A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
O dragão tem três cabeças. Há no mundo dois homens em que posso confiar, se conseguir encontrá-los. Então já não estarei só. Seremos três contra o mundo, como Aegon e as irmãs.
– A noite foi tão calma como pareceu? – perguntou Dany.
– Parece que sim, Vossa Graça – disse Ben Mulato Plumm.
Ficou contente. Meereen havia sido saqueada de forma bárbara, como sempre acontecia às cidades recém-caídas, mas Dany estava determinada a que isso terminasse, agora que a cidade lhe pertencia. Decretara que os assassinos seriam enforcados, que os saqueadores perderiam uma mão e os violadores, os seus membros viris. Oito homicidas pendiam das muralhas, e os Imaculados tinham enchido um cesto de trinta e cinco litros com mãos ensanguentadas e vermes moles e vermelhos, mas Meereen estava de novo calma. Por quanto tempo?
Uma mosca zumbiu ao redor de sua cabeça. Dany enxotou-a, irritada, mas o inseto retornou quase imediatamente.
– Há moscas demais nesta cidade.
Ben Plumm soltou uma gargalhada.
– Havia moscas em minha cerveja hoje de manhã. Engoli uma.
– As moscas são a vingança dos mortos. – Daario sorriu e afagou o dente central de sua barba. – Os cadáveres geram vermes, e os vermes geram moscas.
– Então vamos nos livrar dos cadáveres. Começando por aqueles que estão lá embaixo na praça. Verme Cinzento, tratará disso?
– A rainha ordena, estes obedecem.
– É melhor levar tanto sacas como pás, Verme – aconselhou Ben Mulato. – Aqueles já estão bem para lá de maduros. Andam caindo daqueles postes aos pedaços e estão cheios de...
– Ele sabe. E eu também. – Dany recordou o horror que sentira quando vislumbrou a Praça da Punição em Astapor. Criei um horror igualmente grande, mas é certo que o mereceram. Justiça dura ainda assim é justiça.
– Vossa Graça – disse Missandei –, os ghiscari enterram os seus mortos de honra em criptas por baixo de suas mansões. Se fervesse os ossos e os devolvesse às famílias, seria uma bondade.
As viúvas vão me amaldiçoar mesmo assim.
– Que assim se faça. – Dany fez um sinal para Daario. – Quantos pretendem hoje uma audiência?
– Apresentaram-se dois para se aquecer sob o seu esplendor.
Daario tomou para si um guarda-roupa inteiramente novo durante o saque de Meereen, e para condizer com ele voltara a pintar a barba cortada em tridente e os cabelos encaracolados com um profundo e rico tom de púrpura. Aquela coloração fazia com que os olhos parecessem também quase púrpura, como se ele fosse algum valiriano perdido.
– Chegaram durante a noite no Estrela Índigo, uma galé mercante de Qarth.
Um navio traficante de escravos, quer dizer. Dany franziu a testa.
– Quem são?
– O mestre do Estrela e um homem que diz falar por Astapor.
– Receberei primeiro o enviado.
Este revelou-se um homem pálido com cara de furão e pesados cordões de pérolas e fio de ouro pendurados do pescoço.
– Vossa Reverência! – gritou. – Meu nome é Ghael. Trago saudações do Rei Cleon de Astapor, Cleon, o Grande, para a Mãe de Dragões.
Dany ficou rígida.
– Deixei um conselho governando Astapor. Um curandeiro, um erudito e um sacerdote.
– Vossa Reverência, esses patifes manhosos traíram a sua confiança. Revelou-se que estavam maquinando a devolução do poder aos Grandes Mestres e das correntes ao povo. O Grande Cleon expôs os seus planos e cortou suas cabeças com um cutelo, e o grato povo de Astapor coroou-o por seu valor.
– Nobre Ghael – disse Missandei, no dialeto de Astapor –, será este o mesmo Cleon que era propriedade de Grazdan mo Ullhor?
A voz dela era franca, mas ficou claro que a pergunta deixou o enviado ansioso.
– Ele mesmo – admitiu. – Um grande homem.
Missandei inclinou-se para Dany.
– Era carniceiro na cozinha de Grazdan – a garota segredou-lhe ao ouvido. – Dizia-se que conseguia matar um porco mais depressa do que qualquer outro homem em Astapor.
Dei a Astapor um rei carniceiro. Dany sentiu-se enojada, mas sabia que não podia deixar que o enviado percebesse isso.
– Rezarei para que o Rei Cleon governe bem e sabiamente. O que ele quer de mim?
Ghael esfregou a boca.
– Talvez devêssemos conversar com maior privacidade, Vossa Graça?
– Não tenho segredos para os meus capitães e comandantes.
– Como desejar. O Grande Cleon pede-me para declarar a sua devoção pela Mãe de Dragões. Seus inimigos são os inimigos dele, diz o Grande Cleon, e acima de todos encontram-se os Sábios Mestres de Yunkai. Propõe um pacto entre Astapor e Meereen, contra os yunkaitas.
– Jurei que nenhum mal aconteceria a Yunkai se libertassem os escravos – disse Dany.
– Esses cães yunkaitas não são dignos de confiança, Vossa Reverência. Neste exato momento conspiram contra a senhora. Foram feitos novos recrutas e podem ser vistas escavações fora das muralhas da cidade, estão sendo construídos navios de guerra, foram enviados emissários a Nova Ghis e Volantis, no ocidente, para forjar alianças e contratar mercenários. Até enviaram cavaleiros para Vaes Dothrak, a fim de fazer cair um khalasar sobre a senhora. Cleon, o Grande, pediu-me que lhe diga para não ter medo. Astapor tem memória. Astapor não a abandonará. A fim de demonstrar a sua lealdade, o Grande Cleon oferece-se para selar a aliança com um casamento.
– Um casamento? Comigo?
Ghael sorriu. Seus dentes eram marrons e podres.
– O Grande Cleon dará muitos filhos fortes à senhora.
Dany viu-se privada de palavras, mas a pequena Missandei veio em seu auxílio.
– A primeira esposa dele deu-lhe filhos?
O enviado olhou-a com descontentamento.
– O Grande Cleon teve três filhas de sua primeira esposa. Duas de suas esposas mais recentes esperam bebê. Mas ele pretende pô-las de lado se a Mãe de Dragões consentir em desposá-lo.
– Que nobre da parte dele – disse Dany. – Refletirei sobre tudo o que disse, senhor. – Ordenou que fossem arranjados aposentos para Ghael passar a noite, em algum lugar num dos andares inferiores da pirâmide.
Todas as minhas vitórias se transformam em escórias em minhas mãos, pensou. Não importa o que faça, tudo que produzo é morte e horror. Quando a notícia do que tinha acontecido a Astapor chegasse às ruas, como certamente chegaria, dezenas de milhares de escravos meereeneses recém-libertados iriam sem dúvida decidir segui-la quando partisse para oeste, temendo o que os esperaria se ficassem... mas podia bem acontecer que o que os esperaria na marcha fosse pior. Mesmo se esvaziasse todos os celeiros da cidade e entregasse Meereen à fome, como conseguiria alimentar tanta gente? O caminho à sua frente está repleto de dificuldades, derramamento de sangue e perigos. Sor Jorah prevenira-a disso. Prevenira-a de tantas coisas... ele... Não, não pensarei em Jorah Mormont. Que espere um pouco mais.
– Receberei agora esse capitão mercador – anunciou. O homem talvez tivesse melhores novas.
Essa esperança revelou-se vã. O mestre do Estrela Índigo era qarteno, de modo que chorou copiosamente quando foi interrogado a respeito de Astapor.
– A cidade sangra. Mortos apodrecem nas ruas, por enterrar, cada pirâmide é um acampamento armado, e os mercados não têm nem comida nem escravos para vender. E as pobres crianças! Os matadores do Rei Cutelo capturaram todos os rapazes de nascimento elevado de Astapor para fazer novos Imaculados, a fim de vendê-los, embora ainda faltem anos até estarem treinados.
O que mais surpreendeu Dany foi até que ponto não se surpreendeu. Deu por si a recordar Eroeh, a garota lhazarena que um dia tentara proteger, e aquilo que tinha acontecido a ela. Será igual em Meereen quando me puser em marcha, pensou. Os escravos das arenas de luta, criados e treinados para o massacre, já estavam se revelando indisciplinados e conflituosos. Pareciam julgar que a cidade agora lhes pertencia, bem como todos os homens e as mulheres que nela viviam. Dois deles estavam entre os oito que tinha enforcado. Nada mais posso fazer, disse a si mesma.