Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Na noite de ontem, ou bem cedo esta manhã, ocorreu um incidente em Lower Norwood que aponta, como se receia, para um crime grave. O sr. Jonas Oldacre é um conhecido morador daquele subúrbio, onde, durante muitos anos, manteve seu negócio como construtor. O sr. Oldacre é solteiro, tem 52 anos de idade e mora em Deep Dene House, no terminal Sydenham da estrada do mesmo nome. Tinha fama de ser um homem excêntrico, reservado e modesto. Há alguns anos praticamente se retirou do negócio, no qual dizem que acumulou uma fortuna considerável. Entretanto, ainda existe um pequeno depósito de madeiras nos fundos da casa, e na noite passada, por volta da meia-noite, foi dado o alarme: uma pilha de lenha estava pegando fogo. Os bombeiros chegaram logo ao local, mas a madeira seca queimou com muita fúria, e não foi possível apagar o incêndio até que a pilha toda fosse consumida. Até esse ponto o fato parecia um acidente comum, mas novos indícios parecem apontar para um crime grave. Causou surpresa a ausência, no local do incêndio, do dono do estabelecimento, e procedeu-se a um interrogatório, que apurou que ele desaparecera da casa. Um exame do seu quarto revelou que a cama não fora desarrumada, o cofre que havia lá estava aberto, vários papéis importantes estavam espalhados pelo chão e, finalmente, que havia sinais de luta mortal, sendo encontrados vestígios de sangue pelo quarto, e uma bengala de carvalho, cujo cabo também mostrava manchas de sangue. Sabe-se que o sr. Jonas Oldacre recebeu em seu quarto um visitante naquela noite, e a bengala encontrada foi identificada como de propriedade desta pessoa, um jovem advogado de Londres chamado John Hector McFarlane, sócio da Graham e McFarlane, no número 426 dos edifícios Gresham, E. C. A polícia acredita dispor de indícios que fornecem um motivo bem convincente para o crime, e não há dúvida de que se farão progressos sensacionais.
MAIS TARDE:
Surgiram rumores, enquanto imprimimos, de que o sr. John Hector McFarlane já foi preso sob a acusação de assassinato do sr. Jonas Oldacre. É certo, pelo menos, que um mandado foi expedido. Existem mais indícios sinistros na investigação em Norwood. Além dos sinais de luta no quarto do infeliz construtor, sabe-se agora que as portas envidraçadas de seu quarto (que fica no primeiro andar) foram encontradas abertas; que há marcas como se um objeto grande tivesse sido atirado na pilha de madeira e, finalmente, afirma-se que restos carbonizados foram descobertos entre as cinzas do incêndio. A teoria da polícia é a de que um crime, dos mais sensacionais, foi cometido, que a vítima foi morta a pauladas em seu próprio quarto, seus papéis revirados e seu corpo sem vida jogado na pilha de madeira, que foi então acesa, para esconder todos os vestígios do crime. A condução da investigação criminal foi deixada nas mãos experientes do inspetor Lestrade, da Scotland Yard, que está seguindo as pistas com sua energia e sagacidade costumeiras.
Sherlock Holmes ouviu, de olhos fechados e com as pontas dos dedos unidas, este relato incrível.
– O caso certamente tem alguns pontos interessantes – disse ele com seu jeito indolente. – Em primeiro lugar, sr. McFarlane, posso perguntar como ainda está em liberdade, já que parece haver indícios suficientes para justificar sua prisão?
– Moro em Torrington Lodge, Blackheath, com meus pais, sr. Holmes, mas na noite passada, tendo de trabalhar até muito tarde com o sr. Jonas Oldacre, pernoitei num hotel em Norwood, e vim de lá para o trabalho. Não sabia nada sobre este caso até estar no trem, quando li o que acabou de ouvir. Percebi logo o perigo horrível da minha situação e corri para pôr o caso em suas mãos. Não tenho dúvida de que teria sido preso no escritório ou em casa. Um homem me seguiu desde a estação da Ponte de Londres e não duvido que... Meu Deus! O que é isto?
Houve um toque de campainha, seguido de passos pesados na escada. Logo depois, nosso velho amigo Lestrade apareceu à porta. Por cima do seu ombro vi um ou dois policiais uniformizados do lado de fora.
– Sr. John Hector McFarlane? – perguntou Lestrade.
Nosso infeliz cliente levantou-se, pálido.
– Prendo-o pelo assassinato premeditado do sr. Jonas Oldacre, de Lower Norwood.
McFarlane virou-se para nós com um gesto de desespero, e afundou de novo na cadeira como alguém que se sentisse derrotado.
– Um momento, Lestrade – disse Holmes. – Meia hora a mais ou a menos não fará diferença, e o cavalheiro estava para nos dar um resumo deste caso interessante e que pode nos ajudar a esclarecê-lo.
– Creio que não há dificuldade em esclarecê-lo – disse Lestrade, inflexível.
– Mas, com sua permissão, eu gostaria muito de ouvir o relato dele.
– Bem, sr. Holmes, é difícil para mim recusar-lhe qualquer coisa, pois já foi útil para a polícia uma ou duas vezes no passado, e nós lhe devemos muito na Scotland Yard – disse Lestrade. – Enquanto isso, devo ficar com o meu prisioneiro, e aviso-lhe que qualquer coisa que diga pode depor contra ele.
– Não espero nada melhor – disse nosso cliente. – Tudo que peço é que escute e reconheça a verdade absoluta.
Lestrade consultou o relógio. – Tem meia hora – avisou.
– Devo explicar primeiro – disse McFarlane – que não sabia nada sobre o sr. Jonas Oldacre. Eu o conhecia de nome porque meus pais mantinham relações com ele, mas depois se afastaram. Portanto, fiquei muito surpreso quando ontem, lá pelas 15 horas, ele entrou no meu escritório, na cidade. Mas fiquei ainda mais espantado quando me disse o objetivo de sua visita. Tinha na mão várias folhas de caderno cobertas com texto manuscrito – aqui estão – e as deixou sobre a minha mesa.
– “Aqui está o meu testamento”, disse ele. “Quero que o senhor, McFarlane, o coloque numa forma legal apropriada. Vou me sentar aqui enquanto faz isso.”
– Pus-me a copiá-lo, e o senhor pode imaginar o meu assombro quando descobri que, com algumas exceções, deixara todas as suas posses para mim. Era um homem pequeno e estranho, parecido com um furão, com pestanas brancas e, quando ergui os olhos para ele, encontrei seus penetrantes olhos cinzentos fixos em mim com uma expressão divertida. Mal podia acreditar nos meus próprios sentidos enquanto lia os termos do testamento; mas ele explicou que era solteiro, com quase nenhum parente vivo, que tinha conhecido meus pais quando era jovem e que sempre ouvira falar de mim como um rapaz muito digno, e estava certo de que seu dinheiro estaria em boas mãos. Naturalmente, eu só pude balbuciar os meus agradecimentos. O testamento foi devidamente terminado, assinado e testemunhado pelo meu escrivão. Está aqui no papel azul, e estas notas, como já expliquei, são o rascunho. O sr. Jonas Oldacre me informou então que havia vários documentos – aluguéis de edifícios, títulos de propriedade, hipotecas, certificados de subscrição de ações e assim por diante, que eu precisava ver e entender. Disse que sua cabeça não ficaria tranqüila até que a coisa toda estivesse pronta, e me pediu para ir à sua casa em Norwood aquela noite, levando o testamento comigo, para acertar tudo.
– “Lembre-se, meu rapaz, nem uma palavra a seus pais sobre isto, até que tudo esteja pronto. Guardaremos isto como uma pequena surpresa para eles.” Ele insistiu muito nesse ponto e me fez prometer.
– Pode imaginar, sr. Holmes, que eu não estava num estado de espírito para lhe recusar nada. Era o meu benfeitor e tudo o que eu queria era satisfazer seus desejos em cada detalhe. Portanto, mandei um telegrama para casa dizendo que tinha um negócio importante para resolver e que era impossível calcular quanto tempo me atrasaria. O sr. Oldacre dissera que gostaria que eu jantasse com ele às 21 horas, pois não estaria em casa antes dessa hora. Mas, tive certa dificuldade em achar sua casa e já estava quase meia hora atrasado quando cheguei. Encontrei-o...
– Um momento! – interrompeu Holmes. – Quem abriu a porta?