Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Bem, sr. Holmes, era esta a situação quando o vi pela primeira vez, dois dias atrás. Não tinha a menor idéia da verdade, tanto quanto o senhor. O senhor me perguntará qual foi o motivo que levou James a praticar tal ato. Respondo que havia muito de irracional e fanático no ódio que nutria por meu herdeiro. Do seu ponto de vista, ele próprio deveria ser o herdeiro de todas as minhas propriedades, e se ressentia profundamente das leis sociais que tornavam isto impossível. Ao mesmo tempo, tinha também uma razão definitiva. Estava ansioso para que eu rompesse o vínculo, e achava que tinha poder para isso. Queria fazer uma barganha comigo – devolver Arthur se eu rompesse o vínculo, e assim deixar-lhe os meus bens por meio de testamento. Ele sabia que eu não pediria de boa vontade a ajuda da polícia. Digo que ele iria me propor essa barganha; mas, na verdade, não fez isso, porque os acontecimentos se precipitaram e ele não teve tempo de pôr em prática os seus planos.
– O que arruinou todo este plano perverso foi a sua descoberta do corpo desse tal Heidegger. James ficou horrorizado com a notícia. Soubemos ontem, quando estávamos juntos neste escritório. O dr. Huxtable mandou um telegrama. James foi dominado por tanto remorso e agitação que as minhas suspeitas, que nunca estiveram inteiramente ausentes, transformaram-se no mesmo instante em certeza, e eu o acusei do ato. Fez uma confissão completa e voluntária. Depois me implorou que eu guardasse seu segredo por três dias, a fim de dar ao seu desventurado cúmplice uma chance de salvar a vida cheia de culpa. Concordei – como sempre – às suas súplicas e imediatamente James correu até o Galo de Briga para avisar Hayes e lhe proporcionar um meio de fuga. Não podia ir lá de dia sem provocar comentários, mas, assim que a noite caiu, fui correndo ver meu querido Arthur. Encontrei-o a salvo e bem, mas horrorizado pelo terrível ato que testemunhara. De acordo com minha promessa, e contra a minha vontade, consenti em deixá-lo lá por três dias, sob os cuidados da sra. Hayes, já que era evidente a impossibilidade de informar à polícia onde ele estava sem lhes dizer também quem era o assassino, e eu não conseguia imaginar como aquele assassino poderia ser punido sem arruinar o meu infeliz James. Pediu franqueza, sr. Holmes, e cumpri a palavra, pois agora contei-lhe tudo, sem apelar para rodeios ou subterfúgios. Use da mesma franqueza comigo.
– Eu o farei – disse Holmes. – Em primeiro lugar, Sua Graça, devo dizer-lhe que se colocou numa posição muito séria aos olhos da lei. O senhor foi conivente com um delito grave e ajudou a fuga de um assassino, pois não duvido que qualquer dinheiro levado por James Wilder para ajudar seu cúmplice na fuga veio do bolso de Sua Graça.
O duque se mexeu na cadeira.
– Esta é, realmente, uma questão muito grave. Ainda mais condenável, na minha opinião, Sua Graça, é a sua atitude em relação ao seu filho mais novo. O senhor o deixou nesse antro por três dias.
– Sob promessas solenes...
– O que são promessas para pessoas como essas? O senhor não tem garantias de que ele não será levado embora novamente. Em favor do seu filho mais velho culpado, expôs seu inocente filho mais novo a um perigo iminente e desnecessário. Foi uma atitude injustificável.
O orgulho do senhor de Holdernesse não estava acostumado a ser tão ferido em sua própria residência ducal. O sangue avermelhou a sua testa alta, mas sua consciência o fez ficar mudo.
– Eu o ajudarei, mas sob uma condição. Que chame o lacaio e deixe-me dar-lhe as ordens que quiser.
Sem uma palavra, o duque pressionou a campainha. Um criado entrou.
– Ficará feliz em saber – disse Holmes – que o seu jovem patrão foi encontrado. É desejo do duque que a carruagem vá imediatamente ao hotel Galo de Briga para trazer lorde Saltire para casa.
– Agora – disse Holmes, depois que o lacaio saiu alegre –, tendo assegurado o futuro, podemos ser mais clementes com o passado. Não estou em missão oficial, e não há motivo, desde que os fins da justiça sejam cumpridos, para revelar tudo o que sei. Quanto a Hayes, não digo nada. A forca o espera e não faria nada para salvá-lo. O que ele contará não posso saber, mas não tenho dúvida de que Sua Graça poderia fazê-lo entender que é do interesse dele ficar calado. Do ponto de vista da polícia, ele teria raptado o garoto com o objetivo de pedir um resgate. Se eles não descobrirem por si mesmos, não vejo motivo para que eu os ajude a ter uma visão mais ampla. Contudo, devo avisar Sua Graça que a permanência do sr. James Wilder em sua casa só pode resultar em infortúnio.
– Sei disso, sr. Holmes, e já está acertado que ele irá embora para sempre, e tentará fazer fortuna na Austrália.
– Nesse caso, Sua Graça, desde que o senhor mesmo percebeu que toda a infelicidade do seu casamento foi causada pela presença dele, sugeriria que fizesse as correções que pudesse em relação à duquesa, e que tentasse reatar as relações que foram interrompidas de modo tão inconveniente.
– Isso também já foi resolvido, sr. Holmes. Escrevi à duquesa esta manhã.
– Então – disse Holmes, levantando-se – creio que meu amigo e eu podemos nos congratular pelos vários resultados felizes de nossa visitinha ao norte. Há um outro ponto sobre o qual desejo um esclarecimento. Esse sujeito, Hayes, ferrara seus cavalos com ferraduras que imitavam pegadas de vacas. Foi com o sr. Wilder que aprendeu este ardil tão extraordinário?
O duque ficou pensativo por um instante, com uma expressão de surpresa no rosto. Depois abriu uma porta e nos levou até um aposento amplo, decorado como um museu. Foi até uma caixa de vidro num canto, e apontou para a inscrição.
– Estas ferraduras – lia-se – foram desencavadas do fosso de Holdernesse Hall. São para o uso de cavalos, mas são moldadas embaixo com uma placa de aço, fendida, a fim de despistar perseguidores. Supõe-se que pertenceram a alguns dos barões saqueadores de Holdernesse, na Idade Média.
Holmes abriu a caixa e, umedecendo o dedo, passou-o pela ferradura. Uma fina camada de lama recente ficou em sua pele.
– Obrigado – disse, enquanto recolocava o vidro. – É a segunda coisa mais interessante que vi no norte.
– E a primeira?
Holmes dobrou seu cheque e o colocou com cuidado em seu caderno. – Sou um homem pobre – disse, enquanto o acariciava e o jogava no fundo do seu bolso interno.
a aventura de black peter
Nunca vi meu amigo em tão boa forma, tanto mental quanto física, como no ano de 1895. Sua fama crescente atraíra uma imensa clientela, e eu seria acusado de indiscrição se me referisse à identidade de alguns dos ilustres clientes que passaram pela nossa humilde soleira na Baker Street. Mas Holmes, como todos os grandes artistas, vivia pelo amor à arte e, salvo no caso do duque de Holdernesse, raramente o vi pedir uma grande recompensa pelos seus inestimáveis serviços. Ele era tão indescritível – ou tão caprichoso – que freqüentemente recusava sua ajuda ao poderoso e rico, quando o problema não o atraía, mas seria capaz de dedicar semanas da mais intensa concentração ao caso de algum cliente humilde que tivesse aquelas qualidades estranhas e dramáticas que apelavam para sua imaginação e desafiavam seu talento.
Nesse memorável ano de 1895, uma sucessão curiosa e incongruente de casos