A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
O rosto de Lorde Tywin estava tão sombrio que por meio segundo Tyrion perguntou a si mesmo se ele também teria bebido vinho envenenado. Atingiu a mesa com um punho, furioso demais para falar. Foi Mace Tyrell quem se virou para Tyrion e fez a pergunta.
– Tem um campeão para defender a sua inocência?
– Tem, senhor. – O Príncipe Oberyn de Dorne pôs-se em pé. – O anão conseguiu me convencer.
A algazarra foi ensurdecedora. Tyrion sentiu especial prazer na súbita dúvida que vislumbrou nos olhos de Cersei. Foi preciso que cem homens de manto dourado batessem com o cabo das lanças no chão para que a sala do trono voltasse a se aquietar. A essa altura, Lorde Tywin Lannister já estava recomposto.
– Que o assunto seja decidido amanhã – declarou, num tom férreo. – Lavo as minhas mãos. – Lançou ao filho anão um olhar frio e zangado e depois saiu da sala a passos largos, pela porta do rei que se abria por trás do Trono de Ferro, com o irmão Kevan o seu lado.
Mais tarde, de volta à cela da torre, Tyrion serviu-se de uma taça de vinho e mandou Podrick Payne ir atrás de queijo, pão e azeitonas. Duvidava ser capaz de manter no estômago qualquer coisa mais pesada. Achava que eu iria docilmente, pai?, perguntou à sombra que as velas desenhavam na parede. Tenho em mim muito de si para isso. Sentia uma estranha paz, agora que tinha tirado o poder de vida e morte das mãos do pai e o depositado nas mãos dos deuses. Assumindo que existem deuses, e que eles não estão pouco se lixando. Caso contrário, estou em mãos dornesas. Não importa o que acontecesse, Tyrion estava satisfeito por saber que tinha feito em pedaços os planos de Lorde Tywin. Se o Príncipe Oberyn ganhasse, isso iria inflamar ainda mais Jardim de Cima contra os dorneses; Mace Tyrell veria o homem que aleijara seu filho ajudar o anão que quase envenenara sua filha escapar da devida punição. E se a Montanha triunfasse, Doran Martell poderia perfeitamente querer saber por que motivo o irmão tinha sido brindado com a morte em vez da justiça que Tyrion lhe prometera. Dorne podia acabar mesmo por coroar Myrcella.
Quase valia a pena morrer para saber de todos os problemas que causara. Virá ver o fim, Shae? Ficará lá com os outros, observando enquanto Sor Ilyn corta esta minha feia cabeça? Sentirá falta de seu gigante de Lannister quando ele estiver morto? Esvaziou a taça, jogou-a para o alto e cantou com vigor.
Cavalgou pelas ruas da cidade,
desde o alto de sua colina,
Por becos e degraus e calçadas,
para os braços de sua menina.
Porque ela era o secreto tesouro,
a sua vergonha e o seu prazer.
E corrente e forte nada são,
comparados com beijos de mulher.
Sor Kevan não o visitou naquela noite. Provavelmente estava com Lorde Tywin, tentando aplacar os Tyrell. Receio que não voltarei a ver meu tio. Serviu-se de outra taça de vinho. Uma pena que tivesse mandado matar Symon Língua de Prata antes de aprender a letra inteira daquela canção. Não era uma canção ruim, para falar a verdade. Especialmente se comparada com aquelas que seriam escritas sobre si futuramente.
– Porque mãos de ouro são sempre frias, mas há calor em mãos de mulher... – cantou. Talvez devesse escrever ele mesmo os outros versos. Se vivesse tempo suficiente.
Naquela noite, surpreendentemente, Tyrion Lannister dormiu longa e profundamente. Acordou à primeira luz da aurora, bem repousado e com um robusto apetite, e quebrou o jejum com pão frito, morcela, bolinhos de maçã e uma dose dupla de ovos cozidos com cebolas e pimenta ardida de Dorne. Depois pediu licença aos guardas para visitar o seu campeão. Sor Addam consentiu.
Tyrion foi encontrar o Príncipe Oberyn bebendo uma taça de vinho tinto enquanto punha a armadura. Era servido por quatro de seus fidalgos dorneses mais novos.
– Um bom dia para o senhor – disse o príncipe. – Aceita uma taça de vinho?
– Você devia beber antes da batalha?
– Eu sempre bebo antes das batalhas.
– Isso poderá levar à sua morte. Pior, poderá levar à minha morte.
O Príncipe Oberyn riu.
– Os deuses protegem os inocentes. Você é inocente, espero?
– Só de matar Joffrey – admitiu Tyrion. – Espero que saiba o que se prepara para enfrentar. Gregor Clegane é...
– ... grande? Ouvi dizer que sim.
– Ele tem quase dois metros e quarenta de altura e deve pesar cento e noventa quilos, e tudo de músculo. Luta com uma espada de duas mãos, mas só precisa de uma para manejá-la. É conhecido por ter cortado homens ao meio com um único golpe. Sua armadura é tão pesada que nenhum homem menor do que ele seria capaz de suportar o peso, quanto mais mexer-se lá dentro.
O Príncipe Oberyn não se mostrou impressionado.
– Já matei homens grandes antes. O truque é desequilibrá-los. Assim que caírem, estarão mortos. – O dornês parecia tão jovialmente confiante que Tyrion se sentiu quase tranquilizado, até o outro se virar e dizer: – Daemon, a minha lança! – Sor Daemon atirou-a para ele, e a Víbora Vermelha apanhou-a no ar.
– Pretende enfrentar a Montanha com uma lança? – aquilo deixou Tyrion inquieto de novo. Em batalha, fileiras de lanças juntas faziam uma dianteira formidável, mas combate singular contra um espadachim habilidoso era outro assunto.
– Em Dorne gostamos de lanças. Além disso, é a única forma de me opor ao seu alcance. Olhe, Lorde Duende, mas assegure-se de não tocar. – A lança era freixo torneado com dois metros e meio de comprimento, com o cabo liso, grosso e pesado. Os últimos sessenta centímetros eram de aço: uma esguia ponta de lança em forma de folha que se estreitava para formar um perigoso espigão. As arestas pareciam suficientemente afiadas para fazer a barba. Quando Oberyn girou o cabo entre as palmas das mãos, cintilaram com um brilho negro. Óleo? Ou veneno? Tyrion decidiu que preferia não saber.
– Espero que seja bom com isso – disse em tom de dúvida.
– Não terá razões de queixa. Embora Sor Gregor talvez venha a ter. Por mais espessa que seja a sua placa, haverá fendas nas articulações. Do lado de dentro do cotovelo e do joelho, por baixo dos braços... Vou encontrar um lugar para lhe fazer cócegas, prometo. – Pôs a lança de lado. – Dizem que um Lannister sempre paga as suas dívidas. Talvez queira voltar comigo a Lançassolar quando o derramamento de sangue do dia terminar. Meu irmão Doran ficaria muito satisfeito por conhecer o legítimo herdeiro de Rochedo Casterly... especialmente se ele trouxesse a sua adorável esposa, a Senhora de Winterfell.
Será que a cobra julga que tenho Sansa enfiada em algum lugar, como uma noz que estivesse guardando para o inverno? Se assim era, Tyrion não iria desenganá-lo.
– Uma viagem até Dorne poderá ser muito agradável, agora que reflito sobre o assunto.
– Faça planos para uma visita longa. – O Príncipe Oberyn bebericou o vinho. – Você e Doran têm muitos assuntos de interesse mútuo a discutir. Música, comércio, história, vinho, a moeda do anão... as leis de herança e sucessão. Sem dúvida que os conselhos de um tio beneficiariam a Rainha Myrcella nos árduos tempos que virão.
Se Varys tivesse passarinhos à escuta, Oberyn estava dando-lhes uma farta colheita.
– Creio que vou aceitar essa taça de vinho – disse Tyrion. Rainha Myrcella? Só teria sido mais tentador se tivesse Sansa escondida por baixo do manto. Se ela declarasse apoio a Myrcella no lugar de Tommen, iria o Norte segui-la? O que a Víbora Vermelha estava sugerindo era traição. Seria Tyrion realmente capaz de pegar em armas contra Tommen, contra o próprio pai? Cersei cuspiria sangue. Bastava isso para fazer com que talvez valesse a pena.
– Lembra-se da história que lhe contei quando nos encontramos pela primeira vez, Duende? – perguntou o Príncipe Oberyn, enquanto o Bastardo de Graçadivina ajoelhava à sua frente para prender suas grevas. – Não foi apenas devido à sua cauda que eu e minha irmã fomos a Rochedo Casterly. Andávamos numa espécie de demanda. Uma demanda que nos levou a Tombastela, à Árvore, a Vilavelha, às Ilhas Escudo, a Crakehall e, por fim, a Rochedo Casterly... mas nosso verdadeiro destino era o casamento. Doran estava prometido à Senhora Mellario de Norvos, portanto foi deixado para trás, como castelão de Lançassolar. Minha irmã e eu ainda não estávamos comprometidos.