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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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– Meu pai foi o verdadeiro atingido. Dawson se aposentara. Eu tinha apenas 10 anos de idade naquela época, mas era suficientemente crescido para sentir a vergonha e o horror de tudo aquilo. Sempre se disse que meu pai roubou todos os títulos e fugiu. Não é verdade. Ele acreditava que se lhe dessem tempo para vendê-los, tudo ficaria bem e todos os credores seriam pagos integralmente. Partiu em seu pequeno iate para a Noruega um pouco antes de ser expedido o seu mandado de prisão. Posso me lembrar da última noite, quando deu adeus à minha mãe. Ele nos deixou uma lista dos títulos que estava levando e jurou que voltaria com sua honra limpa, e que nenhum dos que confiaram nele iria sofrer. Bem, nunca mais se ouviu falar nele. Tanto ele como o iate sumiram completamente. Acreditávamos, minha mãe e eu, que os dois, com os títulos que levavam, estavam no fundo do mar. Mas tínhamos um amigo fiel, que é um homem de negócios, e foi ele quem descobriu pouco tempo atrás que alguns dos títulos que estavam com meu pai reapareceram no mercado de Londres. Vocês podem imaginar nossa surpresa. Passei meses procurando-os e por fim, depois de muitas dúvidas e dificuldades, descobri que o vendedor original fora o capitão Peter Carey, o dono desta cabana.

– Naturalmente fiz algumas investigações sobre o homem. Descobri que esteve no comando de uma baleeira que voltava dos mares do Ártico na mesma época em que meu pai atravessava para a Noruega. O outono daquele ano foi tempestuoso, e houve uma longa sucessão de ventos fortes ao sul. O iate de meu pai pode muito bem ter sido empurrado para o norte pelos ventos e lá ter sido encontrado pelo barco do capitão Peter Carey. Se foi assim, o que aconteceu com meu pai? De qualquer modo, se pudesse mostrar, pelo testemunho de Peter Carey, como estes títulos chegaram ao mercado, seria uma prova de que meu pai não os vendeu e que não visava ao lucro pessoal quando os levou.

– Vim para Sussex com a intenção de ver o capitão, mas foi nessa ocasião que ocorreu sua morte terrível. Li no inquérito uma descrição da cabine dele que dizia que velhos diários de bordo de sua embarcação eram conservados ali. Ocorreu-me que, se pudesse ver o que aconteceu no mês de agosto de 1883 a bordo do Sea Unicorn, poderia esclarecer o mistério do destino de meu pai. Na noite passada tentei chegar a esses diários, mas não consegui abrir a porta. Esta noite tentei de novo e consegui, mas descobri que as páginas relativas àquele mês haviam sido arrancadas do livro. Foi naquele momento que me vi prisioneiro em suas mãos.

– Isso é tudo? – perguntou Hopkins.

– Sim, isso é tudo. – Seus olhos se esquivaram quando falou.

– Não tem mais nada a nos dizer?

Ele hesitou.

– Não, não há nada.

– Não esteve aqui antes da noite passada?

– Não.

– Então, como explica isso? – exclamou Hopkins, enquanto mostrava o caderninho acusador, com as iniciais de nosso prisioneiro na primeira página e a mancha de sangue na capa.

O pobre rapaz desmoronou. Mergulhou o rosto nas mãos e tremia todo.

– Onde o conseguiu? – murmurou. – Não sabia. Pensei que o perdera no hotel.

– Isso é o suficiente – disse Hopkins com frieza. – O que quer que ainda tenha a dizer, o fará no tribunal. Virá comigo até a delegacia. Bem, sr. Holmes, estou muito agradecido ao senhor e ao seu amigo por terem vindo me ajudar. Sua presença acabou sendo desnecessária, e eu teria chegado a este final bem-sucedido sem o senhor, mas mesmo assim estou grato. Foram reservados quartos para vocês no Hotel Brambletye, de modo que podemos ir juntos até a vila.

– Bem, Watson, o que acha disso? – perguntou Holmes, na viagem de volta na manhã seguinte.

– Posso ver que não está satisfeito.

– Oh, sim, meu caro Watson, estou perfeitamente satisfeito. Ao mesmo tempo, os métodos de Stanley Hopkins não me inspiram confiança. Estou decepcionado com Stanley Hopkins. Eu esperava uma atuação melhor dele. Deve-se procurar sempre uma possível alternativa, e se precaver contra ela. É a primeira regra da investigação criminal.

– Qual é então a alternativa?

– A linha de investigação que eu mesmo venho seguindo. Pode não dar em nada. Não poderia dizer. Mas pelo menos eu a seguirei até o fim.

Várias cartas estavam esperando por Sherlock Holmes em Baker Street. Pegou uma delas, abriu-a e explodiu numa risada de regozijo triunfante.

– Excelente, Watson! A alternativa progride. Tem formulários de telegramas? Escreva algumas mensagens para mim: “Sumner, Agência de barcos, estrada Ratcliff. Mande três homens, para chegar amanhã de manhã. – Basil.” Este é o meu nome por aqueles lados. A outra é: “Inspetor Stanley Hopkins, 46, Lord Street, Brixton. Venha para o café-da-manhã amanhã às 9:30h. Importante. Telegrafar se não puder. – Sherlock Holmes.” É, Watson, este caso infernal me prendeu por dez dias. Com isto eu o tirarei completamente da minha presença. Amanhã acredito que ouviremos falar nele pela última vez.

Exatamente na hora marcada o inspetor Stanley Hopkins apareceu e nos sentamos para tomar o ótimo café-da-manhã que a sra. Hudson preparara. O jovem detetive estava de bom humor por causa de seu êxito.

– Tem certeza de que sua solução é a correta? – perguntou Holmes.

– Não poderia imaginar um caso mais completo.

– Não me parece conclusivo.

– O senhor me espanta, sr. Holmes. O que mais alguém poderia querer?

– Sua explicação abrange todos os pontos?

– Sem dúvida alguma. Descobri que o jovem Neligan chegou ao Hotel Brambletye no mesmo dia do crime. Veio com o falso objetivo de jogar golfe. Seu quarto era no primeiro andar, e podia sair quando quisesse. Naquela noite foi ao Woodman’s Lee, viu Peter Carey na cabana, discutiu com ele e o matou com o arpão. Depois, horrorizado com o que fizera, fugiu da cabana, deixando cair o caderno de anotações que levara para interrogar Peter Carey sobre os diferentes títulos. Deve ter observado que alguns deles estavam marcados com um ponto, e os outros – a grande maioria – não. Os que estão marcados foram encontrados no mercado de Londres, mas os outros, presumivelmente, ainda estavam com Carey, e o jovem Neligan, de acordo com seu próprio depoimento, estava ansioso para reavê-los a fim de fazer a coisa certa pelos credores de seu pai. Depois de sua fuga, ele não ousou se aproximar da cabana durante algum tempo, mas por fim obrigou-se a fazer isso para obter a informação de que precisava. Tudo isto não é simples e óbvio?

Holmes sorriu e balançou a cabeça.

– Parece haver um único senão, Hopkins: que isto é intrinsecamente impossível. Já tentou enfiar um arpão num corpo? Não? Tsc, tsc, meu caro deve realmente prestar atenção nestes detalhes. Meu amigo Watson poderia contar-lhe que passei uma manhã inteira nesse exercício. Não é fácil, e requer um braço forte e experiente. Mas este golpe foi dado com tanta violência que a ponta da arma cravou-se profundamente na parede. Você imagina que esse jovem anêmico seria capaz de um ataque tão assustador? É ele o homem que bebeu rum e água com Peter Carey na calada da noite? Era dele o perfil visto na cortina duas noites antes? Não, não, Hopkins, é uma pessoa diferente e mais terrível a que devemos procurar.

O rosto do detetive ficava cada vez mais decepcionado enquanto Holmes falava. Suas esperanças e ambições iam por água abaixo. Mas não abandonaria sua posição sem luta.

– Não pode negar que Neligan estava presente naquela noite, sr. Holmes. O livro provará isso. Imagino que tenho provas suficientes para satisfazer a um júri, mesmo que o senhor esteja em condições de achar defeitos nelas. Além disso, sr. Holmes, pus a mão no meu homem. Quanto a esta pessoa terrível do senhor, onde está?

– Creio que está lá embaixo – disse Holmes com serenidade. – Acho, Watson, que seria bom pôr aquele revólver ao alcance da mão. – Levantou-se e deixou um pedaço de papel escrito sobre a mesa. – Agora estamos prontos – disse.

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