A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Creio que sim – disse Tyrion, irritado. – Confesso que não posso provar. Embora ninguém possa dizer que não tentei. Ora, se planto as minhas sementinhas sempre que tenho oportunidade...
– Nas fossas e nas sarjetas – concluiu Lorde Tywin – e em terreno plebeu, onde só ervas bastardas ganham raízes. Já é mais do que hora de manter seu próprio jardim. – Pôs-se em pé. – Nunca terá Rochedo Casterly, garanto. Mas case com Sansa Stark, e é possível que conquiste Winterfell.
Tyrion Lannister, Senhor Protetor de Winterfell. A ideia provocou-lhe um estranho arrepio.
– Muito bem, pai – disse lentamente –, mas há uma questão que não estão considerando. Robb Stark é tão capaz quanto eu, presume-se, e está prometido a uma daquelas férteis Frey. E assim que o Jovem Lobo gerar uma ninhada, as crias que Sansa trouxer ao mundo não serão herdeiras de nada.
Lorde Tywin não se mostrou preocupado.
– Robb Stark não gerará nenhum filho nessa fértil Frey, tem a minha palavra quanto a isso. Há algumas notícias que não achei por bem partilhar com o conselho, embora os bons senhores irão sem dúvida saber delas em breve. O Jovem Lobo tomou a filha mais velha de Gawen Westerling como esposa.
Por um momento, Tyrion não conseguiu acreditar que ouvira bem o que o pai dissera.
– Ele quebrou a palavra? – disse, incrédulo. – Ele jogou fora os Frey por... – As palavras falharam-lhe.
– Uma donzela de dezesseis anos, chamada Jeyne – disse Sor Kevan. – Lorde Gawen sugeriu-a uma vez para Willem ou Martyn, mas tive de recusar. Gawen é um bom homem, mas sua esposa é Sybell Spicer. Ele nunca devia ter se casado com ela. Os Westerling sempre tiveram mais honra do que bom senso. O avô da Senhora Sybell era um mercador de açafrão e pimenta, de um nascimento quase tão baixo quanto o daquele contrabandista de Stannis. E a avó era uma mulher qualquer que ele trouxe do leste. Uma velha assustadora, supostamente uma sacerdotisa. Chamavam-lhe Maegi. Ninguém conseguia pronunciar seu verdadeiro nome. Metade de Lanisporto ia até ela em busca de curas, poções de amor e coisas do gênero. – Encolheu os ombros. – Ela está morta há muito tempo, é certo. E Jeyne parecia uma doce criança, admito, embora só a tenha visto uma vez. Mas com um sangue tão duvidoso...
Tendo casado uma vez com uma prostituta, Tyrion não podia partilhar inteiramente do horror do tio à ideia de se casar com uma garota cujo bisavô vendia cravos. Mesmo assim... Uma doce criança, dissera Sor Kevan, mas muitos eram os venenos que também eram doces. Os Westerling eram de sangue antigo, mas possuíam mais orgulho do que poder. Não o surpreenderia se lhe dissessem que a Senhora Sybell trouxera mais riqueza ao casamento do que o seu esposo bem-nascido. As minas Westerling tinham se esgotado havia anos, suas melhores terras tinham sido vendidas ou perdidas, e o Despenhadeiro era mais ruína do que fortaleza. Uma ruína romântica, porém, projetando-se ousadamente sobre o mar.
– Estou surpreso – Tyrion teve de confessar. – Julgava que Robb Stark tinha mais bom senso.
– É um garoto de dezesseis anos – disse Lorde Tywin. – Nessa idade, o senso pouco pesa contra o desejo, o amor e a honra.
– Ele quebrou um juramento, envergonhou um aliado, traiu uma promessa solene. Onde está a honra nisso?
Foi Sor Kevan quem respondeu.
– Ele colocou a honra da garota acima da sua. Depois de deflorá-la, não tinha alternativa.
– Podia ter sido mais gentil deixá-la com um bastardo na barriga – disse Tyrion sem rodeios. Os Westerling arriscavam-se assim a perder tudo; as terras, o castelo, até a própria vida. Um Lannister sempre paga as suas dívidas.
– Jeyne Westerling é filha de sua mãe – disse Lorde Tywin – e Robb Stark é filho de seu pai.
Aquela traição Westerling não parecia ter enraivecido o pai tanto quanto Tyrion esperaria. Lorde Tywin não tolerava deslealdades por parte dos vassalos. Extinguira completamente os orgulhosos Reyne de Castamere e os antigos Tarbeck de Solar Tarbeck quando mal deixara de ser um rapaz. Os cantores tinham até feito uma canção bastante lúgubre sobre o assunto. Alguns anos mais tarde, quando Lorde Farman de Belcastro se tornou truculento, Lorde Tywin enviou um embaixador que levava um alaúde em vez de uma carta. Mas, depois de ouvir “As chuvas de Castamere” ecoando em seu salão, Lorde Farman deixou de causar problemas. E se a canção não bastasse, os castelos destruídos dos Reyne e dos Tarbeck ainda estavam lá, como testemunhos mudos do destino que esperava aqueles que escolhiam escarnecer do poder de Rochedo Casterly.
– O Despenhadeiro não é muito longe de Solar Tarbeck e Castamere – destacou Tyrion. – Seria esperado que os Westerling tivessem passado por esses locais e visto a lição que lá se encontra.
– E talvez o tenham feito – disse Lorde Tywin. – Garanto-lhe que estão bem cientes de Castamere.
– Poderão os Westerling e Spicer ser tão idiotas que creem que o lobo pode derrotar o leão?
Muito de vez em quando, Lorde Tywin Lannister chegava mesmo a ameaçar um sorriso; nunca o fazia, mas a simples ameaça era terrível de contemplar.
– Os maiores idiotas são às vezes mais espertos do que os homens que deles riem – disse, e depois: – Casará com Sansa Stark, Tyrion. E em breve.
CATELYN
Trouxeram os cadáveres nos ombros e pousaram-nos sob o estrado. O silêncio caiu sobre o salão iluminado por archotes, e nele Catelyn conseguiu ouvir Vento Cinzento uivando a meio castelo de distância. Ele sente o cheiro do sangue, pensou. Através de paredes de pedra e portas de madeira, através da noite e da chuva, mesmo assim reconhece o odor da morte e da ruína.
Estava à esquerda de Robb, junto ao cadeirão, e por um momento sentiu-se quase como se estivesse olhando seus próprios mortos, Bran e Rickon. Aqueles rapazes eram muito mais velhos, mas a morte encolhera-os. Nus e molhados, pareciam umas coisinhas tão pequenas e tão imóveis que era difícil lembrar deles com vida.
O rapaz louro andava tentando deixar crescer uma barba. Uma penugem amarelo-clara cobria suas bochechas e seu queixo por cima da ruína vermelha em que a faca transformou a sua garganta. Seus longos cabelos dourados ainda estavam molhados, como se tivesse sido arrancado de um banho. A expressão era a de quem havia morrido em paz, talvez dormindo, mas seu primo de cabelos castanhos tinha lutado pela vida. Seus braços exibiam cortes onde havia tentado parar as lâminas, e gotas vermelhas ainda pingavam das punhaladas que lhe cobriam o peito, a barriga e as costas como outras tantas bocas sem língua, embora a chuva o tivesse lavado quase por completo.
Robb tinha posto a coroa antes de entrar na sala, e o bronze brilhava, escuro, à luz dos archotes. Sombras esconderam seus olhos quando observou os mortos. Será que ele também vê Bran e Rickon? Catelyn poderia ter chorado, mas já não lhe restavam lágrimas. Os rapazes mortos estavam pálidos devido ao longo encarceramento, e ambos eram de tez clara; contra a pele lisa e branca, o sangue era chocantemente rubro, insuportável de contemplar. Será que irão colocar Sansa nua sob o Trono de Ferro depois de a matarem? Irá sua pele parecer assim tão branca, seu sangue tão vermelho? Do exterior chegavam o ruído contínuo da chuva e os inquietos uivos de um lobo.
O irmão, Edmure, estava à direita de Robb, com uma mão apoiada no espaldar da cadeira do pai, e o rosto ainda inchado de sono. Tinham-no acordado, tal como a ela, batendo em sua porta, na noite cerrada, para arrancá-lo rudemente dos sonhos. Eram bons sonhos, irmão? Sonha com a luz do sol, com risos e com os beijos de uma donzela? Rezo para que sim. Os sonhos dela eram escuros e fustigados por terrores.