Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- Pensei nos cinqüenta guinéus e como me seriam úteis. "De maneira nenhuma", respondi. O maior prazer em fazer o que deseja. Gostaria, entretanto, de entender um pouco melhor o que é exatamente que o senhor quer que eu faça.
- 'Pois não. É muito natural que a promessa de segredo que extraímos' do senhor o faça ficar curioso. Não quero que se comprometa à coisa alguma sem saber do que se trata. Suponho que não haja risco nenhum de alguém nos escutar?
- "Absolutamente."
- "Então é o seguinte. 0 senhor deve saber que greda de um produto valioso e que só é encontrada em um ou dois lugares na Inglaterra, pois não”?
- "Já ouvi dizer".
- "Há algum tempo comprei uma pequena propriedade, muito pequena, a uns doze quilômetros de Reading. Tive a sorte de descobrir que havia um depósito de greda em um dos meus campos. Ao examiná-lo, entretanto, vi que esse depósito era relativamente pequeno e fazia ligação com dois muito maiores, um à direita e outro à esquerda, ambos nas propriedades de meus vizinhos. Esses bons homens não sabiam absolutamente que suas terras continham o que era equivalente a uma mina de ouro. Naturalmente, meu interesse seria comprar suas terras antes que descobrissem seu verdadeiro valor, mas, infelizmente, não tinha capital para isso. Compartilhei o segredo com alguns amigos meus e eles sugeriram que começássemos a trabalhar secretamente em nosso pequeno depósito e assim ganharíamos o suficiente para comprar as terras dos vizinhos. É isso que vimos fazendo por algum tempo e, para auxiliar as operações, fizemos uma prensa hidráulica. Essa prensa, como já expliquei, não está funcionando bem e queremos sua opinião. Contudo, guardamos nosso segredo zelosamente e se fosse sabido que temos engenheiros hidráulicos vindo à nossa casa isso despertaria suspeitas e se os fatos viessem à tona, seria adeus à possibilidade de adquirir essas terras e realizar nossos planos. É por isso que fiz o senhor prometer que não dirá a ninguém que vai hoje à noite. Espero que tenha explicado tudo claramente".
- "Compreendo" respondi. "A única coisa que não entendi bem é qual é a utilidade de uma prensa hidráulica na extração de greda de prisioneiro, que, pelo que sei, é escavada da terra como pedra de uma pedreira".
- "Ali!" ele disse displicentemente. "Temos nosso processo especial. Comprimimos a terra em tijolos para poder removê-los sem revelar o que contêm. Mas isso é mero detalhe. Contei-lhe toda nossa história, Mr. Hatherley, e demonstrei que confio no senhor". Ergueu-se enquanto falava. "Vou esperá-lo, então, em Eyford. Às 1 1h15m."
- "Estarei lá com certeza".
- "Nem uma palavra a ninguém." Lançou-me um longo olhar inquisitivo e, com um aperto de mãos, saiu apressado da sala.
- Bem, quando pensei em tudo isso com calma fiquei, como devem imaginar muito espantado com essa súbita incumbência que havia recebido. Por um lado, é claro, estava contente, pois os honorários eram pelo menos dez vezes mais do que teria pedido se fosse eu que tivesse feito o preço e era possível que esse serviço levasse a outros. Por outro lado, a expressão e a maneira de meu cliente causaram uma impressão muito desagradável em mim e não achei que a explicação sobre a greda de prisioneiro fosse razão suficiente para essa visita à meia-noite e para justificar sua ansiedade de que eu não dissesse nada a ninguém. Mas apesar disso, pus de lado meus receios, fiz uma lauta refeição, fui para Paddington e comecei minha viagem, obedecendo fielmente à recomendação de não dizer nada a ninguém.
- Em Reading mudei não só de vagão, mas também de estação. Consegui pegar, entretanto, o último trem para Eyford e cheguei à pequena e escura estação depois de onze horas. Fui o único passageiro a saltar lá e não havia ninguém na plataforma, exceto um porteiro sonolento, com uma lanterna. Quando pelo portão, entretanto, encontrei meu conhecido da manhã esperando no escuro, do outro lado. Sem dizer uma palavra, pegou meu braço e levou-me rapidamente para um carro, cuja porta estava aberta. Fechou as janelas dos dois lados, deu urnas pancadinhas na madeira e o carro se arremessou à frente a toda velocidade.
- Um cavalo só? - perguntou Holmes.
- Só um.
- Notou de que cor era?
- Sim, vi à luz das lanternas laterais quando entrava no carro. Era um cavalo baio.
- Com aparência cansada?
- Não, descansado e vigoroso.
- Obrigado. Desculpe a interrupção. Por favor, continue sua história. É muito interessante.
- Lá nós fomos pelo menos por uma hora. 0 Coronel Lysander Stark havia dito que eram somente uns dez quilômetros, mas achei, pela velocidade em que andávamos e o tempo que levamos que deviam ser pelo menos uns quinze. Sentou-se a meu lado em silêncio todo o tempo e vi mais de uma vez, quando olhei para ele, que estava me olhando com grande intensidade. As estradas pareciam não ser muito boas naquela região, pois sacudimos e balançamos de um lado para o outro todo o tempo. Tentei olhar pelas janelas para ver onde estávamos, mas o vidro era fosco e não pude ver nada, só a mancha de uma luz ocasional. De vez em quando dizia alguma coisa para quebrar a monotonia da viagem, mas o Coronel respondia em monossílabos; e a conversa morria. Finalmente os solavancos da estrada cederam lugar a um caminho de cascalho e o carro parou. 0 Coronel Lysander Stark saltou e, quando o segui, puxou-me rapidamente para uma varanda que se abria à nossa frente. Saímos, por assim dizer, diretamente do carro para o hall de entrada, de forma que não pude nem ver a frente da casa. No minuto em que transpus a soleira da porta, esta se fechou atrás de nós e ouvi o ruído das rodas do carro que se afastava.
- Estava totalmente escuro dentro de casa e o Coronel tateou em volta procurando fósforos e resmungando baixinho. Subitamente uma porta se abriu na outra extremidade da passagem e uma longa faixa dourada de luz se estendeu em nossa direção. Alargou-se e uma mulher surgiu com uma lâmpada que segurava acima da cabeça, empurrando o rosto para a frente e olhando para nós. Pude ver que era bonita e pelo brilho da luz no vestido escuro que usava, vi que era de uma fazenda de boa qualidade. Disse algumas palavras em uma língua estrangeira e o tom era como se estivesse fazendo uma pergunta e quando meu companheiro respondeu com um monossílabo rude ela estremeceu tanto que a lâmpada quase caiu de sua mão. 0 Coronel Stark foi até ela, murmurou qualquer coisa em seu ouvido e aí, empurrando-a em direção ao quarto de onde viera, veio para mim novamente com a lâmpada na mão.
- Teço-lhe que tenha a bondade de esperar neste quarto uns minutos disse, abrindo outra porta. Era um quarto pequeno, mobiliado simplesmente com uma mesa redonda no centro, na qual estavam espalhados vários livros em alemão. 0 Coronel Stark colocou a lâmpada sobre um harmônio perto da porta. "Não o farei esperar muito," disse, e desapareceu na escuridão.
- Lancei um olhar nos livros sobre a mesa e apesar de não saber alemão, vi que dois eram tratados sobre ciências e os outros, livros de poesia. Fui até a janela, esperando ver alguma coisa da paisagem, mas estava coberta por pesadas tábuas de carvalho. Era uma em extraordinariamente silenciosa. Ouvi o tique-taque de um velho relógio em alguma parte do corredor, mas fora isso, tudo era silêncio. Uma vaga sensação de mal-estar começou a se apoderar de mim. Quem eram esses alemães e o que estavam fazendo, morando nesse lugar estranho, tão longe de tudo? E que lugar era esse? Estava a doze ou quinze quilômetros de Eyford, era tudo que sabia, mas se ao Norte, Sul, Leste ou Oeste, não tinha a menor idéia. Reading e possivelmente outras cidades grandes talvez estivessem nesse raio e, portanto o lugar poderia não ser tão isolado assim. No entanto, tinha certeza, pela profundidade do silêncio, que estávamos no campo. Andei de um lado para o outro cantarolando baixinho para espantar o medo e sentindo que estava fazendo jus a meus honorários de cinqüenta guinéus.
- De repente, sem o menor som preliminar que servisse de aviso no silêncio total, à porta da sala abriu-se lentamente. A mulher surgiu na abertura, a escuridão do corredor às suas costas, a luz amarela de minha lâmpada caindo sobre seu lindo e aflito rosto. Vi logo que estava aterrorizada e o sangue gelou em minhas veias. Ela ergueu um dedo trêmulo para fazer sinal de silêncio e murmurou umas palavras em inglês hesitante, lançando os olhos, como os de um animal amedrontado, para o corredor escuro.