A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
JAIME
Há dois dias de viagem, para ambos os lados da estrada do rei, entraram numa larga faixa de destruição, quilômetros de campos e pomares enegrecidos, onde os troncos de árvores mortas se projetavam para o ar como postes de arqueiro. As pontes também estavam queimadas, e os riachos seguiam cheios pelas chuvas do outono, de modo que tinham de patrulhar as margens em busca de vaus. As noites estremeciam com os uivos dos lobos, mas não viam ninguém.
Em Lagoa da Donzela, o salmão vermelho de Lorde Mooton ainda flutuava sobre o castelo em sua colina, mas as muralhas da vila encontravam-se desertas, os portões, derrubados, metade das casas e lojas, incendiada ou saqueada. Não viram nenhum ser vivo exceto um punhado de cães selvagens, que escapuliram ao ouvir sua aproximação. A lagoa que deu à vila seu nome, onde a lenda dizia que Florian, o Bobo, pela primeira vez vislumbrara Jonquil banhando-se com as irmãs, estava de tal maneira repleta de cadáveres em decomposição que a água se tranformara numa sopa escura, de cor cinza-esverdeada.
Jaime deu uma olhada e começou a cantar.
– Cinco donzelas havia numa lagoa de nascente...
– O que está fazendo? – quis saber Brienne.
– Estou cantando “Seis donzelas na lagoa”, certamente já ouviu a canção. E que donzelinhas tímidas elas eram. Muito parecidas com você. Embora um tanto mais belas, aposto.
– Silêncio – disse a moça, com um olhar que sugeria que adoraria deixá-lo flutuando na lagoa entre os cadáveres.
– Por favor, Jaime – suplicou o primo Cleos. – Lorde Mooton está juramentado a Correrrio, não queremos atrai-lo para fora de seu castelo. E pode haver outros inimigos escondidos nas ruínas...
– Inimigos dela ou nossos? Não são os mesmos, primo. Tenho um forte desejo de ver se a garota sabe usar aquela espada que transporta.
– Se não ficar em silêncio, não me deixa escolha a não ser amordaçá-lo, Regicida.
– Desacorrente minhas mãos, e eu brincarei de mudo até chegarmos a Porto Real. O que poderia ser mais justo do que isso, garota?
– Brienne! Meu nome é Brienne! – três corvos levantaram voo, assustados pelo ruído.
– Não quer tomar um banho, Brienne? – soltou uma gargalhada. – É uma donzela, e ali está a lagoa. Eu lavo suas costas. – Costumava esfregar as costas de Cersei, quando éramos crianças no Rochedo Casterly.
A garota virou a cabeça do cavalo e afastou-se a trote. Jaime e Sor Cleos seguiram-na para fora das cinzas de Lagoa da Donzela. Um quilômetro e meio adiante, o verde começou a voltar ao mundo. Jaime sentiu-se satisfeito. As terras queimadas faziam-lhe lembrar Aerys em excesso.
– Ela está seguindo a estrada de Valdocaso – murmurou Sor Cleos. – Seria mais seguro seguir pela costa.
– Mais seguro, mas mais lento. Eu sou favorável a Valdocaso, primo. Para falar a verdade, sua companhia aborrece-me. – Pode ser meio Lannister, mas não tem nada a ver com a minha irmã.
Nunca tinha conseguido suportar estar muito tempo separado de sua gêmea. Até quando crianças, costumavam enfiar-se nas camas um do outro e dormir de braços entrelaçados. Até no ventre. Muito antes de a irmã florescer ou do advento de sua própria masculinidade, tinham visto éguas e garanhões nos campos e cães e cadelas nos canis e brincado de fazer o mesmo. Uma vez, a aia da mãe pegou-os no ato... não se lembrava bem do que estavam fazendo, mas, fosse o que fosse, havia horrorizado a Senhora Joanna. Ela mandou a aia embora, mudou o quarto de Jaime para o outro lado de Rochedo Casterly, colocou um guarda à porta do de Cersei e disse-lhes que não podiam voltar a fazer aquilo nunca mais, caso contrário não teria alternativa e seria obrigada a contar ao senhor pai deles. Mas não precisariam ter medo. Aquilo fora um pouco antes de ela morrer ao dar à luz Tyrion. Jaime quase nem se lembrava do rosto da mãe.
Stannis Baratheon e os Stark talvez lhe tivessem feito um favor. Tinham espalhado a sua história de incesto por todos os Sete Reinos, portanto nada mais havia a esconder. Por que não devo me casar abertamente com Cersei e dividir a cama com ela todas as noites? Os dragões sempre se casavam com as irmãs. Septões, senhores e povo tinham fechado os olhos aos Targaryen durante centenas de anos, que fizessem o mesmo com a Casa Lannister. Certamente devastaria a pretensão de Joffrey ao trono, mas no fim das contas tinham sido as espadas que conquistaram o Trono de Ferro para Robert, e espadas também podiam manter Joffrey lá, independente de que semente havia lhe dado origem. Poderíamos casá-lo com Myrcella, depois de enviarmos Sansa Stark de volta à mãe. Isso mostraria ao reino que os Lannister estão acima das leis deles, tal como os deuses e os Targaryen.
Jaime tinha decidido que iria devolver Sansa e a garota mais nova também, se fosse possível encontrá-la. Não era coisa que lhe reconquistasse a honra perdida, mas a ideia de cumprir com a palavra dada quando todos esperavam uma traição divertia-o mais do que seria capaz de exprimir.
Passavam por um campo de trigo espezinhado e um muro baixo de pedra quando Jaime ouviu um suave frum vindo de trás, como se uma dúzia de aves tivessem levantado voo ao mesmo tempo.
– Para baixo! – gritou, atirando-se sobre o pescoço do cavalo. O castrado relinchou e empinou-se quando uma flecha o atingiu na garupa. Outras flechas passaram assobiando por eles. Jaime viu Sor Cleos cair da sela, torcendo-se quando seu pé ficou preso no estribo. Seu palafrém fugiu, e o Frey passou por eles arrastado, aos gritos, com a cabeça batendo contra o chão.
O castrado de Jaime arrastou-se pesadamente, bufando e resfolegando de dor. Esticou a cabeça para procurar Brienne. Ainda estava montada, com uma flecha alojada nas costas e outra na perna, mas parecia não senti-las. Viu-a puxar a espada e descrever um círculo, em busca dos arqueiros.
– Atrás do muro – gritou Jaime, lutando para virar a sua montaria meio cega de volta à luta. As rédeas emaranhavam-se em suas malditas correntes, e o ar estava de novo repleto de flechas. – Avançar! – gritou, esporeando para mostrar à mulher como se fazia. Em algum canto, o velho e coitado cavalo encontrou um sopro de velocidade. De repente, dispararam pelo campo de trigo, fazendo voar nuvens de palha. Jaime só teve tempo suficiente para pensar: É melhor que a garota me siga antes que eles percebam que quem avança sobre eles é um homem desarmado e acorrentado. Então ouviu-a vindo de trás em grande velocidade.
– Entardecer! – gritou ela, quando seu cavalo de tração passou por Jaime trovejando. Brandia a espada. – Tarth! Tarth!
Algumas últimas flechas passaram inofensivamente por eles; então os arqueiros se separaram e fugiram, como os arqueiros sem reforço sempre faziam diante do ataque de cavaleiros. Brienne refreou o cavalo junto ao muro. Quando Jaime chegou ao seu lado, todos os arqueiros tinham desaparecido na floresta, vinte metros adiante.
– Perdeu o gosto pela batalha?
– Eles estavam fugindo.
– Essa é a melhor hora para matá-los.
Ela embainhou a espada.
– Por que você atacou?
– Os arqueiros são destemidos desde que possam se esconder atrás de muros e disparar de longe, mas, se são atacados, fogem. Sabem o que lhes acontece quando são apanhados. Você tem uma flecha nas costas, sabia? E outra na perna. Devia me deixar tratar delas.
– Você?
– Se não for eu, quem será? Da última vez que vi primo Cleos, o palafrém estava usando a cabeça dele para arar um sulco. Apesar disso, suponho que deveríamos ir à sua procura. Ele é uma espécie de Lannister.