A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
JAIME
–O rei está morto, disseram-lhe, sem saber que Joffrey não era só seu soberano, mas também seu filho.
– O Duende abriu a goela dele com um punhal – declarou um vendedor ambulante na estalagem à beira da estrada onde passaram a noite. – Bebeu seu sangue num grande cálice de ouro. – O homem não foi mais capaz de reconhecer o cavaleiro barbudo e maneta com o grande morcego no escudo do que qualquer um dos demais, por isso disse coisas que de outro modo poderia ter engolido, caso soubesse quem o estava ouvindo.
– Foi veneno o que despachou a coisa – insistiu o estalajadeiro. – A cara do rapaz ficou preta que nem uma ameixa.
– Que o Pai o julgue com justiça – murmurou um septão.
– A mulher do anão tratou do assassinato com ele – jurou um arqueiro vestido com a libré de Lorde Rowan. – Depois desapareceu do salão numa nuvem de enxofre, e um lobo gigante fantasma foi visto percorrendo a Fortaleza Vermelha, com sangue pingando das mandíbulas.
Jaime ouviu tudo sentado e em silêncio, deixando-se cobrir pelas palavras, com um corno de cerveja esquecido na mão boa. Joffrey. O meu sangue. Meu primogênito. Meu filho. Tentou trazer à memória o rosto do rapaz, mas seus traços teimavam em transformar-se nos de Cersei. Ela vai estar de luto, com os cabelos despenteados e os olhos vermelhos de tanto chorar, a boca tremendo enquanto tenta falar. Voltará a chorar quando me vir, embora lute contra as lágrimas. A irmã raramente chorava, exceto quando estava com ele. Não conseguia suportar que outros a julgassem fraca. Só ao gêmeo mostrava as feridas. Ela procurará conforto e vingança em mim.
Cavalgaram duramente no dia seguinte, por insistência de Jaime. O filho estava morto, e a irmã precisava dele.
Quando viu a cidade à sua frente, com as torres de vigia escuras contra o ocaso que se aprofundava, Jaime Lannister aproximou-se a meio-galope de Walter Pernas-de-Aço, que seguia atrás de Nage e da bandeira de paz.
– Que fedor horrível é esse? – protestou o nortenho.
A morte, pensou Jaime, mas disse:
– Fumaça, suor e merda. Porto Real, em suma. Se tiver um bom nariz, poderá também cheirar a traição. Nunca tinha cheirado uma cidade?
– Cheirei Porto Branco. Nunca fedeu assim.
– Porto Branco está para Porto Real como o meu irmão Tyrion está para Sor Gregor Clegane.
Nage subiu uma pequena colina à frente deles, com a bandeira de paz de sete pontas erguendo-se e virando ao vento, e a estrela polida de sete pontas cintilando brilhante no topo do mastro. Veria Cersei em breve, e também Tyrion, e o pai. Meu irmão poderia realmente ter matado o rapaz? Jaime achava difícil acreditar naquilo.
Sentia-se curiosamente calmo. Sabia que esperava-se que os homens enlouquecessem de desgosto quando os filhos morriam. Esperava-se que arrancassem os cabelos, que amaldiçoassem os deuses e jurassem rubra vingança. Então por que será que sentia tão pouco? O rapaz viveu e morreu acreditando que Robert Baratheon era o pai dele.
Jaime vira-o nascer, isso era certo, embora mais por Cersei do que pela criança. Mas nunca o pegara no colo.
– O que iriam achar? – avisou-o a irmã quando as mulheres finalmente os deixaram. – Já é suficientemente ruim que Joff se pareça com você sem que fique babando por cima dele. – Jaime cedeu quase sem luta. O rapaz fora uma coisinha cor-de-rosa e estridente que exigia demasiado do tempo de Cersei, do amor de Cersei e dos seios de Cersei. Que Robert ficasse com ele.
E agora está morto. Imaginou Joff jazendo imóvel e frio, com um rosto negro de veneno, e continuou a não sentir nada. Talvez fosse o monstro que o acusavam de ser. Se o Pai no Céu descesse para lhe oferecer de volta o filho ou a mão, Jaime sabia qual das coisas escolheria. Afinal, tinha um segundo filho, e sêmen bastante para muitos mais. Se Cersei quiser outro filho, eu dou... e dessa vez vou pegá-lo no colo, e que os Outros carreguem quem não gostar. Robert apodrecia em sua sepultura, e Jaime estava farto de mentiras.
Virou-se abruptamente e galopou para trás, ao encontro de Brienne. Só os deuses sabem por que me incomodo. Ela é a criatura menos sociável que tive o infortúnio de conhecer. A garota seguia bem atrás e cerca de um metro desviada para o lado, como que para proclamar que não fazia parte do grupo. Ao longo do caminho tinham encontrado roupas de homem para ela; uma túnica aqui, uma capa ali, um par de calções e um manto com capuz, até uma velha placa de peito de ferro. Parecia mais confortável vestida de homem, mas nada nunca faria com que parecesse bonita. Nem feliz. Uma vez fora de Harrenhal, sua habitual teimosia casmurra rapidamente voltou a se instalar.
– Quero minhas armas e armadura de volta – tinha insistido.
– Oh, com certeza, que a tenhamos de novo coberta de aço – respondeu Jaime. – Especialmente um elmo. Ficaremos todos mais felizes se mantiver a boca fechada e a viseira abaixada.
Pelo menos isso Brienne podia fazer, mas seus silêncios carrancudos depressa começaram a desgastar tanto o bom humor dele como as constantes tentativas de Qyburn para ser agradável. Nunca pensei que daria por mim com saudades da companhia de Cleos Frey, que os deuses me ajudem. Começava a desejar tê-la deixado para o urso.
– Porto Real – anunciou Jaime quando a encontrou. – Nossa viagem terminou, senhora. Cumpriu o seu voto e entregou-me em Porto Real. Inteiro, exceto por uns dedos e uma mão.
Os olhos de Brienne mostraram-se indiferentes.
– Isso foi apenas metade de meu voto. Disse à Senhora Catelyn que lhe levaria de volta as filhas. Ou Sansa, pelo menos. E agora...
Ela nunca conheceu Robb Stark, e no entanto o pesar que sente por ele é mais profundo do que o meu por Joff. Ou talvez fosse pela Senhora Catelyn que fazia luto. Essa notícia chegara até eles em Bosque Malhado, pela boca de um cavaleiro corado que mais parecia uma barrica chamado Sor Bertram Beesbury, cujas armas eram três colmeias em fundo listrado de negro e amarelo. Uma companhia de homens de Lorde Piper tinha passado por Bosque Malhado no dia anterior, disse-lhes Beesbury, correndo para Porto Real sob a sua bandeira de paz.
– Com o Jovem Lobo morto, Piper não viu objetivo em continuar a lutar. Seu filho é cativo nas Gêmeas. – Brienne tinha escancarado a boca como uma vaca prestes a engasgar com o bolo de grama, e assim coube a Jaime extrair a história do Casamento Vermelho.
– Todos os grandes senhores têm vassalos insubmissos que invejam sua posição – disse-lhe depois. – Meu pai tinha os Reyne e os Tarbeck, os Tyrell têm os Florent, Hoster Tully tinha Walder Frey. Só a força mantém homens assim em seus lugares. No momento em que sentem cheiro de fraqueza... durante a Idade dos Heróis, os Bolton costumavam esfolar os Stark e usar suas peles como mantos. – Ela tinha feito uma expressão tão infeliz que Jaime quase deu por si desejando confortá-la.
Desde esse dia Brienne agia como alguém que estivesse meio morto. Nem chamá-la de “garota” conseguia provocar uma resposta. A força dela desapareceu. A mulher fizera cair um rochedo sobre Robin Ryger, batalhara contra um urso com uma espada de torneio, arrancara a orelha de Vargo Hoat com uma dentada e lutara com Jaime até a exaustão... mas agora encontrava-se quebrada, acabada.