A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Vossa Graça – a voz de Lorde Tywin estava impecavelmente correta. – A torta está chegando. Sua espada é necessária.
– A torta? – Joffrey pegou na mão de sua rainha. – Venha, senhora, é a torta.
Os convidados ficaram em pé, gritando, aplaudindo e batendo as taças de vinho umas nas outras enquanto a grande torta avançava lentamente ao longo da extensão do salão, empurrada por meia dúzia de radiantes cozinheiros. Tinha dois metros de largura, uma crosta e um tom dourado de marrom, e ouviam-se guinchos e batidas vindos lá de dentro.
Tyrion voltou a subir na cadeira. Tudo que lhe faltava agora era que uma pomba cagasse em cima dele para que o dia ficasse completo. O vinho tinha atravessado o gibão e as roupas de baixo, e sentia a umidade contra a pele. Devia trocar de roupa, mas não era permitido a ninguém abandonar o banquete até chegar a hora de levar os noivos para a cama. Calculou que isso ainda estivesse a uns vinte ou trinta pratos de distância.
O Rei Joffrey e sua rainha dirigiram-se à torta, colocada diante do estrado. Quando Joff puxou a espada, Margaery apoiou uma mão em seu braço para detê-lo.
– A Lamento da Viúva não se destina a cortar tortas.
– É verdade. – Joffrey ergueu a voz. – Sor Ilyn, a sua espada!
Das sombras do fundo do salão surgiu Sor Ilyn Payne. O espectro no festim, pensou Tyrion enquanto observava o Magistrado do Rei avançar, descarnado e sombrio. Era novo demais para ter conhecido Sor Ilyn antes de perder a língua. Teria sido um homem diferente nesse tempo, mas agora o silêncio faz tanto parte dele como aqueles olhos vazios, aquela malha enferrujada e a espada longa que traz às costas.
Sor Ilyn fez uma reverência perante o rei e a rainha, estendeu a mão por sobre o ombro e apresentou um metro e oitenta de ornamentada prata, cintilante de runas. Ajoelhou para oferecer a enorme lâmina a Joffrey, com o cabo para a frente; pontos de fogo vermelho piscaram dos olhos de rubi no botão, um pedaço de vidro de dragão esculpido em forma de uma caveira sorridente.
Sansa agitou-se na cadeira.
– Que espada é aquela?
Os olhos de Tyrion ainda ardiam por causa do vinho. Piscou e voltou a olhar. A espada de Sor Ilyn era tão longa e larga quanto Gelo, mas era brilhante e prateada demais; o aço valiriano possuía certa escuridão, uma espécie de fumaça em sua alma. Sansa agarrou seu braço.
– O que Sor Ilyn fez com a espada de meu pai?
Eu devia ter mandado Gelo de volta a Robb Stark, pensou Tyrion. Olhou de relance para o pai, mas Lorde Tywin observava o rei.
Joffrey e Margaery juntaram as mãos para erguer a espada e brandi-la, juntos, num arco prateado. Quando a crosta da torta se quebrou, as pombas jorraram num turbilhão de penas brancas, espalhando-se em todas as direções, dirigindo-se às janelas e às vigas. Um rugido de deleite ergueu-se dos bancos, e os rabequeiros e gaiteiros na galeria começaram a tocar uma melodia jovial. Joff tomou a noiva nos braços e fê-la girar alegremente.
Um criado colocou uma fatia quente de torta de pombo diante de Tyrion e cobriu-a com uma colherada de creme de limão. Naquela torta os pombos estavam bem e verdadeiramente cozidos, mas não os achou mais apetitosos do que os brancos que esvoaçavam pelo salão. Sansa também não comia.
– Está mortalmente pálida, senhora – disse Tyrion. – Precisa respirar um pouco de ar fresco e eu preciso de um gibão lavado. – Ergueu-se e ofereceu-lhe um braço. – Venha.
Mas antes de conseguirem se retirar, Joffrey voltou.
– Tio, aonde vai? É o meu copeiro, esqueceu?
– Preciso vestir um traje limpo, Vossa Graça. Posso ter a sua licença?
– Não. Gosto do aspecto que tem. Sirva-me o vinho.
O cálice do rei encontrava-se na mesa, onde ele o deixara. Tyrion teve de voltar a subir na cadeira a fim de alcançá-lo. Joff arrancou-o de suas mãos e bebeu longa e profundamente, com a garganta se agitando enquanto o vinho lhe escorria, purpúreo, pelo queixo.
– Senhor – disse Margaery –, devíamos regressar aos nossos lugares. Lorde Buckler quer fazer um brinde à nossa saúde.
– Meu tio não comeu sua torta de pombo. – Segurando o cálice com uma mão, Joff enfiou a outra na torta de Tyrion. – Não comer a torta traz má sorte – ralhou com ele enquanto enchia a boca com pombo quente e condimentado. – Está vendo? É boa. – Cuspindo flocos de crosta, tossiu e serviu-se de outro bocado. – Mas está seca. Precisa ser empurrada para baixo. – Joff bebeu um trago de vinho e voltou a tossir, com mais violência. – Quero ver, cof, como monta aquele, cof cof, porco, tio. Quero... – As suas palavras interromperam-se num ataque de tosse.
Margaery olhou-o com preocupação.
– Vossa Graça?
– É, cof, a torta, nad... cof, torta. – Joff bebeu outro gole, ou tentou, mas o vinho foi todo cuspido quando outro ataque de tosse o fez se dobrar. O rosto dele estava ficando vermelho. – Eu, cof, não consigo, cof cof cof cof... – O cálice escapou de sua mão e o escuro vinho tinto escorreu pelo estrado.
– Ele está sufocando – arquejou a Rainha Margaery.
A avó pôs-se ao seu lado.
– Ajudem o pobre rapaz! – guinchou a Rainha dos Espinhos, com uma voz que era dez vezes maior do que ela. – Palermas! Vão ficar todos aí de boca aberta? Ajudem o seu rei!
Sor Garlan afastou Tyrion com um empurrão e começou a bater nas costas de Joffrey. Sor Osmund Kettleblack rasgou o colarinho do rei. Um terrível som forte e agudo emergiu da garganta do rapaz, o som de um homem que tentava sugar um rio através de um caniço; então parou, e isso foi ainda mais terrível.
– Virem-no ao contrário! – berrou Mace Tyrrell para todos e para ninguém. – Virem-no ao contrário, sacudam-no pelos calcanhares!
Uma voz diferente estava gritando:
– Água, deem-lhe um pouco de água! – o Alto Septão começou a rezar ruidosamente. O Grande Meistre Pycelle gritou para alguém ajudá-lo a voltar aos seus aposentos, a fim de ir buscar as suas poções. Joffrey começou a arranhar a garganta, rasgando com as unhas fendas sangrentas na carne. Por baixo da pele, os músculos projetavam-se, duros como pedra. O Príncipe Tommen gritava e chorava.
Ele vai morrer, compreendeu Tyrion. Sentiu-se curiosamente calmo, embora o pandemônio se alastrasse por toda a sua volta. Estavam de novo batendo nas costas de Joff, mas o rosto dele só ficava mais escuro. Cães latiam, crianças berravam, homens gritavam conselhos inúteis uns aos outros. Metade dos convidados do casamento estava em pé, alguns empurrando-se para ver melhor, outros correndo para as portas na pressa de irem embora.
Sor Meryn abriu a boca do rei para lhe enfiar uma colher goela abaixo. Quando fez isso, os olhos do rapaz encontraram-se com os de Tyrion. Ele tem os olhos de Jaime. Porém nunca vira Jaime com uma expressão tão assustada. O rapaz só tem treze anos. Joffrey fazia um som seco, uma espécie de estalido, tentando falar. Seus olhos dilataram-se, brancos de terror, e ergueu uma mão... estendendo-a para o tio, ou apontando... Estará me pedindo perdão, ou será que pensa que posso salvá-lo?
– Nããããão – uivou Cersei – Pai, ajude-o, alguém o ajude, o meu filho, o meu filho...
Tyrion deu por si pensando em Robb Stark. Em retrospectiva, o meu casamento está parecendo muito melhor. Tentou ver como Sansa estaria recebendo aquilo, mas a confusão no salão era tanta que não conseguiu encontrá-la. Mas seus olhos caíram sobre o cálice nupcial, esquecido no chão. Inclinou-se e apanhou-o. No fundo ainda havia um centímetro e meio de vinho de um profundo tom púrpura. Tyrion refletiu por um momento, e depois despejou-o no chão.