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Conte - Me Seus Sonhos [em Português]

Электронная книга - «Conte - Me Seus Sonhos [em Português]». Краткое содержание книги:

Ashley, Toni e Alette têm duas coisas em comum - são bonitas e suspeitas de cometer uma série de assassinatos brutais. A polícia efetua a prisão, que leva a um dos julgamentos mais inusitados já vistos, com a defesa baseando-se em provas médicas bizarras, porém autênticas. De Londres a Roma, de Quebec a São Francisco, a trama de 'Conte-me seus sonhos' é magnética desde o começo até o final surpreendente.
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Em dez minutos, ela estava hipnotizada. O Dr. Salem gesticulou para David, que se dirigiu a Ashley

- Eu gostaria de falar com Alette. Você está aí, Alette?

Eles viram o rosto de Ashley assumir uma expressão branda, passando pela mesma transformação que tinham presenciado anteriormente. Em seguida, ouviram o sotaque italiano, suave e melodioso.

- Buon giorno!

- Bom dia, Alette! Como vai?

- Male. Que momento difícil!

- Está difícil para todos nós - reforçou David -, mas tudo vai acabar bem.

- Assim espero.

- Alette, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas.

- As...

- Você conheceu Jim Cleary?

- Não.

- Você conheceu Richard Melton?

- Conheci. - Havia uma tristeza profunda em sua voz. - Foi... Foi terrível o que aconteceu com ele.

David voltou os olhos para o Dr. Salem.

- Foi, sim. Terrível! Quando você o viu pela última vez?

- Eu o visitei em São Francisco. Nós fomos a um museu e depois jantamos juntos. Antes de eu ir embora, ele me convidou para ir ao seu apartamento.

- E você foi?

- Não. Eu gostaria de ter ido - falou Alette, arrependida. - Quem sabe eu não poderia ter salvado a vida dele? - Houve uma pausa breve. - Nós nos despedimos, e eu peguei meu carro e voltei para Cupertino.

- E foi essa a última vez em que você o viu?

- Foi.

- Obrigado, Alette!

David se aproximou de Ashley e falou:

- Toni? Você está aí, Toni? Eu gostaria de conversar com você.

Enquanto eles observavam, o rosto de Ashley sofreu outra transformação notável. Sua personalidade se modificou diante de seus olhos. Houve uma nova postura, uma consciência sexual. Ela começou a cantarolar com aquela voz clara e guturaclass="underline"

"Subindo e descendo a rua da cidade.

Entra tostão, sai tostão. Ora, ora!

Assim que o dinheiro se vai.

Mas a lontra - pluft! - foi embora. "

Ela olhou para David.

- Você sabe por que eu adoro cantar essa musiquinha, meu caro?

- Não.

- Porque a minha mãe a odiava. Ela me odiava.

- Por que ela a odiava?

- Ora, não dá mais para perguntar, não é mesmo? - Toni riu. - Não onde ela está agora! Para a minha mãe, nada do que eu fizesse estava correto. Que tipo de mãe você teve, David?

- Minha mãe foi uma pessoa maravilhosa.

- Você é um rapaz de sorte, hein? Acho que essa é a sorte do acaso. Deus gosta de jogar com a gente, não gosta?

- Você acredita em Deus? É uma pessoa religiosa, Toni?

- Não sei. Talvez haja um Deus. Se houver, ele tem um senso de humor estranho, não é mesmo? Alette é religiosa. Ela é quem vai sempre à igreja, regularmente.

- E você?

Toni soltou uma gargalhada breve.

- Ora, essa! Se ela está lá, eu também estou.

- Toni, você acha que é correto matar alguém?

- Não, claro que não!

- Então...

- A não ser que seja preciso.

David e o Dr. Salem trocaram olhares.

- O que você quer dizer com isso?

O tom de voz mudou. Ela subitamente se colocou na defensiva.

- Ora, você sabe, quando a gente tem de se proteger! Se alguém estiver machucando a gente. - Ela estava ficando agitada. - Se algum palerma estiver tentando fazer sujeira com a gente.

- Ela estava ficando histérica.

- Toni...

Ela começou a soluçar.

- Por que eles não me deixam em paz? Por que tinham de...? - Estava berrando.

- Toni...

Silêncio.

- Toni...

Nada.

- Ela se foi. Eu gostaria de despertar Ashley - disse o Dr. Salem.

David soltou um suspiro.

- Tudo bem.

Alguns minutos depois, Ashley estava abrindo os olhos.

- Como está se sentindo? - perguntou David.

- Cansada. Eu... foi tudo bem?

- Foi. Falamos com Alette e Toni. Elas...

- Eu não quero saber.

- Tudo bem. Por que não vai descansar agora, Ashley? Voltarei à tarde para vê-la.

Eles esperaram até a carcereira levá-la embora.

- Você precisa chamá-la ao banco, David. Isso há de convencer qualquer júri no mundo inteiro de que... - disse o dr. Salem.

- Já pensei muito nisso - falou David. - Acho que não posso.

O Dr. Salem olhou para ele um instante.

- Por que não?

- Brennan, o advogado de acusação, é cruel. Ele a destroçaria. Eu não posso correr esse risco.

Dois dias antes do início das preliminares do julgamento, David e Sandra estavam jantando com os Quiller.

- Nós nos hospedamos no Wyndham Hotel - falou David. - O gerente me fez um favor especial. Sandra vai ficar comigo. A cidade está mais superlotada do que se poderia imaginar.

- E se já está confuso agora - disse Emily -, imagine como vai ficar quando o julgamento começar!

Quiller olhou para David.

- Há alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?

David balançou a cabeça.

- Eu preciso tomar uma grande decisão: se levo Ashley ao banco ou não.

- Essa decisão é difícil! - falou Jesse Quiller - Vai ser ruim se você a levar, e também se não a levar. O problema é que Brennan vai construir uma imagem de Ashley Paterson como um monstro sádico e assassino. Se você não a levar ao banco, esta é a imagem que os jurados terão em mente quando se recolherem à sala do júri para chegar ao veredito. Por outro lado, pelo que você diz, se levar Ashley ao banco, Brennan poderá destrui-la.

- Brennan vai levar todos os seus peritos médicos para desmoralizar os distúrbios de personalidade múltipla.

- Você vai precisar convencê-los de que é verdade.

- É isso o que pretendo fazer - falou David. - Sabe o que me incomoda, Jesse? As piadas. A última que anda circulando é que eu quis mudar o lugar do julgamento, a fim de assegurar a justiça, mas desisti porque não há um lugar sequer onde Ashley ainda não tenha matado alguém. Você se lembra de quando Johnny Carson tinha um programa na televisão? Ele era engraçado, e sempre manteve uma postura cavalheiresca. Agora, os comediantes dos programas que vão ao ar à noite são todos maliciosos. O humor que fazem à custa dos outros é selvagem.

- David?

- Diga.

- Vai piorar ainda mais - disse Jesse Quiller, tranquilamente.

Na noite anterior ao seu comparecimento ao tribunal, David Singer não conseguia dormir. Não podia impedir que os pensamentos negativos lhe rondassem a cabeça. Quando, finalmente, Caiu no sono, ouviu uma voz dizendo: Você deixou a sua última cliente morrer e se também deixar esta agora morrer?

Ele se sentou na cama, molhado de suor.

Sandra abriu os olhos.

- Você está bem?

- Estou. Não. Que diabos estou fazendo aqui? Tudo que eu precisava fazer era dizer não para o Dr. Paterson.

Sandra apertou-lhe o braço e disse baixinho:

- E por que você não disse?

Ele grunhiu:

- Você está certa. Eu não podia.

- Tudo bem, então. Agora, que tal dormir um pouco para estar bem-disposto amanhã de manhã?

- É uma excelente idéia.

Ele passou o resto da noite acordado.

A juíza Williams estava certa quanto à mídia. Os repórteres eram incansáveis. Chegavam jornalistas de toda parte do mundo, ávidos por cobrir a história de uma bela jovem que estava sendo julgada como uma assassina maníaca que mutilava sexualmente suas vitimas. O facto de Mickey Brennan estar proibido de citar os nomes de Jim Cleary e Jean Claude Parent no julgamento foi frustrante, mas a mídia resolveu o problema por ele. Os programas de entrevistas na televisão, as revistas e os jornais todos traziam histórias sensacionalistas dos cinco assassinatos acompanhados de castrações. Mickey Brennan estava satisfeito.

Quando David chegou ao tribunal, os jornalistas correram para entrevistá-lo. Ele foi cercado.

- Sr. Singer, ainda trabalha para a Kincaid, Tumer, Rose &Ripley...?

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