A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– E quebrará seu juramento? – rosnou ele. – Como eu?
Ela largou-o, e ele mergulhou com um esparramar de água.
E a floresta ressoou com gargalhadas roucas.
Brienne pôs-se em pé com dificuldade. Abaixo da cintura, ela era toda lama e sangue, tinha a roupa em desalinho e o rosto vermelho. Pelo aspecto dela é como se nos tivessem apanhado fodendo, e não lutando. Jaime engatinhou pelas pedras até a água rasa, limpando o sangue do olho com as mãos acorrentadas. Homens armados margeavam ambos os lados do riacho. Pouco admira, estávamos fazendo uma barulheira tão grande que acordaríamos um dragão.
– Sejam bem-vindos, amigos – gritou-lhes amigavelmente. – Minhas desculpas se os incomodei. Pegaram-me dando um corretivo na esposa.
– A mim pareceu que quem tava dando o corretivo era ela. – O homem que falou era forte e poderoso, e barra nasal de seu meio-elmo de ferro não escondia por completo a ausência de seu nariz.
Jaime percebeu subitamente que aqueles não eram os fora da lei que tinham matado Sor Cleos. Estavam cercados pela escumalha da terra: dorneses trigueiros e lisenos louros, dothraki com sinetas nas tranças, ibbeneses cabeludos, ilhéus do verão, negros como carvão, com manto de penas. Conhecia-os. Os Bravos Companheiros.
Brienne encontrou a voz.
– Tenho cem veados...
Um homem de aspecto cadavérico, com um manto esfarrapado de couro, disse:
– A gente aceita-os pra começar, senhora.
– E depois aceita a sua boceta – disse o homem sem nariz. – Não pode ser tão feia quanto o resto de você.
– Vire-a e meta no cu dela, Rorge – sugeriu um lanceiro de Dorne com um lenço de seda vermelho enrolado em volta do elmo. – Assim não precisa olhar para ela.
– E roubar dela o prazer de olhar pra mim? – disse o sem-nariz, e os outros riram.
Por mais feia e teimosa que fosse, a garota merecia coisa melhor do que um estupro coletivo por uma escória como aquela.
– Quem comanda aqui? – exigiu saber Jaime em voz alta.
– Sou eu quem tem essa honra, Sor Jaime. – Os olhos do cadáver estavam debruados de vermelho, e seus cabelos eram finos e secos. Conseguiam ver-se veias azul-escuras através da pálida pele de suas mãos e de seu rosto. – Sou Urswyck. Chamam-me de Urswyck, o Fiel.
– Sabe quem eu sou?
O mercenário inclinou a cabeça.
– É preciso mais do que uma barba e uma cabeça rapada para enganar os Bravos Companheiros.
Os Saltimbancos Sangrentos, você quer dizer. Jaime não via mais utilidade naqueles do que em Gregor Clegane ou Amory Lorch. Cães, chamava o pai a todos, e usava-os como cães, para espantar as presas e plantar o medo em seu coração.
– Se me conhece, Urswyck, sabe que terá a sua recompensa. Um Lannister sempre paga as suas dívidas. Quanto à garota, é bem-nascida, e vale um bom resgate.
O outro inclinou a cabeça para o lado.
– Ah, é? Que sorte.
Havia uma certa astúcia no sorriso de Urswyck que não agradou a Jaime.
– Ouviu o que eu disse. Onde está o bode?
– A algumas horas de distância. Ele ficará satisfeito por vê-lo, não tenho dúvida, mas, se fosse você, não o chamaria de bode em sua presença. Lorde Vargo tem ficado suscetível quanto à sua dignidade.
Desde quando aquele selvagem baboso tem dignidade?
– Farei o possível para me lembrar disso quando nos encontrarmos. Senhor do quê, diga-me?
– Harrenhal. Foi-lhe prometido.
Harrenhal? Será que meu pai perdeu o juízo? Jaime ergueu as mãos.
– Quero estas correntes tiradas.
O risinho de Urswyck foi seco como papel.
Algo aqui está muito errado. Jaime não mostrou sinais de sua confusão e limitou-se a sorrir.
– Disse alguma coisa divertida?
O sem-nariz deu um sorriso.
– É a coisa mais engraçada que eu vi desde que o Dentadas arrancou as tetas daquela septã com mordidas.
– Você e seu pai perderam batalhas demais – esclareceu o dornês. – Tivemos de trocar as nossas peles de leão por peles de lobo.
Urswyck abriu as mãos.
– O que o Timeon quer dizer é que os Bravos Companheiros já não estão a soldo da Casa Lannister. Agora servimos Lorde Bolton, e o Rei no Norte.
Jaime dirigiu-lhe um frio sorriso de desprezo.
– E os homens ainda dizem que eu tenho merda no lugar de honra!
Urswyck não ficou satisfeito com aquele comentário. Ao seu sinal, dois dos Saltimbancos agarraram Jaime pelos braços e Rorge enfiou-lhe no estômago um punho revestido de cota de malha. Quando se dobrou, grunhindo, ouviu a garota protestar:
– Parem, ele não deve ser ferido! Foi a Senhora Catelyn que nos enviou, uma troca de cativos, ele está sob a minha proteção... – Rorge bateu outra vez nele, arrancando-lhe o ar dos pulmões. Brienne mergulhou em busca da espada que estava sob as águas do riacho, mas os Saltimbancos caíram sobre ela antes que conseguisse alcançar a arma. Forte como era, foram precisos quatro para espancá-la até deixá-la submissa.
No fim, o rosto da moça ficou tão inchado e ensanguentado quanto o de Jaime devia estar, e tinham quebrado dois de seus dentes. Isso em nada contribuiu para melhorar sua aparência. Tropeçando e sangrando, os dois prisioneiros foram arrastados pela floresta até os cavalos, com Brienne mancando do ferimento na coxa que Jaime lhe causara no riacho. Ele sentiu pena da garota. Não tinha dúvidas de que Brienne perderia a virgindade naquela noite. Aquele canalha sem nariz iria possuí-la com certeza, e era provável que alguns dos outros também esperassem a sua vez.
O dornês amarrou-os costas com costas em cima do cavalo de tração de Brienne, enquanto os outros Saltimbancos despiam Cleos Frey até a pele e dividiam entre si as suas posses. Rorge ganhou o sobretudo manchado de sangue, com seus orgulhosos quartos Lannister e Frey. As flechas tinham aberto buracos tanto nos leões como nas torres.
– Espero que esteja satisfeita, garota – murmurou Jaime a Brienne. Tossiu e cuspiu um punhado de sangue. – Se tivesse me armado, nunca teríamos sido capturados. – Ela não respondeu. É uma cadela teimosa que nem uma mula, pensou. Mas valente, sim. Não podia negar isso. – Quando acamparmos para a noite, você será estuprada, e mais de uma vez – preveniu-a. – Seria sensato não resistir. Se resistir, perderá mais do que alguns dentes.
Sentiu as costas de Brienne retesarem contra as suas.
– Seria isso que você faria, se fosse uma mulher?
Se eu fosse uma mulher, seria Cersei.
– Se eu fosse uma mulher, iria obrigá-los a me matar. Mas não sou. – Jaime induziu o cavalo deles a trote. – Urswyck! Uma palavrinha!
O mercenário cadavérico com o manto de couro esfarrapado puxou as rédeas por um momento, e depois pôs-se a seu lado.
– O que quer de mim, sor? E tenha cuidado com a língua, senão voltarei a dar um corretivo em você.
– Ouro – disse Jaime. – Gosta de ouro?
Urswyck estudou-o através de olhos avermelhados.
– Tem os seus usos, confesso.
Jaime dirigiu a Urswyck um sorriso astuto.
– Todo o ouro em Rochedo Casterly. Por que deixar que seja o bode quem se beneficiará dele? Por que não nos leva a Porto Real e recolhe você mesmo o meu resgate? O dela também, se quiser. Uma donzela disse-me que chamam Tarth de Ilha Safira. – A mulher contorceu-se ao ouvir aquilo, mas nada disse.
– Toma-me por um vira-casaca?
– É claro. Que outra coisa seria?
Urswyck pesou a proposta durante meio segundo.
– Porto Real fica muito longe, e seu pai está lá. Lorde Tywin pode nutrir ressentimentos por nós, por termos vendido Harrenhal ao Lorde Bolton.