Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Há realmente alguns aspectos muito singulares neste caso, Watson – disse. – Acho que é hora de confiarmos no nosso amigo Lestrade. Ele deu sua risadinha à nossa custa, e talvez possamos fazer o mesmo com ele, se minha interpretação deste problema se mostrar correta. Sim, sim, acho que sei como podemos abordá-lo.
O inspetor da Scotland Yard ainda estava escrevendo na sala de visitas quando Holmes o interrompeu.
– Entendi que você estava escrevendo o relatório deste caso – disse ele.
– E estou.
– Não acha que pode ser um pouco prematuro? Não consigo deixar de pensar que o seu indício está incompleto.
Lestrade conhecia o meu amigo bem demais para desprezar suas palavras. Largou a caneta e olhou para ele com curiosidade.
– O que quer dizer, sr. Holmes?
– Apenas que há uma testemunha importante que ainda não viu.
– Pode apresentá-la?
– Acho que posso.
– Então faça isso.
– Farei o possível. Quantos policiais você tem?
– Tenho três aqui perto.
– Excelente! – disse Holmes. – Posso perguntar se eles são grandes, homens robustos com vozes potentes?
– Não tenho dúvida de que são, embora não consiga ver o que as suas vozes têm a ver com isso.
– Talvez eu possa ajudá-lo a ver isso, e mais uma ou duas outras coisas também – disse Holmes. – Mande chamar os seus homens e eu tentarei.
Cinco minutos depois, três policiais estavam no saguão.
– Fora da casa encontrarão grande quantidade de palha – disse Holmes. – Peço a vocês que tragam dois molhos dela. Creio que vai ajudar a fazer aparecer a testemunha de que eu necessito. Muito obrigado. Acho que tem alguns fósforos no bolso, Watson. Agora, sr. Lestrade, peço que todos me acompanhem ao último patamar.
Como já mencionara, havia um corredor largo ali, que passava por três quartos vazios. Numa extremidade do corredor estávamos todos nós, conduzidos por Sherlock Holmes, os policiais sorrindo e Lestrade encarando meu amigo com espanto, expectativa e escárnio se alternando em suas feições. Holmes ficou diante de nós com a expressão de um ilusionista que está fazendo seu número.
– Você poderia, por gentileza, mandar um de seus subordinados buscar dois baldes de água? Ponham a palha no chão aqui, longe da parede, dos dois lados. Agora acho que já estamos prontos.
O rosto de Lestrade começou a ficar vermelho e furioso.
– Não sei se está fazendo uma brincadeira conosco, sr. Sherlock Holmes – disse ele. – Se sabe de alguma coisa, pode muito bem contá-la para nós sem toda essa tolice.
– Eu lhe asseguro, meu bom Lestrade, que tenho um ótimo motivo para tudo o que faço. É provável que se lembre de que caçoou de mim algumas horas atrás, quando o sol parecia brilhar a seu favor; portanto, você tem de me conceder um pouco de pompa e cerimônia agora. Watson, quer abrir aquela janela e depois jogar um fósforo na ponta da palha?
Fiz isso, e levada pela corrente de ar, uma coluna de fumaça cinza encheu o corredor, enquanto a palha seca crepitava e ardia.
– Agora vamos ver se conseguimos arranjar essa testemunha para você, Lestrade. Peço-lhes que gritem juntos “fogo!” Agora, então: 1, 2, 3...
– Fogo! – gritamos todos.
– Obrigado. Vou incomodá-los mais uma vez.
– Fogo!
– Só mais uma vez, cavalheiros, e todos juntos.
– Fogo! – O grito deve ter ecoado por toda Norwood.
O grito mal havia morrido, quando aconteceu uma coisa espantosa. Uma porta se abriu de repente no lugar que parecia ser uma parede sólida no final do corredor, e um homem pequeno e mirrado saiu correndo como um coelho para fora da toca.
– Excelente! – disse Holmes, calmamente. – Watson, um balde de água sobre a palha. Está bom! Lestrade, permita-me apresentá-lo à nossa principal testemunha desaparecida, sr. Jonas Oldacre.
O inspetor olhou para o recém-chegado com uma surpresa desconcertada. Este, piscando por causa da luz brilhante do corredor, olhava com curiosidade para nós e para o fogo que ardia. Era um rosto odioso – manhoso, perverso, maligno, com olhos astutos, de um cinza-claro com pestanas brancas.
– O que é isto? – perguntou Lestrade finalmente. – O que esteve fazendo todo este tempo, hein?
Oldacre deu um sorriso forçado, recuando diante da cara vermelha e furiosa do inspetor.
– Não fiz nenhum mal.
– Nenhum mal? Você fez o que pôde para levar à forca um homem inocente. Se não fosse por estes cavalheiros aqui, não sei se não teria conseguido.
A criatura desprezível começou a choramingar.
– Estou certo, senhor, de que foi só uma brincadeira.
– Oh! Uma brincadeira, não foi? Não vai achar graça na sua vez, eu lhe prometo. Levem-no para baixo e o mantenham na sala de visitas até que eu chegue. Sr. Holmes – continuou, depois que eles saíram –, eu não podia falar diante dos policiais, mas não me importo de dizer, na presença do dr. Watson, que esta foi a coisa mais brilhante que já fez, embora seja um mistério para mim como a fez. Salvou a vida de um homem inocente e evitou um grande escândalo, que arruinaria minha reputação na polícia.
Holmes sorriu e deu um tapinha no ombro de Lestrade.
– Em vez de ser arruinada, meu caro, descobrirá que a sua reputação foi enormemente aumentada. Faça algumas alterações naquele relatório que estava escrevendo, e eles entenderão como é difícil jogar areia nos olhos do inspetor Lestrade.
– E o senhor não quer que seu nome apareça?
– De modo algum. O trabalho é a própria recompensa. Talvez eu também tenha algum crédito num dia distante, quando permitir que o meu zeloso historiador espalhe seus papéis mais uma vez – hein, Watson? Bem, agora vamos ver onde esse rato estava escondido.
Havia um aposento de ripas e gesso junto ao corredor, a 2 metros do final, com uma porta engenhosamente disfarçada nele. Era iluminado por meio de brechas no beiral do telhado. Alguns móveis e um suprimento de comida e água estavam ali, juntamente com alguns livros e papéis.
– Esta é a vantagem de ser um construtor – disse Holmes quando saímos. – Era capaz de fazer seu próprio esconderijo sem nenhum cúmplice – a não ser, é claro, aquela sua preciosa governanta, que eu não demoraria em colocar na sua bagagem, Lestrade.
– Seguirei o seu conselho. Mas como descobriu este lugar, sr. Holmes?
– Concluí que o sujeito estava escondido nesta casa. Quando medi um corredor e descobri que era 2 metros menor que o seu correspondente abaixo, ficou bem claro onde ele estava. Imaginei que não teria sangue-frio para ficar quieto depois de um alarme de incêndio. É claro que nós poderíamos ter entrado e o capturado, mas me diverti fazendo com que ele se denunciasse. Além do mais, devia-lhe um pequeno embuste, Lestrade, pela sua troça da manhã.
– Bem, senhor, conseguiu empatar comigo nisso. Mas como soube que ele estava de fato na casa?
– A marca do polegar, Lestrade. Você disse que era definitiva; e era, num sentido muito diferente. Eu sabia que não estava lá no dia anterior. Presto muita atenção nos detalhes, como já deve ter observado, e tinha examinado o saguão e me certificado de que a parede estava limpa. Portanto, fora feita durante a noite.
– Mas como?
– Muito simples. Quando aqueles pacotes foram selados, Jonas Oldacre fez McFarlane segurar um dos selos, colocando o seu polegar na cera mole. Isto pode ser feito tão rápida e naturalmente que duvido que o rapaz se lembre. Muito provavelmente isso aconteceu, e Oldacre não tinha idéia de como usá-lo. Remoendo o caso em seu refúgio, ele percebeu de repente que poderia forjar uma prova contra McFarlane usando aquela impressão de polegar. Era a coisa mais simples do mundo para ele fazer uma impressão em cera do selo, umedecê-la com o sangue que poderia tirar de uma pequena alfinetada, e colocar a marca na parede durante a noite, com suas próprias mãos ou com as da governanta. Se examinar os documentos que ele levou para sua toca, aposto que encontrará o selo com a marca do polegar.