A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Joffrey e Margaery entraram na sala do trono montados em cavalos brancos combinando. Pajens corriam à frente deles, espalhando pétalas de rosa sob os cascos. O rei e a rainha também tinham se trocado para o banquete. Joffrey usava calções com listras negras e carmesim e um gibão de pano de ouro com mangas de cetim negro e rebites de ônix. Margaery trocou o vestido recatado que tinha usado no septo por outro muito mais revelador, um traje de samito verde-claro com um corpete em renda miúda que lhe desnudava os ombros e a parte superior de seus pequenos seios. Soltos, os suaves cabelos castanhos caíam sobre seus ombros brancos e desciam pelas costas quase até a cintura. Na testa trazia uma esguia coroa de ouro. Seu sorriso era tímido e doce. Uma garota adorável, pensou Tyrion, e um destino mais gentil do que o que o meu sobrinho merece.
A Guarda Real escoltou-os até o estrado, até os lugares de honra à sombra do Trono de Ferro, envolto para a ocasião em longas flâmulas do dourado Baratheon, do carmesim Lannister e do verde Tyrell. Cersei abraçou Margaery e beijou suas bochechas. Lorde Tywin fez o mesmo, e o mesmo fizeram Lancel e Sor Kevan. Joffrey recebeu beijos de carinho do pai da noiva e de seus dois novos irmãos, Loras e Garlan. Ninguém pareceu muito ansioso por beijar Tyrion. Depois do rei e da rainha ocuparem seus lugares, o Alto Septão levantou-se para comandar uma prece. Pelo menos não é tão monótono quanto o último, pensou Tyrion, consolando-se.
Ele e Sansa tinham sido postos em lugares distantes à direita do rei, ao lado de Sor Garlan Tyrell e de sua esposa, a Senhora Leonette. Havia uma dúzia de outros convivas sentados mais perto de Joffrey, o que um homem mais suscetível teria tomado como uma afronta, dado ter sido Mão do Rei não muito tempo antes. Tyrion teria se sentido contente se esses convivas tivessem sido cem.
– Que as taças sejam enchidas! – proclamou Joffrey, depois que os deuses receberam o que lhes era devido. Seu copeiro despejou um jarro inteiro de escuro tinto da Árvore no cálice nupcial de ouro que Lorde Tyrell lhe dera naquela manhã. O rei teve de usar ambas as mãos para erguê-lo. – À minha esposa, a rainha!
– Margaery! – gritou o salão em resposta. – Margaery! Margaery! À rainha! – Mil taças retiniram umas nas outras e o banquete nupcial teve o seu verdadeiro início. Tyrion Lannister bebeu com os outros, esvaziando a taça naquele primeiro brinde e fazendo sinal para que voltassem a enchê-la assim que se sentou de novo.
O primeiro prato era uma sopa cremosa de cogumelos e caracóis na manteiga, servida em tigelas douradas. Tyrion quase não tocara no café da manhã, e o vinho já tinha lhe subido à cabeça, por isso a comida era bem-vinda. Terminou depressa. Um já era, faltam setenta e seis. Setenta e sete pratos, enquanto ainda há crianças passando fome nesta cidade, e homens capazes de matar por um rabanete. Poderiam amar bem menos os Tyrell se nos vissem agora.
Sansa provou uma colherada de sopa e afastou a tigela.
– Não lhe agrada, senhora? – perguntou Tyrion.
– Haverá tanta coisa, senhor. Tenho uma barriga pequena. – Remexeu nervosamente nos cabelos e olhou ao longo da mesa para onde Joffrey se encontrava com a sua rainha Tyrell.
Será que desejaria estar no lugar de Margaery? Tyrion franziu a testa. Até uma criança devia ter mais juízo. Afastou os olhos, procurando uma distração, mas para onde quer que olhasse via mulheres; boas, lindas, felizes e belas mulheres que pertenciam a outros homens. Margaery, claro, sorria com doçura enquanto partilhava com Joffrey uma bebida vinda do cálice de sete lados. Sua mãe, a Senhora Alerie, grisalha e bonita, ainda orgulhosa ao lado de Mace Tyrell. As três jovens primas da rainha, vivas como passarinhos. A esposa myresa de Lorde Merryweather, com seus cabelos negros e seus grandes olhos, negros e provocantes. Ellaria Sand entre os dorneses (Cersei colocara-os numa mesa só para eles, logo abaixo do estrado, num lugar de grande honra, mas tão longe dos Tyrell quanto a largura do salão permitia), rindo de qualquer coisa que a Víbora Vermelha havia lhe dito.
E havia uma mulher, sentada quase na ponta da terceira mesa da esquerda... a esposa de um dos Fossoway, achava ele, e bem grávida do filho dele. Sua delicada beleza não era em nada diminuída pela barriga, e o prazer que obtinha da comida e dos divertimentos também não. Tyrion observou-a enquanto o marido lhe oferecia pedacinhos de seu prato. Bebiam da mesma taça e beijavam-se com frequência e imprevisivelmente. Sempre que o faziam, a mão dele pousava com gentileza no estômago dela, num gesto terno e protetor.
Perguntou a si mesmo o que Sansa faria se ele se debruçasse e a beijasse naquele exato momento. O mais certo seria recuar. Ou armar-se de coragem e aguentar, cumprindo o seu dever. Não se pode dizer que esta minha esposa não seja cumpridora de seu dever. Se lhe dissesse que queria romper sua virgindade esta noite, ela aguentaria isso obedientemente e não choraria mais do que tivesse de chorar.
Pediu mais vinho. Quando o obteve, o segundo prato estava sendo servido, uma fôrma feita de massa de torta e cheia de carne de porco, pinhões e ovos. Sansa não comeu mais do que uma de suas garfadas, enquanto os arautos anunciavam o primeiro dos sete cantores.
Hamish, o Harpista, de barba grisalha, anunciou que iria tocar “pros ouvidos de deuses e homens uma canção nunca antes ouvida em todos os Sete Reinos”. Chamou-a de “A cavalgada de Lorde Renly”.
Os dedos do homem moveram-se pelas cordas da harpa vertical, enchendo a sala do trono com um som doce.
– Do seu trono de ossos o Senhor da Morte olhou o lorde assassinado – começou Hamish, e prosseguiu contando o modo como Renly, arrependendo-se de sua tentativa de usurpar a coroa do sobrinho, tinha desafiado o próprio Senhor da Morte e regressado à terra dos vivos para defender o reino contra o irmão.
E foi por isso que o pobre Symon acabou numa tigela de castanho, refletiu Tyrion. A Rainha Margaery lacrimejou no fim, quando a sombra do bravo Lorde Renly voou até Jardim de Cima para olhar uma última vez o rosto de seu verdadeiro amor.
– Renly Baratheon nunca se arrependeu de nada na vida – disse o Duende a Sansa –, mas se é para arriscar alguma coisa, diria que Hamish acabou de ganhar um alaúde dourado.
O Harpista também lhes ofereceu várias canções mais familiares. “Uma rosa de ouro” era para os Tyrell, sem dúvida, assim como “As chuvas de Castamere” se destinava a lisonjear o pai de Tyrion. “Donzela, mãe e velha” deliciou o Alto Septão, e “A senhora minha esposa” agradou a todas as mocinhas com romance no coração, e, sem dúvida, a alguns dos rapazinhos também. Tyrion escutou com meio ouvido, enquanto provava bolinhos fritos de milho doce e pão de aveia quente com pedaços de tâmara, maçã e laranja e roía a costela de um javali selvagem.
Daí em diante, os pratos e diversões sucederam-se uns aos outros numa profusão desconcertante, boiando numa enchente de vinho e cerveja. Hamish deixou-os, e o seu lugar foi ocupado por um urso razoavelmente pequeno e idoso, que dançou desajeitadamente ao som de flautas e tambores, enquanto os convidados da boda comiam truta com uma crosta de purê de amêndoas. O Rapaz Lua subiu nas pernas de pau e começou a caminhar imponentemente em volta das mesas, perseguindo o Abetouro, o bobo ridiculamente gordo de Lorde Tyrell, e os senhores e as senhoras provaram garças assadas e empadões de queijo e cebolas. Uma trupe de malabaristas de Pentos executou estrelas e mortais, equilibrou bandejas nos pés descalços e formou uma pirâmide, apoiando-se nos ombros uns dos outros. Seus feitos foram acompanhados por caranguejos cozidos com ardentes especiarias orientais, tabuleiros cheios de nacos de carneiro guisado em leite de amêndoa com cenouras, passas e cebolas, e tortas de peixe recém-saídas dos fornos, servidas tão quentes que queimavam os dedos.