A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Ouviu a porta se abrindo quando as aias trouxeram a água quente para o banho. Eram ambas novas ao seu serviço; Tyrion dizia que as mulheres que tomavam conta dela antes eram todas espiãs de Cersei, tal como Sansa sempre suspeitara.
– Venham ver – disse-lhes. – Há um castelo no céu.
Elas foram dar uma olhada.
– É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
– Um castelo, é? – Brella tinha de semicerrar os olhos. – Aquela torre tá caindo, parece. É tudo ruínas, aquilo.
Sansa não queria ouvir falar de torres caindo e castelos arruinados. Fechou as venezianas e disse:
– Somos esperados no café da manhã da rainha. O senhor meu esposo está no aposento privado?
– Não, senhora – disse Brella. – Não o vi.
– Pode ser que tenha ido ver o pai – declarou Shae. – Talvez a Mão do Rei precise de seus conselhos.
Brella deu uma fungada.
– Senhora Sansa, talvez queira entrar na banheira antes que a água esfrie demais.
Sansa deixou que Shae puxasse sua camisa de dormir pela cabeça e entrou na grande banheira de madeira. Sentiu-se tentada a pedir uma taça de vinho, para lhe acalmar os nervos. O casamento estava marcado para o meio-dia no Grande Septo de Baelor, do outro lado da cidade. E, ao cair da noite, o banquete seria dado na sala do trono; mil convidados e setenta e sete pratos, com cantores, malabaristas e saltimbancos. Mas primeiro havia o café da manhã no Salão de Baile da Rainha, para os Lannister e os homens Tyrell – as mulheres Tyrell quebrariam o jejum com Margaery – e cento e tantos cavaleiros e fidalgos. Fizeram de mim uma Lannister, pensou Sansa com amargura.
Brella mandou Shae ir buscar mais água quente enquanto lavava as costas de Sansa.
– Está tremendo, senhora.
– A água não está quente o suficiente – mentiu Sansa.
As aias a vestiam quando Tyrion apareceu, com Podrick Payne a reboque.
– Está adorável, Sansa. – Virou-se para o escudeiro. – Pod, faça a gentileza de me servir uma taça de vinho.
– Vai haver vinho no café da manhã, senhor – disse Sansa.
– Há vinho aqui. Não espera certamente que enfrente a minha irmã sóbrio? É um novo século, senhora. O tricentésimo ano desde a Conquista de Aegon. – O anão pegou a taça de tinto que Podrick tinha lhe entregado e ergueu-a bem alto. – A Aegon. Que cara afortunado. Duas irmãs, duas esposas e três grandes dragões, o que mais pode um homem pedir? – limpou a boca com as costas da mão.
Sansa reparou que as roupas do Duende estavam sujas e em desalinho; parecia que tinha dormido vestido.
– Vai vestir roupa lavada, senhor? Seu gibão novo é muito bonito.
– O gibão é bonito, sim. – Tyrion pôs a taça de lado. – Ande, Pod, vamos ver se encontramos algum vestuário que me faça parecer menos anão. Não vou querer envergonhar a senhora minha esposa.
Quando o Duende retornou pouco depois, estava bastante apresentável, e até um pouco mais alto. Podrick Payne também tinha trocado de roupa, e por uma vez quase parecia um escudeiro como deve ser, embora uma espinha vermelha bastante grande que tinha no canto do nariz estragasse o efeito de seu magnífico traje púrpura, branco e dourado. É um rapaz tão tímido. A princípio, Sansa desconfiava do escudeiro de Tyrion; ele era um Payne, primo de Sor Ilyn Payne, que tinha cortado a cabeça do pai. No entanto, depressa percebeu que Pod tinha tanto medo dela como ela tinha do primo. Sempre que falava com ele, o rapaz ficava do mais alarmante tom de vermelho.
– Púrpura, dourado e branco são as cores da Casa Payne, Podrick? – perguntou-lhe polidamente.
– Não. Isto é, sim. – Corou. – As cores. Nossas armas são axadrezado de púrpura e branco, senhora. Com moedas de ouro. Nos quadrados. Púrpura e branco. Em ambos. – E estudou os pés dela.
– Há uma história por trás dessas moedas – disse Tyrion. – Sem dúvida Pod a confidenciará um dia aos seus dedos dos pés. Agora, porém, somos esperados no Salão de Baile da Rainha. Vamos?
Sansa sentiu-se tentada a pedir para não ir. Podia lhe dizer que tenho um incômodo na barriga, ou que o sangue da lua chegou. Nada desejava mais do que voltar a se enfiar na cama e puxar as cortinas. Tenho de ser corajosa, como Robb, disse a si mesma, ao dar rigidamente o braço ao senhor seu esposo.
No Salão de Baile da Rainha quebraram o jejum com bolinhos de mel assados com amoras silvestres e nozes, fatias de presunto defumado, iscas de peixe empanadas, bacon, peras de outono e um prato dornês de cebolas, queijo e fatias de ovo cozido com malaguetas.
– Nada como um café da manhã robusto para despertar o apetite para o banquete de setenta e sete pratos que se seguirá – comentou Tyrion enquanto os criados enchiam seus pratos. Havia jarros de leite, de hidromel e de um vinho dourado, leve e doce para empurrar a refeição para baixo. Músicos vagueavam por entre as mesas, com gaitas, flautas e rabecas, enquanto Sor Dontos galopava pela sala em seu cavalo de pau de vassoura e o Rapaz Lua fazia ruídos de peido com as bochechas e cantava canções rudes sobre os convidados.
Sansa reparou que Tyrion quase não tocou na comida, embora tivesse bebido várias taças de vinho. Quanto a si, experimentou um pouco dos ovos dorneses, mas as malaguetas queimaram sua boca. Além deles, limitou-se a beliscar a fruta, o peixe e os bolinhos de mel. Cada vez que Joffrey olhava para ela, sentia a barriga tão agitada que era como se tivesse engolido um morcego.
Depois de tirarem a mesa, a rainha presenteou solenemente Joffrey com o manto de esposa com que envolveria os ombros de Margaery.
– É o manto que eu usei quando Robert me tomou como sua rainha, o mesmo manto que a minha mãe, a Senhora Joanna, usou quando se casou com o senhor meu pai. – Sansa pensou que parecia puído, a bem da verdade, mas talvez fosse por ter sido tão usado.
Então chegou a hora dos presentes. Era tradição da Campina dar presentes à noiva e ao noivo na manhã de seu casamento; no dia seguinte receberiam mais presentes como casal, mas as prendas naquele dia eram para cada um individualmente.
De Jalabhar Xho, Joffrey recebeu um grande arco de madeira dourada e uma aljava cheia de longas flechas com penas verdes e escarlates; da Senhora Tanda, um par de botas flexíveis de montar; de Sor Kevan, uma magnífica sela para justas feita de couro vermelho; um broche de ouro vermelho, trabalhado em forma de escorpião, foi dado pelo dornês, o Príncipe Oberyn; recebeu esporas de prata de Sor Addam Marbrand; um pavilhão de torneio em seda vermelha foi o presente de Lorde Mathis Rowan. Lorde Paxter Redwyne apresentou uma bela maquete em madeira da galé de guerra de duzentos remos que estava sendo construída naquele momento na Árvore.
– Se agradar a Vossa Graça, vai se chamar Valor do Rei Joffrey – disse ele, e Joff concedeu que estava muito agradado de fato.
– Farei dele meu navio almirante quando zarpar para Pedra do Dragão a fim de matar meu tio traidor, Stannis – disse.
Ele hoje se faz de rei atencioso. Sansa sabia que Joffrey podia ser galante quando lhe convinha, mas parecia convir-lhe cada vez menos. E de fato, toda a sua cortesia desapareceu de imediato quando Tyrion lhe entregou o seu presente: um enorme livro antigo intitulado Vidas de quatro reis, encadernado em couro e magnificamente recheado de iluminuras. O rei folheou-o sem qualquer interesse.
– E o que é isto, tio?
Um livro. Sansa perguntou a si mesma se Joffrey movia aqueles seus gordos lábios vermiformes quando lia.