Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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- Talvez seja melhor não falar no assunto. Evidentemente o deixa muito nervoso.
- Oh, não, agora não. Tenho de contar minha história à polícia, mas, entre nós, se não fosse pela prova evidente dessa minha ferida, ficaria muito surpreso se acreditassem em mim, pois minha história é realmente extraordinária e não tenho provas para confirmá-la. E mesmo que acreditassem em mim, as pistas que posso lhes dar são tão - vagas que é muito duvidoso se jamais se poderá fazer justiça.
- Ah! - exclamei. - Se trata de um problema que o senhor gostaria que fosse resolvido, recomendaria altamente que fosse consultar - meu amigo, Sherlock Holmes, antes de ir à polícia.
- Oh, ouvi falar desse homem - respondeu meu visitante - e ficaria muito contente se ele se encarregasse do assunto, embora tenha de usar a polícia oficial também. Pode me dar uma apresentação para ele?
- Farei melhor que isso. Vou levá-lo lá eu mesmo.
- Ficaria imensamente grato ao senhor.
- Vamos chamar um carro e iremos juntos. Chegaremos bem a tempo de tomar café com ele. Sente-se bastante bem para isso?
- Sim. Não me sentirei aliviado enquanto não contar minha história.
- Então minha empregada chamará um carro e estarei de volta em um instante. - Subi as escadas correndo, expliquei o sucedido à minha esposa rapidamente e em cinco minutos estava dentro de um carro, levando meu novo paciente para a Rua Baker.
Sherlock Holmes estava, como eu esperava, descansando em sua sala de estar, vestindo um roupão e lendo os anúncios pessoais do enquanto fumava seu cachimbo de antes do café, composto de todas as sobras de fumo do dia anterior, cuidadosamente secas e amontoadas em um canto da prateleira sobre a lareira. Recebeu-nos com sua amabilidade calma, mandou vir mais ovos e bacon e nos acompanhou em uma lauta refeição. Quando terminamos, sentou nosso novo conhecido no sofá, colocou uma almofada atrás de sua cabeça e um copo de conhaque com água a seu alcance.
- É fácil de ver que sua experiência não foi muito comum, Sr. Hatherley - disse. - Por favor, fique deitado e sinta-se completamente à vontade. Conte-nos o que puder, mas pare quando se sentir cansado, e se fortifique com um pouco desse estimulante.
- Obrigado, - disse meu paciente - mas me sinto outro homem desde que o Doutor fez o curativo, e acho que seu café da manhã completou a cura. Vou tomar o menos possível de seu valioso tempo, por isso começarei imediatamente a relatar minhas extraordinárias experiências.
Holmes estava sentado em sua ampla poltrona, com a expressão de cansaço, com pálpebras pesadas, que encobria sua natureza aguda e perspicaz e eu à sua frente, enquanto ouvíamos em silêncio a estranha história que nosso visitante nos contou.
- É preciso dizer que sou órfão e solteiro, moro sozinho em quartos alugados em Londres. Minha profissão é de engenheiro hidráulico e tive considerável experiência de trabalho durante os sete anos que passei como estagiário na grande firma Venriar & Matheson, em Greenwich. Há dois anos, tendo completado meu estágio e também tendo herdado uma quantia adequada pela morte de meu pobre pai, decidi estabelecer-me por conta própria e aluguei salas na Rua Victoria.
- Suponho que todo mundo passa pelo mesmo quando está começando a vida e abre um escritório. Em dois anos, só o que me apareceu foram três consultas e um pequeno serviço, nada mais. Minha renda bruta não passa de vinte e sete libras e dez xelins. Todos os dias, das nove da manhã até as quatro da tarde ficava em minha pequena sala, até que comecei a acreditar que nunca teria uma clientela.
- Ontem, entretanto, quando estava pensando em fechar o escritório, meu empregado entrou para dizer que um cavalheiro queria falar comigo sobre um trabalho. Trouxe um cartão com o nome de "Coronel Lysander Stark" impresso. Logo em seguida veio o próprio Coronel, um homem bastante alto e extremamente magro. Acho que nunca vi um homem tão magro assim. 0 rosto se resumia em nariz e queixo e a pele das faces estava esticada sobre os ossos protuberantes. No entanto, essa magreza parecia coisa natural e não fruto de alguma doença, pois seus olhos eram brilhantes, seus movimentos cheios de energia e sua postura confiante. Estava vestido sobriamente e julguei que deveria ter uns quarenta anos.
- 'Sr. Hatherley?’, indagou, com ligeiro sotaque alemão. "0 senhor foi recomendado, Sr. Hatherley, como sendo uma pessoa eficiente em sua profissão e também ornamente discreto e capaz de guardar um segredo" Cumprimentei-o, sentindo-me lisonjeado com essas palavras, como qualquer rapaz da minha idade. 'Posso indagar quem me recomendou?-, perguntei.
- 'Talvez seja melhor não dizer por enquanto. “A mesma pessoa me informou que o senhor é órfão e solteiro e reside sozinho em Londres.”
- 'Terrivelmente correto’, respondi, "mas permita-me observar que nada disso tem a ver com minha capacidade profissional. Não é sobre um assunto profissional que o senhor quer falar comigo?”.
- "Sem dúvida alguma. Mas o senhor viu que tudo que digo tem uma o de ser. Tenho um trabalho para o senhor, mas é essencial que haja segredo absoluto, entende, segredo absoluto, e naturalmente é mais fácil obter isso de um homem que mora sozinho do que um que reside no seio da família."
- Se prometer guardar segredo, retorquiu, "pode ter certeza absoluta que cumprirei o prometido".
Ele me olhou fixamente enquanto eu falava e me pareceu que nunca vira um olhar tão desconfiado e inquisitivo.
- Então, promete? Perguntou finalmente.
- "Sim, prometo. "
- "Silêncio completo e absoluto, antes, durante e depois? Nenhuma referência ao assunto, nem oral, nem por escrito”?
- "Já lhe dei minha palavra".
- "Muito bem." Levantou-se de repente e, atravessando a sala como um relâmpago, abriu a porta. 0 corredor estava deserto.
- Muito bem, disse, voltando. "Sei que os empregados às vezes ficam curiosos sobre os negócios de seus patrões. Agora podemos falar em segurança". Puxou a cadeira para junto da minha e começou a me fixar novamente com aquele olhar inquisitivo e pensativo.
- Uma sensação de repulsa e alguma coisa semelhante ao medo começou a se apossar de mim, vendo as excentricidades desse homem esquelético. Nem mesmo meu medo de perder um cliente podia me impedir de mostrar minha impaciência.
- Teço-lhe que declare a que veio senhor disse-lhe. "Meu tempo é muito valioso". Deus me perdoe por esta última frase, mas falei sem pensar:
- O que acha de cinqüenta guinéus por uma noite de trabalho? Perguntou.
- “Maravilhoso.”
- "Estou dizendo uma noite de trabalho, mas uma hora seria mais apropriado. Apenas quero sua opinião sobre uma máquina hidráulica de estampar que não está funcionando bem. Se nos mostrar o que está errado, nós mesmos a consertaremos. 0 que acha de uma incumbência dessas?"
- “O trabalho parece ser pouco e a remuneração excelente”.
- Precisamente. Queremos que venha hoje à noite pelo último trem.
- "Aonde?"
- "A Eyford, em Berkshire. É um lugarejo perto da fronteira de Oxfordshire, a dez quilômetros de Reading. Há um trem de Paddington que o deixará lá aproximadamente as onze e quinze".
- "Muito bem."
- "Irei buscá-lo com um carro".
- "Fica longe da estação?".
- "Sim, nossa pequena propriedade fica no meio do mato. São uns dez quilômetros da estação de Eyford".
- "Então não chegaremos antes da meia-noite. Imagino que não há chance nenhuma de um trem de volta. Serei obrigado a passar a noite lá".
Podemos arranjar acomodações para o senhor.
"É um pouco incômodo. Não seria possível ir a uma hora mais conveniente?"
- "Achamos melhor o senhor ir à noite. É para recompensá-lo por qualquer inconveniência que estamos pagando ao senhor, um rapaz jovem e desconhecido, um honorário que compraria a opinião dos maiores de sua profissão. Mas é claro que se o senhor quiser desistir do negócio, tem toda a liberdade".