Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Estou ansioso pelo outro presente — diz, e pronto.
Fico da cor do Quarto Vermelho da Dor e olho nervosa para José, que está com uma cara de quem comeu algo ruim. Afasto-me e começo a preparar a omelete.
— Então, quais são seus planos para hoje, José? — pergunta Christian com ar casual ao se sentar num dos bancos.
— Vou encontrar meu pai e o pai de Ana, Ray.
Christian franze o cenho.
— Eles se conhecem?
— Estiveram juntos no exército. Eles perderam o contato até Ana e eu nos conhecermos na faculdade. A história é bem legal. São melhores amigos agora. Vamos viajar juntos, para pescar.
— Pescar? — Christian parece genuinamente interessado.
— É, o estuário é ótimo para a pesca. As trutas são gigantes aqui.
— Verdade. Meu irmão, Elliot, e eu uma vez pegamos uma de quinze quilos.
Eles estão conversando sobre pesca? Qual é a graça de pescar? Nunca entendi.
— Quinze quilos? Nada mau. Mas o recorde é do pai de Ana: dezenove quilos.
— Não brinca! Ele nunca falou nada.
— Feliz aniversário, aliás.
— Obrigado. E aí, onde você gosta de pescar?
Paro de prestar atenção. Não preciso saber disso. Mas, ao mesmo tempo, fico aliviada. Está vendo, Christian? José não é tão mau assim.
* * *
QUANDO JOSÉ SE prepara para ir embora, os dois estão muito mais relaxados um com o outro. Christian rapidamente coloca uma calça jeans e uma camiseta e, descalço, me acompanha com José até o saguão.
— Obrigado por me receber — diz José a Christian enquanto eles apertam as mãos.
— Disponha. — Christian sorri.
José me dá um abraço rápido.
— Se cuida, Ana.
— Claro. Muito bom ver você. Da próxima vez a gente faz um programa decente à noite.
— Vou cobrar, viu? — Ele acena de dentro do elevador e então desaparece.
— Está vendo, ele não é tão mau assim.
— Ele ainda quer comer você, Ana. Mas eu não o culpo.
— Christian, não é verdade!
— Você não tem ideia, não é? — Ele sorri para mim. — Ele quer você. Pra cacete.
Franzo a testa.
— Christian, ele é só um amigo, um bom amigo. — De repente, me dou conta de que soo como Christian quando ele está falando da Mrs. Robinson. O pensamento é desconcertante.
Christian ergue as mãos num gesto apaziguador.
— Não quero brigar — diz, em voz baixa.
Ah! A gente não está brigando... está?
— Eu também não.
— Você não disse a ele que a gente vai se casar.
— Não. Achei que devia avisar minha mãe e Ray primeiro.
Merda. É a primeira vez que penso nisso desde que disse sim. Caramba, o que será que meus pais vão dizer?
Christian concorda.
— É, você tem razão. E eu... hum... deveria pedir a sua mão ao seu pai.
— Ah, Christian — rio —, não estamos no século XVIII.
Puta merda. O que Ray vai dizer? Pensar nessa conversa me enche de pavor.
— É a tradição. — Christian dá de ombros.
— Vamos falar disso mais tarde. Quero lhe dar o seu outro presente.
Meu objetivo é distraí-lo. Pensar no meu presente está abrindo um buraco em minha consciência. Preciso entregar a ele e ver como reage.
Ele abre seu sorriso tímido, e meu coração dá um pulo. Nunca na minha existência vou me cansar de olhar para esse sorriso.
— Você está mordendo o lábio de novo — diz e puxa o meu queixo.
A emoção percorre meu corpo assim que seus dedos me tocam. Sem uma palavra, e enquanto ainda tenho um mínimo de coragem, pego sua mão e o conduzo de volta para o quarto. Solto sua mão, deixando-o de pé junto da cama, e pego as duas caixinhas restantes de debaixo do meu lado da cama.
— Dois? — pergunta, surpreso.
Respiro fundo.
— Comprei isso antes de... hum... do incidente de ontem. Agora não tenho muita certeza. — Entrego uma das caixas depressa, antes que possa mudar de ideia.
Ele olha para mim, perplexo, sentindo minha insegurança.
— Tem certeza de que quer que eu abra?
Faço que sim com a cabeça, ansiosa.
Christian rasga a embalagem e fita a caixa, surpreso.
— Charlie Tango — sussurro.
Ele sorri. A caixa contém um pequeno helicóptero de madeira com uma grande hélice movida a energia solar. Ele abre a caixa.
— Movido a energia solar — murmura. — Uau.
E quando me dou conta ele está sentado na cama, montando o helicóptero. Ele termina num instante e ergue-o na palma da mão. Um helicóptero azul de madeira. Ele olha para mim e abre seu sorriso maravilhoso e sensual, e então vai até a janela para que ele receba a luz do sol, e o rotor começa a girar.
— Olhe só para isso — suspira, examinando de perto. — As coisas que já se pode fazer com essa tecnologia.
Ele o eleva até o nível dos olhos, observando a hélice girar. Está fascinado, e é fascinante de assistir, perdido em pensamentos, olhando o pequeno helicóptero. Em que está pensando?
— Gostou?
— Ana, adorei. Obrigado. — Ele me agarra e me beija depressa. Em seguida, se volta para assistir o rotor girar. — Vou colocar junto do planador, no meu escritório — diz, distraído, ainda observando a hélice.
Ele tira a mão do sol, e as hélices desaceleram até parar.
Não posso conter um sorriso de orelha a orelha, e minha vontade é de me abraçar. Ele adorou. Claro, ele adora tecnologias alternativas. Na pressa de comprar o presente, tinha me esquecido disso. Ele o coloca sobre a cômoda e se vira de frente para mim.
— Vai me fazer companhia enquanto a gente conserta Charlie Tango.
— É consertável?
— Não sei. Espero que sim. Se não, vou sentir saudade dela.
Dela? Fico chocada comigo mesma pela pequena pontada de ciúme que sinto de um objeto inanimado. Meu inconsciente bufa com um riso de escárnio. Eu o ignoro.
— E o que há na outra caixa? — pergunta ele, os olhos arregalados com uma empolgação infantil.
Puta merda.
— Não tenho muita certeza se este é para você ou para mim.
— Ah, é? — pergunta, e eu sei que despertei seu interesse.
Nervosa, entrego a segunda caixa para ele. Ele a sacode de leve e nós dois ouvimos um barulho pesado. Ele olha para mim.
— Por que está tão nervosa? — pergunta, confuso.
Dou de ombros, ficando envergonhada, animada e vermelha ao mesmo tempo. Ele levanta uma sobrancelha.
— Você está me deixando intrigado, Srta. Steele — sussurra, e sua voz me atinge em cheio, o desejo e a expectativa se concentrando em minha barriga. — Preciso dizer que estou apreciando a sua reação. O que você andou aprontando? — Ele aperta os olhos, especulativamente.
Fico de boca fechada, prendendo a respiração.
Ele remove a tampa da caixa e tira um pequeno cartão. O restante está embalado em papel. Ele abre o cartão, e seus olhos disparam para os meus, arregalados, não sei se chocados ou surpresos.
— Fazer maldades com você? — murmura.
Faço que sim e engulo em seco. Ele deita a cabeça de lado, com cautela, avaliando minha reação, e franze a testa. Então, volta sua atenção para a caixa. Rasga o papel de seda azul-claro e retira uma venda para os olhos, alguns grampos de mamilos, um plugue anal, o iPod dele, a gravata prateada e, por último, mas não menos importante, a chave do quarto de jogos.
Ele me olha, uma expressão sombria e ilegível no rosto. Ai, merda. Será que eu mandei mal?
— Você quer brincar? — pergunta ele, de mansinho.
— Quero — ofego.
— No meu aniversário?
— É. — Será que a minha voz pode soar mais tímida do que isso?
Uma miríade de emoções cruza seu rosto, nenhuma das quais posso identificar, mas enfim ele parece ansioso. Hum... Não é bem a reação que eu estava esperando.