A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Tyrion bebeu-o no banco que ficava ao lado da janela, matutando enquanto observava o caos das cozinhas lá embaixo. O sol ainda não tinha tocado o topo da muralha do castelo, mas já sentia o cheiro de pães e de carnes assando. Os convidados começariam em breve a entrar em torrente na sala do trono, cheios de expectativa; aquela seria uma noite de canções e esplendor, planejada não só para unir Jardim de Cima e Rochedo Casterly, mas também para proclamar poderio e riqueza, como lição para todos os que pudessem ainda pensar em se opor ao domínio de Joffrey.
Mas quem seria suficientemente louco para se opor agora ao domínio de Joffrey, depois daquilo que sucedera com Stannis Baratheon e Robb Stark? Ainda se lutava nas terras fluviais, mas por todos os lados os nós se apertavam. Sor Gregor Clegane tinha atravessado o Tridente e capturado o vau rubi, para em seguida tomar Harrenhal quase sem esforço. Guardamar rendeu-se ao Walder Negro Frey, Lorde Randyll Tarly dominava Lagoa da Donzela, Valdocaso e a estrada do rei. No ocidente, Sor Daven Lannister uniu-se a Sor Forley Prester no Dente Dourado para marchar sobre Correrrio. Sor Ryman Frey descia das Gêmeas à frente de dois mil lanceiros para se juntar a eles. E Paxter Redwyne dizia que a sua frota zarparia em breve da Árvore, a fim de dar início à longa viagem em volta de Dorne e através dos Degraus. Os piratas lisenos de Stannis ficariam numa inferioridade numérica de dez para um. A luta que os meistres andavam chamando de Guerra dos Cinco Reis estava praticamente no fim. Mace Tyrell foi ouvido se queixando de que Lorde Tywin não tinha deixado vitórias para ele.
– Senhor? – Pod encontrava-se ao seu lado. – Irá trocar de roupa? Preparei o gibão. Na sua cama. Para o banquete.
– Banquete? – disse Tyrion, ácido. – Que banquete?
– O banquete de casamento. – Pod não entendeu o sarcasmo, claro. – O Rei Joffrey e a Senhora Margaery. Rainha Margaery, quer dizer.
Tyrion decidiu ficar muito, muito bêbado naquela noite.
– Muito bem, jovem Podrick, vamos lá me deixar festivo.
Shae estava ajudando Sansa com os cabelos quando entraram no quarto. Alegria e dor, pensou o anão quando as contemplou juntas. Riso e lágrimas. Sansa usava um vestido de cetim prateado debruado com veiro, com mangas pendentes que quase tocavam o chão, forradas de suave feltro roxo. Shae tinha arrumado os cabelos artisticamente em uma delicada rede de prata que reluzia com pedras preciosas de um tom escuro de púrpura. Tyrion nunca a vira mais adorável, mas ostentava a mágoa naquelas longas mangas de cetim.
– Senhora Sansa – disse-lhe –, esta noite será a mais bela senhora no salão.
– O senhor é bondoso demais.
– Senhora – disse Shae em tom desejoso. – Eu não poderia ir servir às mesas? Quero tanto ver os pombos saírem voando da torta.
Sansa olhou-a com incerteza.
– A rainha escolheu todos os criados.
– E o salão estará muito cheio de gente. – Tyrion teve de reprimir o aborrecimento. – Mas haverá músicos por todo o castelo, e mesas no pátio exterior com comida e bebida para todos. – Inspecionou o seu gibão novo, de veludo carmesim com ombros almofadados e mangas bufantes com cortes que mostravam o cetim negro que tinham por baixo. Um belo traje. Tudo o que precisa é de um belo homem para vesti-lo. – Venha, Pod, ajude-me a entrar nisto.
Bebeu outra taça de vinho enquanto se vestia, e então tomou a esposa pelo braço e acompanhou-a para fora da Fortaleza das Cozinhas, a fim de se juntarem ao rio de seda, cetim e veludo que fluía para a sala do trono. Alguns convidados já tinham ocupado seus lugares nos bancos. Outros zanzavam diante das portas, aproveitando o calor fora de época da tarde. Tyrion desfilou com Sansa em volta do pátio, a fim de cumprir as cortesias da praxe.
Ela é boa nisso, pensou, enquanto a observava dizer ao Lorde Gyles que sua tosse parecia melhor, elogiar Elinor Tyrell pelo vestido e interrogar Jalabhar Xho acerca dos costumes nupciais das Ilhas do Verão. O primo de Tyrion, Sor Lancel, havia sido trazido para baixo por Sor Kevan, era a primeira vez que deixava a cama desde a batalha. Tem um aspecto horrível. Os cabelos de Lancel tinham se tornado brancos e quebradiços, e ele estava magro como um espeto. Se não tivesse o pai ao seu lado para mantê-lo em pé, certamente teria tombado no chão. Mas quando Sansa elogiou sua bravura e disse como era bom vê-lo ganhando forças de novo, tanto Lancel como Sor Kevan resplandeceram. Ela teria sido uma boa rainha e uma esposa ainda melhor para Joffrey se ele tivesse tido o bom-senso de amá-la. Perguntou a si mesmo se o sobrinho seria capaz de amar alguém.
– Seu visual está muito requintado, filha – disse a Senhora Olenna Tyrell a Sansa quando se aproximou deles em seu passo titubeante, trajando um vestido de pano de ouro que devia pesar mais do que ela. – Mas o vento desmanchou seus cabelos. – A pequena velha esticou-se e ocupou-se com as madeixas soltas, voltando a colocá-las no lugar e endireitando a rede para cabelo de Sansa. – Fiquei muito triste quando soube de suas perdas – disse enquanto remexia e repuxava. – Seu irmão era um horrível traidor, eu sei, mas se começarmos a matar homens em bodas, eles ficarão com ainda mais medo do casamento do que já têm. Pronto, assim está melhor. – A Senhora Olenna sorriu. – Tenho o prazer de dizer que parto para Jardim de Cima depois de amanhã. Já estou por aqui desta cidade malcheirosa, muito obrigada. Talvez queira me acompanhar para uma pequena visita, enquanto os homens estão longe entretidos com a guerra deles? Vou sentir uma falta tão terrível de minha Margaery, e de todas as suas adoráveis senhoras. Sua companhia seria um conforto tão querido.
– É gentil demais, senhora – disse Sansa –, mas o meu lugar é junto do senhor meu esposo.
A Senhora Olenna concedeu a Tyrion um sorriso enrugado e desdentado.
– Oh? Perdoe uma velha tonta, senhor, não pretendi roubar a sua adorável esposa de você. Assumi que estaria longe, liderando uma tropa Lannister contra um inimigo malvado qualquer.
– Uma tropa de dragões e veados. O mestre da moeda tem de permanecer na corte para garantir que todos os exércitos sejam pagos.
– Com certeza. Dragões e veados, é muito inteligente. E também a moeda do anão. Já ouvi falar dessa moeda do anão. Sem dúvida que coletá-la é uma ocupação tão desagradável.
– Deixo a outros a coleta, senhora.
– Ah, deixa? Eu pensava que gostaria de tratar disso em pessoa. Não podemos admitir que a Coroa seja espoliada de sua moeda do anão. Podemos?
– Que os deuses não o permitam. – Tyrion começava a perguntar a si mesmo se Lorde Luthor Tyrell não teria cavalgado falésia abaixo intencionalmente. – Se nos perdoar, Senhora Olenna, é hora de ocuparmos nosso lugar.
– E eu também. Setenta e sete pratos, certamente. Não acha que isso é um pouco excessivo, senhor? Eu não comerei mais do que três ou quatro garfadas, mas nós dois somos muito pequenos, não somos? – voltou a dar palmadinhas nos cabelos de Sansa e disse: – Bem, vá lá, filha, e tente se mostrar mais alegre. Onde se meteram os meus guardas? Esquerdo, Direito, onde estão? Venham me ajudar a subir para o estrado.
Embora o anoitecer ainda estivesse a uma hora de distância, a sala do trono já estava um esplendor de luz, com tochas ardendo em todas as arandelas. Os convidados alinhavam-se, em pé, ao longo das mesas, enquanto arautos gritavam nome e títulos dos senhores e senhoras que faziam sua entrada. Pajens com a libré real escoltavam-nos pelo largo corredor central. A galeria encontrava-se repleta de músicos; tambores, flautistas e rabequeiros, corda, sopro e percussão.
Tyrion pegou no braço de Sansa e fez a caminhada num passo pesado e bamboleante. Sentia os olhos postos nele, espiando a nova cicatriz que o tinha deixado ainda mais feio do que já era. Que olhem, pensou enquanto saltava para a cadeira. Que me encarem e que murmurem até se fartarem, não me esconderei por causa deles. A Rainha dos Espinhos seguiu-o, avançando com passinhos minúsculos. Tyrion perguntou a si mesmo qual dos dois pareceria mais absurdo, ele com Sansa ou a mulherzinha encarquilhada entre seus guardas gêmeos de dois metros e dez de altura.