Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
ocupara sua atenção, começando com a famosa investigação da morte súbita do cardeal Tosca – uma investigação realizada por ele segundo o desejo expresso de Sua Santidade o papa – até a prisão de Wilson, o notório treinador de canários, que eliminou uma fonte de corrupção do extremo leste de Londres. Logo após estes dois casos famosos veio a tragédia de Woodman’s Lee, e as circunstâncias misteriosas que cercaram a morte do capitão Peter Carey. Nenhum registro dos feitos do sr. Sherlock Holmes estaria completo se não incluísse um relato deste caso incomum.
Durante a primeira semana de julho, meu amigo se ausentava com tanta freqüência e por tanto tempo que eu percebi que estava metido em alguma coisa. O fato de que vários homens de aparência rude aparecessem durante esse período perguntando pelo capitão Basil me fez compreender que Holmes estava trabalhando em algum lugar usando um dos seus numerosos disfarces e nomes com os quais ocultava sua identidade. Ele tinha pelo menos cinco pequenos refúgios em áreas diferentes de Londres, nos quais podia mudar de personalidade. Ele não me falou nada a respeito desse negócio, e eu não tinha o costume de forçar uma confidência. O primeiro sinal positivo que ele me deu do rumo que sua investigação estava tomando foi algo extraordinário. Holmes saíra antes do café-da-manhã e eu havia me sentado para tomar o meu quando ele entrou apressado na sala, com o chapéu na cabeça e uma lança enfiada como um guarda-chuva debaixo do braço.
– Meu Deus, Holmes! – exclamei. – Você não vai me dizer que estava andando aí por Londres com essa coisa.
– Fui até o açougue e voltei.
– O açougue?
– E voltei com muito apetite. Não se pode duvidar, meu caro Watson, do valor do exercício antes do café-da-manhã. Mas posso apostar que você não vai adivinhar que tipo de exercício eu fiz.
– Nem vou tentar.
Holmes deu uma risadinha enquanto se servia de café.
– Se você tivesse observando os fundos da loja de Allardyce, teria visto um porco morto pendurado em um gancho preso no teto, e um cavalheiro em mangas de camisa perfurando-o furiosamente com esta arma. Eu era essa pessoa vigorosa, e fiquei satisfeito por constatar que, sem usar a minha força, eu consigo trespassar o porco com um só golpe. Será que você gostaria de tentar?
– De jeito nenhum. Mas por que estava fazendo isso?
– Porque eu achava que tinha uma ligação indireta com o mistério de Woodman’s Lee. Ah, Hopkins, recebi seu telegrama ontem à noite e estava esperando você. Entre e sente-se conosco.
Nosso visitante era um homem extremamente atento, de 30 anos, vestido com um discreto terno de tweed, mas que conservava a postura ereta de alguém acostumado a usar uniforme. Eu reconheci logo Stanley Hopkins, um jovem inspetor de polícia, em cujo futuro Holmes tinha grandes esperanças, enquanto ele, por sua vez, demonstrava a admiração e o respeito de um aluno pelos métodos científicos do famoso amador. O rosto de Hopkins estava com uma expressão sombria, e ele se sentou com um ar de profundo desânimo.
– Não, obrigado, senhor. Eu tomei café antes de vir para cá. Passei a noite na cidade, porque vim ontem para fazer um relato.
– E o que você tinha para relatar?
– Um fracasso, senhor, um fracasso completo.
– Não fez nenhum progresso?
– Nenhum.
– Meu Deus! Preciso examinar esse assunto.
– Gostaria que fizesse isso, sr. Holmes. É a minha primeira grande oportunidade, e eu não sei o que fazer. Pelo amor de Deus, venha me dar uma ajuda.
– Bem, bem, acontece que eu já li todos os depoimentos disponíveis, inclusive o relatório da investigação, com certo cuidado. Por falar nisso, o que acha daquela bolsa para tabaco encontrada no local do crime? Não há nenhuma pista ali?
Hopkins pareceu surpreso.
– A bolsa era do próprio homem. Suas iniciais estavam do lado de dentro. E era de pele de foca – e ele era um velho caçador de focas.
– Mas ele não tinha cachimbo.
– Não, senhor, não encontramos nenhum cachimbo. Na verdade, ele fumava muito pouco, e mesmo assim ele podia guardar um pouco de fumo para os seus amigos.
– Sem dúvida. Eu só mencionei isso porque, se eu estivesse lidando com o caso, usaria isso como ponto de partida da minha investigação. Mas o meu amigo, o dr. Watson, não sabe nada a respeito deste assunto, e não me faria mal nenhum ouvir novamente a seqüência dos fatos. Faça um resumo dos pontos principais.
Stanley Hopkins tirou um pedaço de papel do bolso.
– Tenho aqui algumas datas que lhes mostrarão a carreira do homem morto, o capitão Peter Carey. Nasceu em 1845 – 50 anos de idade. Era o mais ousado e bem-sucedido caçador de focas e baleias. Em 1883 comandou o pesqueiro a vapor Sea Unicorn, de Dundee. Fez então várias viagens sucessivas com êxito e no ano seguinte, 1884, se aposentou. Depois disso, viajou durante alguns anos e finalmente comprou uma pequena propriedade chamada Woodman’s Lee, perto de Forest Row, no Sussex. Viveu ali durante seis anos e lá morreu há uma semana.
– Havia alguns detalhes muito estranhos sobre o homem. Na sua vida comum, era um puritano convicto – um sujeito silencioso e sombrio. Ele morava com a esposa, sua filha de 20 anos e duas criadas. Estas duas eram trocadas constantemente, porque a situação nunca era muito animadora, e às vezes ficava insustentável. O homem estava permanentemente bêbado e, quando lhe subia à cabeça, era um perfeito demônio. Sabia-se que levava a esposa e a filha para fora de casa no meio da noite e as açoitava no parque até que a vila inteira fosse despertada pelos gritos delas.
– Uma vez ele foi intimado por causa de uma tentativa feroz de agressão contra o velho vigário, que fora visitá-lo para queixar-se de sua conduta. Em suma, sr. Holmes, teria de procurar muito para encontrar um homem mais perigoso que Peter Carey, e ouvi dizer que agia da mesma maneira quando comandava seu navio. Era conhecido pelo apelido de Black Peter, e recebeu o nome não só por causa de sua tez morena e a cor de sua barba imensa, mas também por suas extravagâncias que eram o terror de todos à sua volta. Não preciso dizer que era detestado e evitado por todos os vizinhos, e que não ouvi uma só palavra de pesar sobre seu fim terrível.
– Deve ter lido no relatório do inquérito sobre a cabine do homem, sr. Holmes, mas talvez seu amigo não saiba disso: ele mesmo construiu uma casinha de madeira – sempre a chamou de “cabine” – a algumas centenas de metros de sua casa, e era ali que dormia todas as noites. Era uma cabana pequena de um único cômodo de 5 metros por 3. Guardava a chave no bolso, fazia sua própria cama, ele mesmo a limpava e não permitia que outros pés atravessassem a soleira. Ela tem janelas pequenas de cada lado, cobertas por cortinas e que nunca são abertas. Uma dessas janelas dava para a estrada principal e quando havia luz ali à noite, as pessoas a apontavam para os outros e ficavam imaginando o que Black Peter estaria fazendo. Esta é a janela, sr. Holmes, que nos deu um dos poucos fragmentos de evidência que apareceram no inquérito.
– O senhor lembra que um pedreiro chamado Slater, que vinha a pé de Forest Row por volta de uma hora – dois dias antes do assassinato –, parou ao passar por perto e olhou para o quadrado de luz que ainda brilhava por entre as árvores. Ele jura que a sombra da cabeça de um homem de perfil era claramente visível na cortina, e que esta sombra com certeza não era a de Peter Carey, que ele conhecia bem. Era a de um homem com barba, mas essa barba era curta e eriçada para a frente de um modo diferente da do capitão. É o que ele diz, mas tinha ficado durante duas horas no bar e há uma certa distância entre a estrada e a janela. Além disso, isto se refere à segunda-feira e o crime foi cometido na quarta.
– Na terça, Peter Carey estava num de seus piores humores, inflamado pela bebida e tão selvagem quanto uma perigosa besta danada. Ficou perambulando pela casa e as mulheres corriam quando o ouviam chegar. Tarde da noite, foi para sua própria cabana. Por volta das duas horas, sua filha, que dormia com a janela aberta, ouviu um grito de pavor vindo daquela direção, mas não era raro ele rosnar e gritar quando estava bêbado, de modo que ela não tomou conhecimento. Ao se levantar às sete horas, uma das criadas notou que a porta da cabana estava aberta, mas era tão grande o terror que o homem inspirava que só ao meio-dia alguém se arriscaria a ir ver o que acontecera com ele. Espreitando pela porta aberta, tiveram uma visão que as fez vir correndo, com os rostos pálidos, para a vila. Em uma hora eu estava no local e já assumia o comando do caso.