Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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- Chegara a essas conclusões antes mesmo de entrar em seu quarto. Uma inspeção da cadeira mostrou que tinha o hábito de ficar em pé no assento, o que, é claro, era necessário a fim de alcançar a abertura. O cofre, o pires de leite e a laçada na correia foram suficiente para qualquer dúvida que porventura ainda tivesse. O ruído metálico ouvido pela Srta. Stoner era obviamente causado pelo padrasto, ao fechar rapidamente a porta do cofre ao colocar dentro seu terrível ocupante. Tendo chegado a essa conclusão, você já sabe que medidas tomei para obter as provas. Ouvi a criatura sibilar, como você também deve ter ouvido, e imediatamente acendi a lâmpada e ataquei-a.
E conseqüentemente a fez recuar pela abertura.
E também a fiz virar-se contra seu dono do outro lado. Alguns golpes da minha bengala atingiram o alvo e despertaram sua fúria, fazendo-a atacar a primeira pessoa que viu. Dessa maneira, sou, sem dúvida alguma, indiretamente, responsável pela morte do Dr. Grimesby Roylott, e posso afirmar que não vai pesar indevidamente em minha consciência.
o polegar do engenheiro
De todos os problemas que foram submetidos a meu amigo Sherlock Holmes durante os anos de nossa associação, somente dois foram trazidos por mim: o do polegar do Sr. Hatherley e o da loucura do Coronel Warburton. Dos dois, o último talvez tenha proporcionado um campo maior para um observador perspicaz e original, mas o primeiro foi tão estranho de início e tão dramático nos detalhes, que talvez mereça mais ser relatado, ainda que tenha dado menos oportunidades a meu amigo para os métodos dedutivos de raciocínio com os quais; conseguia resultados tão notáveis. A história foi narrada mais de uma vez nos jornais, creio, mas, como todas essas narrativas, seu efeito é muito menor quando compactado em meia coluna impressa do que quando os fatos evoluem lentamente diante de seus olhos e o mistério é gradativamente esclarecido à medida que cada nova descoberta fornece um passo que leva eventualmente à verdade. Na ocasião, as circunstâncias deixaram profunda impressão em mim e o lapso de dois anos pouco enfraqueceu a imagem.
Foi no verão de 1889, pouco depois de meu casamento, que sucederam os acontecimentos que vou resumir. Eu voltara a exercer minha profissão e abandonara finalmente Holmes em seus aposentos na Rua Baker, embora o visitasse constantemente e ocasionalmente até o convencesse a abandonar seus hábitos boêmios e vir nos ver. Meus clientes se haviam tomado bem numerosos e como eu morava não muito longe da Estação de Paddington, tinha alguns funcionários de lá como pacientes. Um deles, que eu havia curado de uma doença dolorosa e de longa duração, não se cansava de apregoar minhas virtudes e de me mandar todos os sofredores sobre os quais tinha alguma influência.
Uma manhã, pouco antes das sete horas, fui acordado pela empregada batendo à porta para anunciar que dois homens haviam vindo de Paddington e estavam esperando no consultório. Vesti-me às pressas, pois sabia por experiência. Que casos de estrada de ferro raramente eram banais, e apressei-me a descer. Enquanto descia, meu velho aliado, o guarda, saiu da sala e fechou bem a porta.
Ele está aqui dentro - murmurou, apontando com o polegar por cima do ombro. - Ele está bem.
- 0 que é então? - perguntei, pois seus gestos sugeriam que era alguma estranha criatura que tinha encarcerado em minha sala.
- É um novo doente - murmurou. - Achei que devia vir com ele aqui, eu mesmo, assim ele não podia escapar. Ele está aí dentro, são e salvo. Tenho de ir agora, Doutor, tenho meus deveres, assim como o senhor. - E assim se foi, sem me dar tempo sequer de lhe agradecer.
Entrei em meu consultório e encontrei um cavalheiro sentado junto à mesa. Estava vestido sobriamente, com um temo de tweed mesclado, e um boné de fazenda macia que tirara e colocara em cima de meus livros. Uma das mãos estava enrolada em um lenço, que estava todo manchado de sangue. Era jovem, não tinha mais que vinte e cinco anos e o rosto era acentuadamente másculo, mas estava extremamente pálido e deu-me a impressão de um homem que estava profundamente agitado e usando toda sua força de vontade para se controlar.
- Sinto muito acordá-lo tão cedo, Doutor - disse. - Mas sofri um acidente muito sério durante a noite. Vim de trem hoje de manhã e quando perguntei em Paddington onde poderia encontrar um médico, um camarada muito amável me trouxe aqui. Dei um cartão à empregada, mas vejo que ela o deixou em cima daquela mesinha.
Peguei o cartão e li: "Sr. Victor Hatherley, Engenheiro hidráulico, 16-A Rua Victoria (39 andar)". Era esse o nome, profissão e endereço de meu visitante matutino. - Desculpe por tê-lo feito esperar - disse, sentando em minha poltrona. - Acaba de chegar de uma viagem noturna, pelo que diz o que em si só é uma ocupação monótona.
- Oh, a noite que passei nunca poderia ser chamada de monótona - respondeu, rindo. Continuou rindo em tom alto e agudo, recostando-se na cadeira e sacudindo-se todo. Todos os meus instintos de médico se revoltaram com essas gargalhadas.
- Pare! - gritei. - Controle-se! - E enchi um copo com água de uma garrafa.
Não adiantou nada. Era uma dessas explosões histéricas que acontecem com uma personalidade forte quando uma grande crise finalmente passa. Eventualmente voltou ao normal, muito cansado e com o rosto vermelho.
- Fiz um papel de idiota - disse em voz rouca.
- Não foi nada. Beba isso! - Derramei um pouco de conhaque no copo com água e a cor começou a voltar a suas faces.
- Agora estou melhor! - disse. - Então, Doutor, tenha a bondade de tratar do meu polegar, ou melhor, do lugar onde era o meu polegar.
Desenrolou o lenço e estendeu a mão. Até meus nervos endurecidos estremeceram-se. Quatro dedos se projetavam, e uma horrenda superfície vermelha e esponjosa onde o polegar deveria estar. Havia sido brutalmente cortado ou arrancado das raízes.
- Céus! - exclamei. - Que ferida horrível. Deve ter sangrado muito.
- Sim, sangrou. Desmaiei quando aconteceu e acho que fiquei desacordado muito tempo. Quando voltei a mim vi que ainda estava sangrando enrolei o lenço bem apertado no pulso, segurando com um pedaço de pau.
Excelente! 0 senhor devia ter sido um cirurgião.
É uma questão de hidráulica, sabe, e aí tenho conhecimentos.
Isso foi feito - disse, examinando a ferida - com um instrumento pesado e afiado.
- Com uma machadinha de açougueiro.
- Presumo que foi um acidente.
- De maneira nenhuma.
- 0 quê, um ataque.
- Decididamente.
- 0 senhor está me deixando horrorizado.
Limpei a ferida, lavei-a e fiz um curativo. Ele agüentou tudo sem estremecer, embora mordesse o lábio de vez em quando.
- Que tal? - perguntei, quando terminei.
- Excelente! Com seu conhaque e seu curativo já me sinto outro homem. Estava muito fraco, pois passei por muitas coisas.