Conte - Me Seus Sonhos [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:
Em dez minutos, ela estava hipnotizada. O Dr. Salem gesticulou para David, que se dirigiu a Ashley
- Eu gostaria de falar com Alette. Você está aí, Alette?
Eles viram o rosto de Ashley assumir uma expressão branda, passando pela mesma transformação que tinham presenciado anteriormente. Em seguida, ouviram o sotaque italiano, suave e melodioso.
- Buon giorno!
- Bom dia, Alette! Como vai?
- Male. Que momento difícil!
- Está difícil para todos nós - reforçou David -, mas tudo vai acabar bem.
- Assim espero.
- Alette, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas.
- As...
- Você conheceu Jim Cleary?
- Não.
- Você conheceu Richard Melton?
- Conheci. - Havia uma tristeza profunda em sua voz. - Foi... Foi terrível o que aconteceu com ele.
David voltou os olhos para o Dr. Salem.
- Foi, sim. Terrível! Quando você o viu pela última vez?
- Eu o visitei em São Francisco. Nós fomos a um museu e depois jantamos juntos. Antes de eu ir embora, ele me convidou para ir ao seu apartamento.
- E você foi?
- Não. Eu gostaria de ter ido - falou Alette, arrependida. - Quem sabe eu não poderia ter salvado a vida dele? - Houve uma pausa breve. - Nós nos despedimos, e eu peguei meu carro e voltei para Cupertino.
- E foi essa a última vez em que você o viu?
- Foi.
- Obrigado, Alette!
David se aproximou de Ashley e falou:
- Toni? Você está aí, Toni? Eu gostaria de conversar com você.
Enquanto eles observavam, o rosto de Ashley sofreu outra transformação notável. Sua personalidade se modificou diante de seus olhos. Houve uma nova postura, uma consciência sexual. Ela começou a cantarolar com aquela voz clara e guturaclass="underline"
"Subindo e descendo a rua da cidade.
Entra tostão, sai tostão. Ora, ora!
Assim que o dinheiro se vai.
Mas a lontra - pluft! - foi embora. "
Ela olhou para David.
- Você sabe por que eu adoro cantar essa musiquinha, meu caro?
- Não.
- Porque a minha mãe a odiava. Ela me odiava.
- Por que ela a odiava?
- Ora, não dá mais para perguntar, não é mesmo? - Toni riu. - Não onde ela está agora! Para a minha mãe, nada do que eu fizesse estava correto. Que tipo de mãe você teve, David?
- Minha mãe foi uma pessoa maravilhosa.
- Você é um rapaz de sorte, hein? Acho que essa é a sorte do acaso. Deus gosta de jogar com a gente, não gosta?
- Você acredita em Deus? É uma pessoa religiosa, Toni?
- Não sei. Talvez haja um Deus. Se houver, ele tem um senso de humor estranho, não é mesmo? Alette é religiosa. Ela é quem vai sempre à igreja, regularmente.
- E você?
Toni soltou uma gargalhada breve.
- Ora, essa! Se ela está lá, eu também estou.
- Toni, você acha que é correto matar alguém?
- Não, claro que não!
- Então...
- A não ser que seja preciso.
David e o Dr. Salem trocaram olhares.
- O que você quer dizer com isso?
O tom de voz mudou. Ela subitamente se colocou na defensiva.
- Ora, você sabe, quando a gente tem de se proteger! Se alguém estiver machucando a gente. - Ela estava ficando agitada. - Se algum palerma estiver tentando fazer sujeira com a gente.
- Ela estava ficando histérica.
- Toni...
Ela começou a soluçar.
- Por que eles não me deixam em paz? Por que tinham de...? - Estava berrando.
- Toni...
Silêncio.
- Toni...
Nada.
- Ela se foi. Eu gostaria de despertar Ashley - disse o Dr. Salem.
David soltou um suspiro.
- Tudo bem.
Alguns minutos depois, Ashley estava abrindo os olhos.
- Como está se sentindo? - perguntou David.
- Cansada. Eu... foi tudo bem?
- Foi. Falamos com Alette e Toni. Elas...
- Eu não quero saber.
- Tudo bem. Por que não vai descansar agora, Ashley? Voltarei à tarde para vê-la.
Eles esperaram até a carcereira levá-la embora.
- Você precisa chamá-la ao banco, David. Isso há de convencer qualquer júri no mundo inteiro de que... - disse o dr. Salem.
- Já pensei muito nisso - falou David. - Acho que não posso.
O Dr. Salem olhou para ele um instante.
- Por que não?
- Brennan, o advogado de acusação, é cruel. Ele a destroçaria. Eu não posso correr esse risco.
Dois dias antes do início das preliminares do julgamento, David e Sandra estavam jantando com os Quiller.
- Nós nos hospedamos no Wyndham Hotel - falou David. - O gerente me fez um favor especial. Sandra vai ficar comigo. A cidade está mais superlotada do que se poderia imaginar.
- E se já está confuso agora - disse Emily -, imagine como vai ficar quando o julgamento começar!
Quiller olhou para David.
- Há alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?
David balançou a cabeça.
- Eu preciso tomar uma grande decisão: se levo Ashley ao banco ou não.
- Essa decisão é difícil! - falou Jesse Quiller - Vai ser ruim se você a levar, e também se não a levar. O problema é que Brennan vai construir uma imagem de Ashley Paterson como um monstro sádico e assassino. Se você não a levar ao banco, esta é a imagem que os jurados terão em mente quando se recolherem à sala do júri para chegar ao veredito. Por outro lado, pelo que você diz, se levar Ashley ao banco, Brennan poderá destrui-la.
- Brennan vai levar todos os seus peritos médicos para desmoralizar os distúrbios de personalidade múltipla.
- Você vai precisar convencê-los de que é verdade.
- É isso o que pretendo fazer - falou David. - Sabe o que me incomoda, Jesse? As piadas. A última que anda circulando é que eu quis mudar o lugar do julgamento, a fim de assegurar a justiça, mas desisti porque não há um lugar sequer onde Ashley ainda não tenha matado alguém. Você se lembra de quando Johnny Carson tinha um programa na televisão? Ele era engraçado, e sempre manteve uma postura cavalheiresca. Agora, os comediantes dos programas que vão ao ar à noite são todos maliciosos. O humor que fazem à custa dos outros é selvagem.
- David?
- Diga.
- Vai piorar ainda mais - disse Jesse Quiller, tranquilamente.
Na noite anterior ao seu comparecimento ao tribunal, David Singer não conseguia dormir. Não podia impedir que os pensamentos negativos lhe rondassem a cabeça. Quando, finalmente, Caiu no sono, ouviu uma voz dizendo: Você deixou a sua última cliente morrer e se também deixar esta agora morrer?
Ele se sentou na cama, molhado de suor.
Sandra abriu os olhos.
- Você está bem?
- Estou. Não. Que diabos estou fazendo aqui? Tudo que eu precisava fazer era dizer não para o Dr. Paterson.
Sandra apertou-lhe o braço e disse baixinho:
- E por que você não disse?
Ele grunhiu:
- Você está certa. Eu não podia.
- Tudo bem, então. Agora, que tal dormir um pouco para estar bem-disposto amanhã de manhã?
- É uma excelente idéia.
Ele passou o resto da noite acordado.
A juíza Williams estava certa quanto à mídia. Os repórteres eram incansáveis. Chegavam jornalistas de toda parte do mundo, ávidos por cobrir a história de uma bela jovem que estava sendo julgada como uma assassina maníaca que mutilava sexualmente suas vitimas. O facto de Mickey Brennan estar proibido de citar os nomes de Jim Cleary e Jean Claude Parent no julgamento foi frustrante, mas a mídia resolveu o problema por ele. Os programas de entrevistas na televisão, as revistas e os jornais todos traziam histórias sensacionalistas dos cinco assassinatos acompanhados de castrações. Mickey Brennan estava satisfeito.
Quando David chegou ao tribunal, os jornalistas correram para entrevistá-lo. Ele foi cercado.
- Sr. Singer, ainda trabalha para a Kincaid, Tumer, Rose &Ripley...?