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A Tormenta de Espadas

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A Tormenta de Espadas
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Dançar em volta dele até ficar tão cansado que mal consiga erguer o braço, e depois derrubá-lo de costas. A Víbora Vermelha parecia ter a mesma ideia de Bronn. Mas o mercenário não tivera rodeios quanto ao risco dessa tática. Espero, com os sete infernos, que saiba o que está fazendo, serpente.

Tinham erigido uma plataforma ao lado da Torre da Mão, a meio caminho entre os dois campeões. Era aí que se sentava Lorde Tywin com o irmão, Sor Kevan. O Rei Tommen não estava visível; pelo menos por isso Tyrion sentia-se grato.

Lorde Tywin deu um breve relance ao seu filho anão, e então levantou a mão. Uma dúzia de trombeteiros soprou uma fanfarra para aquietar a multidão. O Alto Septão avançou com passinhos curtos e sua grande coroa de cristal e rezou para que o Pai no Céu os ajudasse naquele julgamento e para que o Guerreiro emprestasse a sua força ao braço do homem cuja causa era justa. Esse sou eu, quase gritou Tyrion, mas eles iriam apenas rir, e estava mortalmente farto de risos.

Sor Osmund Kettleblack trouxe a Clegane o seu escudo, uma coisa enorme de pesado carvalho reforçado com ferro negro. Enquanto a Montanha enfiava o braço esquerdo nas correias, Tyrion viu que outro símbolo havia sido pintado por cima dos cães de Clegane. Naquela manhã, Sor Gregor usava a estrela de sete pontas que os ândalos tinham trazido para Westeros quando cruzaram o mar estreito e esmagaram os Primeiros Homens e os seus deuses. Muito pio da sua parte, Cersei, mas duvido que os deuses se deixem impressionar.

Havia cinquenta metros entre os dois. O Príncipe Oberyn avançou rapidamente, Sor Gregor de um modo mais agourento. O chão não treme quando ele caminha, disse Tyrion a si mesmo. Isso é só o meu coração batendo. Quando os dois homens chegaram a uma distância de dez metros, a Víbora Vermelha parou e gritou:

– Disseram-lhe quem eu sou?

Sor Gregor soltou um grunhido através dos buracos para respirar.

– Um morto qualquer. – E avançou, inexorável.

O dornês deslizou para o lado.

– Sou Oberyn Martell, um príncipe de Dorne – disse, enquanto a Montanha se virava para mantê-lo no seu campo de visão. – A Princesa Elia era minha irmã.

– Quem? – perguntou Gregor Clegane.

A longa lança de Oberyn saltou numa estocada, mas Sor Gregor parou a ponta dela com o escudo, empurrou-a para o lado, e investiu contra o príncipe, com a grande espada a relampejar. O dornês rodopiou para longe, intocado. A lança saltou em frente. Clegane golpeou-a com a espada, Martell puxou-a, após o que voltou a atirá-la em frente. Metal guinchou contra metal quando a ponta da espada deslizou no peito da Montanha, cortando o sobretudo e deixando um longo arranhão brilhante no aço que se encontrava por baixo.

– Elia Martell, Princesa de Dorne – sibilou a Víbora Vermelha. – Violou-a. Assassinou-a. Matou os filhos dela.

Sor Gregor grunhiu. Avançou pesadamente para acertar a cabeça do dornês. O Príncipe Oberyn evitou-o facilmente.

– Violou-a. Assassinou-a. Matou os filhos dela.

– Veio conversar ou lutar?

– Vim ouvir a sua confissão. – A Víbora Vermelha lançou um rápido golpe contra a barriga da Montanha, sem qualquer efeito.

Gregor tentou golpeá-lo e falhou. A longa lança dardejou por cima de sua espada. Qual língua de serpente, volteava para a frente e para trás, fintando embaixo e batendo em cima, em estocadas dirigidas às virilhas, ao escudo, aos olhos. A Montanha dá um alvo grande, pelo menos, pensou Tyrion. O Príncipe Oberyn dificilmente erraria, embora nenhum de seus golpes tivesse conseguido penetrar a placa pesada de Sor Gregor. O dornês não parava de rodear o adversário, de lançar estocadas e de voltar a saltar para trás, forçando o homem maior a virar-se e virar-se de novo. Clegane está perdendo-o de vista. O elmo da Montanha tinha uma viseira estreita, o que lhe limitava severamente a visão. Oberyn estava fazendo bom uso desse fato e do comprimento da lança e de sua rapidez.

A luta prosseguiu naqueles moldes durante o que pareceu um longo período. Deslocaram-se de um lado para o outro pátio afora e rodaram e voltaram a rodar, descrevendo espirais, com Sor Gregor golpeando o ar enquanto a lança de Oberyn atingia os braços e as pernas e duas vezes as têmporas. O grande escudo de madeira de Gregor também recebeu a sua cota de golpes, até uma cabeça de cão espreitar de debaixo da estrela e em outros pontos ser o carvalho nu a surgir. Clegane soltava um grunhido de vez em quando, e uma vez Tyrion ouviu-o resmungar um xingamento, mas fora isso lutava num silêncio carrancudo.

Mas Oberyn Martell não.

– Violou-a – gritava, fintando. – Assassinou-a – dizia, esquivando-se de um golpe em arco da espada de Gregor. – Matou os filhos dela – berrava, atingindo a garganta do gigante com a ponta da lança, apenas para vê-la deslizar pelo espesso gorjal de aço com um guincho.

– Oberyn está brincando com ele – disse Ellaria Sand.

Isso é brincadeira de tolos, pensou Tyrion.

– A Montanha é grande demais para ser brinquedo de quem quer que seja.

Em torno do pátio, a multidão de espectadores aproximava-se lentamente dos dois combatentes, avançando centímetro a centímetro para ver melhor. A Guarda Real tentava contê-los, empurrando com força os basbaques com seus grandes escudos brancos, mas havia centenas de basbaques e só seis dos homens da armadura branca.

– Violou-a. – O Príncipe Oberyn parou um violento golpe com a ponta da lança. – Assassinou-a. – Atirou a ponta da lança contra os olhos de Clegane, tão depressa que o enorme homem vacilou para trás. – Matou os filhos dela. – A lança cintilou para o lado e para baixo, raspando na placa de peito da Montanha. – Violou-a. Assassinou-a. Matou os filhos dela. – A lança era sessenta centímetros mais longa do que a espada de Sor Gregor, mais do que o suficiente para mantê-lo a uma distância incômoda. A Montanha golpeava a haste sempre que Oberyn saltava sobre ele, tentando cortar a ponta da lança, mas era como se estivesse tentando cortar de um golpe as asas de uma mosca. – Violou-a. Assassinou-a. Matou os filhos dela. – Gregor tentou investir, mas Oberyn esquivou-se para o lado e rodeou-o pelas costas. – Violou-a. Assassinou-a. Matou os filhos dela.

– Fique quieto. – Sor Gregor parecia estar se movendo um pouco mais lentamente, e a sua espada já não se erguia tanto como quando a luta tinha começado. – Fecha a merda da boca.

– Violou-a – disse o príncipe, deslocando-se para a direita.

Basta! – Sor Gregor deu dois longos passos e fez cair a espada sobre a cabeça de Oberyn, mas o dornês recuou uma vez mais.

– Assassinou-a – disse.

CALE-SE! – Gregor arremeteu com ímpeto, direto contra a ponta da lança, que atingiu com violência a parte direita de seu peito e depois deslizou para o lado com um hediondo guincho de aço.

De repente a Montanha encontrava-se suficientemente perto para atacar, com a sua enorme espada relampejando numa confusão de aço. A multidão também gritava. Oberyn esquivou-se do primeiro golpe e largou a lança, inútil agora que Sor Gregor tinha penetrado em seu raio de ação. O segundo golpe foi aparado pelo escudo do dornês. Metal colidiu com metal num estrondo ensurdecedor, pondo a Víbora Vermelha a cambalear para trás. Sor Gregor seguiu-o, berrando. Ele não usa palavras, limita-se a rugir como um animal, pensou Tyrion. A retirada de Oberyn transformou-se numa impetuosa fuga para trás, a meros centímetros da espada que lhe atacava o peito, os braços, a cabeça.

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