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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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- Sim, foi instalada há uns dois anos.

- Foi sua irmã que pediu isso?

- Não, acho que nem chegou a usá-la. Sempre nos servimos a nós mesmo - Realmente? Então me parece desnecessário instalar um cordão tão bonito. Desculpem-me um momento enquanto examino o chão. - Esticou-se de cara para baixo com a lente na mão, depois engatinhou. rapidamente para cá e para lá, examinando minuciosamente as frestas entre as tábuas. Terminando, fez o mesmo com os painéis das paredes. Finalmente, caminhou para a cana e ficou algum tempo olhando para ela e para a parede atrás. No final, pegou o cordão da campainha e puxou-o com força.

- Ora, é falso - disse.

- Não toca?

- Não, nem está ligado a nenhum fio. Isso é muito interessante. Podem ver que está pendurado em um gancho logo acima da pequena abertura de ventilação.

- Que absurdo! Não tinha reparado isso antes.

- Muito estranho! - resmungou Holmes, puxando o cordão. - Há uma ou duas coisas muito esquisitas nesse quarto. Por exemplo, o construtor deve ser um idiota, fazendo uma abertura de ventilação para outro quarto, quando podia simplesmente abrir na parede externa!

- Isso também foi feito há pouco tempo - disse a moça.

- Na mesma época que o cordão de campainha - comentou Holmes.

- É, houve algumas mudanças na mesma ocasião.

- Todas são muito interessantes... cordões de campainha que não tocam, ventiladores que não ventilam. Com sua permissão, Srta. Stoner, vamos agora investigar o outro quarto.

O quarto do Dr. Grimesby Roylott era maior que o de sua enteada, mas mobiliado com a mesma simplicidade. Uma cairia estreita, uma prateleira cheia de livros, a maioria técnicos, uma poltrona ao lado da cama, uma cadeira de madeira contra a parede, uma mesa redonda e um grande cofre de ferro eram as coisas principais. Holmes andou lentamente em volta e examinou todos os objetos com atenção.

- O que está aqui dentro? - perguntou, batendo no cofre.

- Os documentos de meu padrasto.

- Ali! Viu o conteúdo, então?

- Só uma vez, anos trás. Lembro-me que estava cheio de papéis.

- Não há um gato lá dentro, por acaso?

- Não. Que idéia esquisita!

- Bem, veja só isso. - Pegou um pequeno pires com leite que estava em cima do cofre.

- Não, não temos nenhum gato. Mas há um leopardo e um mandril.

- Ali, sim, é claro! Bem, um leopardo é apenas um gato grande, mas um pequeno pires não parece suficiente para satisfazer sua sede. Há uma coisa que gostaria de estabelecer. - Agachou-se em frente da cadeira de madeira e examinou o assento com a maior atenção.

- Obrigado. Isso está resolvido - disse, erguendo-se e guardando a lente no bolso. - Ora! Aqui está urna coisa interessante.

O objeto que atraíra sua atenção era uma pequena correia de cachorro pendurada em um canto da cama. Havia sido amarrada, formando uma laçada.

O que acha disso, Watson?

É uma correia comum. Mas não sei por que deram uma laçada. - Isso não é comum, pois não? Ali, meu Deus, é um mundo malvado e quando um homem inteligente se vira para o crime, isso é o pior de tudo. Acho que já vi o suficiente, Srta. Stoner e, com sua permissão, vamos lá para fora, no gramado.

Nunca havia visto o rosto de meu amigo tão sombrio e sua testa tão franzida quanto nesse momento. Passeamos para cá e para lá várias vezes e nem a Srta. Stoner nem eu ousamos interromper seus pensamentos, até que ele despertou.

- É essencial, Srta. Stoner, - disse finalmente - que faça exatamente o que vou lhe dizer.

- Certamente que farei tudo que disser. O assunto é grave demais para qualquer hesitação. Sua vida pode depender disso.

- Asseguro-lhe que estou totalmente em suas mãos. - Em primeiro lugar, meu amigo e eu vamos passar a noite em seu

A Srta. Stoner e eu o olhamos com espanto.

- Sim, tem de ser assim. Deixe-me explicar. Creio que aquilo ali é a estalagem da aldeia.

- Sim.

- Muito bem. De lá pode-se ver suas janelas?

- Certamente.

- Retire-se para seu quarto, sob pretexto de estar com dor de cabeça, assim que seu padrasto regressar. Quando ele se deitar, abra as persianas de seu quarto, coloque a lâmpada na janela como sinal para nós e então leve tudo que poderá precisar para o quarto que costumava ocupar. Tenho certeza que, apesar das obras, pode ficar lá por uma noite.

- Sem dúvida alguma.

- O resto fica em nossas mãos.

- Mas o que vai fazer?

- Vamos passar a noite em seu quarto e vamos investigar a causa desse barulho que a vem perturbando.

- Acho, Sr. Holmes, que o senhor já descobriu o que é - disse a Srta. Stoner, pondo a mio no braço de meu companheiro.

- Talvez.

- Então por piedade me diga qual foi a causa da morte de minha irmã.

- Prefiro ter mais provas antes de falar.

- Pode pelo menos me dizer se minha idéia está certa e ela morreu de susto.

- Não, acho que não. Acho que provavelmente houve uma causa mais real. E agora, Srta. Stoner, temos de deixá-la, pois se o Dr. Roylott voltar e nos vir, nossa viagem terá sido em vão. Até logo e tenha coragem, pois se fizer exatamente o que lhe disse, pode ter certeza que muito em breve afastaremos os perigos que a ameaçam.

Sherlock Holmes e eu não tivemos dificuldade em alugar um quarto e sala na Estalagem Crown. Eram no segundo andar e de nossa janela víamos claramente a ala habitada da Mansão de Stoke Moran. Ao entardecer, vimos Dr. Grimesby Roylott chegar de carro, sua figura enorme obscurecendo o rapazinho que guiava o carro. Este teve certa dificuldade em abrir o pesado portão de ferro e ouvimos os gritos roucos do Doutor e vimos a fúria com que sacudiu os punhos para o rapaz. O carro seguiu a alameda e pouco depois vimos uma luz súbita surgir entre as árvores quando a foi acesa em uma das salas.

- Sabe uma coisa, Watson, - disse Holmes enquanto sentávamos na escuridão que se aprofundava. - Estou sentindo alguns escrúpulos em levar você comigo esta noite. Há um elemento real de perigo.

- Posso ser útil?

- Sua presença pode ser muito valiosa.

- Então irei.

- É muita bondade sua.

- Você fala em perigo. Evidentemente viu mais naqueles quartos do que eu.

- Não, mas creio que deduzi mais. Imagino que você viu o mesmo que

- Não vi nada demais, exceto o cordão da campainha, e qual a finalidade daquilo, confesso que nem posso imaginar.

- Viu a abertura de ventilação também?

- Sim, mas não acho que seja uma coisa tão extraordinária ter uma pequena abertura entre dois quartos. Era tão pequena que nem um rato poderia passar.

Moran.

- Sabia que íamos encontrar um ventilador antes de virmos a Stoke

- Meu caro Holmes!

- Sim, sabia. Lembre-se que a Srta. Stoner dísse que a irmã estava sentindo o ' cheiro do charuto do Dr. Roylott. Isso sugere imediatamente que deve haver uma comunicação entre os dois quartos. Só podia ser muito pequena, senão teria sido notada por ocasião do inquérito policial. Deduzi que deveria ser uma abertura de ventilação.

- Mas que mal pode haver nisso?

Bem, há pelo menos uma coincidência curiosa de datas. Faz-se uma abertura de ventilação, pendura-se um cordão de campainha e uma senhora que dorme naquela cama morre. Isso não lhe diz nada?

- Não consigo ver nenhuma ligação.

- Observou alguma coisa muito peculiar naquela cama?

- Não.

- Estava presa ao chão. Já viu isso antes?

- Não me lembro de ter visto.

- A moça não podia mudar a cama de lugar. Ficava sempre na mesma posição em relação à abertura e ao cordão, que nunca fora para puxar e soar a campainha.

- Holmes, - exclamei - começo a ver vagamente onde você quer chegar. Chegamos a tempo de evitar um crime sutil e horrendo.

- Bastante sutil e bastante horrendo. Quando um médico envereda pelo caminho do crime, é um ótimo criminoso. Tem sangue-frio e tem conheci-mentos. Palmer e Pritchard eram profissionais de primeira. Esse homem é muito competente, mas acho, Watson, que vamos ser mais ainda. Mas veremos muitos horrores esta noite, antes que termine. Por Deus do céu, vamos fumar um cachimbo e pensar em coisas mais agradáveis por algumas horas.

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