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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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E foi aí que eu percebi: a audácia de minhas ações! Não se tratava tanto do fato de eu ter violado as condições de minha liberação (que já era ruim o suficiente por si só), mas a forma como eu tinha feito isso.

Se eu tivesse ido a Atlantic City em uma perua, levando minha mãe de 70 anos de idade e um punhado de moedas de 25 centavos enrolados numa meia, então o juiz Gleeson provavelmente ia dizer: “Ah, é apenas o caso de um bom filho querendo passar um tempo com sua mamãe idosa”, e então ele me deixaria sair sem nem mesmo uma advertência. Mas eu tinha roubado 100 milhões de dólares e estava tendo uma segunda chance, mas como eu demonstrava meu agradecimento? Fazendo uma viagem secreta de helicóptero para a Sodoma e Gomorra de Nova Jersey com uma modelo menor de idade. E, para financiar meu passeio, tinha pegado um empréstimo sem juros do governo federal!

Com o coração apertado, perguntei:

– E agora, o que vem a seguir?

Depois de alguns momentos de silêncio, ouvi:

– Espero que nada… Vou ligar para Joel, contar a ele seu lado da história e direi que tratarei disso com Alonso, apesar de não ser exatamente a melhor maneira de começar um relacionamento com ele. – Magnum parou por um momento. Em seguida: – Mas o que se há de fazer, certo?

– Sim, claro – respondi, sem emoção. – O que se há de fazer?

Passamos mais alguns minutos pensando em estratégias, mas não havia realmente muito que pudéssemos fazer. A coisa mais importante, nós concordamos, era garantir que a história jamais aparecesse diante do juiz Gleeson. Ele era um homem conservador, disse Magnum, um homem completamente racional, que vivia conforme as regras. Isso era o tipo de coisa que só faria aumentar sua ira.

Depois que desliguei o telefone, fiquei sentado na beira da cama por um momento, estupefato. Devo ter dito milhares de vezes, em tom de brincadeira, que eu era meu pior inimigo, mas daquela vez não foi engraçado. Mais uma vez, eu tinha colocado minha liberdade em perigo, e por quê? Em retrospecto, minha decisão parecia totalmente incompreensível. Eu estava realmente sendo autodestrutivo? Não pensava assim, mas, olhando de fora, era exatamente o que eu aparentava ser. Que tipo de mau funcionamento eu possuía que me levava a fazer esse tipo de coisas, que me levava a assumir esses riscos descontrolados, mesmo quando não haveria nenhuma vantagem?

Respirei fundo e lutei contra a vontade de me censurar ainda mais. O que foi feito, foi feito. Se o juiz Gleeson descobrisse isso, iria me jogar na prisão na hora, eu perderia Yulia, as crianças ficariam de coração partido, a Duquesa iria se mudar para a Califórnia, Meadow Lane seria confiscada na minha ausência, meus móveis e roupas seriam leiloados por alguns centavos de dólar e meu plano de negociar ações seria frustrado. Mas minhas despesas com a Duquesa e as crianças continuariam. Então, quando eu finalmente fosse condenado, dali a três anos, e saísse da cadeia alguns anos depois, estaria nu, sem dinheiro, sem casa e meus filhos estariam morando a 5 mil quilômetros de distância e chamando John Macaluso de papai!

CAPÍTULO 24

O DEUS DO DESTINO CONTRA-ATACA

Os sete dias seguintes foram angustiantes.

Depois de desligar o telefone, eu liguei para Pat Mancini, que, não surpreendentemente, tinha acabado de receber um telefonema do Canalha, perguntando se ele tinha me dado autorização para viajar a Atlantic City. Pat, é claro, disse-lhe que não tinha, e o Canalha tinha sugerido que ele informasse ao juiz Gleeson sobre minha violação da fiança.

Pat disse a ele que iria pensar sobre aquilo.

Felizmente, ele me disse que não iria avisar o juiz; na verdade, ele disse que tinha se sentido mal por mim. Sim, eu era definitivamente um idiota por ter pegado um helicóptero para Atlantic City, mas de certa forma aquilo tinha sido armado para a minha queda. “Quando um homem fica tanto tempo em prisão domiciliar, ele acaba fazendo merda”, explicou Pat. “É como o velho ditado: você deixa corda suficiente para o cara se enforcar.”

Antes de desligar, ele disse uma coisa que eu ouviria bastante nas semanas seguintes: “Para um cara inteligente como você, Jordan, você faz algumas coisas bem burras!”. Então ele desligou na minha cara.

Passei o resto do fim de semana em um estado de relativa calma. Em seguida, na manhã de segunda-feira, o mundo desabou.

Tudo começou quando Mancini ligou para Magnum dizendo que tinha recebido uma carta mordaz do Canalha, exigindo que ele escrevesse uma carta para Gleeson informando-o de minha viagem para Atlantic City. E, apenas para melhorar, o Canalha descrevera todos os pontos altos da minha viagem: a garota, o saco de dinheiro, o helicóptero… E que tudo isso deveria constar na carta a Gleeson, para Pat não ser acusado de pintar um quadro enganoso para o juiz.

Magnum deu um telefonema de emergência para Joel, pedindo-lhe que rescindisse a carta para Mancini, mas ouviu somente uma mensagem gravada que era algo como: “Oi, aqui é Joel Cohen, eu não sou mais do escritório da Promotoria e estarei de férias durante as próximas duas semanas…”.

Sim, o Canalha tinha desaparecido, e aquela era sua vingança.

Ele queria ter revogado minha fiança com o incidente de Dave Beall, mas tinha sido vencido. Portanto, aquela era a vingança dele, filho de uma puta! Magnum, no entanto, não estava pronto para desistir sem lutar, então pulou no metrô e desceu à Procuradoria para reunir-se com Alonso, que concordou em chamar Mancini e dizer que ele poderia lidar com isso “em casa”. Minhas restrições seriam apertadas por alguns meses, e depois finalmente Alonso faria uma moção para Gleeson para tirar minha tornozeleira, afastando-me dos olhos de Mancini de uma vez por todas.

Claro, disse Mancini, isso seria maravilhoso. O único problema era que ele tinha acabado de apertar o botão de “enviar” do e-mail, e então, naquele exato momento, o juiz Gleeson provavelmente estaria lendo a carta, que, de fato, incluía todos os detalhes sujos. Quando Magnum me informou disso, deixei cair o telefone, corri para o banheiro e vomitei. Então, corri de volta para o telefone e perguntei a Magnum o que isso queria dizer: minha batata tinha assado de vez?

Ele me disse que não, que ainda havia uma chance de 50% de Gleeson ler a carta e não tomar nenhuma medida. Afinal, a carta não tinha sido acompanhada de um pedido de audiência. Com um pouco de sorte, Gleeson iria apenas sacudir a cabeça, incrédulo, perder um pouco de respeito por mim e depois seguir em frente com seu dia.

Não tive sorte.

Na manhã de quinta-feira, às 8h30 em ponto, ouvi um som muito preocupante: o telefone tocando.

Ah, meu Deus!, pensei. Olhei à minha esquerda, e lá estava KGB. Como sempre, ela estava dormindo profundamente, a cabeça loira soviética aparecendo por debaixo do edredom de seda branca.

Era Magnum. Suas primeiras palavras foram perdidas, mas não suas palavras seguintes:

– Infelizmente, recebi um fax de Gleeson e ele marcou uma audiência.

– Quando? – perguntei, em um estado muito além do pânico.

– Amanhã de manhã às 10 horas.

Roubei um olhar para a KGB. Bem, foi bom conhecê-la!, pensei.

– Acho que agora estou fodido – disse, bem calmo.

– Não necessariamente – respondeu ele. – Eu acho que ainda há uma saída para isso. O fundamental é nos aproximarmos de Gleeson como uma frente unida. Eu já falei com ambos, Mancini e Alonso. Mancini vai estar lá também amanhã e prometeu que vai se colocar a seu lado. Ele vai dizer que foi um mal-entendido e que, na opinião dele, você ainda pode ser confiável para viver de acordo com suas restrições de fiança.

– E Alonso, o que ele vai dizer?

– Como eu lhe disse, quando se trata de promotores, Dan Alonso é o melhor cara possível. Então, apesar de nunca tê-lo visto, disse que ficará a seu lado também. Vou me encontrar com ele mais tarde hoje e nós vamos preparar algo que possa ser vendido a Gleeson. Haverá algumas restrições severas por um tempo, acabar com as viagens, estar em casa às 6 da tarde, nada mais de noitadas na cidade, mas é muito melhor que ir para a cadeia, certo?

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