A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Tyrion relanceou pelo estrado, para todos os rostos sorridentes. Joffrey estava vermelho e sem fôlego, Tommen gritava, aos saltos na cadeira, Cersei soltava risinhos polidos, e até Lorde Tywin parecia moderadamente estar se divertindo. De todos os que estavam sentados à mesa elevada, só Sansa Stark não sorria. Poderia tê-la amado por isso, mas na verdade os olhos da garota Stark encontravam-se longe, como se nem sequer tivesse visto os ridículos cavaleiros saltitando em sua direção.
Os anões não têm culpa, decidiu Tyrion. Quando terminarem, vou elogiá-los e dar uma gorda bolsa de prata a eles. E ao chegar a manhã, descobrirei quem planejou esta pequena diversão e tratarei de arranjar uma forma diferente de agradecer.
Quando os anões frearam as montarias sob o estrado para saudar o rei, o cavaleiro do lobo deixou o escudo cair. Ao inclinar-se para apanhá-lo, o cavaleiro do veado perdeu o controle de sua pesada lança e atingiu-o nas costas. O cavaleiro do lobo caiu da porca, e sua lança tombou e deu uma traulitada na cabeça do adversário. Ambos acabaram no chão, numa grande confusão. Quando se ergueram, ambos tentaram montar o cão. Seguiram-se muitos gritos e empurrões. Por fim, reconquistaram as selas, só que um montado no corcel do outro, segurando o escudo errado e virados para trás.
Levou algum tempo para ajeitarem as coisas, mas por fim esporearam as montarias, dirigiram-se às extremidades opostas do salão e viraram-se para a justa. Enquanto os senhores e as senhoras soltavam gargalhadas e risinhos, os pequenos homens colidiram com estrondo e tinido, e a lança do cavaleiro do lobo atingiu o elmo do cavaleiro do veado, fazendo sua cabeça saltar. Esta rodopiou pelo ar, espalhando sangue, e foi aterrissar no colo de Lorde Gyles. O anão sem cabeça começou a cambalear ao redor das mesas, agitando os braços. Cães ladraram, mulheres gritaram, e o Rapaz Lua deu um grande espetáculo, oscilando de um lado para o outro sobre suas pernas de pau, até que Lorde Gyles tirou um melão vermelho pingando de dentro do elmo despedaçado, no mesmo momento em que o cavaleiro do veado tirou a cabeça para fora da armadura, e outra tempestade de risos sacudiu o salão. Os cavaleiros esperaram que terminasse, rodearam-se um ao outro trocando coloridos insultos e estavam prestes a se separar para outra justa quando o cão atirou seu cavaleiro ao chão e montou a porca. O enorme animal guinchou de aflição, enquanto os convidados da boda guinchavam de riso, redobrado quando o cavaleiro do veado saltou para cima do cavaleiro do lobo, despiu seus calções de madeira e começou a se sacudir freneticamente de encontro às partes baixas do outro.
– Rendo-me, rendo-me – gritou o anão de baixo. – Bom sor, guarde a espada!
– Guardaria, guardaria, se parasse de mexer a bainha! – respondeu o anão de cima, para divertimento geral.
Vinho jorrava de ambas as narinas de Joffrey. Arfando, pôs-se em pé com dificuldade, quase derrubando seu grande cálice de duas mãos.
– Um campeão – gritou. – Temos um campeão! – O salão começou a ficar em silêncio quando os convidados perceberam que o rei estava falando. Os anões separaram-se, sem dúvida à espera dos agradecimentos reais. – Mas não é um verdadeiro campeão – disse Joff. – Um verdadeiro campeão derrota todos aqueles que o desafiam. – O rei subiu para cima da mesa. – Quem mais desafiará o nosso minúsculo campeão? – com um sorriso cheio de satisfação, virou-se para Tyrion. – Tio! Você irá defender a honra do meu reino, não é verdade? Pode montar o porco!
As gargalhadas estouraram sobre ele como uma onda. Tyrion Lannister não lembrava de ter se levantado, nem de ter subido na cadeira, mas deu por si empoleirado na mesa. O salão era uma mancha de rostos maliciosos, iluminada pelos archotes. Torceu o rosto na mais hedionda caricatura de um sorriso que os Sete Reinos já tinham visto.
– Vossa Graça – gritou –, eu montarei o porco... mas só se o senhor montar o cão!
Joff franziu a testa, confuso.
– Eu? Eu não sou nenhum anão. Por que eu?
Meteu o pé direitinho na argola, Joff.
– Ora, é o único homem presente no salão que eu tenho a certeza de derrotar!
Não poderia dizer o que era mais agradável; o instante de silêncio chocado, o vendaval de gargalhadas que se seguiu, ou a expressão de fúria cega no rosto do sobrinho. O anão voltou ao chão com um salto, bastante satisfeito, e, quando olhou novamente, Sor Osmund e Sor Meryn estavam ajudando Joff a descer também. Quando viu que Cersei o fulminava com o olhar, Tyrion soprou-lhe um beijo.
Foi um alívio quando os músicos começaram a tocar. Os minúsculos cavaleiros levaram o cão e a porca para fora do salão, os convidados retornaram aos seus tabuleiros de bolo de carne de porco e Tyrion pediu outra taça de vinho. Mas de repente sentiu a mão de Sor Garlan em sua manga.
– Senhor, atenção – avisou o cavaleiro. – O rei.
Tyrion virou-se na cadeira. Joffrey estava quase em cima dele, rubro e cambaleante, fazendo saltar vinho sobre a borda do grande cálice nupcial dourado que carregava com ambas as mãos.
– Vossa Graça – foi tudo que teve tempo de dizer antes de o rei virar o cálice sobre a sua cabeça. O vinho caiu sobre seu rosto numa torrente vermelha. Empapou seu cabelo, fez seus olhos arderem, queimou seu ferimento, escorreu por suas bochechas e ensopou o veludo de seu gibão novo.
– O que acha disso, Duende? – escarneceu Joffrey.
Os olhos de Tyrion estavam em fogo. Esfregou várias vezes o rosto com a parte de trás da manga e, piscando, tentou devolver clareza ao mundo.
– Isso não foi correto, Vossa Graça – ouviu Sor Garlan dizer em voz baixa.
– De modo algum, Sor Garlan. – Tyrion não se atrevia a deixar que aquilo ficasse ainda mais feio do que já estava, não ali, com metade do reino como testemunha. – Não é um rei qualquer que pensaria em honrar um humilde súdito servindo-o do seu próprio cálice real. Uma pena que o vinho tenha se derramado.
– Não se derramou – disse Joffrey, dotado de demasiada deselegância para aceitar a retratação que Tyrion tinha lhe oferecido. – E também não o estava servindo.
A Rainha Margaery surgiu de repente junto do cotovelo de Joffrey.
– Meu querido rei – rogou a moça Tyrell –, venha, volte ao seu lugar, há outro cantor à espera.
– Alaric de Eysen – disse a Senhora Olenna Tyrell, apoiando-se na bengala e sem prestar mais atenção no anão encharcado de vinho do que a neta havia prestado. – Tenho tanta esperança de que ele toque “As chuvas de Castamere” para nós. Já se passou uma hora, esqueci-me da melodia.
– Além disso, Sor Addam quer fazer um brinde – disse Margaery. – Vossa Graça, por favor.
– Não tenho vinho – declarou Joffrey. – Como é que posso fazer um brinde se não tenho vinho? Tio Duende, pode me servir. Uma vez que não quer justar, será o meu copeiro.
– Será uma honra.
– Não é para ser uma honra! – gritou Joffrey. – Dobre-se e pegue o meu cálice. – Tyrion fez o que lhe foi pedido, mas ao estender a mão para a alça, Joff chutou o cálice por entre suas pernas. – Pegue-o! Será que é tão desastrado quanto feio? – teve de se enfiar debaixo da mesa para achar aquela coisa. – Ótimo, agora encha-o com vinho. – Pegou um jarro que uma criada transportava e encheu a taça até três quartos. – Não, de joelhos, anão. – Ajoelhando, Tyrion ergueu a pesada taça, perguntando a si mesmo se estaria prestes a tomar um segundo banho. Mas Joffrey pegou o cálice nupcial com uma só mão, bebeu longamente e apoiou-o na mesa. – Agora pode se levantar, tio.
Sentiu cãibras nas pernas ao tentar se erguer, e quase voltou a cair. Tyrion teve de se agarrar a uma cadeira para se firmar. Sor Garlan estendeu-lhe uma mão. Joffrey riu, e Cersei também. Depois foram outros. Não viu quem, mas ouviu-os.