A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Quando leu aquilo, Jon despachou Zei para Vila Toupeira no melhor cavalo que possuíam, a fim de suplicar aos aldeões que ajudassem a guarnecer a Muralha. A mulher não tinha voltado. Quando enviou Mully à sua procura, este voltou relatando que a aldeia inteira estava deserta, incluindo o bordel. O mais certo era que Zei os tivesse seguido, pela estrada do rei afora. Talvez devêssemos todos fazer o mesmo, refletiu Jon sombriamente.
Obrigou-se a comer, com ou sem fome. Já era suficientemente ruim que não conseguisse dormir, não poderia prosseguir se também não se alimentasse. Além do mais, esta pode ser minha última refeição. Pode ser a última refeição para todos nós. E, assim, Jon tinha a barriga cheia de pão, bacon, cebolas e queijo quando ouviu Cavalo gritar:
– A COISA VEM AÍ!
Ninguém precisou perguntar o que “a coisa” era. E Jon também não precisou do olho de Myr do meistre para vê-la saindo de entre as tendas e as árvores.
– Afinal não se parece lá muito com uma tartaruga – comentou o Cetim. – As tartarugas não têm pelo.
– A maior parte delas também não tem rodas – disse Pyp.
– Faça soar o berrante de guerra – ordenou Jon, e Barricas deu dois longos sopros, para acordar Grenn e os outros homens adormecidos, que tinham estado de vigia durante a noite. Se os selvagens iam atacar, a Muralha precisaria de todos os homens. E os deuses sabem como temos poucos. Jon olhou para Pyp, Barricas e Cetim, Cavalo e Owen Idiota, Tim Língua-Presa, Mully, Bota Extra e os outros, e tentou imaginá-los avançando, lado a lado, espada com espada, contra uma centena de selvagens aos gritos na escuridão gelada do túnel, sem nada além de algumas barras de ferro entre uns e outros. Seria a esse ponto que se chegaria, a menos que conseguissem parar a tartaruga antes de ela abrir uma brecha no portão.
– É grande – disse Cavalo.
Pyp deu um estalo com os lábios.
– Pense em toda a sopa que vai dar. – A piada nasceu morta. Até Pyp tinha uma voz fatigada. Ele parece meio morto, pensou Jon, mas todos nós estamos.
O Rei-para-lá-da-Muralha tinha tantos homens que podia atirar atacantes frescos contra eles sempre, mas era o mesmo punhado de irmãos negros que tinha de aguentar todos os assaltos, e isso deixara-os em cacos.
Jon sabia que os homens por baixo da madeira e das peles estariam puxando com força, pondo nisso os ombros, esforçando-se por manter as rodas girando, mas depois que a tartaruga estivesse instalada contra a Muralha trocariam as cordas por machados. Pelo menos Mance não tinha mandado os mamutes naquele dia. Jon sentiu-se satisfeito por isso. A espantosa força dos animais era desperdiçada na Muralha, e o seu tamanho só os transformava em alvos fáceis. O último tinha demorado um dia e meio para morrer, soltando bramidos fúnebres terríveis de se ouvir.
A tartaruga aproximou-se lentamente por entre pedras, tocos de árvores e arbustos. Os ataques anteriores tinham custado ao povo livre uma centena de vidas ou mais. A maior parte dos mortos ainda jazia no local onde tinha caído. Nos momentos de calmaria, os corvos vinham lhes fazer companhia, mas agora as aves fugiam aos guinchos. Não gostavam mais do aspecto daquela tartaruga do que ele.
Jon sabia que Cetim, Cavalo e os outros estavam olhando para ele, à espera de ordens. Sentia-se tão cansado que já quase não conseguia pensar. A Muralha é minha, lembrou a si mesmo.
– Owen, Cavalo, para as catapultas. Barricas, você e o Bota Extra para as balistas. Os outros ponham as cordas nos arcos. Flechas incendiárias. Vejamos se conseguimos botar fogo nela. – Jon sabia que provavelmente seria um gesto inútil, mas tinha de ser melhor do que ficar impotente.
Pesada e lenta, a tartaruga era um alvo fácil, e os arqueiros e besteiros rapidamente a transformaram num enorme ouriço de madeira... mas as peles úmidas protegeram-na, tal como tinham protegido os manteletes, e as flechas incendiárias apagavam-se praticamente no momento que atingiam o alvo. Jon xingou em surdina.
– Balistas – ordenou. – Catapultas.
Os dardos das balistas penetravam profundamente nas peles, mas não fizeram mais danos do que as flechas incendiárias. As pedras quicavam no topo da tartaruga, deixando amassados nas espessas camadas de peles. Uma pedra de um dos trabucos talvez a tivesse conseguido esmagar, mas uma das máquinas continuava avariada, e os selvagens tinham passado bem longe da área que a segunda atingia.
– Jon, continua a avançar – disse Owen Idiota.
Ele conseguia ver isso com os próprios olhos. Centímetro a centímetro, metro a metro, a tartaruga aproximava-se, rolando, retumbando e balançando enquanto atravessava o campo de morte. Uma vez que os selvagens a instalassem contra a Muralha, ela daria todo o abrigo de que necessitavam enquanto seus machados abriam caminho através dos portões exteriores reparados às pressas. Lá dentro, debaixo do gelo, não levariam mais do que algumas horas retirando o entulho solto do túnel, e então nada haveria para detê-los além de dois portões de ferro, alguns cadáveres meio congelados e os irmãos que Jon quisesse lançar no caminho deles, para lutar e morrer nas trevas.
À sua esquerda, a catapulta soltou um tunc e encheu o ar de pedras girando. Estas metralharam a tartaruga como granizo e se dispersaram inofensivamente para o lado. Os arqueiros selvagens continuavam disparando flechas protegidos por seus manteletes. Uma delas atingiu com um ruído surdo o rosto de um homem de palha, e Pyp disse:
– Quatro para o Watt de Lago Longo! Temos um empate! – mas a flecha seguinte assobiou junto à sua própria orelha. – Fora! – gritou ele para baixo. – Eu não estou no torneio!
– As peles não queimam – disse Jon, tanto para si como para os outros. A única esperança que lhes restava era tentar esmagar a tartaruga quando atingisse a Muralha. Para isso, precisavam de pedregulhos. Por mais robusta que fosse a construção da tartaruga, um enorme pedaço de pedra que a atingisse em cheio vindo de uma altura de duzentos metros tinha de fazer algum estrago. – Grenn, Owen, Barricas, está na hora.
Junto da cabana de aquecimento havia uma fila de robustos barris de carvalho. Estavam cheios de rocha esmagada; o cascalho que os irmãos negros costumavam espalhar nos caminhos para obterem melhor apoio para os pés no topo da Muralha. Na noite anterior, depois de ver que o povo livre cobria a tartaruga de peles de ovelha, Jon tinha dito a Grenn para despejar água nos barris, tanta quanta eles pudessem conter. A água se infiltraria por entre a pedra esmagada, e durante a noite tudo aquilo estaria congelado. Era a coisa mais parecida com um pedregulho que teriam.
– Por que é que temos de congelar isto? – Grenn havia perguntado. – Por que é que não rolamos simplesmente os barris lá para baixo tal como estão?
Jon respondeu:
– Se eles baterem contra a Muralha durante a descida vão estourar, e cascalho solto iria se espalhar por todo lado. Não queremos fazer chover pedrinhas sobre os filhos da puta.
Encostou o ombro em um dos barris com Grenn, enquanto Barricas e Owen lutavam com outro. Juntos, fizeram-no balançar de um lado para o outro, a fim de libertá-lo do gelo que se formara em volta da base.
– O desgraçado pesa uma tonelada. – disse Grenn.
– Deite-o e role-o – disse Jon. – Cuidado, que se rolar por cima do seu pé acaba como o Bota Extra.
Depois de o barril estar deitado, Jon pegou um archote e agitou-o sobre a superfície da Muralha, de um lado para o outro, apenas o suficiente para derreter um pouco o gelo. A fina película de água ajudou o barril a rolar mais facilmente. Facilmente demais, na verdade; quase o perderam. Mas, por fim, com quatro homens somando esforços, rolaram o pedregulho até a borda e voltaram a pô-lo em pé.