Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
- Mas por essa ocasião uma grande mudança se efetuou em nosso padrasto. Em vez de fazer amizades e visitar nossos vizinhos, que de início haviam ficado muito contentes de ver um Roylott de Stoke Moran novamente em comando das velhas propriedades, ele se fechou dentro de casa e raramente saía, a não ser para brigar violentamente com qualquer pessoa que surgisse à sua frente. Certa violência de temperamento, chegando quase à loucura, tem sido hereditária nos homens da família e, no caso de meu padrasto, creio que havia sido intensificada por sua longa residência nos trópicos. Sucedeu-se urna série de brigas vergonhosas e duas terminaram na delegacia até que finalmente ele se tomou o terror da aldeia e todo mundo fugia quando ele aparecia, pois é tremendamente forte e completamente incontrolável em uma de suas fúrias.
- A semana passada jogou o ferreiro da aldeia dentro de um rio e só consegui evitar um escândalo pagando todo o dinheiro que consegui arranjar. Não Unha nenhum amigo, a não ser os ciganos e dava permissão a esses vagabundos para acampar nos poucos acres cobertos de mato que representam a propriedade da família, e aceitava em retomo a hospitalidade de suas tendas, acompanhando-os às vezes durante semanas. Tem, também, paixão por animais hindus que lhe são mandados por um agente e que passeiam livremente pela propriedade e são temidos pelos camponeses quase tanto quanto seu dono. No momento, tem um leopardo hindu e um mandril.
- Pode imaginar por tudo isso que minha pobre irmã Júlia e eu não tivemos vidas muito agradáveis. Nenhum empregado ficava conosco e durante muito tempo fizemos todo o trabalho doméstico. Júlia só tinha trinta anos quando morreu, mas seu cabelo estava quase branco, como o meu está ficando.
- Sua irmã morreu, também?
- Faleceu há dois anos, e é sobre a morte dela que quero falar com o senhor. Deve compreender que, vivendo a vida que acabei de descrever, havia poucas possibilidades de ver pessoas de nossa idade e posição. Tínhamos, entretanto, uma tia, irmã solteira de minha mãe, a Srta. Honoria Westphail, que mora perto de Harrow, e ocasionalmente tínhamos permissão de visitar essa senhora. Júlia foi vê-la no Natal dois anos atrás e lá conheceu um capitão-de-corveta, de quem ficou noiva. Meu padrasto tomou Conhecimento do noivado quando minha irmã voltou e não fez objeção ao casamento. Mas quinze dias antes do dia que fora marcado para a cerimônia, ocorreu o terrível acontecimento que me privou de minha única companheira.
Sherlock Holmes se havia recostado na poltrona e fechado os olhos, com a cabeça apoiada em urna almofada, mas abriu as pálpebras a meio e olhou nossa visitante.
- Faça o favor de ser precisa quanto aos detalhes - disse.
- Isso é muito fácil, pois todos os acontecimentos desse período horrível estão indelevelmente gravados em minha memória. A mansão é, corno já disse, muito velha e só uma ala ainda é habitada. Os quartos de dormir nessa ala são no andar térreo e as salas são no bloco central do prédio. O primeiro quarto é do Dr. Roylott, o segundo de minha irmã e o terceiro é o meu. Não há comunicação entre eles, mas todos três abrem no mesmo corredor. Estou sendo bem clara?
- Perfeitamente.
- As janelas dos três quartos abrem sobre o gramado. Naquela noite fatal, Dr. Roylott fora para o quarto cedo, embora soubéssemos que não tinha ido para a cama, pois a irmã estava se sentindo mal com o cheiro dos charutos hindus muito fortes que ele costumava fumar. Saiu de seu quarto e veio para o meu e lá - ficou por algum tempo, conversando sobre o casamento que se aproximava. As onze horas da noite levantou para sair, mas parou à porta e olhou para trás.
- “Diga-me uma coisa, Helen”, falou, “você já ouviu alguém assoviar no meio da noite?”
- “Nunca”, respondi.
- “Será que você não poderia assoviar sem saber, dormindo?”
- “Claro que não. Mas por que pergunta?”
- “Porque nessas últimas noites, cerca de três da manhã, tenho sempre ouvido um assovio baixo, muito claro. Tenho o sono leve e isso me acorda. Não sei dizer de onde vem, talvez do quarto ao lado, talvez lá de fora. Só queria saber se você também tinha ouvido”.
- “Não ouvi nada. Devem ser aqueles ciganos desgraçados acampados na prioriedade”.
- Bem provável. Mas se fosse lá fora você também devia ter ouvido”.
- “Ali, mas meu sono é muito mais pesado que o seu”.
- “Bem, não tem muita importância”. Ela sorriu para mim, fechou a porta e poucos segundos depois ouvi a chave virar na fechadura de seu quarto.
- Realmente? - disse Holmes. - Era seu costume trancar a porta dos quartos à noite?
- Sempre.
- Por quê?
- Acho que mencionei que o Doutor tinha um leopardo e um mandril que andavam soltos. Não nos sentíamos seguras a não ser com as portas trancadas.
- Ah, sim. Por favor, continue sua narrativa.
- Não pude dormir aquela noite. Um sentimento impreciso de desgraça iminente me oprimia. Minha irmã e eu, como sabe, éramos gêmeas e o senhor sabe que laços muito sutis unem duas almas tão intimamente aliadas. Era uma noite selvagem. O vento uivava lá fora e a chuva batia contra as janelas. Subitamente, no meio do rumor da ventania, ouvi o grito de uma mulher aterrorizada. Sabia que era a voz de minha irmã. Saltei da cama, enrolei um xale nos ombros e corri para o corredor. Quando abri minha porta me pareceu ouvir um assovio baixo, como minha irmã havia descrito, e poucos momentos depois um som metálico, como se um bloco de metal tivesse caído. Quando me aproximei do quarto dela, vi que. a porta estava aberta balançando lentamente nas dobradiças. Fiquei olhando, horrorizada, sem saber o que estava prestes a sair do quarto. À luz da lâmpada do corredor vi minha irmã surgir na abertura da porta, com o rosto lívido de terror e as mãos estendidas, como que pedindo socorro, cambaleando como uma bêbeda. Corri para junto dela e segurei-a em meus braços, mas nesse momento seus joelhos se dobraram e caiu no chão. Contorcia-se como se estivesse com dores violentas e os braços e pernas estavam retorcidos. A princípio pensei que não havia me reconhecido, mas quando me inclinei sobre ela gritou de repente em uma voz que jamais esquecerei: “Oh, meu Deus, Helen! Era a banda! A banda pintada!” Havia mais alguma coisa que ela queria dizer e apontou o dedo no ar em direção ao quarto do Doutor, mas sofreu mais uma convulsão que abafou as palavras. Saí correndo, chamando em voz alta meu padrasto e encontrei-o saindo do quarto, vestindo um roupão. Quando chegou junto de minha irmã, ela já estava inconsciente e embora ele tivesse derramado conhaque em sua garganta e mandado buscar auxílio médico na aldeia, tudo foi em vão e ela morreu sem recobrar os sentidos. Esse foi o horrível fim da minha querida irm.
- Um momento, - disse Holmes - tem certeza sobre o assovio e o som metálico? Está pronta a jurar sobre isso?
- Foi isso que o juiz me perguntou no inquérito. Tenho uma impressão muito forte que ouvi isso, mas com o barulho da tempestade e os ruídos naturais em uma casa tão velha, talvez tenha me enganado.
- Sua irmã estava vestida?
- Não, estava de camisola. Na mão direita tinha os restos de um fósforo queimado e na esquerda uma caixa de fósforos.
- Demonstrando que acendera um fósforo e olhara em volta quando ouviu o barulho. Isso é importante. E quais foram as conclusões do inquérito?