O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
As últimas quatro balas não haviam feito muito estrago. Eponine sangrava, mas não estava em condição crítica. Max acertara o Lincoln logo antes de ele disparar o quarto tiro, quase que certamente salvando a vida de Nicole, já que aquela bala em particular passara a poucos centímetros dela. Dois dos convidados haviam sido arranhados pelos dois tiros finais, disparados quando o Lincoln estava caindo.
Richard juntou-se a Max e Patrick, que estavam segurando o bioma matador. “Ele não responde uma só pergunta”, disse Max.
Richard olhou para o ombro do bioma. Era o número 323. “Levem-no lá para os fundos”, disse Richard. “Vou querer dar uma olhada nele mais tarde.”
No palco, Nai Watanabe estava de joelhos, segurando a cabeça de seu bem-amado Kenji em seu colo. Seu corpo estremecia com suspiros profundos e desesperados. A seu lado, os gêmeos Galileo e Kepler choravam, assustados.
Ellie, com o vestido de noiva todo coberto de sangue, tentava consolar os dois meninos.
O dr. Turner estava atendendo Eponine. “Devemos ter uma ambulância aqui em poucos minutos”, disse ele depois de pensar seu ferimento. Beijou-a depois na testa. “Não há maneira de Ellie e eu jamais podermos agradecer o que fez.”
Nicole estava com os convidados, verificando que nenhum dos presentes atingidos pelas balas estivesse seriamente ferido. Estava a ponto de voltar ao microfone a fim de dizer a todos que podiam começar a se retirar quando um colonial histérico prorrompeu pelo auditório.
“Um Einstein enlouqueceu”, gritou ele antes de olhar o quadro à sua frente. “Ulanov e o juiz Iannella estão mortos.”
“Nós deveríamos ir embora. E agora”, disse Richard, “mesmo que você não vá, Nicole, eu vou. Sei coisas demais a respeito dos biomas de série 300 — e o que a gente de Nakamura tem feito para mudá-los. Virão atrás de mim esta noite ou amanhã pela manhã.”
“Tudo bem, querido”, respondeu Nicole. “Eu compreendo. Mas alguém tem de ficar com a família. E lutar contra Nakamura. Mesmo sem esperanças. Não podemos nos submeter à sua tirania.”
Já se passavam três horas desde o perturbado final do casamento de Ellie.
O pânico já corria por toda a colônia. A televisão acabara de anunciar que cinco ou seis biomas haviam enlouquecido simultaneamente e que pelo menos onze dos principais cidadãos do Novo Éden haviam sido mortos. Felizmente, o bioma Kawabata que tocava um concerto em Vegas fracassara em sua tentativa contra o candidato a governador Ian MacMillan e o conhecido industrial Toshio Nakamura…
“Balela”, dissera Richard ao ver o noticiário. “Isso era só parte do plano deles.” Estava certo de que todos os acontecimentos haviam sido planejados pela gente de Nakamura. E, além disso, Richard tinha a certeza de que ele e Nicole também tinham sido alvos pretendidos. Estava convencido de que os acontecimentos do dia resultariam em um Novo Éden completamente diferente, sob o controle de Nakamura, com Ian MacMillan como seu títere no governo.
“Não dirá pelo menos adeus a Patrick e Benjy?”, perguntou Nicole. “Melhor não”, respondeu Richard. “Não porque não os ame, mas porque talvez com isso mudasse de idéia.” “Você vai usar a saída de emergência?”
Richard concordou. “Não me deixariam sair pelo caminho normal.”
Enquanto ele verificava seu equipamento de mergulho, Nicole entrou no escritório. “Acabam de dizer no noticiário que tem gente espatifando seus biomas por toda a colônia. Um dos coloniais entrevistado disse que toda essa chacina foi planejada por alienígenas.”
“Bonito. A propaganda deles já começou.”
Ele empacotou o máximo de comida e água que lhe pareceu poder carregar sem problemas. Quando ficou pronto, estreitou Nicole em seus braços por mais de um minuto. Havia lágrimas nos olhos de ambos quando se separaram.
“Você sabe para onde vai?”, perguntou Nicole suavemente.
“Mais ou menos”, respondeu Richard, junto à porta dos fundos. “É claro que não vou dizer-lhe para onde, a fim de que não fique comprometida…”
“Eu compreendo”, disse ela. Ambos ouviram um certo ruído na frente da casa e Richard saiu correndo pelo quintal dos fundos.
O trem do Lago Shakespeare não estava correndo. O Garcia que operava um trem anterior na mesma linha fora liquidado por um grupo de coloniais furiosos, e todo o sistema fora fechado. Richard começou a caminhar no sentido do lado leste do Lago Shakespeare.
Caminhando pesadamente sob o peso de seu equipamento de mergulho e sua mochila, teve a sensação de que estava sendo seguido. Duas vezes pareceulhe ver alguém com o canto do olho, mas quando parou e olhou em tomo, não viu nada. Finalmente, atingiu o lago. Já passava da meia-noite. Lançou um último olhar na direção das luzes da colônia e começou a vestir o equipamento de mergulho. O sangue de Richard gelou quando um Garcia saiu das folhagens enquanto ele se despia.
Esperou ser morto. Ao fim de vários e longos segundos, o Garcia falou.
“Você é Richard Wakefield?”, perguntou.
Richard não se moveu e nem disse nada. “Se for”, acabou dizendo o bioma, “trago uma mensagem de sua mulher. Ela diz que o ama e deseja que Deus o acompanhe”.
Richard respirou lentamente. “Diga-lhe que eu também a amo”, disse ele.
O JULGAMENTO
1
Na parte mais profunda do Lago Shakespeare havia uma entrada para um longo canal submarino que corria por baixo da aldeia de Beauvois e da parede do habitat. Quando estava sendo desenhado o Novo Éden, Richard, que tinha considerável experiência prática em engenharia de convergência, sublinhara a importância de uma saída de emergência da colônia.
“Mas para o que haveria de precisar dela?”, perguntara a Águia.
“Não sei”, disse Richard. “Mas circunstâncias imprevisíveis muitas vezes ocorrem na vida. Um projeto de engenharia saudável sempre prevê proteção para contingências.”
Richard nadou cuidadosamente através do túnel, diminuindo o ritmo a cada tantos minutos para verificar sua reserva de ar. Quando chegou ao fim, passou por uma série de comportas que eventualmente o elevaram a uma passagem subterrânea seca. Ele caminhou uns cem metros antes de remover seu equipamento de mergulho e deixá-lo guardado em um lado do túnel. Quando atingiu a saída, que ficava na extremidade leste da área circunscrita que incluía ambos os habitats no Hemicilindro Norte de Rama, Richard tirou sua jaqueta térmica de sua mochila à prova d’água.
Mesmo sabendo que ninguém tinha a menor possibilidade de saber onde ele estava, Richard abriu a porta circular no teto da passagem com muito cuidado, antes de sair lentamente para a Planície Central. Até aqui, tudo bem, pensou ele, com um suspiro de alívio. Agora vamos ao Plano B.
Durante quatro dias, Richard ficou no lado leste da planície. Usando seus excelentes binóculos pequenos, pôde ver as luzes que indicavam atividade na área do centro de controle, na região de Avalon, ou no sítio das pesquisas de penetração do segundo habitat. Como Richard previra, houve grupos de busca na região entre os habitats por um dia ou dois, porém apenas um veio na direção dele e foi fácil evitá-lo.
Seus olhos foram se acostumando ao que ele pensava ser uma total escuridão na Planície Central. Na verdade, havia uma pequena luminosidade em segundo plano, vinda dos reflexos das superfícies de Rama. Richard supôs que a fonte ou fontes de luz deveriam estar no Hemicilindro Sul, do outro lado do distante muro do segundo habitat.