Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Ora, ora – disse Holmes suavemente –, errar é humano, e pelo menos ninguém pode acusá-lo de ter sido um criminoso insensível. Talvez fosse mais fácil para você se eu contasse ao sr. Soames o que aconteceu, e você poderia me corrigir se eu estiver errado. Posso fazer isso? Bem, não se preocupe em responder. Ouça, e verá que não lhe farei nenhuma injustiça.
– Desde o momento, sr. Soames, em que me disse que ninguém, nem mesmo Bannister, poderia ter contado que os papéis estavam em seu escritório, o caso começou a tomar uma forma definida em minha mente. O impressor, é claro, pode ser descartado. Ele poderia examinar os papéis em sua própria gráfica. Do indiano também não desconfiei. Se as provas estivessem num maço, ele provavelmente não poderia saber o que eram. Por outro lado, parecia uma coincidência incrível que um homem ousasse entrar no aposento, e que por acaso fosse no dia exato em que os papéis estavam na mesa. O homem que entrou sabia que os papéis estavam ali. Como foi que soube?
– Quando me aproximei de seu escritório, examinei a janela. O senhor me advertiu, supondo que eu estivesse pensando na possibilidade de que alguém, à luz do dia, sob as vistas de todas aquelas salas em frente, tivesse forçado a entrada por ali. Essa idéia era absurda. Eu estava medindo a altura que um homem precisaria ter para ver, ao passar, que papéis estavam na mesa central. Tenho 1,80 metro de altura, e consegui fazer isso com esforço. Ninguém mais baixo teria possibilidade. Agora vê que tinha razão em pensar que, se um de seus três estudantes fosse um homem de altura incomum, ele seria o observador mais provável.
– Entrei e lhe fiz confidências a respeito das sugestões sobre a mesinha do canto. Da mesa central não pude deduzir nada, até que, na sua descrição de Gilchrist, o senhor mencionou que ele era um atleta de salto em distância. Então a coisa toda ficou clara para mim num instante, e só precisei de algumas provas para confirmar, que obtive rapidamente.
– O que ocorreu foi isto: este rapaz passara a tarde na pista de atletismo, onde esteve praticando saltos. Voltou carregando seus tênis para saltos, que têm, como sabe, várias travas pontudas. Ao passar por sua janela, viu, por causa de sua grande estatura, essas provas sobre a mesa, e imaginou o que seriam. Não teria ocorrido nada de mal se ele, ao passar por sua porta, não tivesse notado a chave que fora esquecida pelo descuido do criado. Um súbito impulso o impeliu a entrar e ver se eram realmente as provas. Não era uma expedição perigosa, porque podia dizer simplesmente que entrara para fazer uma pergunta.
– Bem, quando viu que eram de fato as provas, foi impelido pela tentação. Colocou seus tênis sobre a mesa. O que foi que pôs naquela cadeira perto da janela?
– Luvas – disse o jovem.
Holmes olhou de modo triunfante para Bannister. – Deixou as luvas na cadeira e pegou as provas, folha por folha, para copiá-las. Pensou que o tutor iria voltar pelo portão principal, e que poderia vê-lo. Como sabemos, ele voltou pelo portão lateral. De repente o ouviu perto da porta. Não havia escapatória possível. Esqueceu as luvas, mas pegou os tênis e correu para dentro do quarto. Note que o arranhão na mesa é superficial de um lado, mas profundo na direção da porta do quarto. Só isso é suficiente para nos mostrar que o tênis foi puxado naquela direção, e que o culpado se refugiou lá. A terra que estava em volta da trava foi deixada na mesa, e uma segunda amostra amoleceu e caiu no quarto. Posso acrescentar que fui à pista de atletismo esta manhã, vi que a argila preta pegajosa é usada na pista de saltos, e levei uma amostra dela, juntamente com um pouco do pó de serra ou casca fina que se joga sobre ela para evitar que o atleta escorregue. Falei a verdade, sr. Gilchrist?
O estudante estava em pé.
– Sim, senhor, é verdade – disse.
– Meu Deus! Não tem mais nada a dizer? – exclamou Soames.
– Sim, senhor, tenho, mas o choque desta revelação vergonhosa me desnorteou. Tenho aqui uma carta, sr. Soames, que escrevi para o senhor de madrugada, no meio de uma noite sem sossego. Foi antes de saber que minha falta fora descoberta. Aqui está, senhor. Verá que disse “Decidi não prestar esse exame. Ofereceram-me um cargo na Polícia da Rodésia, e vou partir para a África do Sul imediatamente”.
– Estou realmente contente por ouvir que você não pretendia tirar proveito de sua vantagem injusta – disse Soames. – Mas por que mudou de idéia?
Gilchrist apontou para Bannister.
– Ali está o homem que me colocou no caminho certo – disse.
– Vejamos agora, Bannister – disse Holmes. – Deve estar claro para você, pelo que eu falei, que só você poderia ter deixado este jovem sair, já que ficou no escritório, e deve ter trancado a porta quando saiu. Quanto à fuga dele pela janela, era inacreditável. Pode esclarecer este último detalhe do mistério e nos dizer o motivo desse seu ato?
– Seria muito simples, senhor, se soubesse, mas, com toda a sua esperteza, era impossível que pudesse saber. Houve um tempo, senhor, em que fui mordomo do velho sir Jabez Gilchrist, o pai deste jovem cavalheiro. Quando ficou arruinado, vim para a faculdade como criado, mas nunca me esqueci de meu antigo patrão só porque ele estava em má situação. Cuidei de seu filho o máximo que pude, em nome dos velhos tempos. Bem, senhor, quando entrei neste quarto ontem, quando o alarme foi dado, a primeira coisa que vi foram as luvas de couro do sr. Gilchrist em cima daquela cadeira. Conhecia bem aquelas luvas e compreendi sua mensagem. Se o sr. Soames as visse, tudo estaria acabado. Voei para aquela cadeira, e nada me tirou de lá até que o sr. Soames correu para ir procurá-lo. Então saiu o pobre patrãozinho, com quem eu brincara, pulando nos meus joelhos, e confessou tudo para mim. Não seria natural, senhor, que o salvasse, e também não seria natural que eu tentasse falar com ele da mesma maneira que seu pai o faria, e o fizesse compreender que não poderia se beneficiar de um ato desses? Pode me condenar, senhor?
– Não, realmente – disse Holmes com veemência, levantando-se. – Bem, Soames, creio que esclarecemos seu probleminha, e nosso café-da-manhã nos espera em casa. Venha, Watson! Quanto a você, rapaz, acredito que um futuro brilhante o espera na Rodésia. Uma vez você se rebaixou. Vamos ver no futuro, a que altura pode chegar.
a aventura do pincenê dourado
Quando olho para os três grandes volumes manuscritos que contêm nosso trabalho no ano de 1894, confesso que é difícil para mim, em meio a material tão vasto, selecionar os casos mais interessantes e, ao mesmo tempo, mais adequados para demonstrar os talentos especiais que fizeram a fama do meu amigo. Ao virar as páginas, vejo as anotações sobre a história repulsiva da vela vermelha e a morte terrível de Crosby, o banqueiro. Aqui também encontro um relato da tragédia de Addleton, e o estranho conteúdo do antigo túmulo inglês. O famoso caso da sucessão de Smith-Mortimer também ocorreu neste período, assim como a perseguição e a prisão de Huret, o assassino do boulevard – façanha que rendeu a Holmes uma carta de agradecimentos assinada pelo presidente da França e a Ordem da Legião de Honra. Cada um desses poderia ser uma narrativa, mas, no todo, acho que nenhum deles reúne tantos detalhes singulares de
interesse quanto o episódio de Yoxley Old Place, que inclui não somente a morte lamentável do jovem Willoughby Smith, mas também os acontecimentos subseqüentes que lançaram uma curiosa luz sobre as causas do crime.
Era uma noite violenta de tempestade, no fim de novembro. Holmes e eu ficáramos sentados em silêncio durante toda a noite, ele ocupado com uma lente poderosa, decifrando os remanescentes da inscrição original de um palimpsesto, eu mergulhado num tratado recente sobre cirurgia. Lá fora o vento soprava na Baker Street, enquanto a chuva batia com força nas janelas. Era estranho ali, no centro da cidade, com 15 quilômetros de obras feitas pelo homem de cada lado, sentir o punho de ferro da natureza, e estar consciente de que, para a imensa força dos elementos, Londres inteira não era mais do que os montículos de terra que pontilham os campos. Fui até a janela e olhei para a rua deserta. As luzes ocasionais brilhavam ao longo da rua lamacenta e no pavimento reluzente. Uma única carruagem ia espalhando água no seu caminho, saindo do final da Oxford Street.