A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Encontraram Cleos ainda preso ao estribo. Tinha uma flecha espetada no braço direito e uma segunda no peito, mas fora o chão que dera cabo dele. O topo da cabeça estava empastado de sangue e mole ao toque, e pedaços de osso partido moviam-se por baixo da pele, sob a pressão da mão de Jaime.
Brienne ajoelhou-se e pegou na mão dele.
– Ainda está quente.
– Esfriará em breve. Quero o cavalo e as roupas dele. Estou farto de farrapos e moscas.
– Ele era seu primo. – A moça estava chocada.
– Era – concordou Jaime. – Não se preocupe, possuo ampla provisão de primos. Também quero a espada dele. Precisará de alguém com quem dividir as vigias.
– Pode ficar de vigia sem armas. – A garota levantou.
– Acorrentado a uma árvore? Talvez possa. Ou talvez possa negociar à minha maneira com o próximo bando de fora da lei e os deixe cortar esse seu grosso pescoço, garota.
– Não vou armá-lo. E meu nome é...
– Brienne, já sei. Eu prestaria o juramento de não lhe fazer mal, se isso atenuasse os seus medos de menina.
– Seus juramentos não têm qualquer valor. Prestou um juramento a Aerys.
– Que eu saiba, você não cozinhou ninguém dentro de sua armadura. E ambos queremos que eu chegue a Porto Real em segurança e inteiro, não queremos? – Acocorou-se ao lado de Cleos e começou a desafivelar o cinto dele.
– Afaste-se. Já. Pare com isso.
Jaime estava cansado. Cansado das suspeitas dela, cansado de seus insultos, cansado de seus dentes tortos, de seu rosto largo e manchado e daqueles seus cabelos finos e sem vida. Ignorando os protestos da garota, pegou com ambas as mãos no cabo da espada do primo, prendeu o cadáver ao chão com o pé e puxou. No momento em que a lâmina deslizou para fora da bainha, já estava rodopiando, trazendo a espada à sua volta e para cima num rápido e mortífero arco. Aço encontrou aço com um ressonante clang de fazer tremer os ossos. Sem que ele soubesse como, Brienne puxou a própria lâmina bem a tempo. Jaime riu.
– Muito bem, garota.
– Dê-me a espada, Regicida.
– Ah, darei. – Pôs-se em pé como uma mola, e arremeteu contra ela, com a espada viva nas mãos. Brienne saltou para trás, parando o ataque, mas ele seguiu-a, mantendo a pressão. Assim que a garota parava um golpe, o seguinte caía sobre ela. As espadas beijavam-se, saltavam para longe e voltavam a se beijar. O sangue de Jaime cantava. Era àquilo que estava destinado; nunca se sentia tão vivo como quando estava lutando, com a morte equilibrada em cada golpe. E com os pulsos acorrentados, a moça pode até me desafiar durante algum tempo. As correntes forçavam-no a usar uma empunhadura a duas mãos, embora fosse claro que o peso e o alcance eram menores do que seriam se a lâmina fosse uma verdadeira espada longa de duas mãos, mas que importava? A espada do primo era suficientemente longa para pôr um ponto final naquela Brienne de Tarth.
Pelo alto, por baixo, com o braço lançado acima do ombro, fez chover aço sobre ela. Pela esquerda, pela direita, para trás, brandindo a espada com tanta força que chispas voavam quando as lâminas se encontravam, para cima, estocada lateral, lançada sobre o ombro, sempre atacando, caindo contra ela, passo e esquiva, ataque e passo, passo e ataque, golpeando, cortando, mais depressa, mais depressa, mais depressa...
... até que, sem fôlego, deu um passo para trás e deixou a ponta da espada cair ao chão, dando-lhe um momento de descanso.
– Nada mal – reconheceu. – Para uma garota.
Ela inspirou lenta e profundamente, mantendo os olhos cuidadosos a vigiá-lo.
– Não quero machucá-lo, Regicida.
– Como se fosse capaz. – Rodopiou a lâmina por sobre a cabeça e voltou a cair sobre ela, num chacoalhar de correntes.
Jaime não saberia dizer durante quanto tempo prosseguiu o ataque. Podiam ter sido minutos ou podiam ter sido horas; o tempo dormia quando as espadas acordavam. Empurrou-a para longe do cadáver do primo, empurrou-a para o outro lado da estrada, empurrou-a para o meio das árvores. Brienne tropeçou uma vez numa raiz que não chegou a ver, e por um momento Jaime pensou que ela estivesse acabada, mas a mulher apoiou-se num joelho em vez de cair, e não perdeu o controle. A espada dela ergueu-se de um salto para bloquear um golpe alto que lhe teria aberto o tronco do ombro à virilha, e então golpeou-o, uma vez e mais outra, ganhando golpe a golpe o espaço para voltar a se levantar.
A dança prosseguiu. Jaime encurralou-a contra um carvalho, praguejou quando ela se esquivou dele, seguiu-a através de um riacho raso quase coberto de folhas caídas. O aço ressoou, o aço cantou, o aço gritou, raspou e soltou chispas, e a mulher passou a grunhir como uma porca a cada golpe, mas Jaime não encontrou maneira de atingi-la. Era como se, em volta dela, houvesse uma gaiola de ferro que parasse todos os golpes.
– Nada mal mesmo – disse ele quando fez um segundo de pausa para recuperar o fôlego, rodeando-a pela direita.
– Para uma garota?
– Para um escudeiro, digamos. Um verde. – Soltou uma gargalhada irregular e sem fôlego. – Vem, vem, minha querida, a música ainda está tocando. Posso ter a honra desta dança, minha senhora?
Grunhindo, ela atacou-o, com a espada a rodopiar, e de repente era Jaime quem lutava para manter o aço afastado da pele. Um dos golpes de Brienne varreu sua testa, e sangue correu para seu olho direito. Que os Outros a levem, e também a Correrrio! Sua perícia tinha enferrujado e apodrecido naquela maldita masmorra, e as correntes também não ajudavam em nada. Seu olho fechou-se, os ombros começavam a ficar entorpecidos por causa de toda a trepidação que tinham suportado, e seus pulsos doíam com o peso de correntes, algemas e espada. A espada ficava mais pesada a cada golpe, e Jaime sabia que não a brandia tão depressa como antes, nem a erguia tão alto.
Ela é mais forte do que eu.
Perceber aquilo gelou-o. Robert tinha sido mais forte do que ele, certamente. Touro Branco e Gerold Hightower, em seu apogeu, também, bem como Sor Arthur Dayne. Entre os vivos, Grande-Jon Umber era mais forte, Javali Forte de Crakehall muito provavelmente também, ambos os Clegane com toda a certeza. A força da Montanha não tinha nada de humano. Não importava. Com velocidade e perícia, Jaime era capaz de derrotar todos eles. Mas aquilo era uma mulher. Uma mulher que mais parecia uma enorme vaca, com certeza, mesmo assim... por tudo aquilo que era certo, quem devia estar se cansando era ela.
Em vez disso, forçou-o a voltar ao riacho, gritando:
– Renda-se! Jogue fora a espada!
Uma pedra escorregadia virou-se sob o pé de Jaime. Ao sentir-se caindo, transformou o azar numa estocada em mergulho. A ponta da espada ultrapassou a defesa dela e mordeu sua coxa superior. Uma flor vermelha desabrochou, e Jaime teve um instante para saborear a visão do sangue de Brienne antes de seu joelho colidir com uma pedra. A dor cegou-o. Brienne andou até ele, espalhando água, e afastou a espada de suas mãos com um chute.
– RENDA-SE!
Jaime atirou o ombro contra as pernas dela, fazendo-a cair por cima de si. Rolaram, esperneando e esmurrando-se, até que por fim ela conseguiu sentar-se montada nele. Jaime conseguiu tirar o punhal da bainha dela, mas antes de ter tempo de mergulhá-lo em sua barriga, ela apanhou seu pulso e bateu-o com tanta força numa pedra que foi como se lhe tivesse arrancado o braço do ombro. Com a outra mão, a garota segurou seu rosto.
– Renda-se! – empurrou sua cabeça para baixo, manteve-a dentro da água, puxou-a para cima. – Renda-se! – Jaime cuspiu água no rosto dela. Um empurrão, um espirrar de água, e estava de novo submerso, esperneando inutilmente, lutando para respirar. De novo para cima. – Renda-se, senão vou afogá-lo!