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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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"Eles aqui estarão já, já. Verão que não está 19. Oh, não perca o tão precioso tempo, venha! "

Dessa vez, pelo menos, não desprezei seus conselhos. Fiquei de pé, cambaleando, e corri com ela pelo corredor e por uma escada circular. Esta nos levou a outra passagem mais larga e justamente quando a alcançamos ouvimos o som de passos apressados e duas vozes gritando, uma em resposta à outra, do andar em que estávamos e do andar de baixo. Minha protetora parou e olhou em volta, como quem não vê saída. Então abriu uma porta que levava. a um quarto, onde, pela janela aberta, entrava o luar, banhando o chão.

"É sua única chance", disse, "é alto, mas talvez possa pular".

Enquanto falava, surgiu urna luz no fim da passagem e vi o vulto magro do Coronel Lysander Stark avançando rapidamente com uma lanterna em uma das mãos e uma arma parecida com uma machadinha de açougueiro na outra. Atravessei o quarto correndo e olhei pela janela. 0 jardim à luz da lua parecia tão calmo e doce e seguro, e estava a menos de dez metros. Subi no peitoril, mas hesitei em pular até ouvir o que ia se passar entre minha salvadora e o bandido que me perseguia. Se ela fosse maltratada, apesar de todo o perigo voltaria para socorrê-la. Mal pensara isso, quando ele chegou à porta, empurrando-a de lado, mas ela o abraçou e tentou detê-lo.

- "Fritz! Fritz! ", exclamou em inglês. "Lembre sua promessa depois da última vez. Você disse que não ia ser assim nunca mais. Ele guardará segredo! Oh, ele guardará segredo!"

- "Você está louca, Elise!", ele berrou, lutando para se livrar. "Você vai estragar tudo. Ele viu demais. Solte-me, vamos!" Jogou-a de lado e, correndo para a janela, golpeou-me com a pesada arma. Eu deixara o corpo cair e estava me segurando ao peitoril com as mãos quando ele me atacou. Senti uma dor vaga, afrouxei os dedos e caí no jardim a meus pés.

- Fiquei aturdido, mas não me machuquei com a queda. Levantei e saí correndo por entre os arbustos o mais velozmente possível, pois sabia que ainda não estava fora de perigo. De repente, enquanto corria, comecei a me sentir tonto e fraco. Olhei minha mão, que latejava e então, pela primeira vez, vi que meu polegar havia sido decepado e o sangue corria da ferida. Consegui enrolar meu lenço na mio, mas os ouvidos começaram a zumbir e caí desmaiado entre as roseiras.

- Não sei quanto tempo fiquei desacordado. Deve ter sido por muitas horas, pois a lua já se fora do céu e começava a amanhecer quando abri os olhos. Minhas roupas estavam ensopadas de orvalho e a manga do casaco estava coberta de sangue do polegar ferido. A dor na mão me fez recordar todos os detalhes da aventura noturna e fiquei de pé, sentindo que talvez ainda não estivesse a salvo de meus perseguidores. Mas, para minha surpresa, quando olhei em volta, não vi nem a casa nem o jardim. 0 lugar onde caíra do era um ângulo de uma sebe próxima à estrada e logo adiante havia um prédio longo e baixo que, ao me aproximar, provou ser a mesma estação aonde chegara à noite anterior. Se não fosse pela ferida na mão, tudo que se passara durante àquelas horas horríveis poderia ter sido um pesadelo.

- Meio tonto, entrei na estação e perguntei pelo trem da manhã. Havia um para Reading dentro de uma hora. 0 mesmo porteiro estava de serviço. Perguntei-lhe se ouvira falar de um Coronel Lysander Stark. Não sabia quem era. Vira um carro à noite anterior esperando por mim? Não, não vira. Havia uma delegacia perto dali? Sim, a uns quatro quilômetros.

- Era longe demais para ir andando, fraco e doente como me sentia. Resolvi esperar até chegar à cidade para contar minha história à polícia. Passava um pouco das seis quando cheguei e fui primeiro tratar de minha mão e foi entro que o Doutor teve a bondade de me trazer aqui. Estou colocando meu caso em suas mãos e farei exatamente o que o senhor mandar.

Ficamos ambos em silêncio após ouvir essa extraordinária narrativa. Depois Sherlock Holmes tirou da prateleira um dos grandes volumes onde guardava seus recortes.

- Aqui está um anúncio que lhe vai interessar - disse. - Saiu em todos os jornais cerca de um ano atrás. Ouçam: "Perdido no dia 9 do corrente, o Sr. Jeremiah Hayling, de 26 anos, engenheiro hidráulico. Saiu de casa às dez horas da noite e não foi mais visto. Vestia." etc.etc. Ali! Isso foi à última vez que o Coronel precisou consertar sua máquina, sem dúvida alguma.

Disse. - Céus! - exclamou meu paciente. - Então isso explica o que a moça

- Certamente. É bem claro que o Coronel era um homem calculista e desesperado, firmemente decidido que nada ia atrapalhar sua jogada, como os piratas de antigamente, que não deixavam nenhum sobrevivente nos barcos que capturavam. Bem, os minutos são preciosos e se o senhor se sente bastante bem, vamos imediatamente à Scotland Yard e em seguida a Eyford.

Umas três horas depois estávamos a caminho de Reading e de lá à pequena aldeia em Berkshire. 0 grupo era composto de Sherlock Holmes, o engenheiro hidráulico, Inspetor Bradstreet da Scotland Yard, um detetive e eu. Bradstreet abrira um mapa da região sobre o assento e se ocupava em desenhar um círculo tendo como centro Eyford.

- Aqui está - disse. - Esse círculo tem um raio de doze quilômetros partindo da aldeia. 0 lugar que procuramos deve estar dentro dessa linha. 0 senhor disse doze quilômetros, não foi?

- Aproximadamente. Foi mais ou menos uma hora de viagem.

- E acha que o trouxeram de volta toda essa distância quando estava inconsciente?

- Devem ter feito isso. Tenho uma recordação confusa de ter sido carregado e posto em algum lugar.

- 0 que não posso entender - disse eu - é por que não o mataram quando o encontraram desmaiado no jardim. Talvez o vilão tenha se enternecido com as súplicas da moça.

- Não acho isso provável. Nunca vi uma cara mais implacável em toda minha vida.

- Breve saberemos tudo disse Bradstreet. - Bem, desenhei o círculo e só gostaria de saber em que ponto dentro dele vamos encontrar as pessoas que procuramos.

- Acho que posso determinar isso - disse Holmes calmamente.

- Ali! - exclamou o inspetor. - Então já formou sua opinião? Bem, vamos lá. Vejamos quem concorda com o senhor. Eu digo que é no Sul, pois lá é mais deserto.

- E eu digo Leste - aventurou meu paciente.

- Eu acho que é Oeste - disse o detetive. - Lá há várias pequenas aldeias.

- Minha opinião é o Norte - eu disse - porque lá não há colinas e nosso amigo não disse que o carro tivesse subido nenhuma inclinação.

- Ora - disse o inspetor, rindo - não poderíamos divergir mais. Cobrimos todos os pontos do compasso. Sr. Holmes, qual é seu voto decisivo?

- Estão todos errados.

- Mas não podemos estar todos errados.

- Ali, sim, podem. Esse é o ponto que escolho - e colocou o dedo bem no centro do círculo. - É aqui que os encontraremos.

- Mas e a viagem de doze quilômetros? - exclamou Hatherley.

- Seis de ida e seis de volta. Nada mais simples. 0 senhor mesmo disse que o cavalo não estava cansado quando entrou no carro. Como poderia ser assim se tivesse andado doze quilômetros em estradas péssimas?

- Realmente, seria um ótimo estratagema - observou Bradstreet, pensativo. - É claro que não pode haver dúvidas quanto à natureza desse bando.

- Nenhuma - disse Holmes. - São cunhadores de moedas falsas, em grande escala, e usavam a máquina para formar a amálgama que substitui a prata.

- Há muito tempo que sabíamos que havia um bando muito astuto trabalhando nisso - disse o inspetor. - Estavam cunhando milhares de meias coroas. Conseguimos seguir sua pista até Reading, mas lá os perdemos, pois conseguiram nos despistar de tal maneira que provavam que eram velhos profissionais. Mas agora, graças a essa oportunidade fortuita, acho que vamos pegá-los finalmente.

Mas o inspetor estava enganado, pois esses criminosos estavam destinados a escapar à justiça. Quando chegamos à estação de Eyford vimos uma coluna gigantesca de fumaça saindo de um grupo de árvores na vizinhança, pairando como uma imensa pluma de avestruz sobre a paisagem.

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