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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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– Sim, é – respondi. – E quais são as chances de Gleeson comprar isso?

– Perto de 100% – disse Magnum. – É muito raro que um juiz vá contra a recomendação de um promotor. E o fato de Mancini estar a bordo conosco praticamente fecha o negócio.

Excelente, pensei. Não havia nenhuma razão para me preocupar.

O TRIBUNAL FICAVA no número 225 da Cadman Plaza e parecia envolvido por um desespero irredutível. Ninguém, ao que parecia, realmente queria estar por lá, desde advogados, réus, funcionários, delegados, repórteres, pessoas que varriam o edifício de seis andares largos, até os próprios juízes. Todos pareciam entediados, desesperados ou à beira das lágrimas. Embora se pudesse encontrar o sorriso ocasional de alguém que tinha acabado de ser absolvido de uma acusação criminal, para cada sorriso largo havia uma carranca. Afinal, para cada vencedor, havia um perdedor.

Exceto no meu caso.

Era sexta-feira de manhã, alguns minutos antes das 10, e meus advogados e eu estávamos em um corredor longo e largo fora da sala do tribunal do juiz Gleeson. Tirando alguns bancos de madeira encostados contra as paredes, o corredor estava completamente vazio. Os bancos em volta pareciam tão confortáveis como o chão de linóleo. Entre os bancos havia quatro portas à prova de som, duas de cada lado, e cada uma levava a um tribunal separado.

Só então Magnum olhou por cima da minha cabeça e disse:

– Olhe, Alonso está chegando – e ele apontou para uma figura alta e magra que vinha em nossa direção. À primeira vista, ele parecia mais um astro de cinema que um promotor assistente. Alto, magro, de boa aparência, imaculadamente bem arrumado e com um sorriso surpreendentemente caloroso, era tudo o que o Canalha não era, uma imagem de graça e gentileza. Parecia o ator George Hamilton, sem o bronzeado.

– Então você é Jordan Belfort – disse Dan Alonso, estendendo a mão para um aperto. – Você não parece capaz de causar tanta comoção!

Eu sorri e apertei sua mão calorosamente, me perguntando se ele estava fazendo alguma vaga referência à minha altura. Afinal, ele era muito alto, e a cabeça de Magnum estava quase raspando o teto do corredor. Dei um passo em direção ao homem de Yale, buscando proteção quanto à altura, e disse:

– Bem, a aparência às vezes pode ser enganosa, certo?

Alonso assentiu e apertou minha mão firmemente.

Magnum disse:

– Eu prometo a você, Alonso, este é o fim de toda a comoção. Jordan perdeu seu desejo de voar em helicópteros com sacos de dinheiro. Certo, Jordan?

“Não se esqueça da garota menor de idade”, pensei.

– Para sempre – disse eu, confiante. – Eu nunca mais vou pisar em Atlantic City. Na verdade, não tenho vontade nem de colocar os pés em Nova Jersey de novo!

– E quem tem? – comentou o homem de Yale.

Magnum disse a Alonso:

– Eu acho que seria um bom momento para repassar as informações. Eu já falei para Jordan sobre suas novas restrições e ele está totalmente de acordo com elas. Correto, Jordan?

– Sim – disse eu, sem entusiasmo. – Estou realmente ansioso por elas…

Alonso disse:

– Basta se comportar por alguns meses e a gente pode voltar a falar com Gleeson para fazer uma moção e retirar você da prisão domiciliar. Acho que essa é a aposta mais segura para nós.

Comprimi os lábios e assenti humildemente, mas por dentro estava pensando: Alonso é muito melhor! Que o Canalha queime no mármore do inferno, com um tridente enfiado no rabo!

– Obrigado – respondi humildemente.

– Sem problema – disse, e virou-se para Magnum. – Acho melhor não levantar o assunto Dave Beall hoje. Podemos marcar outra audiência para isso.

Magnum assentiu e depois olhou para mim:

– Dan foi legal o suficiente para reduzir a ação de obstrução de justiça por mentir a um agente federal.

Alonso, sarcasticamente, falou:

– Agradeça a seus advogados por essa. Eles vinham me atormentando tanto nos últimos dias sobre isso, principalmente Nick, que já não suportava mais ouvir a voz deles.

– Só estou fazendo meu trabalho – disse o homem de Yale.

Sorri para Magnum e para o homem de Yale. E disse a Alonso:

– Eu agradeço por tudo isso, mas, acima de tudo, sei que meus filhos também vão agradecer um dia.

Alonso balançou a cabeça, compreensivo.

– Tudo bem, vamos entrar e acabar com isso – ele deu um passo e parou. Virou-se para nós e disse: – Espero sinceramente que Gleeson não faça muitas perguntas hoje, porque, para todos os fins, eu não tenho a menor ideia do que realmente aconteceu aqui. Essa coisa toda foi despejada no meu colo de última hora, e eu detesto ir para o tribunal sem saber todos os detalhes. Quer dizer, para início de conversa, por que diabos iria para Atlantic City? Você estava sob prisão domiciliar, caramba!

Balancei a cabeça, envergonhado.

– Bem, eu acho que foi apenas…

Alonso me cortou com a mão levantada.

– Não, não me diga nada. Eu prefiro não saber. Não há sentido nisso – ele balançou a cabeça. – De qualquer forma, para um cara tão inteligente, você faz algumas coisas bem burras, sabia?

Eu balancei a cabeça, concordando.

– Sim, eu já ouvi isso antes.

– Bem, não estou surpreso. Vamos, vamos entrar.

– ATENÇÃO! – esbravejou uma mulher de meia-idade vestindo um terninho anódino marrom. – A Corte dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova York está agora em sessão – continuou ela, com uma voz surpreendentemente profunda. – Todos de pé para o honorável juiz John Gleeson.

Como um mágico, o juiz Gleeson, em vestes negras, emergiu por detrás de uma porta com painéis de madeira que ligava seus aposentos ao tribunal. Sem dizer uma palavra, ele caminhou calmamente até um curto lance de escadas e sentou-se atrás de uma mesa grande de madeira que ficava em cima de um palco de madeira, que serviria para o próprio Fantasma da Ópera.

À esquerda do juiz, uma estenógrafa do tribunal tomou seu lugar em antecipação aos processos do dia. Atrás dela, ficou de pé um homem atarracado, que usava uma folgada jaqueta esporte azul, com uma protuberância gigante debaixo da axila esquerda. Ele só estava ali de pé, os braços cruzados sob o peito enorme, esperando alguém começar a foder com o juiz. Então ele atacaria com a velocidade de uma cobra.

O resto de nós, incluindo meu oficial de serviços pré-julgamento, Patrick Mancini, que com seu tamanhão poderia ter jogado na posição de ataque dos Rams, ficamos todos de pé atrás da mesa da defesa. Isso foi um bom sinal, pensei, porque não havia ninguém atrás da mesa do procurador. (Estamos todos do mesmo lado aqui!) Na verdade, mesmo a única pessoa nas cadeiras do público, uma jovem negra de 20 e poucos anos, que calculei ser uma aspirante a advogada ou uma repórter, parecia estar do meu lado. Ela estava sentada segurando um caderno espiral e uma caneta.

Magnum colocou a mão no meu ombro e me empurrou para baixo, para meu lugar. A mulher que tinha anunciado a presença do juiz começou a murmurar alguma coisa para a estenógrafa, algo como todos os Estados Unidos da América estarem contra mim, Jordan Belfort. Eu nunca tinha olhado a coisa realmente sob aquele prisma antes, mesmo em meu julgamento, que ocorreu em segredo, dentro da sala do juiz Gleeson.

O juiz Gleeson parecia bastante agradável, na verdade. Mesmo naquelas balouçantes vestes negras, eu podia dizer que ele tinha um bom coração. Ele olhou para mim como um cara que ia fatiar um peru de Ação de Graças para sua família. Era jovem para um juiz federal, com pouco mais de 45 anos, e tinha reputação de ser brilhante. Torci para que estivesse de bom humor.

De repente, Magnum fez sinal para eu ficar de pé, então me levantei.

– O.k. – disse o juiz Gleeson, suavemente. – Então, o que está acontecendo aqui?

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