Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Não sei se Sherlock Holmes conseguiu dormir aquela noite, mas, quando desci para o café-da-manhã, encontrei-o pálido e fatigado, seus olhos brilhantes reluziam ainda mais devido às sombras escuras ao redor deles. O tapete em volta da sua cadeira estava coberto de pontas de cigarro e com as edições recentes dos jornais matutinos. Um telegrama estava aberto sobre a mesa.
– O que acha disso, Watson? – perguntou, atirando-o para mim.
Era de Norwood, e dizia o seguinte:
Importante indício novo em mãos. Culpa de McFarlane definitivamente estabelecida. Aconselho abandonar caso.
Lestrade.
– Isso parece ser sério – eu disse.
– É o pequeno canto de vitória de Lestrade – respondeu Holmes, com um sorriso amargurado. – E ainda pode ser prematuro abandonar o caso. Afinal, importante indício novo é uma faca de dois gumes, e pode cortar numa direção bem diferente da que Lestrade imagina. Tome o seu café, Watson, sairemos juntos e veremos o que podemos fazer. Sinto-me como se precisasse de sua companhia e apoio moral hoje.
Meu amigo não tomou o café-da-manhã, pois uma de suas peculiaridades era que em seus momentos mais intensos ele não se permitia nenhuma comida, e eu sabia que confiava demais na sua força de ferro, até que desmaiava de pura inanição. “No momento não posso gastar energia e força dos nervos para a digestão”, ele diria, em resposta aos meus conselhos médicos. Sendo assim, não me surpreendi quando nessa manhã ele deixou sua comida intacta e foi comigo para Norwood. Um grupo de observadores mórbidos ainda estava reunido em volta de Deep Dene House, que era uma casa de campo suburbana tal como eu imaginara. Dentro dos portões, Lestrade encontrou-se conosco, seu rosto corado com a vitória, seus modos triunfantemente brutos.
– Bem, sr. Holmes, já provou que estamos errados? Achou o seu vagabundo? – exclamou.
– Ainda não cheguei a nenhuma conclusão – respondeu o meu amigo.
– Mas nós chegamos à nossa ontem, e agora ela prova que é correta; assim, deve reconhecer que desta vez estamos um pouco à sua frente, sr. Holmes.
– Sua expressão mostra que aconteceu algo incomum – disse Holmes.
Lestrade riu alto.
– O senhor não gosta de ser derrotado, assim como nós – ele disse. – Um homem não pode esperar que tudo saia sempre à sua maneira, pode, dr. Watson? Sigam por aqui, cavalheiros, e acho que posso convencê-los de uma vez por todas que foi John McFarlane quem cometeu este crime.
Ele nos levou por um corredor e chegamos a um saguão.
– Foi aqui que o jovem McFarlane deve ter vindo para apanhar seu chapéu, depois de o crime ter sido cometido – disse ele. – Agora olhem para isto. – Com uma rapidez dramática, acendeu um fósforo, e à sua luz vimos uma mancha de sangue na parede branca. Quando ele aproximou o fósforo, vi que era mais do que uma mancha. Era a nítida impressão de um polegar.
– Olhe para ela com sua lente de aumento, sr. Holmes.
– Sim, estou fazendo isso.
– Sabe que duas impressões de polegar nunca são iguais?
– Ouvi algo deste tipo.
– Bem, então, queira comparar esta impressão com a do jovem McFarlane, em cera, que eu mandei tirar esta manhã.
Quando ele comparou as duas, não era necessário usar uma lente de aumento para se ver que elas eram, sem sombra de dúvida, do mesmo polegar. Era evidente para mim que o nosso cliente estava perdido.
– Isto é definitivo – disse Lestrade.
– Sim, é definitivo – repeti involuntariamente.
– É definitivo – disse Holmes.
Alguma coisa no seu tom chamou minha atenção, e me virei para ele. Ocorrera uma mudança extraordinária em seu rosto. Estava com uma expressão de contentamento interior. Seus olhos brilhavam como estrelas. Parecia que estava fazendo um esforço desesperado para reprimir um ataque de riso.
– Pobre de mim! Pobre de mim! – ele disse afinal. – Bem, agora, quem teria pensado nisso? E como as aparências podem ser enganadoras! Parece um rapaz tão bom! É uma lição para nós não confiarmos no nosso próprio julgamento, não é, Lestrade?
– Sim, alguns de nós tendem a ser convencidos, sr. Holmes – disse Lestrade. A insolência do homem era enlouquecedora, mas não podíamos nos ofender com isso.
– Que coisa providencial que o rapaz tenha apertado seu polegar direito na parede ao pegar seu chapéu no cabide! Um ato bastante natural, também, se pensarmos nisso. – Holmes aparentemente estava calmo, mas todo o seu corpo estremecia de excitação contida enquanto falava.
– Por falar nisso, Lestrade, quem fez esta descoberta notável?
– Foi a governanta, sra. Lexington, quem chamou a atenção do policial da noite para ela.
– Onde estava o policial?
– Ele ficou de guarda no quarto onde o crime foi cometido, para que nada fosse tocado.
– Mas por que a polícia não viu esta marca ontem?
– Ora, não tínhamos nenhum motivo especial para examinar com cuidado o saguão. Além disso, não é um lugar muito visível, como pode constatar.
– Não, não, claro que não. Suponho que não haja dúvida de que a marca estava aí ontem.
Lestrade olhou para Holmes como se pensasse que ele estivesse fora de si. Confesso que eu mesmo fiquei surpreso com seu jeito irônico e sua observação irritada.
– Não sei se pensa que McFarlane saiu da cadeia na calada da noite para reforçar a prova contra ele mesmo – disse Lestrade. – Desafio qualquer perito no mundo a me dizer se não é a marca do polegar dele.
– Esta é, inegavelmente, a marca do seu polegar.
– Então, isto é suficiente – disse Lestrade. – Sou um homem prático, sr. Holmes, e, quando consigo minhas provas, chego às minhas conclusões. Se tiver algo a me dizer, estarei escrevendo meu relatório na sala de estar.
Holmes havia recobrado sua calma, embora eu ainda pudesse detectar sinais de regozijo na sua expressão.
– Pobre de mim, este é um acontecimento muito triste, Watson, não é? – disse ele. – E mesmo assim existem detalhes singulares sobre ele que dão esperanças ao nosso cliente.
– Estou encantado por ouvir isso – eu disse calorosamente. – Receava que estivesse tudo acabado para ele.
– Não chegaria a ponto de dizer isso, meu caro Watson. O fato é que existe uma falha grave nesse indício, ao qual nosso amigo dá tanta importância.
– É mesmo, Holmes? Qual é?
– Apenas isto: eu que aquela marca não estava lá ontem quando examinei o saguão. E agora, Watson, vamos dar uma voltinha ao sol.
Com a mente confusa, mas com um coração que voltava a ter alguma esperança, acompanhei meu amigo numa caminhada pelo jardim. Holmes escolhia um lado da casa de cada vez e o examinava com grande interesse. Depois entrou e percorreu o prédio inteiro, do porão ao sótão. A maioria dos aposentos estava sem mobília, mas mesmo assim Holmes os inspecionou detalhadamente. Por fim, no corredor do último andar, que passava por três quartos vazios, ele manifestou contentamento.