A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Os sete votos foram feitos, as sete bênçãos invocadas e as sete promessas trocadas. Quando a canção nupcial foi cantada e o desafio passou sem resposta, chegou a hora da troca dos mantos. Tyrion deslocou o peso de uma perna deformada para a outra, tentando ver entre o pai e o tio Kevan. Se os deuses forem justos, Joff vai estragar tudo isso. Assegurou-se de não olhar para Sansa, para o caso de a amargura estar visível nos seus olhos. Devia ter se ajoelhado, diabos. Teria sido assim tão difícil dobrar esses seus rígidos joelhos Stark, permitindo que eu mantivesse alguma dignidade?
Mace Tyrell removeu ternamente o manto de donzela da filha, enquanto Joffrey recebia o manto de noiva, dobrado, das mãos do irmão Tommen e o sacudia com um floreado. O rei rapaz era tão alto aos treze anos quanto a sua noiva aos dezesseis; não precisaria subir nas costas de um bobo. Envolveu Margaery em carmesim e ouro e inclinou-se para lhe prender o manto em volta do pescoço. E foi com essa facilidade que ela passou da proteção do pai para a do marido. Mas quem a protegerá de Joff? Tyrion deu um olhar de relance ao Cavaleiro das Flores, que se encontrava junto dos outros membros da Guarda Real. É melhor que mantenha a espada bem afiada, Sor Loras.
– Com este beijo empenho o meu amor! – declarou Joffrey num tom retumbante. Quando Margaery ecoou as palavras, ele puxou-a para si e deu-lhe um longo e profundo beijo. Luzes arco-íris voltaram a dançar em volta da coroa do Alto Septão quando este declarou solenemente que Joffrey, das Casas Baratheon e Lannister, e Margaery, da Casa Tyrell, eram uma só carne, um só coração, uma só alma.
Ótimo, terminado. Voltemos agora para o maldito castelo para que eu possa dar uma mijada.
Sor Loras e Sor Meryn seguiram à frente da procissão que partiu do septo, trajando suas armaduras de escamas brancas e mantos de neve. Depois vinha o Príncipe Tommen, espalhando à frente do rei e da rainha pétalas de rosa que tirava de um cesto. Após o casal real seguiam a Rainha Cersei e Lorde Tyrell, atrás destes a mãe da rainha de braço dado com Lorde Tywin. Depois vinha a Rainha dos Espinhos, cambaleando com uma mão apoiada no braço de Sor Kevan Lannister e a outra em sua bengala, trazendo os guardas gêmeos logo atrás, para o caso de cair. Depois vinha Sor Garlan Tyrell e a senhora sua esposa, e por fim era a vez deles.
– Senhora. – Tyrion ofereceu o braço a Sansa.
Ela aceitou-o obedientemente, mas o anão conseguia sentir a rigidez da garota enquanto caminhavam juntos pelo corredor. Não o olhou nem uma vez.
Ouviu-os em aclamações lá fora antes mesmo de chegar às portas. A multidão amava tanto Margaery que estava até disposta a voltar a amar Joffrey. Ela pertencera a Renly, o belo e jovem príncipe que os amava tanto que tinha voltado da sepultura para salvá-los. E a prodigalidade de Jardim de Cima chegara com ela, fluindo do sul pela estrada de rosas. Os palermas não pareciam lembrar-se de que foi Mace Tyrell quem fechou a estrada de rosas para começar, e quem gerou a maldita fome.
Saíram para o ar puro de outono.
– Temi que nunca conseguíssemos fugir – gracejou Tyrion.
Sansa não teve alternativa a olhá-lo.
– Eu... sim, senhor. É como diz. – Parecia triste. – Mas foi uma cerimônia tão bela.
Tanto quanto a nossa não foi.
– Foi longa, é o que tenho a dizer. Preciso voltar ao castelo para uma boa mijada. – Tyrion esfregou o que lhe restava de nariz. – Gostaria de ter inventado uma missão qualquer que me levasse para fora da cidade. O Mindinho é que foi esperto.
Joffrey e Margaery estavam rodeados pela Guarda Real no topo dos degraus que davam para a grande praça de mármore. Sor Addam e seus homens de manto dourado mantinham a multidão afastada, enquanto a estátua do Rei Baelor, o Abençoado, os fitava com benevolência. Tyrion não teve alternativa exceto juntar-se à fila, com os demais, para dar os parabéns ao casal. Beijou os dedos de Margaery e desejou-lhe todas as felicidades. Felizmente, havia outras pessoas atrás deles esperando sua vez, e não precisaram demorar muito tempo.
A liteira tinha ficado ao sol, e dentro fazia muito calor. Quando entraram em movimento, Tyrion reclinou-se sobre um cotovelo e Sansa sentou-se, de olhos fixos nas mãos. Ela é tão bonita quanto a garota Tyrell. Os cabelos eram de um rico ruivo outonal; os olhos, de um profundo azul Tully. A mágoa tinha lhe dado um aspecto assombrado e vulnerável; isso a tornava ainda mais bela. Desejou chegar até ela, atravessar a armadura de sua cortesia. Teria sido isso que o fez falar? Ou só a necessidade de se distrair da bexiga cheia?
– Tenho andado pensando que, quando as estradas estiverem de novo seguras, podíamos fazer uma viagem a Rochedo Casterly. – Para longe de Joffrey e da minha irmã. Quanto mais pensava no que Joff tinha feito ao Vidas dos quatro reis, mais perturbado se sentia. Havia uma mensagem ali, ah, sim. – Adoraria mostrar-lhe a Galeria Dourada, a Boca do Leão e o Salão dos Heróis, onde Jaime e eu brincávamos quando crianças. Pode-se ouvir o trovão vindo de baixo, de onde o mar entra...
Ela levantou lentamente a cabeça. Sabia o que a garota estava vendo; a testa brutal e inchada, o toco em carne viva do nariz, a cicatriz cor-de-rosa e irregular e os olhos desiguais. Os olhos dela eram grandes, azuis e vazios.
– Irei aonde quer que o senhor meu esposo desejar.
– Esperava que pudesse agradá-la, senhora.
– Será do meu agrado agradar ao meu senhor.
A boca dele comprimiu-se. Que homenzinho patético você é. Achava que tagarelar a respeito da Boca do Leão iria fazê-la sorrir? Quando foi que fez uma mulher sorrir sem ser por ouro?
– Não, foi uma ideia tola. Só um Lannister pode amar o Rochedo.
– Sim, senhor. Como desejar.
Tyrion ouvia os plebeus gritarem o nome do Rei Joffrey. Daqui a três anos esse rapaz cruel será um homem e governará sozinho... e qualquer anão com metade dos miolos funcionando estará muito longe de Porto Real. Talvez em Vilavelha. Ou até nas Cidades Livres. Sempre desejou muito ver o Titã de Bravos. Isso talvez agradasse a Sansa. Em tom gentil, falou de Bravos, e encontrou uma muralha de taciturna cortesia tão gelada e inflexível como a Muralha por onde caminhara uma vez no norte. Isso o deixou fatigado. Naquela ocasião e agora.
Passaram o resto da viagem em silêncio. Após algum tempo, Tyrion viu-se esperando que Sansa dissesse alguma coisa, fosse o que fosse, a mais insignificante das palavras, mas ela não falou. Quando a liteira parou no pátio do castelo, permitiu que um dos palafreneiros a ajudasse a descer.
– Somos esperados no banquete dentro de uma hora, senhora. Irei encontrá-la em breve. – Afastou-se sobre pernas duras. Ouviu as gargalhadas sem fôlego de Margaery do outro lado do pátio enquanto Joffrey a tirava da sela. Um dia o rapaz será tão alto e forte quanto Jaime, pensou. E eu continuarei a ser um anão debaixo de seus pés. E um dia é bem capaz de me deixar ainda mais curto...
Descobriu uma latrina e suspirou, grato, enquanto se aliviava do vinho da manhã. Havia momentos em que uma mijada era tão boa quanto uma mulher, e aquele era um deles. Gostaria de conseguir se aliviar das dúvidas e das culpas com metade daquela facilidade.
Podrick Payne esperava-o à porta de seus aposentos.
– Preparei o seu gibão novo. Aqui não. Na sua cama. No quarto.
– Sim, é lá que fica a cama. – Sansa devia estar lá, vestindo-se para o banquete. E Shae também. – Vinho, Pod.