A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
“Elia achou tudo aquilo empolgante. Estava nessa idade, e sua saúde delicada nunca lhe permitira muitas viagens. Eu preferia me divertir caçoando dos pretendentes de minha irmã. Houve o Pequeno Senhor Vesgo, o Escudeiro Boca-de-Esguicho, um que chamei de Baleia que Caminha, esse tipo de coisa. O único minimamente apresentável foi o jovem Baelor Hightower. Era um rapaz bonito, e minha irmã andou meio apaixonada por ele até que o rapaz teve o infortúnio de peidar uma vez na nossa presença. Imediatamente o apelidei de Baelor Peidorreiro, e depois disso Elia não conseguia olhá-lo sem rir. Eu era um jovenzinho monstruoso, alguém devia ter cortado minha língua perversa.”
Sim, concordou Tyrion em silêncio. Baelor Hightower já não era jovem, mas continuava sendo o herdeiro de Lorde Leyton; rico, bonito e um cavaleiro de magnífica reputação. Agora chamavam-lhe Baelor Sorriso Resplandecente. Se Elia tivesse se casado com ele em vez de Rhaegar Targaryen, poderia estar em Vilavelha com os filhos crescendo à sua volta. Perguntou a si mesmo quantas vidas teriam sido apagadas por aquele pum.
– Lanisporto era o fim de nossa viagem – prosseguiu o Príncipe Oberyn, enquanto Sor Arron Qorgyle o auxiliava a vestir uma túnica almofadada de couro e começava a atá-la nas costas. – Sabia que as nossas mães se conheciam desde muito antes?
– Creio recordar que tinham estado juntas na corte quando meninas. Companheiras da Princesa Rhaella?
– Exatamente. Eu estava convencido de que as mães tinham cozinhado aquela trama entre si. O Escudeiro Boca-de-Esguicho e os de sua laia, e as várias jovens donzelas cheias de espinhas que me tinham sido exibidas eram as amêndoas antes do banquete, destinando-se apenas a abrir nossos apetites. O prato principal deveria ser servido em Rochedo Casterly.
– Cersei e Jaime.
– Que anão mais esperto. Elia e eu éramos mais velhos, certamente. Seus irmãos não podiam ter mais de oito ou nove anos. Em todo o caso, uma diferença de cinco ou seis anos é bastante pequena. E havia uma cabine vazia no nosso navio, uma cabine muito boa, o tipo de cabine que poderia se destinar a uma pessoa de nascimento elevado. Como se a intenção fosse levarmos alguém para Lançassolar. Um jovem pajem, talvez. Ou uma companheira para Elia. A senhora sua mãe pretendia prometer Jaime à minha irmã, ou Cersei a mim. Talvez ambos.
– Talvez – disse Tyrion –, mas o meu pai...
– ... governava os Sete Reinos, mas em casa era governado pela senhora sua esposa, ou pelo menos era o que a minha mãe sempre dizia. – O Príncipe Oberyn ergueu os braços para que Lorde Dagos Manwoody e o Bastardo de Graçadivina pudessem enfiar uma longa camisa de cota de malha por sua cabeça. – Em Vilavelha ficamos sabendo da morte de sua mãe e do filho monstruoso que ela dera à luz. Podíamos ter voltado naquele momento, mas minha mãe decidiu prosseguir. Já lhe contei sobre o acolhimento que encontramos em Rochedo Casterly.
“O que não lhe contei é que a minha mãe esperou o tempo que era decente, e então abordou o seu pai com aquilo que nos levara ali. Anos mais tarde, em seu leito de morte, ela contou-me que Lorde Tywin nos recusou bruscamente. Informou-a de que a filha estava destinada ao Príncipe Rhaegar. E quando ela perguntou por Jaime, para desposar Elia, ele ofereceu a sua pessoa.
– Oferta essa que ela recebeu como um ultraje.
– E era. Até você pode ver isso, certamente.
– Oh, certamente. – Tudo vem de trás e mais de trás, pensou Tyrion, de nossas mães e pais e dos que vieram antes deles. Somos marionetes a dançar, presos aos cordéis daqueles que chegaram antes de nós, e um dia nossos filhos ficarão com nossos cordéis e dançarão em nosso lugar. – Bem, o Príncipe Rhaegar casou-se com Elia de Dorne, não com Cersei Lannister de Rochedo Casterly. Portanto, parece que a sua mãe ganhou essa justa.
– Ela achou que sim – concordou o Príncipe Oberyn –, mas o seu pai não é homem para esquecer tais desfeitas. Ensinou um dia essa lição ao Senhor e à Senhora Tarbeck, e aos Reyne de Castamere. E, em Porto Real, ensinou-a à minha irmã. O elmo, Dagos. – Mandwoody entregou-o a ele; um elmo elevado e dourado com um disco de cobre montado na testa, o sol de Dorne. Tyrion viu que a viseira havia sido removida. – Elia e os filhos esperam justiça há muito tempo. – O Príncipe Oberyn calçou luvas flexíveis de couro vermelho e voltou a pegar na lança. – Mas hoje vão obtê-la.
Para o combate fora escolhido o pátio exterior. Tyrion teve de saltar e correr para acompanhar as longas passadas do Príncipe Oberyn. A serpente está impaciente, pensou. Esperemos que ele também esteja venenoso. O dia estava cinzento e ventoso. O sol lutava para abrir caminho por entre as nuvens, mas Tyrion não seria mais capaz de indicar quem iria vencer essa luta do que aquela da qual a sua vida dependia.
Pareciam um milhar, as pessoas que tinham vindo ver se ele iria sobreviver ou morrer. Aglomeravam-se ao longo dos adarves do castelo e acotovelavam-se nos degraus de torres e fortalezas. Observavam a partir de portas de estábulos, de janelas e pontes, de varandas e telhados. E o pátio estava repleto, tanta gente que os homens de manto dourado e os cavaleiros da Guarda Real tinham de empurrar todos para trás, a fim de abrir espaço suficiente para o combate. Alguns tinham trazido cadeiras para assistir com mais conforto, enquanto outros se empoleiravam em barris. Devíamos ter feito isso na Arena dos Dragões, pensou amargamente Tyrion. Podíamos ter cobrado uma moeda por cabeça e arranjaríamos o suficiente para pagar tanto a boda como o funeral de Joffrey. Alguns dos espectadores até tinham crianças pequenas montadas sobre os ombros para verem melhor. Gritavam e apontavam ao ver Tyrion.
A própria Cersei parecia quase uma criança ao lado de Sor Gregor. Em sua armadura, a Montanha parecia maior do que qualquer homem tinha direito a ser. Sob um longo sobretudo amarelo ostentando os três cães negros de Clegane, usava armadura pesada por cima de cota de malha, com o baço aço cinza amassado e riscado em batalha. Por baixo daquilo haveria couro fervido e uma camada almofadada. Um elmo de topo chato estava afivelado ao seu gorjal, com buracos para respirar em volta da boca e do nariz e uma estreita ranhura para ver. A figura no topo do elmo era um punho de pedra.
Se Sor Gregor sofria com seus ferimentos, Tyrion não via sinal disso desde o outro lado do pátio. Ele, ali em pé, parece ter sido esculpido em pedra. A espada estava espetada no chão à sua frente, um metro e oitenta de metal marcado. As enormes mãos de Sor Gregor, revestidas por manoplas articuladas de aço, seguravam no guarda-mão de ambos os lados do cabo. Até a amante do Príncipe Oberyn empalideceu ao vê-lo.
– Vai lutar com aquilo? – disse Ellaria Sand num tom segredado.
– Vou matar aquilo – respondeu descuidadamente o seu amante.
Tyrion tinha suas próprias dúvidas, agora que se encontravam à beira do combate. Quando olhou para o Príncipe Oberyn viu-se desejando ter Bronn para defendê-lo... ou melhor ainda, Jaime. A Víbora Vermelha tinha uma armadura leve; grevas, braçais, gorjal, espaldar e braguilha de aço. Fora isso, Oberyn vestia couro flexível e sedas esvoaçantes. Sobre a cota de malha usava as suas escamas brilhantes de cobre, mas cota de malha e escamas, em conjunto, não lhe dariam um quarto da proteção da placa pesada de Gregor. Com a viseira removida, o elmo do príncipe não passava efetivamente de um meio-elmo, faltando-lhe até uma proteção para o nariz. Seu escudo redondo de aço era brilhantemente polido, e ostentava o sol e a lança em ouro vermelho, ouro amarelo, ouro branco e cobre.