Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Se era um cúmplice, por que carregaria a fotografia dele? – perguntei.
– Como um meio de localizá-lo, se quisesse saber dele por intermédio de uma terceira pessoa. Essa era a razão óbvia. Bem, depois do assassinato, calculei que Beppo provavelmente iria acelerar e não retardar seus movimentos. Ficaria com receio de que a polícia descobrisse seu segredo, e então apressou-se antes que eles pudessem chegar à sua frente. É claro que eu não podia afirmar que ele não encontrara a pérola no busto de Harker. Eu nem mesmo tinha certeza de que era a pérola, mas era evidente para mim que ele procurava alguma coisa, já que passou com o busto por outras casas para quebrá-lo num jardim que tinha um poste. Como o busto de Harker era um de três, suas chances eram exatamente como lhes disse – 2 contra 1 para a pérola estar lá dentro. Então faltavam dois bustos, e era óbvio que ele iria primeiro para o busto de Londres. Avisei os moradores da casa, para evitar uma segunda tragédia, e fomos até lá, com os melhores resultados. Nessa ocasião, é claro, eu tinha certeza de que era a pérola dos Bórgias aquilo que estávamos procurando. O nome do homem assassinado ligava um fato ao outro. Só restava um busto – o de Reading – e a pérola tinha de estar lá. Eu o comprei do dono na presença de vocês – e aqui está.
Ficamos em silêncio por um instante.
– Bem – disse Lestrade –, já o vi lidar com muitos casos, sr. Holmes, mas nunca vi um tão primoroso como este. Não temos ciúmes do senhor na Scotland Yard. Não, estamos muito orgulhosos do senhor, e se for lá amanhã, não haverá um único homem, do inspetor mais antigo ao guarda mais novo, que não ficará contente em lhe apertar as mãos.
– Obrigado! – disse Holmes. – Obrigado! – e quando se virou, tive a impressão de que estava mais comovido pelas suaves emoções humanas do que jamais o vira. Logo depois, ele voltava a ser o pensador frio e prático de sempre. – Guarde a pérola no cofre, Watson – disse – e tire os papéis do caso de falsificação da Conk-Singleton. Adeus, Lestrade. Se esbarrar em algum probleminha, ficarei feliz se puder lhe dar uma ou duas pistas para a solução.
a aventura dos três estudantes
Foi no ano de 1895 que uma combinação de fatos, que não preciso mencionar, fez com que Sherlock Holmes e eu passássemos algumas semanas numa de nossas grandes cidades universitárias, e foi durante esse período que a pequena mas instrutiva aventura que estou prestes a relatar nos aconteceu. É óbvio que qualquer detalhe que ajudasse o leitor a identificar exatamente o colégio ou o criminoso seria imprudente e ofensivo. Um escândalo tão doloroso deve poder ser esquecido. Mas, com a devida discrição, o incidente pode ser descrito, já que serve para ilustrar algumas daquelas qualidades pelas quais meu amigo era notável. Tentarei, no meu relato, evitar termos que sirvam para limitar os acontecimentos a um lugar específico, ou dar uma pista sobre as pessoas envolvidas.
Estávamos morando naquela época em aposentos mobiliados perto de uma biblio-
teca onde Sherlock Holmes fazia algumas pesquisas trabalhosas em antigos documentos ingleses – pesquisas que levaram a resultados tão chocantes que podem até ser objeto de uma de minhas futuras narrativas. Assim estávamos, quando numa noite recebemos a visita de um conhecido, o sr. Hilton Soames, tutor e professor do Colégio de St. Luke. O sr. Soames era um homem alto e magro, de temperamento nervoso e excitável. Sempre soube que ele era irrequieto, mas nessa ocasião em particular estava numa agitação tão incontrolável que era evidente que algo incomum ocorrera.
– Espero, sr. Holmes, que possa dispor de algumas horas de seu valioso tempo. Tivemos um incidente muito doloroso em St. Luke, e na verdade, não fosse pelo feliz acaso de sua presença na cidade, eu não saberia o que fazer.
– Estou muito ocupado agora, e não quero ser perturbado – respondeu meu amigo. – Preferiria que pedisse a ajuda da polícia.
– Não, não, meu caro senhor; isso é totalmente impossível. Quando a lei é chamada, não se pode voltar atrás, e este é um daqueles casos em que, pela boa reputação do colégio, é essencial evitar um escândalo. Sua discrição é tão conhecida quanto seus talentos; o senhor é o único homem no mundo que pode me ajudar. Eu lhe imploro, sr. Holmes, que faça o que puder.
O estado de espírito do meu amigo não havia melhorado desde que fora privado da atmosfera familiar da Baker Street. Sem seus cadernos de anotações, seus produtos químicos e sua desorganização doméstica, era um homem desagradável. Encolheu os ombros numa concordância rude, enquanto nosso visitante despejava sua história com palavras apressadas e uma gesticulação agitada.
– Devo lhe explicar, sr. Holmes, que amanhã é o primeiro dia do exame para a Bolsa de Estudos Fortescue. Sou um dos examinadores. Minha matéria é o grego, e o primeiro teste consiste num grande trecho de tradução grega que o candidato nunca viu. Este trecho é impresso no papel da prova e naturalmente seria uma imensa vantagem se o candidato pudesse prepará-lo antes. Por esse motivo tomamos muito cuidado para que o papel seja mantido em segredo.
– Hoje, por volta das 15 horas, as provas do exame chegaram dos impressores. O exercício consiste em meio capítulo de Tucídides. Eu tinha de lê-lo com cuidado, para que o teste estivesse absolutamente correto. Às 16:30h minha tarefa ainda não estava concluída. Mas eu havia prometido tomar chá no aposento de um amigo, de modo que deixei a prova sobre a minha escrivaninha. Fiquei ausente por mais de uma hora.
– O senhor sabe, sr. Holmes, que as portas do nosso colégio são duplas – por dentro uma folha verde e por fora uma pesada de carvalho. Ao me aproximar da porta de fora, fiquei surpreso ao ver uma chave nela. Por um momento pensei que deixara minha própria chave ali, mas, sentindo-a no meu bolso, achei que estava tudo bem. A única duplicata que existia, pelo que sabia, era a que pertencia ao meu criado, Bannister – um homem que cuida de meu aposento há dez anos, e cuja honestidade está absolutamente acima de suspeita. Descobri que a chave era de fato dele, que ele entrara no meu quarto para saber se eu queria chá, e que a deixara por descuido na porta quando saiu. Sua entrada no meu quarto deve ter ocorrido poucos minutos após eu ter saído. O esquecimento da chave não teria importância em qualquer outra ocasião, mas nesse dia provocou as conseqüências mais deploráveis.
– No instante em que olhei para a mesa, percebi que alguém mexera nos papéis. A prova tinha três folhas longas. Eu as deixara todas juntas. Mas encontrei uma no chão, outra na mesinha perto da janela, e a terceira estava onde a deixara.
Holmes mexeu-se pela primeira vez.
– A primeira página no chão, a segunda na janela, a terceira onde o senhor a deixara – disse.
– Exato, sr. Holmes. O senhor me surpreende. Como pode saber disso?
– Por favor, continue seu relato.
– Por um instante imaginei que Bannister tomara a liberdade imperdoável de examinar meus papéis. Mas ele negou isso com a maior honestidade, e estou convencido de que falava a verdade. A alternativa era a de que alguém que passava viu a chave na porta, soube que eu havia saído e entrou para ver os papéis. Uma grande soma de dinheiro está em jogo, pois a bolsa de estudos é muito valiosa e um homem inescrupuloso poderia muito bem se arriscar a fim de obter uma vantagem sobre seus colegas.