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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Pode me dizer a sua altura exata? – perguntou.

– Na verdade, sr. Holmes, não posso garantir isso. É mais alto que o indiano, não tanto quanto Gilchrist. Suponho que tenha mais ou menos 1,80 metro de altura.

– Isto é muito importante – disse Holmes. – E agora, sr. Soames, desejo-lhe uma boa noite.

Nosso guia exclamou em voz alta, surpreso e desapontado. – Meu Deus, sr. Holmes, certamente não vai me deixar assim de repente! Parece não compreender a situação. Amanhã é o exame. Tenho de tomar uma atitude definitiva esta noite. Não posso permitir que seja realizado se um dos papéis foi copiado. A situação deve ser resolvida.

– Deve deixar como está. Voltarei amanhã cedo e resolverei a questão. É possível que até lá eu esteja em condição de indicar alguma linha de ação. Enquanto isso, não mude nada – nada.

– Muito bem, sr. Holmes.

– Pode ficar tranqüilo. Certamente encontraremos uma maneira de sair desta dificuldade. Levarei a argila preta comigo, e também as pontas de lápis. Adeus.

Quando saímos na escuridão do pátio, olhamos de novo para as janelas. O indiano ainda andava pelo quarto. Os outros estavam invisíveis.

– Bem, Watson, o que acha disto? – perguntou Holmes quando chegamos à rua principal. – Quase um jogo de salão – uma espécie de brincadeira com três cartas, não? Lá estão seus três homens. Tem de ser um deles. Escolha. Qual é o seu?

– O sujeito da boca suja no último andar. É o que tem as piores notas. Mas o indiano é um rapaz ardiloso, também. Por que estaria andando pelo quarto o tempo todo?

– Não há nada demais nisso. Muitos homens fazem isso quando tentam decorar alguma coisa.

– Ele nos olhava de um modo estranho.

– E você também faria a mesma coisa se um bando de estranhos aparecesse quando estivesse se preparando para um exame no dia seguinte e cada momento fosse valioso. Não, não vejo nada de estranho nisso. Os lápis também, e facas – tudo satisfatório. Mas aquele sujeito realmente me intriga.

– Quem?

– Ora, Bannister, o criado. Qual é a jogada dele nesta história?

– Pareceu-me um homem perfeitamente honesto.

– Também tive essa impressão. Esta é a parte intrigante. Por que um homem perfeitamente honesto... Ora, ora, aqui está uma grande papelaria. Devemos começar por ali.

Havia apenas quatro papelarias ao todo, na cidade, e em cada uma Holmes apresentou suas pontas de lápis e pediu uma duplicata. Todos concordaram que era um tamanho incomum de lápis e que raramente era guardado em estoque. Meu amigo não pareceu deprimido por esse fracasso, mas deu de ombros, numa resignação meio cômica.

– Mal, meu caro Watson. Esta, a melhor e única pista definitiva, deu em nada. Mas, na verdade, tenho poucas dúvidas de que possamos construir uma prova suficiente sem ela. Por Deus! meu caro amigo, são quase 21 horas, e a senhoria falou algo sobre ervilhas às 19:30h. Assim como seu eterno tabaco, Watson, e sua irregularidade às refeições, espero que os abandone, e que eu compartilhe dessa sua derrocada – mas não antes de termos resolvido o problema do tutor nervoso, do criado descuidado e dos três estudantes empreendedores.

Holmes não fez nenhuma outra alusão ao assunto naquele dia, embora ficasse sentado, perdido em pensamentos por muito tempo após o nosso jantar atrasado. Às oito, entrou em meu quarto quando eu estava acabando de me vestir.

– Bem, Watson – disse –, é hora de irmos a St. Luke. Pode ficar sem o café-da-manhã?

– Com certeza.

– Soames ficará numa agitação terrível até que possamos lhe dizer algo de positivo.

– Tem algo de concreto para dizer a ele?

– Creio que sim.

– Chegou a uma conclusão?

– Sim, meu caro Watson, resolvi o mistério.

– Mas que nova prova você conseguiu?

– Ahá! Não foi à toa que saí da cama no horário inconveniente das seis horas. Tive duas horas de trabalho duro e percorri pelo menos 7 quilômetros com algo para mostrar depois disso. Olhe só!

Mostrou a mão. Na palma havia três pequenas pirâmides de argila preta pastosa.

– Mas, Holmes, você só tinha duas ontem.

– E mais uma esta manhã. É razoável afirmar que do lugar de onde veio a no 3 vieram também as de nos 1 e 2. Não é, Watson? Bem, vamos logo acabar com a aflição do nosso amigo Soames.

O infeliz tutor estava num estado de lamentável agitação quando o encontramos em seus aposentos. Poucas horas depois começaria o exame, e ele ainda estava no dilema entre tornar públicos os fatos ou permitir que o culpado competisse pela valiosa bolsa de estudos. Mal podia ficar parado, tão grande era a sua agitação mental, e correu para Holmes com as duas mãos ansiosamente estendidas.

– Graças aos céus que veio! Temia que tivesse desistido, em desespero. O que devo fazer? O exame deve ser realizado?

– Sim, deixe que seja feito, sem dúvida.

– Mas, e o patife?

– Ele não competirá.

– Sabem quem é?

– Creio que sim. Se esse assunto não se tornar público, devemos nos atribuir certos poderes e nos transformar em uma pequena corte marcial particular. Você aí, por favor, Soames! Watson, você aqui! Ficarei na poltrona no centro. Acho que agora estamos suficientemente imponentes para atemorizar uma mente culpada. Por gentileza, toque a campainha!

Bannister entrou e estacou com evidente surpresa e medo ante o nosso aspecto judicial.

– Por favor, feche a porta – disse Holmes. – Agora, Bannister, por favor, conte-nos a verdade sobre o incidente de ontem.

O homem ficou branco até a raiz dos cabelos.

– Eu lhe disse tudo, senhor.

– Nada para acrescentar?

– Nada, senhor.

– Bem, então devo fazer algumas sugestões ao senhor. Quando se sentou naquela cadeira ontem, foi para esconder algum objeto que estaria neste aposento?

O rosto de Bannister estava lívido.

– Não, senhor, claro que não.

– É apenas uma sugestão – disse Holmes com suavidade. – Eu admito francamente que não tenho como prová-lo. Mas me parece muito possível que, no momento em que o sr. Soames estava de costas, você tenha libertado o homem que estava escondido naquele quarto.

Bannister passou a língua nos lábios secos.

– Não havia nenhum homem, senhor.

– Ah, é uma pena, Bannister. Até agora pode ter falado a verdade, mas agora sei que mentiu.

O rosto do homem mostrou uma expressão de desafio mal-humorado.

– Não havia nenhum homem, senhor.

– Ora, ora, Bannister!

– Não, senhor, não havia ninguém.

– Nesse caso, não pode nos dar mais nenhuma informação. Poderia, por favor, permanecer no aposento? Fique ali, perto da porta do quarto. Agora, Soames, vou lhe pedir a gentileza de ir ao quarto do jovem Gilchrist, e pedir-lhe para vir até o seu.

Logo depois o tutor voltou trazendo o estudante. Era um belo tipo de homem, alto, esbelto e ágil, com andar elástico e um rosto agradável e franco. Seus olhos azuis encararam cada um de nós e por fim fixaram-se, com uma expressão de grande susto, em Bannister, no canto mais afastado.

– Por favor, feche a porta – disse Holmes. – Agora, sr. Gilchrist, estamos a sós aqui, e mais ninguém precisa saber do que se passou entre nós. Podemos perfeitamente ser francos. Queremos saber, sr. Gilchrist, como o senhor, um homem honrado, veio a cometer um ato como o de ontem?

O infeliz jovem deu um passo para atrás e lançou um olhar a Bannister, um olhar cheio de horror e reprovação.

– Não, não, sr. Gilchrist, eu não disse nem uma palavra, nem uma palavra! – exclamou o criado.

– Não, mas o fez agora – disse Holmes. – Agora, senhor, deve perceber que, depois das palavras de Bannister, sua situação é crítica, e sua única chance é uma confissão franca.

Por um momento, Gilchrist, com as mãos postas, tentou controlar seu tremor. Depois ficou de joelhos ao lado da mesa e, cobrindo o rosto com as mãos, explodiu numa torrente de soluços convulsivos.

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