torna meio amigo depois de um certo tempo.

- O senhor conheceu um homem chamado Richard Melton?

Brian Hill soltou um suspiro.

- Conheci. Ele era muito talentoso.

- Tão talentoso, na verdade, que o senhor chegou a pedir que ele lhe ensinasse a pintar?

- Correcto.

David se levantou.

- Meritíssima, isto é fascinante, mas eu não percebo em que tenha a ver com o julgamento. Se o Sr. Brennan...

- É relevante, meritíssima. Eu estou deixando claro que o Sr. Hill podia identificar a vítima pela fisionomia e pelo nome, bem como nos dizer na companhia de quem a vítima costumava andar.

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