A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Lew Longo esperava ao lado do cepo, mas Robb tirou o machado de sua mão e ordenou-lhe que se afastasse.
– Isso é tarefa minha – disse. – Ele morre por ordem minha. Deve morrer por minhas mãos.
Lorde Rickard Karstark inclinou rigidamente a cabeça.
– Por isso lhe agradeço. Mas por mais nada. – Vestira-se para a morte com uma longa túnica negra de lã, decorada com o resplendor branco de sua Casa. – O sangue dos Primeiros Homens corre tanto nas minhas veias quanto nas suas, rapaz. Faria bem em se lembrar disso. Fui batizado em honra de seu avô. Convoquei meus vassalos contra o Rei Aerys por seu pai, e contra o Rei Joffrey por você. Em Cruzaboi, no Bosque dos Murmúrios e na Batalha dos Acampamentos cavalguei ao seu lado, e acompanhei Lorde Eddard no Tridente. Somos parentes, os Stark e os Karstark.
– Esse parentesco não o impediu de me trair – disse Robb. – E não o salvará agora. Ajoelhe-se, senhor.
Catelyn sabia que Lorde Karstark falara a verdade. Os Karstark traçavam sua genealogia até Karlon Stark, um filho mais novo de Winterfell que derrubou um senhor rebelde mil anos antes e a quem tinham sido concedidas terras por seu valor. O castelo que construíra fora chamado Karls Hold, mas logo transformou-se em Karhold, e, ao longo dos séculos, os Stark de Karhold foram se transformando em Karstark.
– Segundo os deuses antigos ou modernos, não faz diferença – Lorde Rickard disse ao filho dela –, não há homem mais amaldiçoado do que aquele que mata parentes.
– Ajoelhe-se, traidor – voltou a dizer Robb. – Ou terei de ordenar-lhes que empurrem a sua cabeça contra o cepo?
Lorde Karstark se ajoelhou.
– Os deuses vão julgá-lo, tal como você me julgou. – Deitou a cabeça no cepo.
– Rickard Karstark, Senhor de Karhold. – Robb ergueu o pesado machado com ambas as mãos. – Aqui, à vista dos deuses e dos homens, considero-o culpado de assassinato e alta traição. Em meu nome o condeno. Com as minhas mãos tiro a sua vida. Quer dizer uma última palavra?
– Mate-me, e que seja amaldiçoado. Não é o meu rei.
O machado caiu. Pesado e bem afiado, matou em um único golpe, mas foram precisos três para separar a cabeça do corpo, e quando tudo terminou, tanto os vivos como o morto estavam encharcados de sangue. Robb atirou o machado ao chão, enojado, e virou-se para a árvore-coração sem dizer uma palavra. E ali ficou, tremendo e com as mãos semicerradas e a chuva correndo por seu rosto. Que os deuses o perdoem, rezou Catelyn em silêncio. Ele é só um rapaz, e não tinha alternativa.
Não voltou a ver o filho naquele dia. A chuva prosseguiu ao longo de toda a manhã, açoitando a superfície dos rios e transformando a relva do bosque sagrado em lama e poças. Peixe Negro reuniu uma centena de homens e saiu em busca de Karstarks, mas ninguém esperava que trouxesse muitos de volta.
– Só rezo para não ter de enforcá-los – disse ao partir. Quando foi embora, Catelyn retirou-se para o aposento privado do pai, para sentar-se novamente à cabeceira de Lorde Hoster.
– Não durará muito mais – preveniu-a Meistre Vyman quando apareceu naquela tarde. – Suas últimas forças estão se esgotando, embora ainda tente lutar.
– Sempre foi um lutador – disse ela. – Um homem teimoso e querido.
– Sim – disse o meistre –, mas esta é uma batalha que não pode ganhar. É hora de pousar a espada e o escudo. É hora de se render.
De se render, pensou ela, de fazer a paz. O meistre estaria falando de seu pai ou de seu filho?
Ao cair da noite, Jeyne Westerling veio visitá-la. A jovem rainha entrou timidamente no aposento privado.
– Senhora Catelyn, não quero incomodá-la...
– É muito bem-vinda aqui, Vossa Graça. – Catelyn estava bordando, mas pôs a agulha de lado.
– Por favor. Chame-me de Jeyne. Não me sinto como uma Graça.
– E, no entanto, é o que é. Por favor, venha sentar-se, Vossa Graça.
– Jeyne. – Ela sentou-se junto à lareira e alisou ansiosamente a saia.
– Como quiser. Como posso servi-la, Jeyne?
– É Robb – disse a garota. – Ele está tão infeliz, tão... tão zangado e desconsolado. Não sei o que fazer.
– Tirar a vida de um homem é uma coisa dura.
– Eu sei. Disse-lhe que devia usar um carrasco. Quando Lorde Tywin envia um homem para a morte, tudo que faz é dar a ordem. Assim é mais fácil, não acha?
– Sim – disse Catelyn –, mas o senhor meu esposo ensinou aos filhos que matar nunca deve ser fácil.
– Oh. – A Rainha Jeyne umedeceu os lábios. – Robb não comeu o dia inteiro. Mandei que Rollam lhe levasse um bom jantar, costelas de javali com cebolas cozidas e cerveja, mas nem tocou no prato. Passou a manhã inteira escrevendo uma carta e disse-me para não incomodá-lo, mas quando a carta ficou pronta, queimou-a. Agora está sentado, olhando uns mapas. Perguntei-lhe o que procurava, mas não me respondeu. Acho que nem sequer me ouviu. Nem quis mudar de roupa. Passou o dia inteiro molhado e ensanguentado. Eu quero ser uma boa esposa para ele, quero mesmo, mas não sei como ajudar. Não sei como animá-lo ou reconfortá-lo. Não sei de que precisa. Por favor, senhora, é a mãe dele, diga-me o que devo fazer.
Diga-me o que devo fazer. Catelyn poderia fazer a mesma pergunta, se seu pai estivesse em condições de responder. Mas Lorde Hoster tinha partido, ou estava perto disso. O seu Ned também. E também Bran e Rickon, e a mãe, e Brandon, há tanto tempo. Só lhe restava Robb, Robb e a esperança que se desvanecia de recuperar as filhas.
– Às vezes – disse Catelyn lentamente –, a melhor coisa que podemos fazer é nada. Quando cheguei a Winterfell, sentia-me magoada sempre que Ned ia ao bosque sagrado e lá se sentava sob a árvore-coração. Sabia que parte de sua alma estava naquela árvore, uma parte que eu nunca partilharia. Mas rapidamente percebi que sem essa parte ele não teria sido Ned. Jeyne, filha, você casou com o Norte, tal como eu fiz... e no Norte os invernos chegam. – Tentou sorrir. – Seja paciente. Seja compreensiva. Ele a ama e precisa de você, e voltará para você bem depressa. Talvez nesta mesma noite. Procure estar lá quando ele fizer isso. É tudo que posso lhe dizer.
A jovem rainha escutou, arrebatada.
– Estarei – disse, quando Catelyn terminou. – Estarei lá. – Pôs-se em pé. – Devia voltar. Ele pode ter sentido a minha falta. Verei. Mas se ainda estiver com os seus mapas, serei paciente.
– Faça isso – disse Catelyn, mas quando a garota chegou à porta, lembrou-se de mais uma coisa. – Jeyne – chamou-a –, há algo mais que Robb precisa de você, embora ele próprio talvez não saiba ainda. Um rei precisa de um herdeiro.
A garota sorriu ao ouvir aquilo.
– Minha mãe diz o mesmo. Ela faz uma poção para mim, com ervas, leite e cerveja, para ajudar a me tornar fértil. Bebo todas as manhãs. Disse a Robb que tenho certeza de que vou lhe dar gêmeos. Um Eddard e um Brandon. Ele gostou da ideia, acho eu. Nós... nós tentamos quase todos os dias, senhora. Certos dias duas vezes ou mais. – A garota corou de uma forma encantadora. – Vou esperar um bebê em breve, prometo. Rezo à nossa Mãe no Céu todas as noites.
– Muito bem. Juntarei também as minhas preces. Aos velhos deuses e aos novos.
Depois que a garota saiu, Catelyn voltou para junto do pai e alisou os finos cabelos brancos por cima da testa.
– Um Eddard e um Brandon – suspirou em voz baixa. – E talvez, a seu tempo, um Hoster. Gostaria disso? – ele não respondeu, mas ela nunca tinha esperado que respondesse. Enquanto o som da chuva no telhado se misturava com a respiração do pai, pensou em Jeyne. A garota realmente parecia ter bom coração, como Robb dissera. E boas ancas, o que pode vir a ser mais importante.